Lidar com a memória não é nada fácil. O passado é um território ausente, mas que ainda sentimos. Não é uma consolação dizer-se que enquanto a memória de alguma coisa existir, essa mesma coisa ainda existe. A propósito de "God only knows", a capa do disco que saiu em Portugal foi a da esquerda, aproveitando a capa do LP "Summer days", de 65. Em Portugal, como era habitual, foi um EP. Tinha 4 canções. Ainda não se estava na era dos singles. O LP (Pet Sounds) foi editado com a capa da direita.

Em 2002, Brian Wilson disse que quando compôs "Pet sounds" era " jovem e feliz ". De facto, tinha 24 anos. Deixou os restantes membros do grupo fazerem um "Japanese Tour" e dedicou-se a preparar tudo. Quando regressaram foi só gravar. Esta é uma foto desse tempo.







Veio depois um longo período de grande escuridão. Nunca mais foi capaz de actuar em palco, nem de viajar, nem quase de tomar conta de si. " Uma época assustadora que pensei não conseguiria ultrapassar ". Brian Wilson, era um ser sensível ( como podia ser outra coisa ? ). Psicológica e fisicamente arrasado ( resultado de uma nunca muito bem contada mistura de "aditivos" com "pânicos", ainda longe de serem explicados ) Brian tinha este aspecto quando a vida começou a correr mal ( a obsessão pela resposta a "Revolver" dos Beatles foi conseguida, mas "Smile", que devia ser a "Sargent Pepper ..." nunca mais teve fim).







Vinte e tal anos depois, aparentemente, a recuperação em 1988. Um terapeuta polémico, que assinou todas as músicas em parceria com Brian, no álbum de regresso, teria sido o responsável. Incluindo a factura dos direitos ... Só em 1995 é que Brian terá "regressado" totalmente. E mesmo assim, julgo que o apoio do público foi o melhor tratamento. Chegava a ser comovente como Brian agradecia, admirado, as manifestações de agrado incondicional nos espectáculos que começou a fazer. Para a tournée de 2004, do até agora previsto, o mais perto que vai estar é em Paris (Olympia, eterno ...) e em Antuérpia - Março 04.

Eu gostava de agradecer a Brian Wilson.









Confesso que é um pouco obsessivo.

Tal como a sucessão dos dias e das noites, das estações do ano, este é um disco que parece ter sempre cores diferentes.



A propósito de se dizer que "God only knows" ( Brian Wilson - Tony Asher ) - 1966, dos Beach Boys, foi a primeira canção dita Pop que levou a palavra God (Deus) no título, lá me pus em navegações pela Net. Até agora, não encontrei nada em contrário. O próprio Brian o afirma. O que encontrei foi a indicação de que o single com "God only knows / Wouldn't it be nice" foi posto à venda a 1 de Agosto de 66. Ora o histórico programa da rádio portuguesa "Em órbita" (RCP), tocou-o nesse mesmo mês. O facto, hoje, é normal. Naquela altura não era. O disco estaria à venda nos EUA, provavelmente na Grã-Bretanha, mas aqui não. Diz-se que o "Em órbita" contava com a colaboração de elementos da tripulação de voos internacionais de forma a ser abastecido de ... discos. Por aqui se vê a distância a que estamos dessa época e também a enorme vontade da equipa do "Em órbita" em fazer um programa de rádio muito para além do que era habitual em Portugal. Foi "o" programa de rádio onde gostaria de ter trabalhado. Como não tinha idade, tal como o guitarrista amigo de Sam Shepard, limitei-me a ouvir a música e as vozes de Cândido Mota, de João David Nunes ou até mesmo, numa fase seguinte, de Rui Pedro. Escutei, como se participasse numa cerimónia religiosa, o último "Em órbita" da primeira fase. Foi fúnebre, mas ao mesmo tempo redentor. O "Em órbita", em 1974, já só com Jorge Gil, regressou como um programa sobre música clássica ( talvez o termo mais exacto seja erudita ). Estive à escuta logo no primeiro. E depois foi e veio, mudou de estação, criou concertos e, de rádio, passou a "um conceito". Para sempre.
ÍNTIMA FRACÇÃO

16 / 17 de Agosto de 2003



# Múm : Sleep - swim

# Brokeback : This is where we sleep

# John Cale : I keep a close watch

# Tears for fears : Brian Wilson said

# Beach Boys : sons das gravações em estúdio de Good Vibrations

# The Flying Lizards : Tears

# Pretenders : I go to sleep

# Goldfrapp : utopia ( miss world remix )

# Goldfrapp : Pilots

# sons da banda sonora do filme " As férias do sr. Hulot " de Jacques Tati

# Alpha : Roy

# Brokeback : In the reeds



( longo tema de acerto para o fim da 1ª parte que não constava do registo original da IF )



# Loudon Wainwright III : Motel blues

# Fanny Ardant : A quoi sert de vivre libre

# Jeanne Moreau : India song

# Emilie Simon : Femme fatale ( com Tim Keegan )

# Propaganda : Femme fatale ( the woman with the orchid )

# Nick Cave : Far from me

# Calla : Astral

# Montgolfier Brothers : Inches away

# Frankie Goes To Hollywood : ( do you know the way ) To San Jose

# April March : La piscine couvert



créditos finais



# António Carlos Jobim : Wave
Memórias para ver e ouvir.

Do Verão de 2002. Lambchop, numa noite calma de Agosto, em televisor encontrado a funcionar sózinho.

