As últimas emissões da IF, antes da suspensão, foram marcadas por " From a late night train " dos Blue Nile.

Nesta época de tomar fôlego e balanço, há também uma canção que eu gostaria de partilhar e que desenha bem nos ouvidos o actual estado de espírito.

Room with a view. A versão em inglês de "Chambre avec vue" de Henri Salvador, pelo próprio. Do CD com o mesmo nome, editado pela Blue Note. Reencontrei o disco através da Janela Indiscreta.







Um quarto com vista para ...

Se possível, de onde se possam ver as coisas do alto. Imaginar os percursos do som da IF, entrando por uma janela, poisando na cabeceira de alguém. No meio da noite. A promessa de voltar.



Em antena ( e também na Internet ) o que há de mais próximo da Íntima Fracção chama-se Vidro Azul. Vale a escuta e a visita ao blog.

Entretanto acabei de passar pelo IF-NO-AR. A sugestão deixada por MrDeltaSun já vai aqui : "Quanto custa uma frequência ?".

Calma.
Há longos longos anos que não sentia o que é passar um fim-de-semana sem a Íntima Fracção.

Se estivesse hoje no ar, teria passado uma das canções (suaves) de sempre na IF :

JE NE PEUX PLUS DIRE JE T'AIME

de Jacques Higelin.

O disco é de 1979. Utilizei-o pela primeira vez logo no primeiro ano da IF (1984). Foi o Paulo Eno Marques que mo emprestou. No Natal desse ano, chega a Manela Albuquerque - a prima, da EMI (Valentim, Vadeca ...) e dá-me o disco de presente. Um duplo vinil.

Há muitos anos que já não utilizo o vinil, mas esta música atravessou toda a história da IF. Hoje, tê-la-ia utilizado de novo. Conta o estado actual da minha relação com a TSF, com quem estou casado há 14 anos.



Je ne peux plus dire je t'aime

Ne me demande pas pourquoi

Je ne ressens ni joie ni peine

Quand tes yeux se posent sur moi

Si la solitude te pèse

Quand tu viens à passer par là

Et qu'un ami t'a oubliée

Tu peux toujours compter sur moi



Je ne peux plus dire je t'aime Hm Hm

Sans donner ma langue à couper

Trop de serpents sous les caresses

Trop d'amours à couteaux tirés



Si dure que soit la solitude

Elle te ramène à ton destin

La loi du grand amour est rude

Pour qui s'est trompé de chemin



Je ne peux plus dire je t'aime

Ne me demande pas pourquoi

Toi et moi ne sont plus les mêmes

Pourquoi l'amour vient et s'en va



Si la solitude te pèse

Quand le destin te mène ici

Et qu'un ami t'a oubliée

Tu peux toujours compter sur moi



Et qu'un ami vienne à manquer

Tu peux toujours compter sur moi








É assim mesmo. João Gilberto desfocado.

Adiados, de novo, os concertos no Porto e em Lisboa, previstos para este Outubro.

Desta vez, a empresa produtora não está interessada em novas datas. Provavelmente, não vou conseguir o pleno. Vi e ouvi Jobim, mas vai-me faltar o João.



fotografei você na minha Rolleiflex ... revelou-se a sua enorme ingratidão







Ao Lourenço,

que comprou uma Rolleiflex no momento em que deviam ser compradas : anos 50.

Ao Lourenço,

um cavaleiro andante que deixou milhares de "retratos" noutros tantos milhares de casas.

Ao Lourenço,

a quem garanto que, se ninguém tomar contar da Rollei, esteja descansado que eu trato dela.
Well this could be the last time

This could be the last time

Maybe the last time

I don't know. Oh no. Oh no




The Rolling Stones em Coimbra, na noite da despedida da IF à TSF.







São os Stones ou os Pink Floyd ?







Estes são os Rolling Stones.







Mick Jagger correndo na noite de Coimbra ... em direcção ao "futuro incandescente".



Eu não estava no estádio. Era a última noite da IF na TSF. O concerto acabou a tempo. Os milhares de pessoas nas ruas lembraram-me a ENORME diferença entre um espectáculo de massas e um programa de rádio para ouvir sózinho.
No blog IF NO AR - ideias para a continuidade da Íntima Fracção, a Cristina colocou esta imagem que tem tudo a ver com a IF. Chamou-lhe " em suspensão ".







Entretanto ...

13:05 - terceira estação de rádio que mostra o seu interesse na IF.

Obrigado. Confesso que não esperava isto.
Um dos mais belos posts sobre a IF colocados na blogosfera, está no Mar Salgado e foi escrito pelo Pedro.



