I love you ... YouTube !
Camp. Absolutamente camp. Fascisnante !
AQUI, em 1965
E também aqui, em 1966.
Quando tudo, ou quase tudo, era ainda possível !
Pouco para dizer, muito para escutar, tudo para sentir.
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Aprendemos, ao longo dos tempos, que o selo de uma editora não chega, por si só,
para conferir a um qualquer disco um inegável padrão de qualidade. Também aprendemos,
por outro lado, que existem nomes de casas que, por norma, implicam uma criteriosa
selecção de discos a editar. Embora não possamos fazer desta segunda ocorrência
o mote para uma teoria genralista e inrefutável, o certo é que nomes como Mo´Wax,
a Grand Royal ou a Irma Records foram criando à sua volta uma imagem de relevância
na actualidade que se saúda. O disco que aqui se apresenta, "Come From Heaven",
é uma das edições primeiras da Melankolic, a editora propriedade dos Massive Attack,
eles próprios fabricantes de grandes composições dos anos noventa. Pode, portanto,
estar aqui o embrião de uma notável carreira editorial.
Colocando, então, de um lado as ligações deste disco à industria musical, o mínimo
que pode escrever-se é que a estreia, em álbum, dos Alpha se reveste de uma luxuriante
natureza estética, abrindo caminho a partir do ponto em que ficaram os mais glorificados
subscritores do trip-hop, o duo Portishead.
Não sendo sensata a aventura de considerar este um disco mais futurista que todos
os outros editados pela "tropa de Bristol", até porque no núcleo mais ou menos alargado
de trip-hoppers e pós-trip-hoppers consta o nome de Tricky, saliente-se que este
é, pelo menos, um disco totalmente novo, um disco em que a técnica de reciclagem
é posta em prática como em poucos outros, num processo pejado de deleite que ultrapassa,
em muito, o espaço onde as coisas são criadas.
"Come From Heaven" é um disco que resume muito do que a música deste século
albergou no seu imenso espaço. É um álbum que, pegando na soul e na densidade das
batidas hip-hop fumegantes e acompanhadas por ambientes saturnos que marca a vida
do trip-hop, nos transporta para uma terra de ninguém. Encontramo-nos, depois de
nos deliciarmos vezes sem conta com as construções entre o caleidoscópio e o tenebroso
da dupla constituída por Colin Dingley e Andy Jenks, num local sufocante de tão
belo e assustador de tão despojado. A essência, aquilo que fica quando admitimos
ser possível a convivência com a mais depurada das verdades, é aquilo que resta
depois da exploração de "Come From Heaven". As vozes convidadas para "Come From
Heaven", pertença de Wendy Stubbs, Helen White eMartin Bernard (que consegue, deliciosamente,
lembrarnos os registos do malogrado Jeff Buckley), bem como os samples construídos
a partir de material de Burt Bacharach ou George Gershwin, ajudam a compor um ramalhete
de canções (ou melodias, já que aqui os conceitos absolutos perdem relevância, como
relevância perde tudo o que não é realmente belo) que soam incrivelmente familiares,
São-no, na realidade, porque é de canções como "Rain" e "Nyquil" que esperamos todos
os dias. Aprendemos a construí-las em étereos quadros de flutuação interior. Aprendemos
a sentir saudades de canções que não conhecemos. Agora elas existem, como terão
existido sempre. A diferença é que neste momento conhecêmos-lhe o nome e o cheiro.
Pedro Gonçalves, Blitz (4/5), 1997
2:29 AM bitsounds 0 Comments
Dizem que eles vêm do céu. Mas o paraíso é um lugar onde é suposto
estar-se bem. Por isso, não acreditem. Esta música parece mais o último grito
de socorro de uma epopeia trágico-marítima que acabou mal, muito mal. Ao pé
do oceânico véu de melancolia que os Alpha estenderam para si próprios,
grupos como os Tindersticks fazem figura de surfistas sorridentes.