Do Verão de 2003. Sakamoto e Morelenbaum. Calma e morna noite, num Jardim.

Tudo antes do cinzento que esfumou o azul.
When you wish upon a star



When you wish upon a star

Makes no difference who you are

Anything your heart desires

Will come to you








# Alpha : Stargazing



Resistência.
4 : 30 da madrugada.

Saio do estúdio para, finalmente, encontrar um pouco de ar fresco. Caminhando contra a brisa, pareceu-me que tudo era ainda possível.

Ficou pronta mais uma edição da IF. Normalmente, demoro alguns dias a prepará-la, incluindo pesquisas, escutas prévias, procura ( ou escrita ) de textos e edição. Alguns programas demoraram muito mais. A construção da emissão que ficou designada por " You only live twice - IF mix ", demorou dois meses a preparar. Foi preciso encontrar uma grande variedade de versões, para além de extractos da banda sonora do filme e até um velho spot promocional radiofónico.

Como se fosse um diário ( neste momento não me interessam minimamente as discussões e reflexões sobre o papel dos blogs ), porque o blog da IF é escrito para quem se interessa pela IF, também para todos os que se interessam por mim ( obrigado pelos mails ) e, já agora, também porque preciso de o fazer "por mim" - "para mim" ( ou será que os bloguistas estão convencidos que cumprem um desígnio superior qualquer ? ), reforço a ideia de que se vive um mês de Agosto como nunca houve, ou então já não há memória.

Talvez porque não posso fazer quase nada por alguém que chora pela irreversibilidade da doença de alguém que ama ( como te percebi Cândido Mota, quando "rebentaste" no Passageiro da Noite ). Talvez ainda porque "ouvi" alguém que amo, noite adentro, fugir esbaforida do fogo que lhe cercou os míseros dias de férias. E, até, por ver o envolvimento do refúgio da IF, de verde passar a negro. ( recordar )

Talvez estas sejam justificações. Mas há um sentimento de tristeza generalizado que é, para já, inelutável.

No entanto, o filósofo António Pedro Pita ( tão pouco citado pela intelectualidade portuguesa ... porque ainda novo ? ... porque ainda vivo ? ), referindo-se ao futuro, disse-me numa das conversas da série "Os desafios do milénio" ( TSF - 96/97 ; editadas pela Quarteto - 99 ) : " As coisas se não se passaram, provavelmente também não se passarão exactamente como está previsto, e há sinais que nos conduzem para uma espécie de reconsideração dos elementos compreensivos do mundo, nos quais eu vejo, apesar do banho apocalíptico em que estamos, os meios de prosseguir esta aventura. "



A vulnerabilidade é cada vez maior.



" O optimismo tecnológico e científico desmoronou-se, enquanto as inúmeras descobertas eram acompanhadas pelo envelhecimento dos blocos, pela degradação do meio ambiente, pelo apagamento progressivo dos indivíduos. "



Ainda a recuperação de Lipovetsky.

Neste triste Agosto, o título do livro não me sai da cabeça : A ERA DO VAZIO.

E a frase " pelo apagamento progressivo dos indivíduos " deixa um vazio absoluto na noite. Só se foge, quando se tem para onde.




São estes os bonecos Daruma.

Ao longo dos anos, falados na Íntima Fracção, partindo de um texto de Barthes em " Fragmentos de um discurso amoroso ". Bonecos sem pernas, sem braços e sem olhos, que sofrem incessantes piparotes mas que, finalmente, retomam o seu equilíbrio, estabilizados por uma quilha interior. O poema japonês que os acompanha diz isto : " Assim é a vida. Cair sete vezes e levantar-se oito. "

São dos mais populares talismãs no Japão. Acredita-se que dão sorte.

A maior parte são bonecos, mas há cidades onde são bonecas.

O tamanho original não é nada pequeno, talvez parecido com um cesto para papéis.

Bem sei que não estamos no Japão, mas talvez uma remessa de Darumas viesse a calhar. Quem quiser pedir uma ajuda pode fazê-lo pela internet ...



O excesso de calor, além de me ter avariado a mim, avariou também uma (pequena) parte do equipamento do estúdio-IF. Pequena parte, mas fundamental. O "mágico" João Guedes, desta vez não conseguiu o milagre. "Vai para arranjar". Fui salvo pelo empréstimo precioso feito pelo João Moreira. Como trabalha com o "som de palco" do David Fonseca, apanhei-o em cheio, pelo telemóvel, quando ele vinha do Sudoeste. E fiquei para aqui a pensar que há muita gente que julga que esta vida ( dos espectáculos, da música, ... até dos media ) é só trólaró ! Como estão enganados.




Atravessando sozinho o deserto, transportando-se a si mesmo sem nenhum apoio trascendente, o homem actual caracteriza-se pela sua vunerabilidade.



Esta constatação, com 20 anos, vinda das reflexões de Lipovetsky na "Era do vazio", foi a base para a criação do programa de rádio "Íntima Fracção".

Verifico que quase nada se alterou. Na noite, o céu do deserto é por vezes riscado por estrelas cadentes, pela vinda do cometa que só voltará para os filhos dos filhos dos nossos filhos. Há luares. Promessas de auroras suaves.



É verdade que alguma coisa mudou, mas a vulnerabilidade é cada vez maior.