"O TRAÇO AZUL JÁ ENTROU NO FUTURO: Estou certo de que, hoje, fomos muitos aqui. Os mapas complicaram-se - agora mudam com tanta rapidez - , mas a IF já está no seu caminho, leaving for home. Tonight."



Uma brilhante colagem partindo de uma frase-chave do programa ( há um traço azul no futuro incandescente ), com a citação do tema Maps of the world, com John Cale e Bob Newirth, uma memória dos anos 90 da IF.

Só não sei ainda se a viagem vai ser longa ou breve.



As primeiras mensagens que recebi durante a última IF na TSF, vieram do companheiro da Rádio, Francisco Mateus, que dedicou 15 minutos da emissão da própria TSF (antes das notícias da 1 hora) ao programa e às influências que dele recebeu há largos anos. Coisa que não poderá voltar a fazer tão cedo, porque a emissão da TSF vai começar a funcionar com playlist. Logo depois, mensagens do Brasil e da Venezuela !

Antes que me perguntem de novo, já que houve 4 mails a perguntar o mesmo (entre outras coisas), aqui fica uma confirmação : não foi por acaso que passei o épico (ou será angustiado ? ou uma angustia épica ?) Sweden, pelos Divine Comedy (Neil Hannon). I would like to live in Sweden ...When my work is done ... Where the snow lies crisp and even’neath the midnight sun ... Safe and clean and green and modern ... Bright and breezy free and easy ... I’ll grow wings and fly to sweden ... When my time is come ... Then at last my eyes shall see them ... Heroes every one ...Ingmar Bergman ... Henrik Ibsen ... Karin Larrson ... Nina Persson ".

É o que me apetece.

Também não foi por acaso que passei a gravação, quase integral, do final do célebre concerto de Elvis Presley, em 1956 - 15 de Dezembro, Shreveport, LA. Hirsch Youth Center, Louisiana Fairgrounds , com a frase do apresentador, dita para acalmar uma assistência nervosa que teimava em não deixar que o espectáculo continuasse : "Elvis has left the building". Não, não. Não vale a pena fazer comparações com o Elvis. Apenas me agrada como termina o registo : " se voltarem para os vossos lugares e se sentarem, o espectáculo continua dentro de 5 minutos."







Esta noite, entre a uma e as três, passa a última IF na frequência da TSF.

Entretanto, nas primeiras 24 horas depois de ter tornado pública a suspensão da IF, DUAS estações de rádio mostraram-se interessadas em ter a IF nas suas frequências. Também uma rádio-online ofereceu a casa para a IF passar os dias de retiro que fossem necessários.





A parte de trás do palco do concerto dos Stones fica virada para aqui, mas é possível ver o que se passa através desta webcam.
ÍNTIMA FRACÇÃO SUSPENSA.



No próximo sábado cumpre-se a última "Íntima Fracção" na TSF. Já não é a primeira vez que o programa é suspenso. Quando da passagem da Antena 1 para a TSF, há 14 anos ( ! ), a IF parou durante 4 meses. Durante os 20 anos que completa a 8 de Abril de 2004, foi o único período em que a sua transmissão esteve suspensa.

A IF é um programa de rádio de autor, por isso, não faz sentido dizer que acabou. É absurdo dizer a um pintor que deixe de pintar porque uma galeria não lhe expõe mais os quadros. Mesmo que a esta galeria se tenham dedicado 14 anos de vida.

Assim, a IF continua. Procura casa. Uma casa da Rádio onde se abra a janela e se deixe o som, o rumor do coração e da música, sair pelo meio da noite ... flutuando ... através do espaço infinito.

O Luís, de A natureza do Mal, disse-me tudo : "Nunca poderá acabar, porque é outro o lugar onde aquela música toca, foi sempre outro, inacessível aos gabinetes dos pequenos e grandes mandantes, o lugar, onde, suavemente está".

Agradeço todo o apoio dos ouvintes que, por diversas formas, me lançaram dúvidas e angústias, mas também porções de um enorme e (acreditem) inesperado afecto. Quase não respondi a mails, fui evasivo, eu sei. Às centenas de ouvintes que enviaram mensagens a que não respondi, garanto agora que a IF não acabou. Aos bloggers que não conheço, mas que aqui e ali juntaram esforços e criaram um blog colectivo para receber "Ideias para a continuidade da IF", devo dizer que o vosso trabalho e dedicação, para lá de agora se revelar de grande utilidade, me fez acreditar de novo que vale a pena trabalhar para a fruição de outros. Aos autores de Blogs que não nomeio, já que deve haver vários que não li, e que escreveram posts e linkaram sobre a IF, tenho de dizer que, com eles, a mágoa se desfez um pouco em cada noite.

