Está aqui a gravação integral ( com alguma pub. americana pelo meio, mas enfim ...) da prestação de Jimmy Hendrix no Festival da Ilha de Wight. Isto passou-se em Agosto de 1970. Hendrix morreu dias depois. O que aqui está é um registo daquele momento.
33 anos depois, está quase tudo na mesma. O que é mau. O ambiente dos concertos de massas tem aqui o seu Neolítico. O Paleolítico foi em Woodstock.
Do mal o menos. Já não bebo BB, um refrigerante cheio de corantes e gaz.
Infelizmente já não vou para Campo de Ourique à procura dos discos que não encontrava na Avenida de Roma.
Da Cremilde, que foi a única pessoa que conheci que esteve na Ilha de Wight, nunca mais soube nada.
Informações complementares :
- Hendrix actuou às 3 da manhã;
- a música de Hendrix não é propriamente um paradigma IFneano. A referência, largamente utilizada, é The Wind Cries Mary;
- Hendrix utilizou a electricidade como ninguém;
- naquela noite, chovia de mansinho.
A propósito de uma noite de vento.
After all the jacks are in their boxes,
and the clowns have all gone to bed,
you can hear happiness staggering on down the street,
footprints dress in red.
And the wind whispers Mary.
A broom is drearily sweeping
up the broken pieces of yesterday's life.
Somewhere a Queen is weeping,
somewhere a King has no wife.
And the wind it cries Mary.
The traffic lights they turn blue tomorrow
And shine their emptiness down on my bed,
The tiny island sags downstream
'Cos the life that they lived is dead.
And the wind screams Mary.
Will the wind ever remember
The names it has blown in the past,
And with this crutch, its old age and its wisdom
It whispers, "No, this will be the last."
And The Wind Cries Mary.

Jimmy Hendrix
Van Morrison de regresso e agora na Blue Note.
Não sei se a etiqueta será uma mais valia para a música de Van. Visitante habitual da IF desde o seu início, Van Morrison volta com este What's wrong with this picture?. A capa evoca o design da própria Blue Note - anos 60. O disco abre com mais uma canção de tristeza e resignada revolta.
Saiu há 3 dias.
Salta-me nas mãos. Embaralha-se-me nos ouvidos. Saltita-me no coração, levemente inquieto. Quer encontrar a saída (a IF) e não disfarça a ansiedade.

O Nuno Pereira deu-me a conhecer, através do Bodyspace, este livro. Era só o que me faltava para completar o trabalho arqueológico sobre PET SOUNDS(1966).
Depois de o ouvir há tanto tempo, vou procurar entrar na verdade desta absoluta obra prima do século XX ( e estou a falar em música popular). Na época, a Capitol, editora dos Beach Boys, não ficou satisfeita com o disco. Queriam mais do mesmo. Quer dizer, mais Verões intermináveis, carros, garotas e ondas ( take a wave and you're sittin' in the top of the world ). Brian Wilson não fez nada disto. Utilizou a música como pintura, como matéria plástica. Ao ouvir as sessões de gravação ( a que se seguiram intermináveis misturas só com Brian, um produtor e um técnico ), sente-se que "algo de raro e indefinível" estava a acontecer.
Espero que este livro me possa contar mais.

A Maria Eduarda apareceu com uma folha destas que o João Francisco lhe deu.
Em breve, tal como estas belíssimas folhas de plátano, cairá aí a colectânea "Outono" organizada pela Janela Indiscreta com capa (não menos bela) do Mário. Porque a ideia já vem de há muito, vai ser uma Íntima Fracção outonal registada em CD. Quem quer ? Ponha o dedo no ar ...
A Íntima Fracção é uma mulher.
Durante a semana, escolhia-lhe as mais belas peças de vestuário. Desenhava-a. Pintava-a. Dava-lhe recados.
Ao fim da semana, ela vinha. Como se fosse outra. Como se não tivesse sido eu a prepará-la. Falava suavemente. Levemente sedutora. Não chorava, mas fazia-me chorar. Não sei porquê.
Há três semanas que não aparece, mas todos os dias me envia mensagens. Diz, irónica, que ainda não é desta que eu me livro dela.
Is a woman.
De regresso ao futuro, lá vai o som olhando de cima a noite.
Imitation Electric Piano, Trinity Neon.