Sinto também necessidade de dizer que a IF é a forma que encontrei para me opôr a isto : " ... Não tomar partido, não se meter em política, não discutir, não votar, não se manifestar é ... a expressão máxima da ideologia dominante."









ÍNTIMA FRACÇÃO

9 / 10 de Agosto de 2003



# Múm : Sleep - swim

# Múm : Green grass of tunnel

# Cocteau Twins : Lazy Calm

# Lou Reed e Laurie Anderson : As we sleep

# Erlend Oye : A while ago and recently

# Jeanne Moreau : India Song

# Carla Bruni : La noyée

# Keren Ann : On est loin

# Lambchop : The new cobweb summer



# Beach Boys : God only knows ( só vozes )

# Tha Langley Schools Music Project : God only knows

# Múm : Faraway swimming pool

# Doors : You're lost litle girl

# Nina Nastasia : Stormy weather

# Koop : Waltz for koop

# Radar Brothers : Sisters

# Suicide : Cheree

# Yo la tengo : The summer

# Ed Harcourt : From every sphere



créditos finais sobre # Swing Out Sister : Am i the same girl

música suplementar # Third Eye Foundation : What is it with you




Quando, há uns meses, comecei a passar na IF músicas da Carla Bruni, quase que advinhei o que aí vinha. Afinal, foi pior.

O disco da Bruni já vinha com o peso de ter sido "duplo de ouro" em França. O facto é difícil de entender. O disco não é tão bom e, sobretudo, não é tão mau como deve ser um "duplo de ouro".

Confesso que não conhecia a Carla Bruni e isto quer dizer que não sabia mesmo que ela era ( é !? ) como era ( é !? ). Em linguagem "revolucionária em curso" ... é o exposto !

Depois vim a saber que tinha sido modelo topo-de-gama. E que vendeu bem. Só em 1998, quando tinha 30 anos, facturou qualquer coisa como 7,5 milhões de euros. Ainda por cima não precisava dos euros para nada. Nascida em Turim, é herdeira de uma confortável fortuna proveniente das indústrias da família. Foi para Paris aos 5 anos. Andou numa escola na Suiça e, de volta a Paris, foi estudar Artes e Arquitectura na Universidade. Quase no princípio, com 19 anos, abandonou e seguiu a carreira de modelo que, como é habitual numa mulher bonita, nunca lhe tinha passado pela cabeça ! Depois, foi quase tudo quanto alguém do meio pode aspirar, penso eu ... e não é "de que", é mesmo "que". Que Carla Bruni para além de "passar" para as mais célebres marcas e ser das modelos mais fotografadas de sempre ( infelizmente alguas fotos são vulgares ... ), também passou pelos tablóides e revistas pink. Porquê? Dizem que estragou o casamento de Mick Jagger ( qual ? segundo ela, Jagger teve 7.000 namoradas ). Romances com Eric Clapton e até com Kevin Costner, ajudaram. Ah ! e nunca casou. Tem uma irmã que faz cinema, amigos, uma bela penthouse em Paris e uma casinha de férias em St. Tropez. E uma guitarra ... Enfim, uma belíssima imagem para o "marketing".

Só que, e há sempre um "só que" à nossa espera em qualquer lado, a Carla Bruni, para mim não existia. Toda estas histórias, mais ou menos "real estate", ainda bem que nunca me tinham passado pelos olhos. Pelos ouvidos passaram-me músicas do Cd "Quelqu'un ma dit". É óbvio que sussurra porque não pode fazer outra coisa. Se experimentarem ouvi-la num duo com Laurent Voulzy ( Tout les garçons et les filles ), lá se vai a Carla Bruni. Só que não é por causa dos sussurros que eu gostei do disco ( ou para ser mais sincero, de uma parte dele). Este trabalho não tem uma produção de alta costura. É simples. Tem bom gosto ( e nem vou explicar porquê ). Há, evidentemente, uma recuperação do ambiente "chanson naïve" que remete para a nostalgia de Françoise Hardy e até para, em algumas passagens, a boa tradição da canção francesa de autor. Não está tão sózinha como parece. Keren Ann está na mesma linha. E ainda por falar em mulheres bonitas, a fabulosa monegasca, Fanny Ardant, também sem saber cantar, interpreta com um enorme charme elegantemente contido, o blues " A quoi sert vivre libre " do filme "8 mulheres".

Posto isto, duas conclusões :

Carla Bruni não vai vender em Portugal na mesma proporção do que vendeu em França;

prefiro a Bruni na rádio do que as Spears, Aguilleras e ...... cada um que acrescente o que quiser.

Da Bruni fica qualquer coisa. E honra lhe seja feita : é pelo som e não pela imagem.
Uma pequena contribuição para tentar perceber alguma coisa no meio dos "num fui eu" ! Um bocado mais completo aqui.



Pode parecer estranho. Antigamente não havia nada disto, não é verdade ? Pois em 1953 já havia calor e ... AR CONDICIONADO !

Como na intimidade deste pequeno estúdio privativo da IF só há ventoinhas, a conclusão é irrefutável : estou com 50 anos de atraso ...



Um verdadeiro serviço público !

As ventoinhas da IF são gratuitas e já estão instaladas em muitos blogs.

Tentei avançar com mais umas ideias, mas não resultaram. Como podem ver, dotar este blog de gelo permanente, não resultou.







Há sempre muita coisa a acrescentar. Não ao post anterior, mas a todo o blog.

