Enquanto a emissão da TSF estiver dedicada à "Guerra no Iraque", a IF tem de esperar.
Recebi um mail de uma ouvinte que me diz : " Parece que a guerra já tomou, como refém, o Íntima Fracção...Diga, por
favor, aos seus patrões que os ouvintes precisam de escapes, com qualidade." Não sei ... Para estes pedidos, já disse em momentos anteriores, embora agradeça que me dêem conhecimento, por favor façam-nos chegar à TSF.
Quem também chegou foi a Primavera. Ninguém deu por isso ? Com o estado actual das coisas, não "era para dar" ! Habitualmente, nesta altura, na IF recorria sempre ao paradigmático tema dos Beatles, "Here comes the sun". Este ano preparava-me para utilizar um bónus que vem incluído no último disco de Nick Cave, "Nocturama". Precisamente uma versão de "Here comes the sun". Esperemos pelo sol !
Aqui estão as capas. "Abbey road" - Beatles, e "Nocturama" de Nick Cave. Para sorrir um bocadinho, dou-vos a conhecer um CD da "Rua Sesamo" com música dos Beatles e com capa inspirada no original.
" It's been a long and lonely winter ... Here comes the sun ... The smiles returning to the faces". CÁ ESPERO !
Round and round, up and down
Through the streets of your town
Everyday I make my way
Through the streets of your town 
Este refrão de "Streets of your town", dos Go-Betweens, é uma boa recordação do antes da Guerra do Golfo - 1991. A música é de um disco, " 16 Lovers Lane ", que saiu em 1988. Mas foi em finais de 89 e primeiros meses de 1990, que dei por ela, graças à Né Ladeiras que nessa altura trabalhava comigo na TSF ( depois de cada um, a seu tempo, ter saído da RDP ). Muito passámos isto ... É, como se costumava dizer, "muito boa onda, boa cena". Positivo. Que falta que cá faz !

Talvez não seja fácil, mas pode ser proveitoso tentar espreitar o outro lado da informação.

Que grande alívio ! No regresso de Miguel Sousa Tavares ao Público, está tudo aquilo que eu quero dizer sobre o momento actual.
Obrigado MST.
A IF nunca esteve demasiado longe do mundo em que é produzida. Talvez custe um bocado pensar nela como um produto. De facto, não penso assim. Mas é. A aspiração a "obra de arte", como se fosse um longo tema musical, é muito pretenciosa. Eu produzo-a e ela cresce vinda da minha relação com o mundo. Por isso, eu também tenho opinião. É evidente, mas é bom lembrar antes que a tomem por um produto de alguma "Ibéria etérea".

Primavera chega parda. A invasão do Iraque chega pela televisão a um restaurante no planalto da Zona do Pinhal. Comemos. Entre duas garfadas, cai uma azeitona na mesa e um míssil em Bagdad. Ninguém diz nada. Um miúdo joga game-boy ao canto da sala.
" A Primavera nunca esperou por nós ... seguiu sempre um passo à frente, enquanto fomos caíndo na dança." (Webb)
Devido à emissão especial da TSF sobre a Guerra no Iraque, poderá não ser transmitida a Íntima Fracção deste sábado.
This is Radio Clash, 88.5
This is Radio Clash, speaking from Bagdad
This is Radio Clash, 88.5
This is Radio Clash, listen to Saddam
This is Radio Clash, 88.5
This is Radio Clash, under the Yankees bombs
This is Radio Clash, don't forget your mission
This is Radio Clash about révolution
La guerre du golfe est déclarée, plein de caméras
Le feuilleton va commencer, calé dans mon sofa
Y a pas de morts, pas de blessés, vive les USA
Li algures. Com tanta informação, não me lembro onde foi. " Para se ter um weblog é preciso um grande ego e tempo".
Fiquei a pensar.
Depois de um comentário aqui deixado, de intervenções no fórum e de alguns mails que recebi, adianto o seguinte. Relembro que a IF não é realizada nos estúdios da TSF (desde Maio de 1995). Faz-se no meu próprio pequeno estúdio. Para chegar à TSF é necessário, todas as semanas, repetir alguns procedimentos. Tudo foi feito como habitualmente, mas quem tinha o dever (pago) de garantir a "viagem" da IF para os estúdios da TSF e daí para os ouvintes, não o fez. Só 2ª feira saberei concretamente o que falhou.
Não gosto que sejam emitidas emissões de reserva (gravadas noutra altura). De qualquer forma, terei que regressar a esse recurso para evitar "brancas".
A todos os que enviaram mensagens, garanto que o autor é o mais desolado. " ... Infelizmente, hoje tivemos pouco para dizer, ainda menos para escutar e nada para sentir." ou " ...espera-se uma semana e retiram-nos o doce", são comentários de ouvintes que também podiam ser meus.
Dizia-se "Por motivos alheios à nossa vontade ...". Pois eles estão de volta ... os tais motivos alheios. Nem eu, nem a TSF, somos responsáveis por esta noite não haver Íntima Fracção. É século XXI, mas ainda há coisas que em matéria de comunicações funcionam como se estivessemos no tempo da "malaposta" ! Só falta mudar de cavalos ... Talvez se os mudassem, estas coisas não acontecessem.
Esteve aqui o alinhamento e os textos do programa. Vou preparar edições da IF, em reserva.
Voltará para a semana.
Hoje não estou desolado. Estou revoltado.

Capa de um disco de Azure Ray (brevemente na IF).
Imagem para todas as crianças que alguma vez estiveram tristes.
"Spring was never waiting for us, girl
It ran one step ahead
As we followed in the dance"
Este é o início de uma velha canção - McArthur Park - celebrizada por Richard Harris, mas composta por Jimmy Webb, um músico que também cantava. "Velvet song-writer" que compôs também um outro tema (entre muitos, claro) que veio a ser recuperado por Nick Cave : "By The Time I Get To Phoenix".
Há quem tenha eleito McArthur Park como a canção mais ridícula do século XX. A letra é complicadíssima, de tão fácil, mas é minha opinião que ninguém se deu ao trabalho de a sentir.
Webb disse, "detractors are just plain wrong. This is the inner cry of a young Okie kid lost in Los Angeles with a heart full of sorrows and a head full of acid. He has been crushed by love, but he vows to rise again, though he knows his loss always will cause him pain." Nunca tinha lido a canção assim, mas o dramatismo levado ao extremo por Richard Harris, dá-lhe todo o sentido.
Tudo isto vem a propósito do princípio da canção.
"Spring was never waiting for us, girl 
It ran one step ahead
As we followed in the dance"
Estive agora a ver o site dos "Weblogs Awards 2003". O regresso aqui foi, obviamente, penoso.