A IF não acabou.

Está a cantar baixinho, parada, num caminho escuro à espera da aurora.

A IF não acabou.

A maioria das aves que migram orientam-se pelo sol, mas há espécies que preferem utilizar as estrelas como bússula.

A IF não acabou.

Enquanto procura de novo "a casa", embrulhar-se-á na imensa rede e ficará à espera do download de quem a amar.

A IF não acabou.

Observa bem e sente ! Sente mais do que vês - a escura noite, tornando-se, lentamente, em clara madrugada.

A IF não acabou.

"Há um traço azul no futuro incandescente".



O psicótico vive no temor da queda ( pelo que as várias psicoses não seriam senão defesas ). Mas o " receio clínico da queda é o receio de uma queda que já se experimentou ( primitive agony ) [ ... ] e há momentos em que um paciente sente a necessidade de lhe dizerem que a queda, que ele tanto teme e lhe mina a vida, já se verificou". ( Winnicott )




When you're standing on the crossroads

That you cannot comprehend

Just remember that death is not the end

And all your dreams have vanished

And you don't know what's up the bend

Just remember that death is not the end

Not the end, not the end

Just remember that death is not the end






A RÁDIO foi uma Arte.

A RÁDIO é uma Arte ?

A RÁDIO poderá ser uma ARTE ?









Em 1984, um pouco antes de começar a Íntima Fracção, passei a Serra da Estrela de carro e sózinho. O céu, que estava azul, passou a cinzento chumbo, o tal que dá neve. No topo da serra, com a noite a cair, a única referência que tinha para saber onde era a estrada estava numas barras pretas e amarelas, que é para isso que lá devem estar. Na descida para Seia, a neve desapareceu.

É assim que me sinto : de novo no alto da Serra. As barras que me amparam, tomam agora outros formatos. Não sei quem colocou lá as outras. Não conheço quem colocou agora estas, mas posso dizer obrigado. Não conheço, mas descobri-lhes as assinaturas. Aqui e ali.
INTIMA FRACÇÃO

20 / 21 de Setembro de 2003



# Smog : Back in school

# Múm : On the old mountain radio

# Prefab Sprout : Andromeda Heights

# Dick Hyman : Mack the knife

# Future 3 : Alison

# Dionne Warwick : Trains , boats and planes

# Fred Frith : Trains , boats and planes

# Blue Nile : From a late night train

# For Stars : There was a river



# Johnny Cash : We'll meet again

# Lambchop : Autumn's vicar

# Alpha : Blue Autumn

# Tom Verlaine : Depot ( 1958 )

# Suicide : Surrender

# Tindersticks : Running wild

# Manual : Blue skied an' clear

# Parker and Lily : My apartment complex

# Parker and Lily : Bridge and tunnel

# John Cale : The soul of Carmen Miranda

# Elvis Costello : Someone took the words away



Créditos sobre # Vera Lynn : We'll meet again

Música suplementar # Ulrich Schauss : Crazy for you



sons : telefones, máquinas em parque de diversões, vento, riacho, mar, avião, torre de controlo, elevador, comboio, sirene de barco, Corvette 62', som original do apresentador do espectáculo de Elvis Presley - 1957 : Elvis has left the building.



Textos :



" Na Íntima Fracção da noite ... não é o silêncio ... é o barulho do coração. Um ruído, um rumor que se levanta. "

" Pouco para dizer e muito para escutar. Tudo para sentir e sempre a espera pela intimidade de uma esperança ...

Recomeçando a cada instante. "

" Suaves e brilhantes reflexos, como uma pequena pérola rolando pela palma da mão estendida à janela da

escuridão desta noite. O clarão, o brilho mais intenso, já o sabemos, vem sempre de dentro. " (F.A.)
ENCONTRO DE WEBLOGS em BRAGA - UNIVERSIDADE DO MINHO.

Uma breve reflexão sobre o blog da Íntima Fracção.




Dreyfuss ( Curt ) entra no coração da rádio. Edifício vazio. Wolfman Jack, só, no estúdio.

São quase 5 da manhã.



You're Sixteen (You're Beautiful and You're Mine) - Johnny Burnette
A solidão dos viajantes da noite



"Each nightscape also shows a train, often reduced to a mere blur, which evokes the loneliness of late-night travelers."