Com uma nova subida da temperatura, o mais acertado é acrescentar ainda mais uma ventoinha !
O Pedro Caeiro, do Mar Salgado, deixou um comentário para corrigir o meu post anterior. As minhas desculpas ao Pedro e a todos os passantes. O Pedro falou em "traficante de pedras preciosas". Eu reduzi as pedras às pérolas. Não foi com a embalagem da traficância, que bem as podia revender a bom preço, desde que as comprasse em sítio manhoso longe do Hotel Lisboa, de Macau. Nada disso. O problema está no ar condicionado. Ou antes. Na falta dele. Este pequeno estúdio onde se desenha a IF, tem sobrevivido à custa da ventoinha. Assim, os sons e as palavras andam disparatados pelo ar e, com frequência, caem no lado errado do teclado !



O Mar Salgado atribui-me a designação de traficante de pérolas preciosas.

Para o bem e o para o mal ... gosto desta actividade !



Compilação de Verão. 54º à sombra.

Para espreitar através de uma janela indiscreta.
As férias tornaram-se uma triste ilusão com a qual se sonha durante meses.

Já não deslizo sobre as águas. Já não vejo o mar ao pôr-do-sol, nem descubro os últimos a sair da praia.

Já não como gelados seja em Cascais, na esplanada da Figueira ou numa gelataria apinhada do Algarve.

Já não canto o "tube" deste ano ( até porque não há UM ).

As férias estão cercadas pela vida, os imponderáveis e pelo tempo. A meio entre o interior queimado e o litoral superlotado.

O Verão deixou de ser um tempo de projectos. Deixou de ser a época das paixões.

As férias não são mais "on the road" e muito menos de "cabelos ao vento", porque cada vez há menos dinheiro para carros descapotáveis. O espírito do filme italiano " A ultrapassagem ", está, claro, ultrapassado.

As férias são agora retratadas por milhares de pessoas a empurrarem-se para tentar entrar nas festas das revistas !

As férias são aquilo que o destino quer e nunca o que se sonhou.

A angústia vem de querermos agarrar o Verão e de ele fugir com as férias.

"Pela restituição do Verão aos cidadãos de boa vontade ... ".



ÍNTIMA FRACÇÃO

2 / 3 de Agosto de 2003

( entre as 0 e as 2 horas )



# Yo la tengo : The summer

# Yo la tengo : How to make a baby elephant float

# Sakamoto com Paula e Jacques Morelenbaum : Vivo sonhando

# Lisa Germano : Into the night

# Antenne : Memo

# Kaada : Care

# Lou Reed : Perfect day ( never ending IF mix )



# Keren Ann : La disparition ( instr. )

# Keren Ann : La disparition

# Laurie Anderson : Life on a string

# Montgolfier Brothers : Fin

# Montgolfier Brothers : Even if my mind can't tell you

# Piano Magic : Dark secrets look for light

# Trash Can Sinatras : To sir, with love

# House of love : Hope

# Lambchop : Backstreet girl

# John Parish : Shrunked man



Textos



" A memória e as expectativas. A nossa vida encontra-se entre as duas. " ( Cristina Fernandes )

" Balouçado ... na sensação das ondas, embalado ... na ideia tão confortável de hoje ainda não ser amanhã, de pelo menos neste momento não ter responsabilidades nenhumas, de não ter personalidade propriamente, mas sentir-me ali, em cima da cadeira como um livro (...) ali deixado.

Afundado, num torpor da imaginação, sem dúvida um pouco sono, irrequieto tão sossegadamente, tão análogo de repente à criança que fui outrora ... quando brincava (...) e não sabia álgebra, nem as outras álgebtras com x e y's de sentimento.

Todo eu anseio por esse momento sem importância nenhuma na minha vida, todo eu anseio por esse momento, como por outros análogos - aqueles momentos em que não tive importância nenhuma, aqueles em que compreendi todo o vácuo da existência sem inteligência para o compreender.

E havia luar e mar e a solidão. " ( Fernando Pessoa - Poemas de Álvaro de Campos )
Sem que eu tivesse tido conhecimento antecipado, a IF desta noite passou entre as 0 e as 2 horas.




O País arde. Em temperaturas e com chamas.

O fogo purificador não é este. Não arde nem a maldade, nem a estupidez, nem a ignorância.

Os bronzeados do costume, de sapato de sola sem meia, com camisa fresca de marca e de frente para um copo cheio de gelo, dirão : " Uma tragédia ! ". Mas haverá sempre um que, para alegrar o ambiente, lançará a última desta gente de perfume caro ( mas enjoativo ) : " Ao menos passámos a ter também a nossa Floresta Negra !!! ". Ah ah ah ah , grande gargalhada no bar do hotel em frente ao mar. Estava salva a noite.

Um ou outro ainda se vai lembrar da velha canção dos Doors : Light my fire.

Subirão aos quartos acompanhados pelas suas barbies. Os carrões estão no fresco da garagem subterrânea.

Ligam o ar condicionado, mas evitam ligar a televisão.

No dia seguinte, ainda haverá uma pequena discussão à borda da piscina. Trata-se de saber se o fogo é de esquerda ou de direita. E as férias continuam animadas ...




Uma das profissões que mais me fascina é a da meteorologista. Prever. Antecipar. E, claro, poder dizer isso aos outros.