Mais um produto do fascinante e quase inesgotável cadinho de Bristol, os Alpha
gravam para a editora recentemente fundada pelos Massive Attack. No entanto, as
semelhanças entre estes dois taciturnos rapazes que aqui se estreiam e a
luxuriante arquitectura sonora dos autores de "Blue Lines" ficam-se
pelo mero vislumbre de uma irmandade comum, patente numa estética aparentada,
mas à qual as angústias impuseram uma irresistível deriva. Como os londrinos
Archive, que circulam em rotas similares, os Alpha são uma dupla de produtores
e manipuladores de som aos quais se juntam cantores em processo de comunhão
estética. Embora muito os distinga daqueles, já não há aqui discursos
hip-hop, nem viagens de sabor vagamente psicadélico a colorir a paisagem.
A imensidão existe, mas é possível recriá-la nume cela diminuta e num único
instante. Os Alpha ousaram o visionário cometimento de imaginar o trip-hop que
só se julgaria possível num mundo donde toda a esperança tivesse desertado. A
sumptuosidade orquestral que percorre todo o álbum é um veículo de languidez
e um passaporte para a soturnidade. Os samples de mestres da "música de
'charme'" como Burt Bacharach, Michel Legrand e Francis Lai são
aprisionados num fôlego único, subtraídos à dinâmica original e recriados
numa toca de lobo. A prova final, de que é possível encerrar sinfonias numa
cave e só de vez em quando abrir uma portinhola para deixar os violinos
respirar. Canções que evoluem em torno do mesmo motivo orquestral,
lamentosamente repetido numa permanente desdita a que só as vozes vão
dando luz. Tão denso e insuportável como um "requiem", este disco
imagina o que seria o naufrágio de um paquete com os instrumentos da orquestra
já abandonados e espectros no lugar dos músicos tocando a mesma frase até ao
final dos tempos, até ao último dos abismos. O que fornece o sampler, afinal,
senão o fantasma de uma música que já existiu?
O maravilhoso "Titanic" que os Alpha insistem em pôr a navegar no
meio de destroços de uma música perdida conta com brilhantes timoneiros. Vozes
que soltam por entre o nevoeiro o clarão dos faróis. Martin Barnard esboça o
que seria Scott Walker em registo obsessivo nesse monumento que é "Sometime
Later". Helen White desbrava um "Summertime" de Gershwin retido
numa curva rítmica; transforma-o em "Slim" e converte o Verão onde
é bom viver num Inverno de chuva e sombras. Wendy Stubbs recupera em "Somewhere
not here" o motivo já explorado por Barnard e propõe uma surtida
temerária à linha do horizonte semeada de perigos. Aí o navio despede-se.
Provavelmente a orquestra prosseguirá o mesmo andamento, do outro lado do
mundo. Quando nada restar sobre as águas, a música dos Alpha ainda ecoará
debaixo das ondas. Ouvir "Come From Heaven" é como ter medo do mar:
primeiro estranha-se, mas depois entranha-se ...
Nuno Corvacho, Público (9/10), 1997
7:12 AM bitsounds 0 Comments
O primeiro dia do 2º acto da edição
2007 do Festival Super Bock Super Rock ficou marcado pelo regresso dos Arcade
Fire a Portugal, depois de um muito elogiado debute, em 2005, no
Festival de Paredes de Coura. Com um segundo álbum - Neon Bible - na
bagagem e uma reputação de excitante banda de palco (elogiada por «monstros»
sagrados como Bono e Bowie), a banda de Win Butler ofereceu ao público lisboeta
um espectáculo irrepreensível, satisfazendo as melhores expectativas.
A actuação do grupo de Montreal foi precedida por uma bizarra apresentação em
vídeo. Trata-se de um trecho que no YouTube está identificado como «Posessão
Demoníaca» (
veja o vídeo aqui ) e que não é mais do que uma
menina brasileira em discurso livre numa assembleia evangélica – não declama,
garantimos, a mesma bíblia de neon da banda canadiana. Dez minutos volvidos
sobre a meia-noite, a numerosa banda do Québec (que incorpora metais e cordas,
para além de baixo, bateria, teclados, guitarras e percussões diversas) dava
início a uma actuação de quase uma hora e meia pontuada por um número
elevadíssimo de pontos altos. O primeiro logo a abrir: uma notável rendição de
«Black Mirror», um dos documentos mais enérgicos de Neon Bible . Em
palco, cinco telas circulares projectam a bíblia de neon da capa do disco e, ao
fundo, uma cortina vermelha – onde, do lado esquerdo, se localizava uma réplica
decorativa de um órgão de tubos – serve também de campo de projecção. E, claro,
há tiras verticais de neon vermelho «fingido» que vão acendendo episodicamente.