"Little Yellow Different" foi o blog do ano.
A inserção de comentários neste blog está caótica. Graficamente e não só. Desculpem.
Prometemos ser breves ...
Julio Costello, através da Net voltou a encontrar a IF. Para mim é muito motivador saber que chego à Rondônia. No seu blog conta a história. Agora, para retomar um velho contacto que só a internet pode proporcionar, enviou-me uma lista de sugestões magníficas para utilizar na IF. Eu sei que no fórum já houve quem dissesse que a IF não é um programa de discos pedidos. Não é de certeza. Mas o Júlio envia sugestões, que sabe, correspondem ao ambiente da IF. Envia e depois deixa espaço livre para a escolha. Ele não quer ouvir na rádio (via net). Ele quer que eu ouça e decida. Nada melhor.
Ouvintes da IF ( amigos, concerteza ) têm sugerido que ela passe ao formato diário. Já o foi entre Setembro de 1993 e Setembro de 1996. Eu estou disposto a isso, desde que seja uma hora diária. A mim não fica nada bem falar sobre isto. Quem quiser que faça chegar os pedidos à direcção da TSF. Agradeço o interesse. Fico contente.
Os blogs destróiem a ideia de que somos únicos. " Entretanto acho que estou melhor, depois dos antibióticos e anti-inflamatórios". Isto diz Numb no seu "i slide myself forward through my mind".
Os blogs LEMBRAM-NOS que " posso ser ouvido por todos, mas só posso ser escutado pelos que têm exactamente e presentemente a mesma linguagem que eu." (Barthes) Este é um grande ensinamento que R. Barthes me deixou como herança para a IF.

Rádio. Net. Música.
Ninguém sozinho ?
ÍNTIMA FRACÇÃO
8 / 9 de Março 2003
# Sétima Legião : Por tua imensa saudade
# Lemon Jelly : Spacewalk
# Boards of Canada : In the annexe
# Slowdive : Blue skied an' clear
# Murcof : Maiz
# Bonnie "Prince" Billy : Mandering
# Bob Dylan : Blue Moon
# Jacques Higelin : Je ne peux plus dire je t'aime
# Black Box Recorder : It´s only the end of the world
# Penguin Cafe Orchestra : The surrealist waltz
# Nick Cave : Still in love
# Ed Harcourt : Still i dream of it
# Bonnie "Prince" Billy : Ever if love
# Vincent Gallo : When
# Lemon Jelly : Closer
# Sétima Legião : Por tua imensa saudade
# Martin Rev : Whisper
# Suicide : Surrender
# Sybarite : The fourth day
créditos sobre # Simone de Oliveira : Sol de inverno ; música suplementar # Lemon Jelly : Closer
Textos :
" Verdadeiramente, nada de novo. Apenas o vento e as ressonâncias. Poeira no ar, plantas agitadas. Interrogações. Tudo visto no silêncio que está atrás dos vidros." (F.A.)
" Assim, prossigo. Olhando uma tina de vidro muito transparente, onde o lodo depositado no fundo se agitou e, elevando-se, deixa a água turva, criando uma barreira à passagem da luz. Gostava de poder repousar os braços na mesa e ter tempo, lentamente, e ver os milhares de pequenas partículas a descer, libertando a água à sua pureza inicial, ao brilho da refracção. De novo à transparência. Ou então, prosseguir, até sentir com a cabeça e começar a pensar com o coração." (F.A.)
" O silêncio é de todos os rumores o mais próximo da nascente." (Eugénio de Andrade)
" Quem dorme perde a noite. Foge da eternidade. / ... / Quem dorme perde tudo o que o acaso deposita na mesa do universo." (Lêdo Ivo)
" Para lá das vozes cada vez mais confusas e indistintas, cria-se um nível a partir do qual, essa absurda traição do tempo, deixa pura e simplesmente de existir, para tudo não ser mais do que memória - uma memória sem princípio nem fim que nos faz andar, desde de sempre, à procura de alguma coisa de raro e de indefinível." (Tahar ben Jelloun)
Desculpem ! Não está nada aberta a possibilidade de inserirem comentários. AINDA NÃO ESTÁ !
Já a seguir, o alinhamento para a IF desta noite.
A capa deste disco não deve ser estranha aos mais "recentes atentos". Kruder&Dorfmeister aproveitaram-na quase trinta anos depois.

Está aberta a possibilidade de comentários directos através do blog da IF. Não está apurado graficamente. Desculpem.
O primeiro LP (vinil) que tive foi este.

# Simon & Garfefunkel : Bookends.
Tudo aquilo que NUNCA QUIS SABER sobre a IF?
Tom Rapp era o centro de um grupo chamado " Pearls before swine ". Exactamente : Pérolas a porcos.