Tenho demasiado calor para explicar como surge esta associação, mas duas frases que encontrei na Janela Indiscreta, escritas pela Cristina Fernandes, estão muito próximas do trabalho no Instituto de Meteorologia. E do "meu" Verão : " A memória e as expectativas. A nossa vida encontra-se entre as duas."

Vou dizer isto muitas vezes na próxima IF.
Os Gift estão na América. Digo bem. Na América.

Há uns dias em Caracas, agora em New York.

Hoje dão um concerto no The Belt.







Espero que a Sónia não se tenha esquecido da caixa dos medicamentos !







# Flying Lizars : Top-Ten ( Tears ) - 1984



Mais ou menos frequentemente, isto passa na IF quase desde o seu início.

Desde a primeira vez, há sempre quem pense que é vinil e que a agulha deslizou sobre o disco.

ZZZZZZzzzzzzzzzzz ...



Tears for souvenirs are all you've left me

Memories of a love you never meant

I just can't believe you could forget me

After all those happy hours we spent (together)



Tears have been my only consolation

But tears can't mend a broken heart I must confess

Let's forgive and forget

Turn our tears of regret

Once more to tears of happiness



Let's forgive and forget

Turn our tears of regret

Once more to tears of happiness.



Não fiquem pela frente da letra. Procurem atrás.



Versão de uma velha canção de Ken Dodd ( 1965 ).



ÍNTIMA FRACÇÃO

26 / 27 de Julho de 2003



# Ryuichi Sakamoto : Forbidden Colours ( piano solo )

# Cat Power : He was a friend of mine

# Carla Bruni : Tout le monde

# The Softies : These sad times

# Nick Drake : Things behind the sun

# Montgolfier Brothers : Dream in organza

# Yo la tengo : Nothing but you and me

# Kimmo Pohjonen : Kaluja

# Brad Meldhau : Dear Prudence



# Lambchop : The old match book trick

# 1 mile north : New clock

# Slowdive : Here she comes

# Cul de Sac : I remember nothing more

# Montgolfier Brothers : Inches away

# Labradford : David



créditos finais sobre # Vincent Delerm : Fanny Ardant et moi

música suplementar # Zero 7 : In the waiting time



Textos



" Encontro-me uma vez mais sobre as ondas, uma vez mais ! E erguem-se debaixo de mim as vagas como um corcel que conhece o cavaleiro. (...) Que me guiem depressa, para qualquer lugar ! Embora o mastro estremeça e se incline como um canavial e as velas sejam impelidas, despedaçadas pelos ventos, não posso deixar de prosseguir - porque sou uma alga arrancada das rochas que voga sobre a escuma do Oceano para onde a arrastam as ondas e a respiração da tempestade. " ( Byron )



" Depois dos meus dias de paixão, alegria ou dor, talvez a minha harpa, a minha alma se tenham quebrado e delas nasça um áspero som; pode ser que inutilmente procure cantar uma vez mais como outrora cantei; embora sejam tristes acordes, permanecer-lhes-ei fiel desde que me arranquem a este penoso sonho de um sofrimento e alegria egoístas, que espalham à minha volta o esquecimento : e este tema embora aos outros o não seja, tornar-se-á grato para mim. " ( Byron )



" Tudo chegou contigo - noite tão gloriosa, a que se não destina o nosso sono; deixa-me partilhar do teu violento, longínquo encantamento uma parte da tempestade e de ti mesma, noite ! (...) Mais uma vez tudo é escuridão - e, agora, a alegria das colinas sonoras freme com todo o seu excesso como se sentisse prazer com o surto dum novo cataclismo." ( Byron )




" ... embora o mastro estremeça e se incline como um canavial e as velas sejam impelidas, despedaçadas pelos ventos, não posso deixar de prosseguir - porque sou uma alga arrancada das rochas que voga sobre a escuma do Oceano para onde a arrastam as ondas e a respiração da tempestade. " ( Byron )
Demitiu-se o Director da TSF.

Segundo um comunicado da Administração «a demissão de Carlos Andrade prende-se com divergências sobre os meios a afectar no lançamento da nova grelha da TSF, em Setembro próximo».

Ainda no mesmo comunicado : " O lugar que a TSF tem hoje no panorama da Rádio Portuguesa é-lhe devido em larga medida e está reflectido nos dados de audiência e de share recentemente divulgados e que estão entre os mais altos da história da TSF».



E agora ?

Uma respiração suave de Verão. A noite mágica de Sakamoto + Morelenbaum no Jardim da Sereia.

Para um regresso até essa morna noite, o jardim está aqui. Em VÍDEO !



Catalogar os blogs pode ajudar a limitá-los.

O autor de blog tem um compromisso com quem ?

Não cabe na lógica editorial deste blog que eu diga que hoje apenas atendi 4 telefonemas e fiz um ?

Que apenas falei (ao vivo ) com o meu cão e com a senhora do super-mercado para pedir 250 gramas de queijo fatiado ?

Que ontem passei por um McDrive ( para levar uma salada ) e que estou viciado na condução de um Smart ?

A quem interessa esta informação ? Se eu a dou é por que a penso reveladora de alguma coisa e com destinatários ( o tal caderno escondido na gaveta que se deixa de propósito aberta ). Por uma vez, falar de mim mesmo, seleccionar o que quero dizer ( o que preciso dizer ? ) e não deixar que o que digo dos outros fale de mim.



