A "célebre" mistura "You only live twice" feita para a IF e transmitida pela primeira vez em Fevereiro de 2002, vai estar disponível em CD para uns poucos (muito poucos) ouvintes da IF. O primeiro a recebê-la será Virgílio Nogueira, de Aveiro.
ÍNTIMA FRACÇÃO

24 / 25 de Maio de 2003



# The Waterboys : The thrill is gone ( versão não editada )

# Martin L. Gore : Candy says

# The MDH Band : Satellite of love ( reprise )

# David Bowie : When i live my dream

# Carla Bruni : Chanson triste

# Françoise Hardy : Lámour ne dure pas toujours

# The Softies : Favorite shade of blue

# Impostor Orchestra : Secrets will remain

# Czars : Song to the siren

# Cat Power : He was a friend of mine



# Doors : Love Street

# Bob Dylan : She belongs to me

# New Order : Your silent face

# Slowdive : Blue skied an' clear

# Smog : Nineteen

# Smog : Let's move to the country

# Piano Magic : Crown of the lost

# Nina Simone : Nobody knows you when your down and out



créditos sobre # Mastretta : Continental-Auto; música suplementar # Brad Mehldau : Cry me a river



textos



" Para lá das vozes cada vez mais confusas e indistintas, cria-se um nível a partir do qual (...) essa absurda traição do tempo deixa pura e simplesmente de existir, para tudo não ser mais do que memória - uma memória sem princípio nem fim que nos faz andar (...), desde sempre à procura de alguma coisa de raro e indefinível." ( Tahar ben Jelloun )



" O desejo do início e do silêncio, para que o instante seja a fábula do instante. O silêncio ... para dizer as palavras anteriores. É o centro, talvez a suspensão, a perda, o fundo : a ausência de cor - fundo incessante que procuro defender do assédio do sentido contra as presenças acidentais e a agitação da superfície. " ( António Ramos Rosa )



" Caminhar através de corredores intermináveis, brancos. Caminhar entre paredes lisas brancas sem que nenhuma porta se abra sem que nenhuma luz me ilumine a não ser esta sem sombra sem origem." ( António Ramos Rosa )



" Quartos vazios amplos e vazios mas sem dimensões concretas corredores paredes brancas o lugar está exposto com uma evidência violenta irrecusável. " ( António Ramos Rosa )
Antecipação da IF.

Carla Bruni. Françoise Hardy. The Softies.







Uma modelo italiana retirada, a cantar em francês. Uma francesa a cantar, com uma inalterada elegância, desde 1962. Um duo feminino norte-americano a cantar como pássaros no meio do campo.
" O desejo do início e do silêncio para que o instante seja a fábula do instante. O silêncio para dizer as palavras anteriores. É o centro, talvez a suspensão, a perda, o fundo : a ausência de cor. ( António Ramos Rosa )
Playlist:CDs que não saiem do hi-fi
Ver Crítica Beth Gibbons - Out of Season
Alpha - Stargazing
Smog - Supper
Cat Power - You Are Free
Kristin Hersh - The Grotto
Lambchop - Pet Sounds Sucks(live 2002)
Break Reform - Fractures
Tindersticks - Waiting for the Moon
Concerto:Cat Power
Data: 2003-06-27
Local: Festival do Porto

Concerto a não perder.
Ver CríticaCat Power - Are You Free


Ainda o silêncio e ... a imagem.

Silence, de Comès. Banda desenhada.



Ainda o silêncio e, claro, a música.



Ainda o silêncio.

Chega a Paula e acrescenta : "Existe e conquista-se. Por ser o "silêncio da cumplicidade". Basta pensar na ínfima quantidade de pessoas com as quais temos (temos mesmo?) intimidade suficiente para estar em silêncio... ".

É disto que se trata na IF. Sempre foi. O (difícil) silêncio da intimidade.



"O silêncio ouve-se, toca-se. Existe." ( comenta a Manuela ).

Robert Bresson pensava que " if the ear is entirely won, give nothing to the eye ". Afirmação que tinha a ver com o cinema, mas não será esta a essência da rádio ?