Já passou várias vezes na IF. Na linha de um certo desencanto de que a IF é, ao mesmo tempo, cultora e combatente, volta não volta vem de longe "Wizard of is".
Everything you see all around you
Will roll away on wheels of tomorrow
Down misty willow rivers of because
Into the land of was
You know you only have to be my friend
The world outside can teach and astound you
Build a wall it will only surround you
Walls were only built to fall, my friend
They'll never shelter anyone you've been
Just enjoy the spell that you're under
Look around, sunshine's around you
It has always had to hide
But it's just been waiting there inside you
Be strong as love, soft as flowers
Walk like the wind walks when it walks through flowers
My friend, you don't have to hold back the sea
You only have to be
Quando é possível transformar o desespero em esperança, ainda estamos bem.
Uma casa sobre as dunas. O leve agitar dos canaviais. Sabermos onde estão os nossos amigos.
Um futuro inteiro para mudar. O próprio momento. Sempre esse. Aquele onde tudo era ainda possível.
A obra de Jacques Tati, no cinema, é um fabuloso exemplo de como se pode trabalhar com o som. Como disse Robert Bresson : " o ouvido vai muito mais dentro; a vista para fora."
É evidente que Tati ficou na História do Cinema. Quem quiser aprender alguma coisa sobre a utilização do som em bandas sonoras, com a quase ausência de diálogos, deve ver a obra completa de Tati. Aconselho particularmente o filme "Playtime". Para além da banda sonora, é um filme de antecipação à utilização da arquitectura moderna.
Atenção : são filmes para sorrir.
ÍNTIMA FRACÇÃO
1 / 2 de Março de 2003
# Brian Eno : By this river
# Sigur Rós : Olsen Olsen
# Giant Sand : No reply
# Tindersticks ( com Isabella Rossellini ) : A mariage made in heaven
# David Bowie : God only knows
# Bel Canto : Picnic on the moon
# King Crimson : I talk to the wind
# Angelo Badalamenti : Dub driving
# Can : Cascade waltz
# Labradford : Soft Return
# Anaouar Brahem : Deja la nuit
# Aqua Bassino : Moon light
# Costeau : To know her
# Billy Mackenzie : Wild is the wind
# Van Morrison : Beside you
# Múm : Finally we are no one
# Galaxy 500 : Blue Thunder
créditos sobre # Spring Heel Jack : Island
canção suplementar # Billie Holiday : Willow weep for me
textos : " Por excesso de solidão estou onde estou; nem dia nem noite me mudam o ser. Uma terra simples, um deserto silencioso, um simples silêncio. Agora estou onde estou. "
" É de noite. São as horas dos teus segredos. Onde os guardas ? "
" Tão perto do que é longe e distante me encontro agora e sempre me encontrei. Algo no entanto precisei perder para o saber." (Paulo Tunhas)
" Às vezes o que buscamos especialmente é o silêncio, o intervalo entre os sons. "
" Um visionário da Arqueologia imagina que, assim como o som gravado nos sulcos dos discos, as vozes dos pedreiros de outrora podem ter ficado entranhadas nos sulcos das antigas muralhas e templos, e só esperam uma 'agulha' adequada para voltar à vida." (David Lowenthal)
" É preciso acreditar que sim, mas saber que não." (S. Beckett)
Por vezes, parece-me que o outro lado está frio e vazio como a noite. Afinal, não. Pelo menos os ouvintes do fórum estão lá.
Do outro lado (do mar) recebi notícias de um ciberouvinte ( até quando Júlio ? ). Ele tem o seu próprio blog.
Enquanto houver corações ligados aos ouvidos, talvez não se confirme a canção dos Buggles "Video killed the radio stars".
Sinais. Parou a chuva. Corre um vento gelado.
Onde estarão os ouvintes da Íntima Fracção ?
Noite de chuva.
Receio sempre que as gotas se transformem em lágrimas.
Sinto uma sensação estranha de abandono. Onde estarão agora os ouvintes da IF ?

Lembro duas músicas em que este estado de alma ( que a chuva persistente provoca ) está bem retratado. "Rainy night in Georgia" (Brook Benton) " ... it seems like raining all over the world". "Video Maria" (GNR) " ... tarde de chuva é península inteira a chorar."

A pintura lá em cima é de Stephanie Noble. Está na Net. Resolvi dizer isto porque se estão a levantar problemas com os direitos de autor nos weblogs. Este assunto ainda só agora começou. Espero que os weblogs não sejam considerados uma versão disfarçada do Napster. E a propósito ... tenho saudades tenho. E ainda mais do Audiogalaxy. Mas não será possível avançar com um serviço destes, pago baratinho, mas que não tenha só músicas desta ou daquela editora ?