Peter Oxley







# Blue Nile : From a late night train





From a late night train

Reflected in the water

When all the rainy pavement

Lead to you

It's over now

I know it's over

But I can't let go



The cigarettes, the magazines

All stacked up in the rain

There doesn't seem to be a funny side

It's over now

I know it's over

But I can't let go



From a late night train

The little towns go rolling by

And people in the station

Going home

It's over now

I know it's over



But I love you so



in. Hats, 1989
IF.

No meio da noite

Não é o silêncio ...

é o barulho do coração

( um ruído que não interessa ? )
Não consigo discutir algumas mudanças. A do " pi...pi...pi " horário da RDP é uma delas. Durante anos, de manhã, à tarde e à noite, abri-lhe a porta. Ou era a janela ?

coisas que não mudam e nos dão segurança.




Pode não ter sido a primeira vez que escrevi isto, mas encontrei-o agora mesmo numa folha saída de um caderno onde anotei ideias para o princípio da IF. Para mim, é um pouco da minha vida. Para os seguidores da IF, poderá ser uma curiosidade. Para os outros, certamente, não são mais do que palavras rabiscadas num papel. Como aprendi com Cortázar, se alguém encontrasse esta folha, o mais provável era usar o verso para tomar nota da chave do totoloto. Ou, quem sabe, para embrulhar um ramo de salsa que se foi buscar à mercearia. Cortázar era mais radical ( ai pois era ...). Para ele, tratava-se de um jornal. Depois de passar por várias mãos, uma velhota encontra-o e leva-o para casa. No caminho usa-o para embrulhar meio quilo de nabos, que é para o que os jornais servem depois destas excitantes metamorfoses.




Now I think I know

What you tried to say to me

How you suffered for your sanity

How you tried to set them free

They did not listen they're not listening still

Perhaps they never will.




Don McClean escreveu e cantou "Vincent". Talvez seja ( não parecia ) um bocadinho piegas. Seja como for, diz a verdade.
Esta noite na IF.

Há sempre alguém que se lembra. Por isso não estou sózinho.







"...and this is how you can be walking and falling at the same time." Laurie Anderson.







Johnny Cash. 1932 - 2003.



Há uns posts atrás, escrevi a letra de uma canção de Cash. Quase desde o princípio que passa na IF, através de Nick Cave. Esta noite também.



I'm a child of this age

Locked into the pages of your book

And when I am but dust and clay

And all the children stop to take a look



Will they marvel at the miracles I did perform

And the heights I did aspire

Or will they tear out the pages of the book

To light a fire



With the rain on my face

There is no place that I belong

Did you forget this fucking singer so soon?

And did you forget my song?




O título original é "The folk singer ". Tenho uma velha cópia em vinil. Uma noite destas, quem sabe, passará na IF. A mudança dos tempos escuta-se num pormenor. Cash, no disco, pergunta " Did you forget this folk singer so soon? ". Nick Cave pergunta o que está aqui em cima.

A primeira vez, que me lembre, em que ouvi Johnny Cash, foi numa faixa que ele canta a meias com Bob Dylan no álbum "Nashville Skyline". O disco que me chamou até ele foi " At San Quentin (The Complete 1969 Concert [LIVE]. No meu juvenil entusiasmo, naquela época, só pensava em sair do país. Quando Cash cantava " San Quentin i hate every inch of you ... ", e os presos para quem ele cantava explodiam em aplausos, eu sentia-me também daquele lado. Devo-lhe esta solidariedade longínqua.



ÍNTIMA FRACÇÃO

13 / 14 de Setembro de 2003



# Leonard Cohen : Love calls you by your name

# Lambchop : I'm glad i never

# Lambchop : The daily growl

# Velvet Underground : Sunday morning

# Astor Piazzolla : Liber tango

# Kraftwerk : Prologue

# Red House Painters : Instrumental

# Tindersticks : Until the morning comes

# Alpha : As far as you can

# Blue Nile : From a late night train

# Jeanne Moreau : India song



# Belle and Sebastian : Night walk

# Paddy McAloon : I'm 49

# Roger Eno : Swimming

# Belle and Sebastian : Fiction (reprise)

# Barry Adamson : Everything happens to me

# Nick Cave and the Bad Seeds : The singer

# Smog : Sweet treat

# Cat Power : Wild is the wind

# Laurie Anderson : Walking and falling

# Montgolfier Brothers : Inches away

# Guy Béart : Vous

# Tom Waits : I'm still here



créditos sobre # The Box Tops : I'm your puppet

música suplementar # Antenna : Memo



Textos



" A música desencadeia o alento para prosseguir em pleno desconhecido, onde só às apalpadelas é possível continuar. "

" Chegar às palavras é já ter-se perdido de si-mesmo. As palavras são um ser-no-mundo, um artifício para revelar o irrevelável."