O silêncio de que falamos não é o de " quem cala, consente. " (Cumplicidade do silêncio)

É o silêncio da cumplicidade.
"o silêncio não existe..." ( comentário de Su ). O trajecto a caminho do silêncio, sim. ( respondo eu)



ÍNTIMA FRACÇÃO

17 / 18 de Maio de 2003



# King Crimson : Cadence and Cascade

# Giant Sand : Fly me to the moon

# Low e Spring Heel Jack : Hand so small

# Lene Lovich : Too tender to touch

# Goldfrapp : Forever

# Lamb : Less than two

# Chet baker : Come rain or come shine

# Beth Gibbons and Rustin' Man : Drake

# Friends of Dean Martinez : Twilight sleep



# Lisa Germano : Into the night

# Smog : Let's move to the country

# Martin L. Gore : In my other world

# Broadway Project : Sea of change

# Four Tet : And they all look broken hearted

# Azure Ray : Another week

# Brad Melhau : Dear Prudence

# Keith Jarrett : Köll Concert ( 2.c )



créditos sobre # April March : La piscine couverte; música suplementar # Departure Lounge : A strange descent



textos :



" A solidão dispensa o silêncio. O silêncio exige a solidão. Esta ... intimidade, que está apenas numa fracção. Um pequeno cristal que vibra por si - brilhando - persistentemente no meio da noite. " ( F.A. )

" O engano da memória é o do registo só aparentemente útil. Não se retoma aquilo que permanece. A cena passada já não é cena. As imagens já não existem, apenas as formas. Nada resiste para além do primeiro contacto. Retomar é banalizar. Não quero a repetição, quero o regresso ao primeiro e único momento. " ( F.A. sobre Barthes )

" Penetrando nos infindáveis mistérios dos grandes espaços nocturnos. O som alonga-se na distância. Concentricamente. Até onde correrá o som ?". ( F.A. )

" As palavras mais fortes foram já todas utilizadas. Os sons mais belos já conseguidos. Nem tudo foi errado. Deixámos de esperar o regresso de uma Idade de Ouro. " ( Roddy Frame )
A IF está a ser invadida pelo jazz ? Que mal é que tem ? Há jazz que entra na IF sem desarrumar a casa.

A próxima edição da IF vai ter Brad Mehldau ( com uma versão de "Dear Prudence" ) e o regresso de Keith Jarrett, ao "Concerto Colónia" - parte 2.c.







A próxima IF abre com "Cadence and Cascade" dos King Crimson, de "In The Wake Of Poseidon", o segundo disco do grupo. Já tem mais de 30 anos. Publicado em 1970, ouvido agora, sobretudo este tema, continua a ter a mesma atmosfera planante que me fazia ilha no mar agitado do metropolitano. Uma companheira das Belas-Artes, que eu só me lembro de encontrar no Metro, entrava no Campo Pequeno e cantava baixinho :

" Cadence and Cascade

Kept a man named Jade;

Cool in the shade

While his audience played.

Purred

whispered

Spend us too:We only serve for you. "



Era um pouco triste, mas talvez ainda houvesse futuro.

What happen to Fernanda ?



A imagem que serviu para a composição gráfica utilizada lá em cima, foi retirada de um filme de Robert Bresson. As considerações de Bresson sobre o som são fundamentais.

Entretanto, o fórum criado por ouvintes da IF continua aberto.
O blog da IF mudou de aspecto. Isto deve-se a uma nova estrela da blogosfera portuguesa. Só lhe posso dizer : OBRIGADO !



ÍNTIMA FRACÇÃO

10 / 11 de Maio de 2003



# Lisa Germano : Pearls

# Wayne Horvitz : Close to you

# Cat Power : Keep on runnin'

# Beck : We live again

# The Go-Betweens : In her diary

# António Carlos Jobim : Insensatez

# Barry Adamson : Something wicked this way

# Mark Eitzel : To the sea

# Jay Jay Johanson : I'm older now ( extracto )

# Nina Simone : Isn't it a pity



# Everything but the girl : Come on home ( acústico )

# Sondre Lerche : Things you call faith

# Ed Harcourt : Metaphorically yours

# Alain Bashung : Faisons envie

# Brokeback : The Wilson Ave. Bridge In Chicago River 1953

# Costeau : To know her



créditos sobre # Bing Crosby : Stranger in paradise ; música suplementar # The Bad Plus : Heart of glass



textos :



" Por vezes, raras vezes, vem uma ou outra voz para me consolar. Mas nunca dizem aquilo que procuro. Mesmo entre sorrisos, estou completamente só, porque não sei quem és, e só tu és. As fantasias falsas não conseguem nunca esconder o vácuo do mais ausente dos rostos. Não sei quem és, e automaticamente tudo o que se tente se torna irreal. Fico reduzido a uma suspensão, uma espera, um sono, uma escuta imóvel. Sou aquele que dorme desde há séculos, aquele que aguarda, diluído no azul do sonho. Sou o que entre as árvores [...] só deseja a fonte mais clara."