Como que a querer mostrar que a noite não é para brincadeiras (ou segundas
escolhas), Win Butler e companhia tratam de atacar «No Cars Go» (o tema antigo
que, recauchutado, se tornou ex-libris do novo álbum). Régine Chassagne toma o
microfone para «Haiti» e a bateria em «The Well & The Lighthouse» e «Ocean
of Noise»; a maior parte do tempo está atrás dos teclados. Na guitarra e voz,
Win Butler não parece o maestro da orquestra, mas lidera-a sem problemas. Numa
das suas guitarras está cravado o provérbio haitiano «Sak Vid Pa Kampe»
(qualquer coisa como «um saco vazio não se aguenta em pé»), uma alusão às
crianças haitianas que lutam diariamente contra a má nutrição. De recordar que
as origens de Régine (que é também mulher de Win) estão naquele país do Caribe.
Depois de nova descarga de emoções em «Tunnels», Win – que se desmultiplicou em
agradecimentos – conta que, em Montreal, vive entre a comunidade portuguesa e a
grega, pedindo desculpa por lembrar o povo que nos «tramou» a vida no Euro
2004. Seguem-se sentidos agradecimentos de uma banda que, não raras vezes,
recebeu do público um coro afinado mesmo quando as músicas já tinham acabado. E
um ainda mais empolgante «Rebellion (Lies)», a suscitar braços abertos em
direcção ao céu e um ambiente incrivelmente tocante.
A despedida – em encore – dá-se com a indispensável «Wake Up», mais um épico de Funeral
para cantar em coro. E nesse momento, bem perto do fim, banda e público do
Super Bock Super Rock parecem uma só entidade. Bonito de ver.
Para os «coleccionadores», o alinhamento:
Black Mirror
No Cars Go
Haiti
(Antichrist Television Blues)
Intervention
Headlights Look Like Diamonds
The Well & The Lighthouse
Ocean of Noise
Tunnels
Rebellion (Lies)
Power Out
Keep The Car Running
Wake Up
6:54 AM bitsounds 0 Comments
Não houve propriamente nenhum mau concerto no arranque do segundo acto do
Festival Super Bock Super Rock, mas tudo poderia resumir-se à presença dos
Arcade Fire, no encerramento da noite. Pena que o público tivesse sido apenas
metade do da noite dos Metallica.
Há todo um sentimento de partilha e celebração da vida mesmo quando Win Butler
(o vocalista) aborda temas tão duros quanto a morte ou a perda. Nesta família
canadiana não há espaço para segregações e o palco é um espaço quase secular de
transmissão de fé para uma imensa minoria que se identifica com os seus
valores. É rock, sim, pela energia que brota dos instrumentos, mas a inclusão
de cordas altera substancialmente a carga dramática que normalmente é associada
a uma banda de guitarras. Inteligentemente, a escolha do alinhamento é perfeita
para um festival, isto é, são dispensados os "adereços" (leia-se temas menos
orelhudos) em favor do essencial, que passa por Intervention, Black
Mirror ou No Cars Go já no encore.
Cenicamente, nenhum pormenor é deixado ao acaso. Cinco telas circulares
projectam a Bíblia de néon da capa do disco enquanto Win Butler ostenta numa
das suas guitarras expressão haitiana Sak Vid Pa Kampe ("saco vazio não
se aguenta em pé"). Mas é sobretudo das canções que os canadianos vivem, numa
sensação de crença inabalável naquilo que estão a fazer e que chega a
transcender em alguns momentos a música e o som.
O mínimo que se pode dizer dos Magic Numbers é que foram surpreendentes, até
por se tratar da banda menos mediática da noite. Pegando na tradição de
sessenta dos Beach Boys, usam a melodia como arma para despertar um sentimento
de felicidade próprio da infância. E assim, muitos dos que não os conhecem
acabam rendidos à sua ideia de inocência.