Weblog, é um espaço íntimo que se resolve tornar público. Quando se cria, parece ser só nosso, mas há uma enorme vontade de o partilhar. Sem estes dois lados, um blog não faz sentido. Uma espécie de caderno escondido na gaveta que se deixa aberta de propósito.
ÍNTIMA FRACÇÃO

19 / 20 de Julho de 2003



# Cousteau : To know her

# Skylab : S'wonderful + Rhapsody in blue

# Carla Bruni : Chanson triste

# Marianne Faithful : Trouble in mind

# Tindersticks : Until the morning

# Fairport Convention : Meet on the ledge

# (Smog) : Feather by feather

# Can : Cascade waltz

# Kraftwerk : Tour de France



# Tindersticks : Camions

# Tindersticks : Sweet memory

# Alpha : Roy

# Pascal Comelade : I surrender

# Ogurusu Norihide : #5

# Kaada : I need you

# Kaada : Care

# Astor Piazzolla : Liber tango

# Carla Bruni : Pourtant quelqu'un ma dit

# Barzin : Pale blue eyes

# Helen Merryl : Willow weep for me



créditos sobre # Air : J'ai dormis sur l'eau



Textos



" Uma palavra única me motiva, me move : a que não surge, a que procuro, a que permance em branco." ( J. Wiborg )

" O corpo, a vida acesa; a memória, a vida silenciosa. Sempre a vida. " ( J. Wiborg )

" E depois, escuta : não é a cotovia que canta ... é o pássaro côr de infinito. " ( Adolphe Rossé )

" De súbito sobe um canto de sereia, do meio do mar e na noite. E eu sou como o navegador - atraído e receoso. Não é a sereia que ele procura, mas o paraíso que ela simboliza (promete). " ( F. A.)

" Olha-se o tecto, o quadrado escuro da janela, esticamos a mão e não tocamos sequer ao de leve no futuro. É quando não podemos evitar que o som nos envolva, e devolva a imensidão, o mistério dos grandes espaços. A grande interrogação de como a intimidade aqui poisa, e fica, como o registo de um gesto que se julgava há muito perdido. " ( F. A.)

" Regresso a casa pela mão da Esperança. A noite imensa transformou-se num luzeiro de astros - diamantes que brilham tão próximos, tão fulgurantes e ardentes, como os olhos de DEus. Multiplicaram-se as constelações, as nebulosas, as galáxias. Mas o homem, na dupla consciência da sua pequenez e da imensidade do Universo, ganhará em dimensões morais o que perder em grandeza geométrica.

Quanto maior for o seu Universo, maiores, mais lucilantes as estrelas, mais vasta a vida e o seu conhecimento, maior será a compreensão, a tolerância, a cooperação pacífica e fraterna entre as pequenas formigas do formigueiro humano." ( Jaime Cortesão )




Wo...wo...

A time to be reaping

A time to be sowing

The green leaves of summer

Are calling me home "

Twas so good to be young then

In the season of plenty

When the catfish were jumping

As high as the sky



"The green leaves of summer"



A foto não consegue evitar as sombras, ao fundo.

Mas há um tempo em que o verde é até perder de vista. Um curto momento, do qual, normalmente, não temos consciência.

Se o Verão recuperar a imagem que anda, por aqui, tão abalada, escute-se "Estate", por João Gilberto.




A próxima IF abre com "To know her", dos Cousteau.

Para quem estiver muito interessado no tema, não vale a pena procurar no CD que por aí se encontra (mal ...). Só está como bónus na edição japonesa. E também num single editado no Reino Unido.

Recomendo também a audição, na IF, de duas músicas/colagens/canções, não sei o que lhes hei de chamar, do norueguês Kaada. Pegou em sons dos anos 40, 50, 60 e 70, do século passado, e recompõe para a sonoridade de hoje, as ilusões desse passado.



Uma volta pela blogosfera portuguesa deixou-me com duas certezas:

1ª - nunca farei neste o que vi em muitos;

2ª - e sim, também eu tenho saudades do chocolate " Coma-com-pão" ...




Foi com este navegador que nos primeiros tempos viajava pela rede.

A América Online despediu toda a equipa. É o fim do Netscape !

Pelo menos uma palavra de agradecimento. Inútil, sim. Mas sentida.







Lancei-me no roubo mais descarado de uma imagem de blog alheio.

A intenção é boa. Clicando na imagem, salta-se para o blog onde ela está em tamanho real ( post : Inverno no Verão ). E vê-se o nosso estado de alma num Verão que os " meteorologistas não comentam ". É mesmo verdade que as temperaturas máximas, numa parte do País, estão a baixo dos 20º e as mínimas não chegam aos 10º. Que importância tem isto ? Muita. ( Alô Carlos Amaral Dias ! uma ajuda para explicar os estragos )

Eu bem que passei, como suporte dos créditos finais da passada IF, o tema da "Pippi". O Verão está melhor na Suécia ...

Há alguém para um banho em frente a Estocolmo ?



Blog da IF três dias parado. Em espanto. Julho ?

Serão também estas temperaturas normais para a época ?

Embora noutro contexto, tinha razão quando rescrevi, há uns posts atrás, a letra de "Summertime".