" Os ouvidos, e os olhos; e os ouvidos, e os olhos; e os ouvidos ... O caminho repete-se eternamente, e tudo está já dito, desde sempre, desde o princípio que tudo foi dito, e só nos cabe repetir os ouvidos, os olhos escutados, repetir, e ser escutado. É preciso ir até à exaustão dos ouvidos para alcançar a visão dos olhos. "

" Tudo aquilo de que sou capaz de desistir deixa de me interessar. Interessa-me apenas o inabdicável. "

" O problema é : como passar aos actos necessários ? Como ganhar força para abandonar o lago de silêncio, para deixar o paraíso ? "

" O final, a conclusão do ciclo, o círculo per-feito : a música. Nada há que eu entenda, nada há que eu seja, que eu alcance. A música, universal e neutra, só ela persiste, impessoal, imorredoura." ( João Wiborg )




A notícia sobre os bilhetes esgotados para o espectáculo dos Stones, deixa-me à vontade para dizer alguma coisa sobre o assunto. Mas estou sem forças para desenvolver argumentações. Mesmo assim, ao chamar-lhe espectáculo e não concerto, já devo ter dito alguma coisa.

Eu queria era ter visto os Rolling Stones em 1965 ou 66.





Agora, o melhor que posso fazer, é dar uma pequena prenda de consolação aos que não conseguiram bilhete. Se espreitarem aqui, vêem o Estádio em tempo real. O "único" problema é que o palco vai ficar de costas para a câmara. Talvez se veja o Mick Jagger a levar a transfusão de sangue antes do espectáculo ( como fazia o Viren, aquele atleta finlandês que bateu o Carlos Lopes na última volta ).
A Natureza do Mal diz que o meu " par espantoso, maravilhoso " é a Íntima Fracção. Todo o post é maravilhoso e deve ser lido. "Par espantoso".




" Por favor, não desistas, continua para o lado da aurora, prossegue o caminho da claridade. Por favor, não voltes para trás, não adormeças. Fica cristalino, diamantino, por favor, o futuro virá, virá o momento da voz, o fulgor cândido dos olhos. "



( extracto de uma carta recebida em Setembro de 1986, a propósito da Íntima Fracção )
A Íntima Fracção vê-se e sente-se.







" La belle dame sans merci " Sir Frank Dicksee.
Afinal, a Íntima Fracção vê-se.







Écran do editor onde se compõe a Íntima Fracção.
ÍNTIMA FRACÇÃO

6 / 7 de Setembro de 2003



# Paddy McAloon : Sleeping rough

# Red House Painters : Instrumental

# Red House Painters : Summer dress

# The Doors : Summer almost gone

# Pearls Before Swine : The wizard of is

# Smog : A Guiding light

# Alpha : Portable living room

# Murcof : Mes

# Kraftwerk : Prologue

# The Langley Schools Music Project : Desperado

# Múm : Sleep - Swim

# Sondre Lerche : Things you call faith



# Blue Nile : From a late night train

# Montgolfier Brothers : Dream in organza

# sons em estrutura de ligação : Chopin - Étude (Tristesse); Enya (Waterfall) com ruídos captados em ruas

# Brian Eno : Julie with ...

# Virginia Astley : From gardens where we feel secure

# For Stars : There was a river

# Paddy McAloon : I'm 49

# Paddy McAloon : Fall from grace

# Lambchop : Autumn's vicar



créditos sobre # Harry Belafonte : Try to remember

música suplementar # Penguin Cafe Orchestra : Telephone and rubber band



Textos



" Subitamente o vento uiva e bate à minha janela fechada. O céu é uma rede coalhada de peixes sombrios. Aqui vêm

soprar todos os ventos, todos.

Aqui despe-se a chuva.

Passam fugindo os pássaros. O vento. O vento. Eu só posso lutar contra a força dos homens. O temporal amontoa

folhas escuras e solta todos os barcos que esta noite amarraram ao céu.

Tu estás aqui. Tu não foges. Tu responder-me-ás até ao último grito. Enrola-te a meu lado como tivesses medo.

Porém mais que uma vez correu uma sombra estranha pelos teus olhos. "



[ Íntima Fracção ] " deixa-me lembrar como eras então, quando ainda não existias ". (P.Neruda)







Este pode ser o lago de Narciso. Para quem o vir assim, basta espreitar e conferir a imagem que lhe é devolvida.