" Deito-me e sonho com a floresta. Recordo-me do meu destino. Encontrarei o círculo, e tudo ficará em ordem."

" Arde no universo, como um só fogo, azul, inesgotável, central, definitivo."



" Com o tempo, todos os deuses acabaram por tornar-se imperfeitos. Todas as salvações, todos os deveres, todos os caminhos herdados acabaram por revelar a sua ineficácia, a sua incapacidade de conferir a liberdade. Ao fim do alinhamento de todos os séculos, acabámos por deparar com o puro desejo, a contemplação directa da liberdade infinita. Só a liberdade conduz a si própria, só a liberdade inexaurível é real. Alcançámos o nível do homem inventor ; atingimos o cume ; tornámo-nos de ar." (Johan Wiborg)

Depois do post anterior, soube da triste notícia da morte súbita de um jornalista do tal tempo em que se gostava da profissão. João Bravo, do JN.

Assim mesmo. De morte súbita. Como dizem que morrem os jornalistas.

O João Bravo nunca chegou a saber, mas foi o primeiro jornalista que vi em serviço. Eu era miúdo e para mim ele era um mirone cheio de curiosidade. Não é assim que começa um jornalista ?
MST, no Público de hoje, lança de novo e com todas as letras, a discussão sobre " O Massacre do Jornalismo ". Quem devia atirar-se ao debate, impondo que as coisas se alterassem, não o tem feito. E quem é ? Justamente a tal terceira geração de jornalistas a que MST se refere, mais os actuais estudantes de Comunicação Social e Jornalismo. Se esperarem pelo Sindicato ou pelas entidades patronais, o problema vai arrastar-se até, pelo menos, à 13 ª geração de jornalistas pós-censura. As instituições de Ensino Superior também deviam participar, mas, e com as tais honrosas excepções, pelos motivos que estão implícitos no artigo de MST, não estão interessadas.

Vai continuar tudo na mesma ? Talvez não.
Mais uma vez vou utilizar, na IF de amanhã à noite, textos do magnífico João Wiborg. É simplesmente lamentável que a esmagadora maioria dos seus escritos não esteja publicada. E antes de mais porque ele não quer. Respeito.

Tenho que cumprir um pedido do João : devolver-lhe todos os textos que tenho em minha posse. A situação é difícil. O João Wiborg começou a enviar-me textos (por causa da IF) em 1986. Nunca quis receber qualquer contrapartida pela sua utilização. No início dos anos 90, ele fez uma colecção de textos seleccionados (TEXT SEL) que achava que eu podia utilizar na IF. Só conheci o João Wiborg, pessoalmente, em 1996. Estive com ele uma única vez e foi muito difícil encontrá-lo. É uma história que terá de ser contada melhor. Tenho dificuldade em separar-me destes textos.

" ... Fico reduzido a uma suspensão, uma espera, um sono, uma escuta imóvel."
Afinal Lucie Dolène já tinha experiência de canções para o cinema. A segunda versão francesa de "A Branca de Neve e os Sete Anões" (1962) inclui a sua voz na dobragem da própria Branca de Neve. A história, que é mais complicada do que se possa pensar, está toda aqui. Lucie, que tem agora 72 anos, chegou a processar ( e ganhou ! ) a Disney, em 1994. Ganhar um processo à Disney deve ser coisa interessante !







Entretanto, Lucie Donèle deu a voz para muitos filmes de animação e emissões de televisão em língua francesa.

Há três anos, apareceu uma curta-metragem, "Blanche-Neige Lucie (Snow White Lucie)", de Pierre Huyghe, em que o autor aborda a questão de como as diversas línguas podem remeter para a mesma realidade. Figura principal ? Lucie Donèle.



É no Japão que se encontram as edições discográficas mais incríveis. Andei eu à procura de quem cantava uma canção de Jacques Brel, que faz parte da banda sonora do filme " TINTIN ET LE TEMPLE DU SOLEIL " e ... nada. Recebi uma dica de Pedro Fonseca do Contrafactos&Argumentos e Blogs em.pt, que me remeteu para um site suíço, mas ... nada . Pois tinha que haver um japonês com a informação na net ! A "Chanson de Zorrino" é cantada por Lucie Dolene. Não conhecem ? Eu também não conhecia e até já passei a música na IF.