Realizar uma IF com música portuguesa não é impossível, mas é difícil. Há discos de música portuguesa ( que eu não confundo com música em português ) que gostaria imenso de utilizar na IF. Para isso teria que pensar muito bem numa realização adaptada a essa circunstância. Estou sinceramante a pensar fazê-lo, como forma de dar o meu pequenino apoio à música portuguesa. Só que não aceito bem que, em debates sobre o assunto, aparecerem "artistas" como Emanuel, Ágata, Toy e respectivos protegidos. A pimbalhada está em todo o lado e em outros países europeus já existe há mais tempo do que cá. Não fazem música portuguesa. Cantam em português, sabe-se bem o quê !
Não esqueçam que o indicativo da IF é da Sétima Legião. Já passei música portuguesa na IF : Madredeus, Né Ladeiras, Fé de Sábio, Jorge Palma ( um tema feito de propósito sobre o Natal ) e Sérgio Godinho, com a canção que é a minha paixão dentro da música portugusa, "A noite passada".
Entrevistei o Sérgio Godinho, pelo menos duas vezes, em tardes de espectáculo à noite. Numa das vezes ele escreveu-me uma frase muito bonita, junto à letra de "A noite passada", depois de lhe ter confessado a importância que aquele música tinha para mim.
Ah ! Também passei o José Afonso, claro. "Maio, maduro Maio" e ainda o "Senhor Arcanjo" ( com uma entrada fabulosa em que participa o José Mário Branco ). Portugueses em inglês passei os "Gift". Eles são entusiastas da Íntima Fracção. Disseram-me que tinham gravado pedaços do programa, naquela fase de construção do grupo. Convidaram-me para ir ao concerto que deram em frente ao Mosteiro da sua Alcobaça. Eu, pouco virado para estas coisas, vi o espectáculo em directo na SIC-Radical, quando ainda se faziam transmissões destas ( e não se dava tanto tempo a "broeiros" Cabarets da Coxa ! ). Fiquei muito impressionado com o espectáculo e resolvi pegar no tema "Question of love" e remisturá-lo imaginando como o teria ouvido se lá tivesse estado, entre o back-stage e o público. Há partes em que me imagino a percorrer corredores, a subir e a descer escadas dentro do Mosteiro, enquanto os Gift continuavam a tocar cá fora. Depois, o que mais me impressionou, foi ter entrevistado para a Televisão a vocalista e a Sónia, afinal, era pequenina e nada senhoril. Em palco sempre me tinha passado a imagem de alguém maior e mais velho.
INTIMA FRACÇÃO
22/23 de Fevereiro 2003
# Lambchop : I can hardly spell my name
# Beck : Dead melodies
# The Orb : Perpetual Dawn (extracto)
# Penguin Cafe Orchestra : Yodel 1
# Brian Eno : Silver Morning
# Massive Attack : Everywhen
# Pink Floyd : Us and them (echoes)
# Brokeback : Another routine day breaks
# The Passions : I'm in love with a german film star
# Telegraph Melts : Septembrist
# Zero 7 : Monday Night
# The Montgolfier Brothers : Even if my mind can tell you
# Múm : I can't feel my hand anymore
# John Barry : Mountain sunset
# Angelo Badalamenti : Nostalgia
# Ray Charles : Don't let the sun catch you cryin'
# Rune Lindaeck : Sondags
créditos sobre # The Poni-Tails : Born to late
música suplementar # Departure Lounge : A strange descent
Textos :
" A poesia é feita a favor de todos, sobretudo daqueles que não podem compreendê-la. A poesia são alguns dos traços do meu rosto, que aos poucos desvendo e desde sempre ofereço. "
" Tentando libertar-nos do tempo, escolhemos ora o eterno presente, ora o eterno passado, ora o eterno futuro." (João Wiborg)
" A impressão que se tem, no limiar do despertar, quando os esforços impacientes que fazemos para retomar um sonho agradável só servem para sublinhar a impossibilidade de reconstituir o estado anterior." (Mishima)
"Como se todos as esperanças, há muito esquecidas, não se tivessem concretizado e fossem, agora, de novo possíveis." (textos próprios)
Como se todas as esperanças, há muito esquecidas, não se tivessem concretizado e fossem, agora, de novo possíveis.
INTIMA FRACÇÃO
15 / 16 Fevereiro de 2003
# Giant Sand : Astonished
# Nick cave : Still in love
# Looper : Back to the tree house
# Cousteau : To know her
# Robert Wyatt : Memories of you
# The Gotan Project : Round about midnight
# Cat Power : Wild is the wind
# John Cale : Close watch ( versão antiga )
# Bassic : Televisionary
# Eels : Jennifer Eccles ( cover dos Holies )
# Goldfrapp : Utopia ( miss world remix )
# Penguin Cafe Orchestra : Perpetum Mobile
# Wayne Horvitz : Close to you ( cover Carpenters )
# Labradford : Wien
# Czars : Song to the siren ( Tim Buckley cover )
# Cousteau : You, my lunar queen
# Zwan : Of a broken heart
# Impostor Orchestra : Secrets will remain
# Trash Can Sinatras : You only live twice ( cover )
créditos finais sobre # Human League : MirrorMan
música suplementar # Lucky Pierre : Angels on your body
Textos : " Noites onde se depositam sempre as mesmas interrogações. Noites que se riscam sempre com a luz das mesmas esperanças. A violência da esperança longamente em repouso."
" A solidão dispensa o silêncio, mas o silêncio exige a solidão."
" Esta intimidade, está apenas numa fracção. Um pequeno cristal que vibra por si. Brilhando. Persistentemente no meio da noite."
" Suaves e brilhantes reflexos, como uma pequena pérola rolando pela palma da mão estendida à janela da escuridão desta noite. O clarão, o brilho mais intenso, todos o sabemos, vem sempre de dentro." - textos próprios.
" Desejo a simplicidade, a calma, o sossego, o silêncio, a música. Não me preocupo em chegar, pois a viagem não tem fim. apenas há a viagem. Tento que ela seja perfeita, doce, rigorosa, exacta, maleável, precisa. Via da felicidade. A viagem é a arte da alegria. Tento que ao longo dela o coração se encha, que toque o mais profundo e mais alto, o mais central, o mais autêntico, o mais absoluto." João Wiborg.
Dificuldades de acesso ao meu arquivo, não permitiram colocar aqui ainda o alinhamento e os textos da emissão da noite de 15 / 16 Fevereiro. Dentro de algumas horas o material será aqui publicado.
Entretanto, lancei no Fórum "Íntima Fracção", criado e alimentado por ouvintes da IF, uma pergunta. Agradeço respostas.
Os alinhamentos da IF só serão aqui colocados depois das emissões. Podia dar jeito dar uma vista de olhos para ver se valia a pena ouvir. Mas ao mesmo tempo, enquanto o programa não era transmitido, a lista podia ser confundida com uma ... "playlist". A revelação prévia, julgo, diminui também muito o efeito que a construção da IF procura criar.
De qualquer forma, fica já aqui dito, que a próxima edição da IF vai ter Penguin Cafe Orchestra. Durante vários anos esta pequena orquestra vinha muitas vezes à IF. Ultimamente nem tanto. Os álbuns favoritos são o que tem o nome da PCO (1981) e "Broadcasting from home" (1984). Com este título não podia ser alheio à IF. Este grupo viveu sempre coordenado pelo talento de Simon Jeffes, que morreu, prematuramente, em 1997. Eu vi a PCO em concerto. Era uma experiência trascendente. Actuavam sentados, tocando os mais diversos instrumentos, distinguindo-se em palco Annie Whitehead, no trombone. Simon Jeffes, o "dono da bola", estava ao centro do palco, mas era um tímido. Num dos espectáculos a que assisti, esqueceu-se do nome de uma música e foi o público que lhe disse como se chamava. Tive oportunidade de o entrevistar, com a grande ajuda da Né Ladeiras (trabalhámos juntos na rádio). Falou quase uma hora connosco. Era uma pessoa extraordinariamente simples. Um criador humilde, que é muito diferente de um humilde criador.
"A noite nunca é completa. Há sempre, digo-o e afirmo-o, ao fundo da mágoa, uma janela aberta, uma janela iluminada."
Paul Éluard
INTIMA FRACÇÃO
8 / 9 de Fevereiro de 2003
# Piano Magic : Dark secrets look for light
# Pascal Comelade : I surrender ( versão inst. de um tema dos Suicide )
# Anja Garbarek : Smiling, waving
# Cornelius : Tone Twilight Zone
# Nick Cave : Far from me
# David Sylvian : Camp fire
# Low & Spring Heel Jack : Hand so small
# Associates : Nothinginsomethingparticular
# Howie B. : Maniac Melody
# Ennio Morricone : Midnight Cowboy
# Durutti Column : Tomorrow
# Rubinstein : Cathedral
# Broadcast : Echo's answer
# Nick Cave : Still in love
# Beth Gibbons & Rustin' Man : Romance
# Björk : You only live twice
# Chet Baker : Almost Blue ( ao vivo )
# Pascal Comelade : Put a straw under baby
# Múm : Sunday night just keeps on rolling
# extracto da BSO do filme "Todo sobre mi madre" - música de Alberto Iglésias
créditos sobre # Joe Meek and the Blue Man : I hear a new world
música suplementar # Bent : Winter ; # Giant Sand : Astonished ( se houver tempo )
Textos: improvisos e colagens a partir de Amélia Alexandre, Fernando Pessoa e Roland Barthes.
" ´São sempre longe as músicas que soam; repito-as com uma voz que não ouço. (mal sei que as digo ...) para que a estátua de anjo dos palácios da alma, não se quebre." ( Amélia Alexandre )
" O mundo exterior existe como um actor num palco : está lá mas é outra coisa."
" Tenho um receio íntimo dos gestos a esboçar, uma timidez intelectual das palavras a dizer. Tudo me parece antecipadamente fruste. "
" Há sensações que são sonos, que ocupam como uma névoa toda a extensão do espírito, que não deixam agir, que não deixam claramente ser. Como se não tivessemos dormido, sobrevive em nós qualquer coisa de sonho ... " ( Fernando Pessoa )
" Quando a exaltação morreu, fiquei reduzido à mais simples filosofia : a da resistência. Sofro sem me acomodar, persisto sem me aguerrir : sempre perdido, nunca desencorajado; sou uma boneca Daruma, um boneco sem pernas que sofre incessantes piparotes mas que, finalmente, retoma o seu equilíbrio, estabilizado por uma quilha interior. É isto que diz um poema popular que acompanha estas bonecas japonesas: Assim é a vida. Cair sete vezes e levantar-se oito." ( Roland Barthes )
Encontrei por acaso um fórum com um tópico "Íntima Fracção". Confirmo que o indicativo da IF é "Mar d'Outubro" da Sétima Legião, no seu primeiro album " A um deus desconhecido ".
Quanto à versão de Björk para "You only live twice", ela foi incluída numa hora da IF totalmente preenchida com versões e remisturas desse tema. Essa hora foi repetida há uns dois meses, porque houve vários pedidos nesse sentido. Um jornalista do "Público" pediu-me mesmo uma gravação da hora "You only live twice". Está também prometida uma outra a um ouvinte de Aveiro.
O fórum é muito simpático com a IF. Que bom ter ouvintes assim.
"Dark secrets look for light".
À data, querem melhor título ? É dos Piano Magic. Passou no último sábado na IF.
Os textos da IF de 1 para 2 de Fevereiro 2003, representam um regresso aos primórdios. " Fragmentos de um discurso amoroso" de Roland Barthes, é um livro editado pela primeira vez em 1977. A tradução portuguesa ( de Isabel Gonçalves ), que possuo desde 1979, está toda anotada, riscada e até deteriorada.