Mais polémicos mas também enérgicos, os Klaxons dão razão àquela personagem do
Gato Fedorento que aponta a hora do lusco-fusco como a próxima a ser explorada
pelas discotecas, e abrem uma autêntica pista de dança sem grande esforço.
Melhores do que em disco, nota-se uma evolução no definir de um som que, não
sendo completamente genuíno, não é, pelo menos, vulgar.
Já os Bloc Party conseguem muitos aplausos graças a canções sobejamente
conhecidas como Banquet ou Two More Years, mas nunca chegam a ser
completamente consistentes durante o resto do alinhamento.
Ao início da tarde, Bunnyranch e The Gift cumpriram perfeitamente a ideia de
aquecer um ambiente ainda calmo.|
DAVIDE PINHEIRO, NUNO FOX (imagem)
6:48 AM bitsounds 0 Comments
Tal como já ontem referimos, o segundo dia do
festival Super Rock pautou-se por um decréscimo de adesão de público - 20 mil,
sem números oficiais - em relação ao primeiro dia. Isso teve as suas vantagens
circulou-se melhor pelo recinto, não se viram grandes filas nos bares e, à
saída, o escoamento de trânsito foi muito mais rápido.
Só os comerciantes desatinaram. "São todos uma cambada de tesos", protestou, ao
JN, José Carlos, um dos responsáveis pela loja "Pontos no Is", onde tenta
despachar t-shirts à módica quantia de 5 euros. "Eles só querem o que um gajo
não tem", barafustou, descontente com os gostos esquisitos e com o fraco poder
de compra da juventude indie. Não haja dúvidas a plebe não veio aqui às
compras. Aquilo que os moveu foi tão pura e simplesmente a música. E para essa
noite aguardava-se uma música enorme, uma música sublime - a música dos Arcade
Fire.
Em Agosto de 2005, os Arcade Fire aterraram pela primeira vez em Portugal.
Passearam pelas caves do vinho do Porto, subiram à Torre dos Clérigos e
protagonizaram uma inolvidável actuação num final de tarde em Paredes de Coura.
Agora, quase dois anos volvidos, os canadianos regressaram com novo disco na
bagagem "Neon Bible" é um trabalho que não reúne o mesmo consenso que o
anterior. Mesmo assim, foram os responsáveis pela vinda de grande parte das
pessoas ao segundo dia do Festival Super Rock. Passavam poucos minutos depois
da meia noite quando a super-banda fez a sua aparição num palco decorado com
ecrãs circulares afunilados. Das colunas soltaram-se os primeiros acordes de
"Black Mirror" e, a partir daí, tudo desaguou para hora e meia de consagração.
Em cena, o colectivo troca amiúde de instrumentos Regine Chassagne, por
exemplo, tão depressa está de acordeão ao peito como se senta na bateria. Houve
megafones e secção de sopros. Canções eternas como "Haiti", "Intervention",
"The Well and the Ligthouse", "Rebellion (lies)", ou, entre muitas outras,
"Keep the car running".
A celebração acabou num pico de comoção com "Wake up" - milhares de mãos
erguidas ao ar, como se as vozes do povo se soltassem, também, pela ponta dos
milhares de dedos que riscavam o vento. Foi uma actuação magnífica e
consensual. Os Arcade Fire são, seguramente, uma das melhores bandas da
actualidade.
Momentos antes, os Bloc Party assinaram uma prestação algo idêntica àquela que
vimos ainda há poucas semanas no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Mais uma vez,
o público reagiu bem à presença do vocalista Keke Okereke, sex-symbol que deixa
as teenagers tolas enquanto encosta os lábios ao microfone. O Super Rock
termina hoje com mais uma maratona musical no qual se destacam os TV on the
Radio e Interpol.
6:44 AM bitsounds 0 Comments

A
expectativa era muito elevada, mas os Arcade Fire superaram-na num concerto
notável, anteontem, no festival que termina hoje com TV On The Radio, Interpol
e Scissor Sisters
Público,05.07.2007, Vítor Belanciano
8:24 PM bitsounds 0 Comments
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