April March esteve, dia 2, no Café de la Danse, em Paris. Dois dias antes tinha lá estado a Lisa Germano.

Pois é. E vivam as Queimas das Fitas ...







Andei a viajar. Ouvi muito April March. "Chrominance decoder". Esta fotografia tirei-a a conduzir e completa a música no leitor do carro.
ÍNTIMA FRACÇÃO

emissão de 3 / 4 de Maio de 2003



# Daniel Johnston : Now

# Lisa Germano : Into the night

# Ed Harcourt : From every sphere

# Air + Baricco : Se Vuoi Capire La Loro Storia

# Nina Simone : Nobody knows you when you're down and out

# Aphex Twin : Flim

# The Bad Plus : Flim

# Martin L. Gore : Candy says

# Milla Jovovich e The MDH Band : Satellite of love

# Julee Cruice : I remember

# The MDG Band : Satellite of love (reprise)

# Lemon Jelly : Spacewalk



# Doors : You're lost little girl

# Alain Bashung : Nights in white satin

# Lambchop : The daily ground

# Azure Ray : For no one

# The Platters : My prayer

# Murcof : Muim (extracto)

# Martin L. Gore : By this river

# Martin L. Gore : In my other world

# Julee Cruice : Im my other world



créditos finais sobre # April March : Chrominance decoder ; música suplementar # The Bad Plus

Textos : " Nunca escrevi, e acreditava que o fazia. Nunca amei, e acreditava que amava. Nunca fiz nada, a não ser esperar em frente da porta fechada." (M. Duras)

" O imperfeito é o tempo do fascínio : parece estar vivo e, no entanto, não mexe; presença imperfeita, morte imperfeita; nem esquecimento, nem ressureição; unicamente o engano esgotante da memória." (Barthes;Proust)
A propósito de Brigadoon ...

Recuperei agora uma entrevista que me fizeram para a RUC (Rádio Universidade de Coimbra), em 1990. Atrevi-me a indicar "a" música da década de 80. "The whole of the moon" dos Waterboys. Isto de escolher uma música, enfim ... Mas não retiro nada. Aquela canção (nem sei se é canção) é notável.





"I was grounded

while you filled the skies

I was dumbfounded by truths

you cut through lies

I saw the rain-dirty valley

you saw Brigadoon

I saw the crescent

you saw the whole of the moon!



I spoke about wings

you just flew

I wondered, I guessed, and I tried

you just knew

I sighed

but you swooned

I saw the crescent

you saw the whole of the moon!

The whole of the moon!".



A letra toda está aqui.

Está bem, eu digo.

Segue-se pelo IC8 ( quem vier da auto-estrada apanha-o em Pombal ) em direcção a Castelo Branco. Ao Km 88 sai-se para uma povoação chamada "Mosteiro". Desce-se 2 km para um vale largo. Aí está à esquerda o pequeno paraíso encantado. Vê-se da estrada.

Já agora fica aqui uma imagem do mesmo local, mas no Inverno.







Escutei aqui mesmo o "Moon Safari" dos Air, na época do seu lançamento. Pouco tempo depois li uma afirmação deles que não me espantou : o disco é para ouvir no campo.

A cinco minutos daqui fica a Barragem do Cabril e a vila de Pedrogão Grande. Tem uma piscina coberta aquecida, envidraçada, com vistas para o campo. É tudo inesperado e ... calmo. Para comer, procura-se o "Penedo", do sr. Pedro e da D. Isabel. Jornais e revistas na papelaria do sr. José Carlos David. Do outro lado da rua há um "Espaço internet".

Espero que não se atrevam a perturbar este meu "Belgais" (ou será Brigadoon ?).




Agora que a IF entrou no 20 º ano de vida, podem contar-se alguns episódios. Neste caso, confirmo. A 50 metros deste paraíso, foi a IF realizada durante Julho e Agosto de 1996. O pequeno estúdio foi desmontado, transportado e remontado numa casa aqui perto. Fazia muito calor durante o dia. À noite, passava um ar fresco pelas janelas.