Juntamente com "O tempo, esse grande escultor" de Margueritte Yourcenar, são as duas fontes mais antigas que alimentam a IF. Os títulos destas obras revelam também muito daquilo que sempre foi a IF.

Esta emissão inclui também um tema que, normalmente, não faria parte da linha musical da IF ( por mais eclética que seja ). Mas a revisão de "You killed the clown", dos Thompson Twins, trouxe-me, de súbito, a estranha sensação de os anos 80 já terem passado há muito. Desde a II Guerra Mundial, tudo parece ter já passado há muito (anos 50, 60, 70). Mas os anos 80 pareciam-me mais próximos. Tive agora a sensação de nostalgia em relação à década de 80. Não no que eles produziram de perene, mas no lado efémero. "O tempo, esse grande escultor.".
ÍNTIMA FRACÇÃO
1 / 2 Fevereiro 2003
# Lambchop : Flick
# Rolling Stones : Backstreet girl
# Aqua Bassino : Moon Light
# Brokeback : Running scare
# Billy MacKenzie : It's over
# Thompson Twins : You killed the clown
# Rober Wyatt : Speechless ( inst.)
# Costeau : To know her
# Anywhen : Dinan and the beautiful blue
# Brian Eno : Always returning
# Yann Tiersen : L'autre valse
# Impostor Orchestra : Secrets will remain
# Lambchop : The distance from her to there
# Piano Magic : Wrong french
# Piano Magic : Dark secrets look for light
# Tristeza : Cinematography
# Nina Simone : Don't let me be misunderstood
# Labradford : Up to pizmo
# King Crimson : Cadence and Cascade
créditos finais sobre # Burt Bacharach : This guy's in love with you
música suplementar # Alan Parsons Project : If i could change your mind
indicativo # Sétima Legião : Mar d' Outubro
Textos : colagens e improvisos com material de Roland Barthes, " Fragmentos de um discurso amoroso ".
" Afirmo o primeiro encontro na sua diferença, quero o seu regresso, não a sua repetição. Digo ao outro (velho ou novo) : Recomecemos.
" O imperfeito é o tempo do fascínio : parece estar vivo e, no entanto, não mexe. Presença imperfeita, morte imperfeita; nem esquecimento, nem ressurreição; unicamente o engano esgotante da memória."
" Posso ser ouvido por todos, mas só posso ser escutado pelos que têm exactamente e presentemente a mesma linguagem que eu."
" O episódio hipnótico, diz-se, é normalmente precedido de um estado crepuscular; o sujeito está de algum modo vazio, disponível, pronto, sem o saber, para o rapto que o vai surpreender."
" O número de cadeiras era igual ao número de crianças menos uma; enquanto as crianças rodavam, uma senhora martelava num piano; quando parava, todos se precipitavam para as cadeiras e se sentavam, excepto o menos hábil, o menos brutal ou o mais infeliz, que ficava de pé, feito tolo, a mais : o apaixonado."