Ao retomar os Young Marble Giants, abri a porta para as memórias imediatamente anteriores à IF.
Se há pilotos de avião que têm milhares de horas de voo, eu tenho-as também "no ar". Só não sei onde fui, nem por onde passei. Por muito que queira imaginar, não chega.
Em algumas noites dos anos imediatamente anteriores à IF, com a cumplicidade da "assistência técnica", desligava a iluminação normal do estúdio e trabalhava apenas com um candeeiro sobre a mesa. É desse tempo, onde voar pela noite era uma aventura, que me chega a Lene Lovich. "Too tender (to touch)".
Too tender to touch
To fragile to last
These misty eyes are just enough
A little sign
To guide the way
We don't need so very much
"The Portuguese media marketplace is currently in the middle of a major realignment, with Lusomondo Media at the heart of it," said Donal Buggy, the chief financial officer at INM. ( no Guardian )

Young Marble Giants.
O trio de Cardiff, passeia pela cidade. Algures, nos anos que antecederam o nascimento da IF.
O Mário colocou no IF-NO-AR, o som e a letra de "Radio silents" dos Y.M.G. . Está num single que saiu em 1979 e mais tarde num álbum de 84.
Passa ali o som daquela espera por alguma coisa que vai acontecer.
O Hugo Ferreira da RUC (e do Cimbalino) fala no seu blog da ResonanceFM, de Londres (mas também na net).
O sonho explicado por quem o faz :
Imagine a radio station like no other. A radio station that makes public those artworks that have no place in traditional broadcasting. A radio station that is an archive of the new, the undiscovered, the forgotten, the impossible. That is an invisible gallery, a virtual arts centre whose location is at once local, global and timeless. And that is itself a work of art. Imagine a radio station that responds rapidly to new initiatives, has time to draw breath and reflect. A laboratory for experimentation, that by virtue of its uniqueness brings into being a new audience of listeners and creators. All this and more, Resonance104.4fm aims to make London's airwaves available to the widest possible range of practitioners of contemporary art.

Já sei, já sei ... Cá, isto não dá !
Portugal não voltará para trás (sic).
Depois do grande choque ( e pavor ? ) de ouvir um dos MAIORES radialistas portugueses ( Aníbal Cabrita ), vulgarizado por uma lista de músicas (?) a cumprir, retomo a ideia deixada no Adufe . A letra de Caroline, no ( Briam Wilson-Tony Asher ) é a mais simples e eficaz forma de explicar o que nos vai na alma. Basta substituir Caroline por TSF ... Leia a letra completa no Adufe.

Chamo a atenção para um comentário ao post anterior deixado pelo Rui MCB.
Também eu ouvi esta noite o Aníbal Cabrita ser completamente esmagado pelo peso de uma playlist sem classificação.
Acabaram-se estas dúvidas, começaram outras.
Utilizo o blog para dizer que não consigo responder a todas as mensagens. Se receberem um simples "obrigado", não julguem que é sobranceria.
O que me impressiona mais, é descobrir que, muito para além do que alguma vez imaginei, há muita gente com gravações da Íntima Fracção.
Este post foi escrito depois de ter recebido mais uma mensagem de um ouvinte que tem IFs gravadas.
Assim, para além dos sons das memórias que envolvem os corações, a IF está espalhada, intemporal, em "velhos decks de K7" que a continuam em qualquer canto da noite.
As últimas emissões da IF, antes da suspensão, foram marcadas por " From a late night train " dos Blue Nile.
Nesta época de tomar fôlego e balanço, há também uma canção que eu gostaria de partilhar e que desenha bem nos ouvidos o actual estado de espírito.
Room with a view. A versão em inglês de "Chambre avec vue" de Henri Salvador, pelo próprio. Do CD com o mesmo nome, editado pela Blue Note. Reencontrei o disco através da Janela Indiscreta.