O local é lindíssimo. Pode mesmo escutar-se o silêncio. Há uma queda de água, que pode ser confundida com o mar ao longe. Ainda não sei se deva dizer onde fica este "vale encantado".
Quem leia o post anterior pode pensar que "nado" em discos cedidos pelas editoras. Nem pensar. Esse tempo já lá vai. Quando a IF estava na Antena 1, mas só havia três emissoras de rádio em Portugal, sempre recebia alguma coisa. Agora não. Mas quase me atrevo a dizer que prefiro assim. Por mais resistências que haja, a Net há-de pôr algum equilíbrio nisto.

A IF não é uma playlist, nem aceita fazer promoções.
Uma parte do meu trabalho consiste em "ouvir música". Procurar, no meio da imensa oferta dos dias de hoje, aquilo que me interessa para ajudar a desenvolver um tema chamado "Íntima Fracção".

Entre as músicas que me passam pelos ouvidos, uma houve que me fez ter vontade de voltar a ouvi-la. Uma versão de "Flim" (Aphex Twin). Responsáveis : THE BAD PLUS. É jazz. Manuel Jorge Veloso atira-lhe com 5 ***** no DNMais deste sábado. E no disco há mais coisas imprevistamente boas. Por exemplo: versão de "Heart of glass" dos Blondie.

Os "responsáveis" estão aqui por baixo. E a capa do disco (These Are the Vistas), também.



ÍNTIMA FRACÇÃO

26 / 27 de Abril de 2003



# Goldfrapp : Lovely head ( miss world mix )

# Goldfrapp : Forever

# Hooverphonic : Sad song

# Brian Eno / Harold Budd : Plateaux of Mirror

# Daniel Lanois : Silver morning

# Brokeback : Everywhere down here

# Labradford : Wien

# This Mortal Coil : Morning glory

# Móa : You only live twice

# Visit Venus



# Cat Power : He was a friend of mine

# Azure Ray : Sleep

# The Softies : My emptty arms

# Pascal Comelade : I surrender

# João Gilberto : Aos pés da cruz

# Erlend Oye : A while ago and recently

# Ed Harcourt : Still i dream of it

# Tara Jane O'Neil : Another sunday

# John Parish (com PJHarvey) : Shrunken Man

# Yo la tengo : How to make a baby elephant float

créditos sobre # Charles Trenet : Je chante ; música suplementar # Isan : Sublimation



Agora ... já não há disto. Um herói romântico. Era muito bom que houvesse. Todos os poderes do mundo viveriam sempre à espera que ele, numa noite, saltasse para a rua.

Quanto mais negra for a noite, mais provável é que ele apareça.

Capitão Salgueiro Maia. Não tem o nome em avenidas nem praças das grandes cidades. Mas vai ser difícil apagá-lo da História de Portugal. Como a História recente (e bela) de Portugal continua por saber, sugiro uma visita AQUI.

Não. Não é ridículo dizer que a IF existe porque 10 anos antes da sua criação alguém abriu as janelas da noite.



ESTOU DESOLADO E INCONSOLÁVEL.

Morreu Nina Simone.

Uma das minhas referências faleceu ontem com 70 anos. Um prodígio ao piano (tocava aos 4 anos), era de uma família pobre e de negros. Nos EUA não era o melhor para se crescer. Foi ajudada por um professor que sentiu ali a existência de uma fora-de-série. Com 10 anos, em 1943, deu o primeiro concerto como pianista. Os pais, que estavam na primeira fila, foram "retirados" para um lugar "lá atrás" para que brancos ocupassem os lugares da frente. Esta experiência foi determinante. Para além de uma extraordinária pianista e cantora, veio a tornar-se numa combatente pelos direitos cívicos dos negros.









Em 1974, desiludida, abandonou os EUA. Nunca mais voltou. Viveu em vários países, mas acabou por se fixar em França.

Conseguiu cantar quase de tudo, de uma forma que mais ninguém atingiu. Não estava nunca ultrapassada.

A minha preferência vai para a versão de Nina de "Don't let me be misunderstood".

Chamava-se Eunice Waymon, mas o nome artistico vinha de "nina" (menina) e "simone", da actriz francesa Simone Signoret.

A Doutora Nina Simone era Doutora honoris-causa em Música e Humanidades.

Nunca vi Nina ao vivo, mas conheci os autores do video-clip de "My baby just cares for me".