Dizem que Hergé desenhou o álbum " Tintin au Tibet" numa absoluta necessidade da pureza do branco. O blog da IF ficou mais branco para respirar melhor. Que tem isto a ver com a IF ? É que já passou pela IF um tema de Brel para um filme de Tintin : La chanson de Zorrino. Não é Brel que canta. O mais espantoso é que eu também não sei quem canta. Alguém sabe ?
Será este blog uma traição à IF ? Uma vertigem impulsionada pela mesma força que empurrou os reality-shows ? Mesmo muito limitado, se comparado com o universo rádio, ele não deixa de mostrar alguma coisa que nunca esteve para ser mostrada. Será isto mau ou bom ?
Uma página na Web seria diferente. E talvez venha a ser.
A única justificação talvez seja esta : posso defender-me, sem ter necessidade de me esconder por completo. Nunca quis ter uma posição de distanciamento em relação aos ouvintes. Eu sou apenas mais um.
INTIMA FRACÇÃO
25 / 26 de Janeiro 2003
# Cornelius : Tone Twilight Zone
# The Langley Schools Music Project : God only knows ( cover da canção dos Beach Boys )
# Astrud Gilbert e Chet Baker : Far away
# Tim Hardin : How can we hang on to a dream ( original )
# Echo and the Bunnymen : How can we hang on to a dream
# Nice : How can we hang on to a dream
# Giant Sand : Fly me to the moon
# Rogers Waters and the Bleeding Heart Band : The attack ( Banda Sonora do filme When The Wind Blows )
# Lambchop : The daily growl
# Impostor Orchestra : Cinema Program
# Donna Regina : Why
# Brokeback : Another routine day breaks
# Giant Sand : Astonished
# Chet Baker : Come rain or come shine
# Raz Ohara : I wanna be where you are
# Air : Playground ( vibraphone version )
# Múm : Finally we are no one
# Lee Hazlewood com Nancy Sinatra : You've lost that lovin' feeling
# Lambchop : My Blue Wave
# Tom Waits : I'm still here
# Bill Laswell : So much trouble in the world ( mix sobre tema de Bob Marley )
créditos finais sobre " Spicks & Specks " ( versão instrumental de uma canção dos Bee Gees incluída na banda sonora do filme Melody; tema-base do primeiro spot publicitário português que conquistou um prémio internacional - N.Y.C. - Torralta - 1972 )
música de acerto : Cornelius
Textos : colagens com material de Pablo Neruda " Vinte poemas de amor e uma canção desesperada ";
" Eu sou o desesperado, a palavra sem ecos, aquele que perdeu tudo, e teve um dia tudo. Última amarra, range em ti a minha ansiedade última, na minha terra deserta és a última rosa. Silenciosa. "
" Silenciosa."
" É esta a solidão de que estás ausente. Chove. O vento do mar caça errantes gaivotas. "
" A água anda descalça pelas ruas molhadas. Daquela árvore se queixam, como doentes, as folhas. "
" Tu revives no tempo, fina e silenciosa. "
" Silenciosa ! "
" Pensando, enredando sombras nesta profunda solidão. Também tu andas longe, mais longe que ninguém. Pensando, soltando pássaros, desvanecendo imagens, enterrando lâmpadas."
" Entre os lábios e a voz, algo vai já morrendo. Algo com asas de pássaro, algo de angústia e de esquecimento. Da mesma forma que as redes não retêm a água."
O ouvinte da IF que tem contactado por e-mail e que sugeriu Giant Sand, afinal não é de Lisboa mas da Figueira da Foz.
Tem passado pelas páginas especializadas dos jornais um pequeno alarido a propósito do Langley Schools Music Project. São gravações feitas nos anos 70 por um grupo de crianças da escola com aquele nome, numa zona rural do Canadá. Versões de temas de referência da música pop.
Eu não me meto na conversa, mas já há uns tempos que as tinha descoberto. A preferência vai para a versão de "God only knows". Quem ler o princípio deste blog fica a saber porquê.
Ah ! Também pelo mesmo motivo não se surpreenderá com o meu entusiasmo por encontrar uma versão de " How can we hang on to a dream " feita pelos Echo and the Bunnymen.
Pode acontecer, mas não devia. Um problema técnico (ainda não identificado) com a edição da segunda parte da IF desta noite, fez com que a IF se ficasse só pela primeira parte. É quase impossível que ao longo de 19 anos, um programa de rádio não passe por situações imprevistas e desagradáveis. Na época em que foi diário ( 93 / 96 ), aconteceu uns dias ir para o ar com um pequeno efeito de eco que não tinha originalmente. Foi resolvido. O que aconteceu com a IF de hoje à noite, foi simplesmente não haver nada no MD da segunda hora. Porquê ? Não sei ainda. O registo da primeira e segunda hora foi feito sequencialmente.
E o que me resta ? Pedir desculpa e confirmar o que sei há muito tempo : mesmo ao fim de muitos anos de profissão, podem cometer-se erros.
Estou desolado. É que estou mesmo. Cada emissão da IF é uma espécie de peça musical, de desenho, de quadro, de filme, de filha.
INTIMA FRACÇÃO
18 / 19 de Janeiro 2003
# Howie Gelb : Avaible Space
# Dream Academy : It'll never happen again ( versão de uma canção de Tim Hardin )
# Magnetic Fields : Don't look away
# Lambchop : Flick
# This Mortal Coil : Morning Glory
# Tim Buckley : Morning Glory ( original )
# Beth Gibbons : Show
# Robert Wyatt : At last i am free ( versão de um tema dos Chic )
# The Gentle Waves : There was magic then
# Giant Sand : No reply
# Departure Lounge : Too late to die young
Textos : colagens e improvisos a partir de "Pensamentos e Meditações" de Kahlil Gibran.
" Quem pode responder às minhas perguntas ? Eu pergunto sobre aquilo que existe em mim; quero informar-me sobre mim mesmo.".
" O que é aquilo a que chamamos Amor ? Digam-me (diz-me), que segredo é esse que se esconde no tempo mas que permeia todas as consciências ? ".
" Que asas são aquelas que pairam sobre a minha almofada no silêncio da Noite e me deixam acordado, contemplando sabe Deus o quê ? ".
Soube agora que o Blogspot foi bloqueado na China. De Pequim não virão mais "honoráveis saudações".
Na noite em que recebi um mail da Rondônia (Brasil), onde um estudante brasileiro me pedia informações sobre alguns temas que havia passado na IF, desfez-se-me o velho conceito de rádio. A internet tinha permitido uma emissão planetária. Foi através daquele ouvinte que recuperei a velha (resistente) canção de Lee Hazlewood (com Nancy Sinatra) : Some velvet morning.