Não procuro o lago. Tento compreender as relações, complexas, que se estabelecem através da IF. A maior parte dos mails que recebo, a propósito do programa, são fortemente emotivos. Tenho consciência do que faço. Não entendo é como é que sendo a rádio um meio tão propiciador à criação de ilusões e acima de tudo de momentos efémeros, a emoção se mantém, persiste.



" EU CONTINUO DO OUTRO LADO DO PROGRAMA, EMBORA VOCE NAO ME CONHECA..EU SEMPRE ESTIVE ALÍ. "



" INTIMA FRACÇÃO é, sem dúvida, para mim, mais de que um programa de rádio de muita qualidade. É, também a expressão de um deus, apesar de eu não ser uma pessoa religiosa ... "



" O que eu quero dizer com isto é que eu não chorei por ter deixado [ ... ], eu chorei como uma criança abandonada quando, nesse sábado para domingo, ouvi pela última vez, o seu programa. Porquê isto? ".




Estes três exemplos, retirados de mensagens pessoais, mostram bem o que atrás disse. Eu tento compreender e se existe alguma comunidade cujo ponto comum seja a IF, é esta a hora. Preciso saber.

I'm lost, yes I am lost.

And duty will not track me down;

And duty will not track me down,

asleep among the trees.




( Paddy McAloon )



As "Histórias Urbanas" da Capital da Cultura, não apetecem só pelos filmes.

Vejam o grafismo.



A propósito de um comentário colocado no post sobre o disco que contém o indicativo da Íntima Fracção.

Ainda não entrei na venda de memorabilia. Por enquanto ! Nunca se sabe se não virei a precisar ...




Venezuela à noite, vista do céu. Onde estará o ouvinte da Íntima Fracção que lá vive e me enviou um mail a pedir TODOS os programas desde 1994 ?

Brevemente, talvez, possa ouvir aí mesmo a Íntima Fracção.
Este "movimento blogístico" ( já sei que há quem pense que não há movimento nenhum ... ) tem atraído uma considerável miríade de "estrelas" habituadas aos spot-lights mediáticos. A maior parte é gente que vale a pena ouvir, mesmo quando se discorda. Mas há um grupo que, embora curioso e entusiasmado em ver no que tudo isto dá, se mostra reservado, ou mesmo abertamente contra. Julgo que não têm blogs (claro !), mas utilizam as suas tribunas habituais para deixar críticas ou simplesmente desconfianças. A última veio de Medeiros Ferreira no DN. Segundo este "colunista", tudo não passa de uma versão nova para qualquer coisa que a literatura portuguesa sempre teve : os diários, as reflexões. É verdade. Tão verdade como essa literatura já tinha sido influenciada por coisas vindas do passado. É impossível que assim não seja. Trata-se aqui (blogs) de aproveitar uma nova tecnologia e poder disponibilizar os conteúdos, de imediato, para quem os quiser conhecer. É a diferença.

Para além destas constatações, discordo em absoluto, da ideia que Medeiros Ferreira tem : " ... os blogues dos nossos cibernautas pouco tratam de sentimentos. Estão mais virados para a descoberta da luta política por conta própria. Porque será?". Os sentimentos passam no quotidiano de um generoso número de blogs. Quanto à "luta política por conta própria", já estou de acordo. Para a pergunta de Medeiros Ferreira, há inúmeras respostas, dependendo dos blogs que, supostamente, visitou.
Recomeça hoje o ciclo de cinema "Histórias urbanas", incluído na Capital Nacional da Cultura - Coimbra-2003.



Escolho já "O anjo azul", "A regra do jogo" e "A ultrapassagem" de Dino Risi. Este é um filme que tem para mim um fascínio (só) aparentemente inexplicável. 15 de Agosto de 1962 - Roma. Partida para uma viagem até tão perto e, no entanto, que nos leva tão longe. Preto e branco. Culto. Os anos 60 latinos antes da invasão anglo-saxónica. Os primeiros sinais de desencanto.



The Singer

(Cash, Daniels)



por Nick Cave



As I walk these narrow streets

Where a million passin feet have trod before me

With my guitar in my hand

Suddenly I realize nobody knows me



Where yesterday the multitude

Screamed and cried my name out for a song

Today the streets are empty

And the crowds have all gone home



I pass a million houses

But there is no place that I belong

All I knew to give you

Was song after song after song



All the truths I tried to tell you

Were as distant to you as the moon

Born 200 years too late

And 200 years too soon




I'm a child of this age

Locked into the pages of your book

And when I am but dust and clay

And all the children stop to take a look



Will they marvel at the miracles I did perform

And the heights I did aspire

Or will they tear out the pages of the book

To light a fire



With the rain on my face

There is no place that I belong

Did you forget this fucking singer so soon?