Uma compilação saída em Julho de 1989 tem um conjunto notável de interpretações de Nina."The High Priestess Of Soul", já se sabe, não morreu. É uma das tais que se ausentou. Discos (50 álbuns, pelo menos) e vídeos estão aí para o confirmar.







O azul entre as núvens e a representação do azul numa máquina de vender água.

Será sempre o mesmo azul ? "Almost blue " - Chet Baker.




Já ninguém quer levar um destes bonecos para casa. Já não há quem queira fazer de Capitão Gancho na Terra do Nunca. Nem mesmo a Inês.




Um pedaço de azul entre as núvens.
ÍNTIMA FRACÇÃO

19 / 20 de Abril de 2003



# Dakota Suite : A view of the sea

# The Softies : Sleep away your troubles

# Barry Adamson : Everything happens to me

# Departure Lounge : Equestrian skydiving

# The Microphones : Instrumental

# The Microphones : The moon

# Teenage Funclub : Who loves the sun

# Velvet Underground : Who loves the sun

# Azure Ray : For no one

# Melvin Amina : Over the rainbow / What a wonderful world



# Buffallo Springfield : Expecting to fly

# The Softies : My empty arms

# Bright Eyes : Something vague

# Bob Dylan : Knocking' on heavens door

# Cat Power : Knocking' on heavens door

# Murcof : Mes

# Lemon Jelly : Closer

# Lambchop : Flick

créditos finais sobre # Peggy Lee : We'll meet again

música suplementar # Chet Baker : Almost Blue



textos : " Ao longo da costa, com o mar sempre à vista. Azul claro, azul escuro. Até muito longe, sem qualquer receio, sem dia certo de regresso. Livres para as novas imagens e os novos sons. Partir em busca da vontade de regressar." (F.A.)

" Não querendo ficar encerrado na noite à espera da cíclica vinda do cometa, retomando-lhe o rosto, o rasto luminoso, temporário, ilusório. Não querendo nada para sempre, apenas procuro a eternidade, a ausência de dúvidas." (F.A.)

" Quem não poisou os dedos sobre o marfim amarelecido das teclas de um velho piano, não sabe olhar através de uma vidraça imperfeita. O seu olhar não poderá nunca ultrapassar o fino vidro de som seco. Não sentirá a distância, o abandono. E a distância não se mantém constante. O que era longe é agora perto. O que estava perto, está agora longe." (F.A.)

" Um som silencioso, diria. Um som puro, o sonho. Esquecer a linguagem, abrir a boca e cantar ao acaso. A memória posta na invenção. (...) Mas dir-se-ia apenas um canto partindo das nuvens. As nuvens acastelando-se sobre o sol. O sol abrindo brechas e escapando-se. Dir-se-ia apenas : uma voz vindo do espaço. O etéreo. O imaterial. Apetece dizer : à memória dos gestos gravados no ar." (Jörg Olssön)



Páscoa. Coelhinhos, ovos ... amêndoas. O "senhor prior já não visita ninguém". As viagens para o sol estiveram esgotadas.

Anda alguém no jornal Público a escrever por mim.
Eu gosto deste disco.







Não está tão distante do universo da IF como pode parecer. Li que foi gravado no quarto do Sam (Samuel, não ?), em Chelas, num sétimo andar. Não sei mais nada.

Sei que é puro e tem bom gosto.
É rigorosamente da época da "Crise de 69". Bob Dylan, que já tinha avisado que os " tempos estão a mudar " e que entretanto tinha tido um bruto "estoiro" de moto, gravava uma coisa doce que nem parecia dele : "Lay lady lay".







O álbum que tem esta canção, chama-se "Nashville Skyline" e saiu a 9 de Abril de 1969.

Apaixonei-me por "Lay lady lay". Juntamente com Manuel Vasco Miranda, que um ano depois partia para a Bélgica para seguir uma carreira inicialmente ligada à Fotografia e depois à Publicidade e às Artes Gráficas, gravámos uma bobina de fita magnética inteira só com esta canção. Assim, nas longas noites de estudo, projectos e conversa, a fita rolava sem parar no reprodutor e não tinhamos que voltar a pôr o disco. Era simples.