Frio. Frio. Frio. Chá quente. Chá verde aromatizado com jasmim. Chá de menta.
Do meio do frio chegam recados de ouvintes. Na última semana, uma ouvinte de Portalegre e outro de Lisboa têm sido assíduos no e-mail. De Lisboa veio uma excelente sugestão : Giant Sand 
O CD "Chore of Enchantment". Passava habitualmente "No reply", mas chamaram-me a atenção para "Astonished". A alma dos Giant Sand é Howie Gelb, e ele também tem tido lugar na IF, a solo. Para além dos locais habituais de troca de ficheiros de música, a Amazon.com oferece ( ! ) o download gratuito de um tema do álbum.

Morreu um dos Bee Gees. Maurice. Aparentemente os Bee Gees não têm nada a ver com a Intima Fracção. Mas têm. Este grupo de australianos que vieram adolescentes para Inglaterra, parece que agora só são lembrados pela sua fase "disco-sound". Aliás, foi nessa fase, na segunda metade dos horríveis anos 70, que devem ter feito dinheiro como quaisquer outras estrelas pop. MAS ! Parece que quase toda a gente se esqueceu da fase britânica, eram todos eles muito novos ( 17,18, 19 anos) e onde produziram canções interessantes. Em alguns casos, canções muito interessantes. Das memórias da IF fazem parte temas como :Spicks And Specks; Turn Of The Century (tenho comigo diversos takes desta música, incluindo o utilizado depois para publicação);New York Mining Desaster 1941; Craise Finton Kirk Royal Academy of Arts ( uma cançãozinha que se adaptava perfeitamente à desilusão da minha passagem pela Escola Superior de Belas-Artes); To Love Somebody (cantada por gente muito ilustre como Nina Simone, e tema incluído na banda sonora de um filme despretencioso, "Melody"); Please Read Me (Many years ago I was a simple man A simple man, no worries me I never lied Please read me. ); Day Time Girl (penso que foi a única música dos Bee Gees que passei na IF. Elegante. Levemente triste. Desanimada. Ouvi-a repetidas vezes em Setembro de 1968. Numa pequena praia do litoral oeste. À tarde, com um tempo entre a chuva e o sol, encontrava-me em casa do Pascoalinho (a última vez que o vi estava no I.S.Técnico) e ficava para ali à espera de um milagre qualquer saído das ondas em frente.
A música que mais impressiona neste momento é "I Started a joke". Desde o princípio de Dezembro que me tinha lembrado dela. Eles escreveram isto há trinta e cinco anos, quando Maurice Gibb tinha 18 para 19 anos : " Til I finally died, which started the whole world living, oh, if I'd only seen that the joke was on me. ". A partir daqui, confesso, para mim os Bee Gees deixaram de existir. Mas esta meia dúzia de canções não merecem que sejam esquecidas em favor dos falsetes e coreografias que os australianos foram fazer para a América. Mas será que o público norte-americano merecia melhor ? Não temos também agora aqui (Portugal) uma enorme quantidade de subprodutos que até se aplicam muito bem à boçalidade reinante ?
Depois do Joe Strummer (Clash) - e como eu gosto de "Sandinista" - a morte de M.Gibb não me deixou indiferente. Lamento. É mais um bocadinho de mim que morreu. E não é tudo ... Também não fiquei indiferente à morte (assassínio ?) do José Viana. Quando era miúdo, desenhava um rabisco qualquer numa tela, e o José Viana partia dali para os desenhos mais inesperados e fantásticos que a mente de um garotinho não podia imaginar. Fascinante. E também me custou a morte do maestro S. Galarza. Não só porque também faz parte da minha infância, mas também porque tinha talento e uma delicada e contida elegância.
INTIMA FRACÇÃO
11/12 de Janeiro de 2003
Lambchop : The daily growl
Tom Waits : I'm still here
Alpha : Sometime later
John Parish (com vocalização de PJHarvey) : Shrunken man
Martin Rev : Whisper
The MDH Band (com Daniel Lanois, Bill Frisell, Greg Cohen) : Satellite of love (reprise)
Lambchop : Flick
Elliot Smith : Because
Migala : Instrucciones para dar cuerda a un reloj
Spring Heel Jack : Overlude
Lambchop : I can hardly spell my name
Pearls before swine : The surrealist waltz
Piano Magic : Dark secrets look for light
Migala : Moon river
Morrissey : Moon river
The Montgolfier Brothers : Between two points
Lambchop : Backstreet girl
Emiliana Torrini : Ruby Tuesday
Association : Never my love
Textos : improvisos a partir de Walt Whitman
# " Agora só me resta ouvir,
Para juntar o que oiço a este canto, para deixar que os sons contribuam para
ele. "