And did you forget my song?









Esta é a capa do CD, editado em 1990 pela EMI-Valentim de Carvalho, " A UM DEUS DESCONHECIDO ", da SÉTIMA LEGIÃO. Nele está contido o tema que serve de abertura à Íntima Fracção ( indicativo ) : Mar de Outubro.

O LP original foi publicado em Julho de 1984, pela editora Fundação Atlântica. Tenho ainda comigo o exemplar que foi utilizado durante anos.

O LP original inclui dois temas editados em Setembro de 1983. Portanto, rigorosamente há vinte anos.

Há uma garantia histórica absoluta. As primeiras IFs não tiveram este indicativo, porque o belo instrumental da Sétima Legião, foi gravado e produzido por Ricardo Camacho, em Paço de Arcos, em Maio de 1984. O modelo base da IF é o actual, tendo a primeira emissão ido para o ar a 8 de Abril de 1984, na Antena 1 da RDP. Devido a algumas opiniões divergentes com sectores da direcção, o formato IF ficou parado desde Maio até Setembro de 84, embora a IF tenha sido sempre transmitida. Foi o modelo originalmente proposto retomado em Setembro de 1984 já com este indicativo, que se manteve na Antena 1 até Setembro de 1989.

Com a minha saída da RDP para a TSF, a IF foi comigo, já que é um programa de autor. A sua tranmissão foi retomada na TSF depois de Janeiro de 1990.

Durante o primeiro mês de emissões ( Abril de 84 - RDP ), o indicativo da IF foi " Radio Prague ", no LP " Dazzle Ships " dos OMD ( Orchestral Manoeuvers in the Dark ) - 04/03/1983



Com estas indicações espero ter respondido a todos os que me solicitaram, ao longo dos anos, informações sobre o indicativo da Íntima Fracção.
ÍNTIMA FRACÇÃO

30 / 31 de Agosto



# Kraftwerk : Prologue

# Slowdive : Here she comes

# Alpha : Made in space ( samplers )

# Alpha : Saturn in the rain

# Lambchop : Bugs

# A Guy Called Gerald : The first breath ( slow IF mix )

# Angelo Badalamenti : Dinner Party Pool Music

# Lee Hazlewood : Try a little tenderness

# Jerry Orbach : Try to remember ( extracto )

# The Buggles : Video killed the radio star ( short remix )

# João Gilberto : Aos pés da cruz

# Beth Gibbons : Romance

# Cowboy Junkies : Blue Moon

# Departure Lounge : Equestrian skydiving



# Alpha : Sleepdust

# Alpha : Lipstick from the asylum

# Beach Boys : Let's go for awhile (instr.)

# Paddy McAloon : I'm 49

# The MDH Band : Funny face

# Ryuichi Sakamoto : Forbidden Colours (piano solo)

# Roger Eno : Through the blue

# Lambchop : Catapiller

# Martin Rev : Whisper

# Alpha : A perfect end



créditos sobre # Johnathan King : Everyone's gone to the moon

sampler TV "The song that never ends"



# Fantasticks : Try to remember

# Antenne : Memo



vozes de Roland Barthes e Marshall McLuhan




Empurre a imagem. Abre-se a janela para ver e ouvir Lou Reed (live ) em palco, numa noite feliz de Julho.
How can we hang on to a dream

How can it, will it be, the way it seems




Tim Hardin, no mítico e profético 66.



Foram-me soletradas as sílabas que me levaram ao fórum que injustamente esqueci.




Era então este o mês de Marte !? O momento que só há 60.000 anos se tinha visto.

Agora, Marte afasta-se. Não sei se é assim ou se somos nós que nos afastamos de Marte.
I am telling myself the story of my life,

stranger than song or fiction.

We start with the joyful mysteries,

before the appearance of ether,

trying to capture the elusive ...




( Paddy McAloon - I trawl the megahertz )

A propósito do farol que, ali em baixo, me tenta guiar até à costa, um marinheiro colocou nas ondas um belo álbum do galego Prado - " Traço de giz ". O trabalho de faroleiro está de acordo com uma escuta da IF.



Talvez a IF seja uma série de microgramas.

Quando me descobrem, é difícil não me revelar.
Na ÍNTIMA FRACÇÃO da noite, à procura de um sinal, da intimidade de uma esperança.







RESISTIR. Acreditar no amor por aquilo que se faz.

Compôr com sons, palavras, músicas e silêncios, deve ser o desígnio da RÁDIO.

Como qualquer obra, não partilhada, não faz sentido.




Paddy McAloon - I Trawl The Megahertz



Aqui está um disco que faz acreditar em que o talento não morre.