Um ano depois, demo-nos a outro exagero. Em vésperas da fuga dele para a Bélgica, durante uma semana fomos sempre à sessão das 6, no velho S. Jorge, ver os "Beijos Roubados" do Truffaut. Todos os dias tinhamos dúvidas sobre esta ou aquela cena, um ou outro plano. O segundo balcão do S.Jorge foi uma segunda casa. Uma espécie de casa de uma tia, onde se ia lanchar. Lembro-me que chegámos a ir ver o filme mais uma vez para tirar uma dúvida "angustiante" : Antoine Doinell (J-P. Léaud) dizia "passe-moi LA Coca" ou " LE Coca " ?!

Neste filme encontrei uma velha canção de Charles Trenet, " Que reste-t-il de nos amours? ". De vez em quando passa pela IF. É excelente para criar a sensação de nostalgia, de passado ... de um passado muito passado.

"Je tourne autour de la question qui me tourmente depuis trente ans : le cinéma est-il plus important que la vie ?" (François Truffaut)







Beijos Roubados - François Truffaut - 1968
Há 34 anos, um rapaz chamado Alberto, estudante em Coimbra, levantou-se em frente do Presidente da República e pediu para falar. Não parece feito de se lhe tirar o chapéu. Mas foi. Em 1969, levantar-se na segunda ou terceira fila de um anfiteatro em dia de inauguração e pedir ao Presidente da República para falar em "nome dos estudantes", dava prisão. Foi o que aconteceu passadas umas horas. Alberto Martins, quando se levantou do seu lugar naquela manhã de 17 de Abril de 1969, ajudou Portugal a não ser nunca mais o mesmo. Ainda bem.







Alberto Martins sempre me pareceu uma pessoa serena e levemente triste. Faz parte de uma geração que parece ter cumprido a sua missão. Três meses depois do acto de coragem de Alberto, o Homem chegou à Lua. Dizem. 34 anos depois, não há uma única página na net sobre a "Crise Académica de 1969". "Então, é assim ..." !
"Je n'ai jamais écrit,



croyant le faire,



je n'ai jamais aimé,



croyant aimer,



je n'ai jamais rien fait



qu'attendre



devant la porte



fermée."



Margueritte Duras



Duras, tem uma entrevista aúdio publicada num álbum duplo dos Disques du Crepuscule (com fundo de piano tocado por Virginia Astley), em que diz : " Eu não gosto da minha voz. Ela é justa. Não é falsa. A maior parte das vozes são falsas. Sobretudo as vozes dos comediantes."

É isto que me ocorreu para dizer no Dia Mundial da Voz.

Nesse dia, o melhor seria verem-se imagens de gente a escrever.

Nesta, é a própria Duras que escreve.



Um pouco de humor, ou talvez "com o humor me enganas" ! Haverá alguma relação entre a IF e a serotonina ?

Para completar este "post" e até porque já falei desta canção há uns largos posts atrás, descobri na web esta pérola.



A propósito do 19º aniversário da IF, no fórum que um ouvinte criou desfiaram-se lembranças de programas de autor na rádio. E vai sempre tudo dar ao mesmo : os programas de autor é que eram ! ...

A rádio, como está, parece não estar.




A Íntima Fracção é para ser ouvida com atenção. Não serve : a escuta dentro de carros em movimento que não sejam muito silenciosos; a escuta em rádios colocados sobre os balcões de restaurantes de bitoques; a escuta em balcões de roulottes de venda de cachorros ou farturas; a escuta em pequenos rádios a pilhas sem qualidade aúdio; a escuta em salas de jogos electrónicos. Não serve, mas aceita-se.

A Íntima Fracção é feita para ser ouvida com headphones no quarto; na sala, em boas aparelhagens; nos carros parados ou a andar lentamente; em rádios portáteis na praia (à noite) ou no meio do campo; num quarto escondido e perdido no meio da cidade; sózinho, a olhar para a janela; com as lágrimas ou a esperança a rebentar. A Íntima Fracção é para ser gravada e ouvida quando se quiser. A IF serve para desenhar com os ouvidos.
ÍNTIMA FRACÇÃO