... Summertime and the living was easy ...
ÍNTIMA FRACÇÃO

12 / 13 de Julho de 2003



# Brokeback : Everywhere down here

# Lou Reed : Walk on the wild side

# Teenage Fanclub : Who loves the sun

# Velvet Underground : Sunday Morning

# Carla Bruni : La noyée

# Ogurusu Norihide : # 5

# Múm : Random Summer

# Saint Etiénne : Language lab

# Beth Gibbons e Rustin' Man : May you never

# This Mortal Coil : I want to live

# Martin L. Gore : In my other world

# Alex Reece ( remix Kurder & Dorfmeister ) : Jazz master



# Lou Reed : Perfect day ( never ending IF mix )

# Americam Music Club : The condidential agent

# Sam Prekop : Don't bother

# Giant Sand : Astonished

# Keren Ann : On est loin



créditos finais sobre # Tema da série TV " Pippi das meias altas "

música suplementar # String Cheese Incident : Take five



Textos



" Partir. Em direcção a um improvável futuro. Um futuro não de trevas, mas de caminhos novos por onde se passa com a confortável sensação de serem conhecidos. "

" Regressam os pássaros. Riscando o azul transparente do fim da tarde. Uma leve brisa. Sons lá fora, ao fundo. E um grito que só sai do coração e os ouvidos não escutam. "

" Sons que andam para a frente e para trás e não encontram saída. A rádio é o último refúgio. "

" Quando o vento sopra memórias, volta-se a cara para as estrelas e espera-se que a mais brilhante se levante. "

" No meio da noite a música não nos pode salvar de nada, a não ser do silêncio e do nevoeiro que ensombra o coração. Mas por quê ter medo ? Não é o escuro. São apenas os olhos que estão tapados. " ( F. A.)



You're going to reap just what you sow

You're going to reap just what you sow

You're going to reap just what you sow

You're going to reap just what you sow




Este é o final da letra de Perfect Day, de Lou Reed.

O entusiasmo começou com o concerto que terminou assim.

Por outro lado, faz-me lembrar um grupo de gente muito nova que vi trabalhar ( e bem ! ) para um futuro nas profissões da Comunicação. O refrão final quer dizer ( não percam tempo ... ) : "Vais colher aquilo que semeaste". E se eles não colhem ? A poluição na Comunicação Social portuguesa é tanta, que é necessário começar a incinerar e a dar bandeiras azuis. Porque há gente que sonha trabalhar, bem, nesta área e que dispensa completamente os spots-lights.

Embalado por este estado de espírito, lancei-me na aventura de fazer uma remontagem do tema, sem o alterar na sua alma. Para mim, sempre que ouvia o Perfect Day, apetecia-me que ele nunca mais acabasse. Foi essa a origem da ideia para a remistura. Chamei-lhe ( pomposamente, aceito ) : Perfect Day ( never ending IF mix ). Para ouvir na emissão deste sábado à noite da IF, na TSF.







Este disco é de 1972.

Há uma edição recente que inclui uma versão acústica de Perfect Day.
Está na Net. Chama-se " Cool Music Net Radio " e não esconde o registo "IFniano" que a move.

Estou contente. Pode entrar-se por aqui .



Diz assim um post do CoolMusic :

" À falta de panen,nada melhor do que um pouco de circenses. Adicionei de novo uma rádio

online,graças ao serviço gratuito do Cotonete.Estão lá algumas das minhas músicas

favoritas,tudo num formato algo IFniano,embora as limitações do serviço não permitam

grandes controlos sobre a periodicidade das faixas,isto sem falar da publicidade e das

faixas "parasita".De qualquer maneira,espero que gostem:o link está na secção Goodies
. "



Veja-se o alinhamento.

Quem disse que os pais não gostam dos filhos ?
Numa das noites com Lou Reed na Sereia, confesso que rondei o Jogo da Pela. Quando achei que afinal valia a pena ( o homem ainda não está a cair com tanta "Heroin" e, agora, "Ecstasy" ), já era tarde. Esgotado ! Vai vê-lo ao Mónaco.

Por motivos profissionais até já vi ( ouvi ) umas imagens do concerto. Aquele final com "Perfect day" ... ! Daí até me meter numa remontagem do tema ... Enfim, apetece que aquilo não acabe mais. Vamos lá ouvir o que sai.




A IF não tem uma relação estável com o jazz, mas há muito que com ele tem um "flirt" ( palavra arrancada ao fundo dos tempos ... agora diz-se à brasileira : tem um caso. Por acaso não gosto. Fica FLIRT. )

Como não vou ver os Múm (recuso-me) para o meio das massas de festival de Verão ( ATREVE-TE ... e BEBE ... uma bebida qualquerrrrr), falo de dois concertos com a Dave Holland Big Band. Primeiro no CCB, a 18. Depois, para os mais a norte, a 19, no Páteo das Escolas, em plena Universidade de Coimbra ( Jazz ao Centro, claro ).

Como fui ao site de Dave Holland, fui logo espreitar para ver onde ia ele depois. O trajecto das digressões fascina-me. E tenho razão. Dave actua na noite de sábado em Coimbra e no dia seguinte já está a tocar na Polónia !





Embora haja uma espécie de cerco à volta da Capital Nacional da Cultura - Coimbra 2003, vão acontecendo coisas. Aliás, não acontecem por acaso. Uma das iniciativas mais curiosas é o poema colectivo em português, no projecto " O fulgor da língua ". Rui Mendes e António Pedro Pita semearam os ventos e esperam colher todas as tempestades e ... claro, bonanças. O maior poema "em linha".