Paddy McAloon é o génio-pop que criou os "Prefab Sprout". Operado aos olhos porque estava a ficar cego, durante a recuperação, na impossibilidade de ler, dedicou-se a ouvir rádio. A RÁDIO. A tal de que falavamos no post anterior. A de que falamos sempre.

Este disco é quase todo instrumental. O mais correcto será dizer que não é cantado. Só num tema surge ( e de passagem ) a melódica voz de Paddy. Tudo o resto se inspira nos sons da rádio, nas histórias da rádio.

Neste 2003 já marcado por tanta coisa má, aqui está uma coisa boa. Muito BOA !

Lembro-me das primeiras vezes que passei na rádio "Prefab Sprout". Na primeira metade da década de 80, o Gonçalo de Carvalho, na altura na BBC-Londres, enviou-me uns registos em banda magnética e depois os discos.

What happen to Gonçalo ? Depois de abandonar a BBC, sei que foi para Bruxelas. Lembro-me também que sonhava fazer mergulho no Mar Vermelho. Alguém sabe dele ? Devo-lhe (além da amizade) o ter-me proporcionado a primeira visão de neve a cair. Eram umas 6 da manhã e o Gonçalo bateu-me à porta : "não querias ver nevar ?". Subiu e fomos para a varanda ver os farrapos brancos a cair.



Cito aqui um post do Professor Manuel Pinto, no Jornalismo e Comunicação.

" O apagão: Inquietante a fragilidade de um empório tecnológico; admirável a tranquilidade e bonomia nas ruas novaiorquinas; recorrente o medo de uma nova tragédia accionada pelo terrorismo. Tudo isto foi dito. O que não foi dito, ou pelo menos sublinhado, foi que o velhinho rádio de pilhas, o transístor, o auto-rádio, se tornou no meio de comunicação que pôde dar a informação que faltava, nas horas de maior aflição. Como escreve Alberto Dines, no último Observatório de Imprensa: «Considerado por muitos como um dinossauro em vias de extinção, o rádio foi a única fonte de informação capaz de atingir sua audiência. Em Nova York, uma cidade com sistemas de cabo com 500 canais e internet via banda larga, nada como depender de um radinho de pilha para colocar a vida moderna sob uma nova ? ou velha ? perspectiva».

As horas de maior aflição e a RÁDIO.

A proximidade da RÁDIO. A intimidade.

A inultrapassável característica. A essência da RÁDIO.
Infelizmente não consigo responder ao comentário de Leandro deixado no post anterior.

Fui claro ?

Ainda sobre o post anterior, e para não vos inundar com mails, que por serem pessoais é porque os seus autores não querem que sejam tornados públicos, devo dizer que nem sempre foi assim, mas gosto que me tratem por tu.

Há quem me diga, "you are from another part of the world...". A IF, suponho.
Daqui a pouco a IF.

A Íntima Fracção.

Corre o ano 20. Fazer 20 anos devia ser muito mais bonito.

A todos os ouvintes da IF, quero dizer que preciso de vocês. Sou eu que a realizo, mas sou apenas um de vós.

É verdade que nem "boa noite" digo. Mas será necessário ? Não poderei, ao fim de vinte anos, perguntar se algum de vocês me (se) sentiu longe no meio da noite ? Quanto valem as palavras (e músicas) exactas no lugar de "Boas noites" vazias ?

A distância nunca existiu. É esta a verdade da IF. É esta a causa do meu sofrimento.

"Pouco para dizer. Muito para escutar. Tudo para sentir."

Três noites nas Termas.

Não encontrei as conversas animadas entre oficiais de alta patente na reserva e respectivas esposas.

Calma, sim.

Uma musiquinha de conjunto barato numa só noite. "Ansiedad" de Nat King Cole, foi o melhor que se pôde arranjar.

A única imagem de filme : um sobrinho espertalhão, cabelo penteado à anos 50, com "Brylcreem", passando uns dias com a tia velhinha. Ao jantar, numa mesa de amigas a "sopa e fruta", distribuia galanteios. Pelo menos cumpria a sua missão !







" ... yourrr eyes arrre full of tearrrrs ... and my heart is full of sorrow ...

the orchestra is getting ready ... OH ! dance with me George ... " ( De-Phazz )



Durante uns dias vou mergulhar à procura de um passado que não conheci. Pode ser uma arriscada viagem à decadência, mas vou a umas Termas e não é pelas águas !

Seguindo a sugestão de um leitor (ouvinte ?) da IF : alguém tem alguma gravação do "Em órbita" da primeira fase ?