12 / 13 Abril 2003

19 anos



# Beach Boys : God only knows ( apenas vozes )

# Beth Gibbons and Rustin' Man : Show

# Laibach : The long and winding road

# Labradford : Soft return

# Belle Chase Hotel : Living room ( Arkham Hi-Fi vocal mix edit )

# António Carlos Jobim : Chega de Saudade

# Air : Ce matin la

# Holger Czukay : Persian love



# Brokeback : In the reeds

# Murcof : Mes

# Tom Waits : I'm still here

# Lambchop : I can hardly spell my name

# Suicide : Surrender

# Cat Power : Knockin' on heaven's door

# Tim Hardin : How can we hang on to a dream

# The Langley Schools Music Project : God only knows

# Scott Walker : Only myself to blame

# Piano Magic : Dark secrets look for light



créditos finais sobre # Brian Eno, Daniel Lanois e Roger Eno : Always returning

música suplementar # Peggy Lee : We'll meet again



textos : " Conheci um guitarrista que dizia ' a minha amiga rádio '. Sentia um parentesco menos com a música do que com a voz da rádio. A sua qualidade sintética. A sua voz única, distinta das vozes que a atravessam. A sua capacidade de transmitir a ilusão de gente a grande distância. Dormia com a rádio. Falava para a rádio. Acreditava numa Terra Longínqua da Rádio. Como achava que nunca encontraria esta terra, reconciliou-se consigo mesmo limitando-se a ouvir a rádio. Acreditava que tinha sido banido da Terra da Rádio e condenado a errar eternamente pelas ondas sonoras, ansiando por um posto mágico que o devolvesse à sua herança há muito perdida." (Sam Shepard)

" Uma Íntima Fracção da noite chega e espreita, como quem ouve, mas não quer ser ouvido a não ser através da voz dos outros." (F.A.)

" É noite. O vento passa. Por onde terá passado ? Aqui, as vidraças recebem-no. E há sons que vêm de longe. Percorreram noites e noites. Esperámo-los sempre porque os conhecemos e sabemos que vinham." (F.A.)

" Chega-se à Íntima Fracção da noite num momento para escutar e deixar livre o quadrado imaginário, onde lágrimas e esperanças riscam o escuro como se fossem cometas. " (F.A.)

" O apaixonado não é aquele que tenta e não consegue, mas aquele que não tenta. Qualquer coisa referível fica sempre aquém do verdadeiro objectivo do apaixonado, o qual portanto nunca tenta seja o que for que se conceba. O apaixonado possui o rosto branco, o rosto do silêncio." (João Wiborg)

" Não deixes o melhor para o fim, começa pelo melhor. Pode ser que o menos bom e o pior não cheguem a ter lugar." (Jörg)





" Conheci um guitarrista que dizia ' a minha amiga rádio '. Sentia um parentesco menos com a música do que com a voz da rádio. A sua qualidade sintética. A sua voz única, distinta das vozes que a atravessam. A sua capacidade de transmitir a ilusão de gente a grande distância. " Sam Shepard
Faz hoje 19 anos que foi para o ar a primeira emissão da Íntima Fracção. Na Antena 1 (1984-1989) e, a maior parte da sua vida, na TSF (desde 1989).

Sem estúdios auto-operados, havia a presença de um técnico de som que garantia a qualidade técnica do mesmo. Não tenho como verificar o nome do técnico de apoio à primeira emissão da IF. Talvez através de registos que possa haver na RDP, com escalas de serviço. Será muito pouco provável. Na memória, tenho uma vaga ideia de ter sido um destes : Horácio Trindade, Figueiredo Rodrigues ou Alfredo Rocha.

A primeira IF abriu com "Radio Prague" dos OMD. Quem estiver interessado em ouvir esses sons (não se trata propriamente de uma música) encontra-os no álbum "Dazzle Ships" (1983).







O primeiro texto lido foi a tradução da letra de "Transmission", dos Joy Division (álbum "Still"). A primeira música foi igualmente essa. Num fade-out lento, esse som torturado deu lugar ao universo-IF. A encenação radiofónica.







Não existe, que eu saiba, nenhum registo dessa primeira emissão. Se alguém a tiver gravada (o que deve ser improvável dado o facto da IF ser, na altura, um programa de rádio que não foi objecto de qualquer promoção), agradeço que me deixe fazer uma cópia.

De qualquer forma, quero agradecer a alguns coleccionadores de gravações da IF, por me terem fornecido algumas que, tendo sido marcantes, eu não possuia.

Ao longo dos anos, fui-me cruzando com ouvintes que gravaram emissões da IF. Foi sempre uma surpresa e uma grande emoção.

A Íntima Fracção é apenas um eco dos corações, das lágrimas e das esperanças dos seus ouvintes.

Com a emissão do próximo sábado, a IF entra no 20º ano.

Sempre pouco para dizer, muito para escutar e tudo para sentir.

"Há um traço azul no futuro incandescente".