Um quarto com vista para ...
Se possível, de onde se possam ver as coisas do alto. Imaginar os percursos do som da IF, entrando por uma janela, poisando na cabeceira de alguém. No meio da noite. A promessa de voltar.
Em antena ( e também na Internet ) o que há de mais próximo da Íntima Fracção chama-se Vidro Azul. Vale a escuta e a visita ao blog.
Entretanto acabei de passar pelo IF-NO-AR. A sugestão deixada por MrDeltaSun já vai aqui : "Quanto custa uma frequência ?".
Calma.
Há longos longos anos que não sentia o que é passar um fim-de-semana sem a Íntima Fracção.
Se estivesse hoje no ar, teria passado uma das canções (suaves) de sempre na IF :
JE NE PEUX PLUS DIRE JE T'AIME
de Jacques Higelin.
O disco é de 1979. Utilizei-o pela primeira vez logo no primeiro ano da IF (1984). Foi o Paulo Eno Marques que mo emprestou. No Natal desse ano, chega a Manela Albuquerque - a prima, da EMI (Valentim, Vadeca ...) e dá-me o disco de presente. Um duplo vinil.
Há muitos anos que já não utilizo o vinil, mas esta música atravessou toda a história da IF. Hoje, tê-la-ia utilizado de novo. Conta o estado actual da minha relação com a TSF, com quem estou casado há 14 anos.
Je ne peux plus dire je t'aime
Ne me demande pas pourquoi
Je ne ressens ni joie ni peine
Quand tes yeux se posent sur moi
Si la solitude te pèse
Quand tu viens à passer par là
Et qu'un ami t'a oubliée
Tu peux toujours compter sur moi
Je ne peux plus dire je t'aime Hm Hm
Sans donner ma langue à couper
Trop de serpents sous les caresses
Trop d'amours à couteaux tirés
Si dure que soit la solitude
Elle te ramène à ton destin
La loi du grand amour est rude
Pour qui s'est trompé de chemin
Je ne peux plus dire je t'aime
Ne me demande pas pourquoi
Toi et moi ne sont plus les mêmes
Pourquoi l'amour vient et s'en va
Si la solitude te pèse
Quand le destin te mène ici
Et qu'un ami t'a oubliée
Tu peux toujours compter sur moi
Et qu'un ami vienne à manquer
Tu peux toujours compter sur moi

Ao Lourenço,
que comprou uma Rolleiflex no momento em que deviam ser compradas : anos 50.
Ao Lourenço,
um cavaleiro andante que deixou milhares de "retratos" noutros tantos milhares de casas.
Ao Lourenço,
a quem garanto que, se ninguém tomar contar da Rollei, esteja descansado que eu trato dela.
Well this could be the last time
This could be the last time
Maybe the last time
I don't know. Oh no. Oh no
The Rolling Stones em Coimbra, na noite da despedida da IF à TSF.

São os Stones ou os Pink Floyd ?

Estes são os Rolling Stones.

Mick Jagger correndo na noite de Coimbra ... em direcção ao "futuro incandescente".
Eu não estava no estádio. Era a última noite da IF na TSF. O concerto acabou a tempo. Os milhares de pessoas nas ruas lembraram-me a ENORME diferença entre um espectáculo de massas e um programa de rádio para ouvir sózinho.
No blog IF NO AR - ideias para a continuidade da Íntima Fracção, a Cristina colocou esta imagem que tem tudo a ver com a IF. Chamou-lhe " em suspensão ".

Entretanto ...
13:05 - terceira estação de rádio que mostra o seu interesse na IF.
Obrigado. Confesso que não esperava isto.
Um dos mais belos posts sobre a IF colocados na blogosfera, está no Mar Salgado e foi escrito pelo Pedro.
"O TRAÇO AZUL JÁ ENTROU NO FUTURO: Estou certo de que, hoje, fomos muitos aqui. Os mapas complicaram-se - agora mudam com tanta rapidez - , mas a IF já está no seu caminho, leaving for home. Tonight."
Uma brilhante colagem partindo de uma frase-chave do programa ( há um traço azul no futuro incandescente ), com a citação do tema Maps of the world, com John Cale e Bob Newirth, uma memória dos anos 90 da IF.
Só não sei ainda se a viagem vai ser longa ou breve.
As primeiras mensagens que recebi durante a última IF na TSF, vieram do companheiro da Rádio, Francisco Mateus, que dedicou 15 minutos da emissão da própria TSF (antes das notícias da 1 hora) ao programa e às influências que dele recebeu há largos anos. Coisa que não poderá voltar a fazer tão cedo, porque a emissão da TSF vai começar a funcionar com playlist. Logo depois, mensagens do Brasil e da Venezuela !
Antes que me perguntem de novo, já que houve 4 mails a perguntar o mesmo (entre outras coisas), aqui fica uma confirmação : não foi por acaso que passei o épico (ou será angustiado ? ou uma angustia épica ?) Sweden, pelos Divine Comedy (Neil Hannon). I would like to live in Sweden ...When my work is done ... Where the snow lies crisp and even’neath the midnight sun ... Safe and clean and green and modern ... Bright and breezy free and easy ... I’ll grow wings and fly to sweden ... When my time is come ... Then at last my eyes shall see them ... Heroes every one ...Ingmar Bergman ... Henrik Ibsen ... Karin Larrson ... Nina Persson ".
É o que me apetece.
Também não foi por acaso que passei a gravação, quase integral, do final do célebre concerto de Elvis Presley, em 1956 - 15 de Dezembro, Shreveport, LA. Hirsch Youth Center, Louisiana Fairgrounds , com a frase do apresentador, dita para acalmar uma assistência nervosa que teimava em não deixar que o espectáculo continuasse : "Elvis has left the building". Não, não. Não vale a pena fazer comparações com o Elvis. Apenas me agrada como termina o registo : " se voltarem para os vossos lugares e se sentarem, o espectáculo continua dentro de 5 minutos."