Um Janeiro tão cinzento só pode conduzir a uma IF de resistência. Como é que isso se faz ? Passando ao lado das poças de água ... ou então, batendo com o pé lá bem no meio.
Cada vez gosto mais do disco dos Lambchop, "Is a woman". De cada vez que se ouve há novas sensações. Ruídos que não ouvimos à primeira (nem à segunda...), passam lá atrás. Uma verdadeira descoberta em cada audição. Este disco não deve ter lugar nas playlist energéticas das "rádiostodasiguais", e confesso que perdi tempo demais a passar a versão de "Backstreet girl". Há muito mais coisas a ouvir. É fundamental. Ou, se quiserem, é uma paixão. Se não fossem coisas como esta, já me tinha convencido de que era necessário pedir desculpa por viver aqui, neste momento. As pessoas parece que estão a mais em Portugal. Que chatice existir tanta gente ... Despedir, cortar, varrer para o Atlântico ou para Espanha. É uma maneira de cortar no deficit. Não haverá mais ninguém que se sinta a mais ? Se não fosse a música já me tinha convencido que eu é que era o culpado. Não me lembro de me sentir assim tão triste há muito tempo. Eu não fiz nada, mas prometo que mesmo assim não volto a fazer ...
Tropecei agora aqui na versão dos REM para "Love is all around". Ao vivo, num CD single. A canção é belíssima. Embora tenha havido uma versão muito ligeirinha dos Wet Wet Wet, na banda sonora do filme "Quatro casamentos e um funeral", não foi o suficiente para destruir a imagem da original, que é dos Troggs. Para os interessados, os próprios Troggs têm pelo menos duas versões (quase iguais), embora a verdadeira se sinta imediatamente. A primeira vez que a ouvi foi quando os Troggs actuaram num espantoso espectáculo em Viena. Só tocaram duas músicas. A primeira, com o palco totalmente às escuras, foi "I can't control myself"(que esteve proibida na BBC). Começa com um súbito grito "OH ! NO !". Pára tudo e ouve-se o apresentador gritar " OH YES, THE TROGGS". Eu delirei com aquilo. Depois veio o "Love is all around" e se não chorei, estive perto. Foi em 1967 ou 68.
Para além desta (in)evocação, estou desesperado para pedir auxílio ao João Guedes. A minha voz, na IF, parece não estar a acompanhar a presença do resto do som. Falta-lhe presença técnica. Isto não me agrada. Alguma coisa se passa neste misterioso pequeno mundo de tecnologia que me rodeia no estúdio. Para quem notou, as minhas desculpas. Se não notaram, digam-me que é paranóia minha ! Obrigado.
Acabei de ouvir uma curta versão de "Moon river", dos espanhóis Migala. Estou cheio de saudades da Audrey Hepburn. Já quase não há ninguém com aquela classe. Agora, a boçalidade tem invadido todos os cantos. Mesmo o canto da música e da poesia. Quando era miúdo julgava que a democracia ia nivelar tudo por cima. Enganei-me. Ou estavam enganados os que me passaram esta ideia. E parece que a Educação e a Cultura estão cada vez mais mal vistas ... "Pouco para dizer" !
Não sei porquê ( ... sei, mas não me apetece explicar), fiquei espantado com a escolha do suplemento Y do Público. Não sei se o nº 1 vale mesmo por ser o primeiro, mas seja como for, "Is a woman", o CD dos Lambchop, está nos melhores do ano de 2002. É um magnífico disco. Simples, muito bonito e normal. Um conjunto de coisas muito difícil de juntar. Já li explicações que se escrevem para encher páginas, como falar em misturas entre Scott Walker com Tindersticks. É espantoso ! Eu penso que os Lambchop são um grupo (uma orquestra ?) de gente normal (de Nashville), que não tem nada de vazio nem de show-biz e que tem no bom gosto dos arranjos ( muito contidos ) e na voz do vocalista e letrista - Kurt Wagner - a base da sua especificidade.
Como cheguei aos Lambchop ?
Num fim-de-semana no campo, de noite, regressei a casa e encontrei a TV ligada. Serviço digital da TVCabo. Tenho a vaga ideia de estar ligada a SIC-Radical. Nem sei porquê. Apanhei em cheio, no silêncio da casa, com o vídeo "Is a woman", em animação, muito soft e bonito. Depois, numa investigação sobre covers, descobri a versão dos Lambchop para o tema dos Rolling Stones, "Backstreet girl". Passei a incluir esta versão nos alinhamentos da IF.
Este album, "Is a woman", inclui muitas preciosidades. É muito novo porque não segue, num único momento sequer, qualquer dos tiques que, dizem, fazem a música moderna. Duas das minhas preferidas são : "Flick" e " I can hardly spell my name". Em bónus tracks há a tal versão de que falei, mais outra para "This corrosion" dos Sister of Mercy. E uma canção chamada " Uti". Os Lambchop são muitos, por isso se diz que são uma orquestra de country-soul ( tinham que lhe pôr um rótulo ...). Mas eles têm uma versão soft para espectáculos, com 5 a 7 elementos. Estiveram na Europa em Setembro, tendo tocado em Bruxelas com Lee Hazlewood !!! Em Portugal isto seria de todo impossível ... As cervejeiras sabem lá quem é o Lee Hazlewood ! E a populaça dos concertos de Verão não sabe quem são nem os Lambchop, nem verdadeiramente ninguém ... Pois se eu já vi dois importantes nomes da rádio portuguesa, desses que ajudam a vender discos, a ignorar ostensivamente um concerto do Perry Blake. Enquanto o rapaz cantava, os senhores ficaram no bar à conversa por meio de uns drinks. Negócios, meus amigos ... Um desconsolo ! Quanto ao "Is a woman", vale mesmo a pena. Claro que estou a escrever para sintonizadores da Intima Fracção !
I.F. 4 / 5 de Janeiro - 2003
Múm - I can't feel my hand anymore
John Cale - Close watch (versão ao vivo a que foram retirados os aplausos)
Suicide - Surrender
Departure Lounge - Equestrian Skydiving
A Guy Called Gerald - The first breath
Telefon Tel Aviv - Lotus above water
Justin Hayward - God only knows (versão do tema dos Beach Boys)
Goldfrapp - Long way south
Goldfrapp - Utopia ( miss world remix )
A reminiscent drive - Two sides to every story
2ª parte
Beth Gibbons and Rustin' Man - Romance
Ray Charles - You won't let me go
Montgolfier Brothers - Even if my mind can't tell you
Labradford - Up to pizmo
New Music - Areas
Slowdive - Blue Skied an' clear
Scott Walker - On your own again
créditos sobre o tema da série "Pippi Longstrumpf"
música complementar de Brian Eno com Daniel Lanois e Roger Eno; suplementar com Biosphere
efeito sonoro : ruído de metropolitano que se aproxima, pára, arranca e afasta-se
textos:
"Escolher. Eis uma questão. Escolher o que faço, como faço, com que intenção, com que objectivo. Do mesmo modo, escolher o que sinto, o que desencadeio nos outros, e o que penso, que atitude tomo perante a consciência. Escolher : é o caminho. Transmutação. A caminho não se sabe de quê." .
" Em termos absolutos, tudo é uma grande dúvida. temos apenas hipóteses; aventuras."
" A memória do ser amado é a recordação da divindade; lembrança do paraíso que paira agora no éter do segredo."
" O silêncio está carregadíssimo; paira sobre mim o invisível só por momentos entrevisto; ronda-me o inaudível só por veezs escutado. No entanto, sabiam-no bem as ... mãos que escreviam no passado, sem pensar : Nada ficará no tempo verbal incerto; chegará uma linha preciosamente inevitável." (João Wiborg)
" A impressão que se tem, no limiar do despertar, quando os esforços ipacientes que fazemos para adormecer e retomar um sonho agradável só servem para sublinhar a impossibilidade de reconstituir o estado anterior." (Mishima)
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