" Olhar o rio feito de tempo e água

E recordar que o tempo é outro rio,

Saber que nos perdemos como o rio

E que os rostos passam como a água."



Jorge Luís Borges "deu" muitas vezes à IF as palavras mais certas.

Agora, na Web, há um magnífico site sobre este argentino descendente de portugueses.
O " debaixo de escuta ", " debaixo de olho ", ..., enfim, o controlado à distância, tem vindo a recuperar terreno. As explicações são as mais diversas. Normalmente apoiam-se na necessidade de defender a nossa civilização. Agora dei com o estudo " The internet under surveillance " - obstáculos ao livre fluir da informação na internet. Está no site dos " Repórteres sem fronteiras " e fiquei a saber disto pelo Conversas de Café.



ÍNTIMA FRACÇÃO

5 / 6 de Julho de 2003



# Trash Can Sinatras : To sir, with love

# Yellow 6 : Tomorrow

# Yo la tengo : By the time it gets dark

# Will Oldham : Ode #1

# Anton Karas : Third man theme

# Webb Brothers : Some velvet morning

# Morcheeba : Summertime

# Vincent Gallo : A somewhere place

# Victor Malloy : Lone wolf



# Spritualized : Anything more ( instrumental )

# The Smiths : Asleep

# The Pretenders : I go to sleep ( vivo )

# Donna Regina : When i was younger

# Slowdive : Blue skied an' clear

# Labradford : David

# Arab Strap : Who named the days



créditos finais sobre # Whistling Jack Smith : I was kaiser bill's buttler

música suplementar # Spring Heel Jack : These are strings



textos



" Um tempo de misteriosos extremos. A luz esbate-se através da janela. As canções abrem caminho através do escuro. Parece que estão aqui à frente. Vêmo-las. Mas os sons há muito que estão dentro de nós. É apenas um regresso. "



" No meio da noite ... Sempre o mistério do som que viaja até longe. Como se se lançasse no espaço um objecto voador bem identificado e de lá se vissem, numa absoluta tranquilidade, as luzes dos corações distantes."



" No meio da noite ... As vozes e os rostos, às vezes já só levemente desenhados, retomam o seu lugar nos ouvidos, nos olhos, nas mãos. Poisam, brandamente, estão vivos. E por isso, partem. "



" A exacta dimensão dos sons. Em ordem. Eles agrupam-se nas imensas músicas do coração. Tudo aspira à condição da música. O silêncio das imagens espera apenas que uma música, um som, o venha buscar."



" Finalmente não somos nada.

Regressa-se pelo caminho mais curto até ao portão que continua fechado. Do lado de dentro está uma manhã clara, límpida e morna. Como nunca mais se encontra. Num tempo em que tudo era ainda possível."



" No meio da noite, o Verão levanta-se por detrás da tristeza. Um sopro, futuramente morno, passa pelo peito, repousa no coração. " ( F. A.)
Ainda a propósito de Lou Reed, em Coimbra.

O simbolo que está em todos os anúncios dos concertos, a nova marca Coimbra (depois de Cidade-Museu, Capital da Saúde, ... ), agora Cidade do Conhecimento, tem provocado polémica. Eu gosto. Mas não resisto a reproduzir o que ouvi : "Coimbra é uma Quintiles de pernas para o ar."

As imagens falam por si. Falta dizer que a Quintiles é uma empresa da Carolina do Norte (EUA).







Lou Reed. Hoje e amanhã no Jardim da Sereia, em Coimbra.

Quanto lhe devemos ? Os Velvet Underground ? Perfect day ? Walk on the wild side ? ...

Receio muito estes concertos em que vamos ver, pela primeira vez, uma figura de referência do rock, aos 61 anos. Prefiro manter a memória intocável.

São os únicos concertos de Lou Reed em Portugal. É portanto verdade que são "um exclusivo". Não é verdade que seja o início da digressão europeia. Lou passou todo o mês de Maio em digressão pela Europa. Fez Junho pelos Estados Unidos e continua agora, de novo, na Europa. Quer dizer: não tem feito outra coisa do que tocar quase todos os dias. Se a formação for a mesma que o tem acompanhado até aqui, os espectáculos não são gigantescos. Ainda bem. Mas há a voz de Antony que lhe dará um bom suporte.

O último espectáculo nos EUA foi em Seattle, a 29 de Junho (domingo passado).

No dia 24 tocou em Los Angeles, no teatro da foto aqui em baixo.

Depois vai para Espanha e encontram-no daqui a uma semana no Grimaldi Forum, em Monte Carlo.

Como será na Sereia ? "Just a perfect night ..." ?



" Em direcção ao fundo das horas ... ". ( frase habitual na IF ).

É este o fundo das horas.

Amanhece. A luz sobe, vinda da neblina.

Quando tudo é ainda possível.







Rodrigo Leão, ao vivo, na SIC-Notícias.

Óptimo !

Completamente distraído, nunca tinha dado por "Jeux d'amour". Onde se encontra ?

Encontra-se na internet no sapo.xl, mas não se consegue entrar. " Vídeo a carregar. Aguarde um momento por favor ... ".

E este tipo de programas não cabem na RTP ? Porquê ?
Não há nada, mas absolutamente nada que se possa dizer, que altere seja o que for. São as complexas combinações da voz com os sons, enfim, a música, que nos resgata os corações.
Corrijo.

Classe e talento. Duas palavras das quais, hoje, não se deve falar.