Esta noite, entre a uma e as três, passa a última IF na frequência da TSF.
Entretanto, nas primeiras 24 horas depois de ter tornado pública a suspensão da IF, DUAS estações de rádio mostraram-se interessadas em ter a IF nas suas frequências. Também uma rádio-online ofereceu a casa para a IF passar os dias de retiro que fossem necessários.

A parte de trás do palco do concerto dos Stones fica virada para aqui, mas é possível ver o que se passa através desta webcam.
ÍNTIMA FRACÇÃO SUSPENSA.
No próximo sábado cumpre-se a última "Íntima Fracção" na TSF. Já não é a primeira vez que o programa é suspenso. Quando da passagem da Antena 1 para a TSF, há 14 anos ( ! ), a IF parou durante 4 meses. Durante os 20 anos que completa a 8 de Abril de 2004, foi o único período em que a sua transmissão esteve suspensa.
A IF é um programa de rádio de autor, por isso, não faz sentido dizer que acabou. É absurdo dizer a um pintor que deixe de pintar porque uma galeria não lhe expõe mais os quadros. Mesmo que a esta galeria se tenham dedicado 14 anos de vida.
Assim, a IF continua. Procura casa. Uma casa da Rádio onde se abra a janela e se deixe o som, o rumor do coração e da música, sair pelo meio da noite ... flutuando ... através do espaço infinito.
O Luís, de A natureza do Mal, disse-me tudo : "Nunca poderá acabar, porque é outro o lugar onde aquela música toca, foi sempre outro, inacessível aos gabinetes dos pequenos e grandes mandantes, o lugar, onde, suavemente está".
Agradeço todo o apoio dos ouvintes que, por diversas formas, me lançaram dúvidas e angústias, mas também porções de um enorme e (acreditem) inesperado afecto. Quase não respondi a mails, fui evasivo, eu sei. Às centenas de ouvintes que enviaram mensagens a que não respondi, garanto agora que a IF não acabou. Aos bloggers que não conheço, mas que aqui e ali juntaram esforços e criaram um blog colectivo para receber "Ideias para a continuidade da IF", devo dizer que o vosso trabalho e dedicação, para lá de agora se revelar de grande utilidade, me fez acreditar de novo que vale a pena trabalhar para a fruição de outros. Aos autores de Blogs que não nomeio, já que deve haver vários que não li, e que escreveram posts e linkaram sobre a IF, tenho de dizer que, com eles, a mágoa se desfez um pouco em cada noite.
A IF não acabou.
Está a cantar baixinho, parada, num caminho escuro à espera da aurora.
A IF não acabou.
A maioria das aves que migram orientam-se pelo sol, mas há espécies que preferem utilizar as estrelas como bússula.
A IF não acabou.
Enquanto procura de novo "a casa", embrulhar-se-á na imensa rede e ficará à espera do download de quem a amar.
A IF não acabou.
Observa bem e sente ! Sente mais do que vês - a escura noite, tornando-se, lentamente, em clara madrugada.
A IF não acabou.
"Há um traço azul no futuro incandescente".
O psicótico vive no temor da queda ( pelo que as várias psicoses não seriam senão defesas ). Mas o " receio clínico da queda é o receio de uma queda que já se experimentou ( primitive agony ) [ ... ] e há momentos em que um paciente sente a necessidade de lhe dizerem que a queda, que ele tanto teme e lhe mina a vida, já se verificou". ( Winnicott )

When you're standing on the crossroads
That you cannot comprehend
Just remember that death is not the end
And all your dreams have vanished
And you don't know what's up the bend
Just remember that death is not the end
Not the end, not the end
Just remember that death is not the end
A RÁDIO foi uma Arte.
A RÁDIO é uma Arte ?
A RÁDIO poderá ser uma ARTE ?

Em 1984, um pouco antes de começar a Íntima Fracção, passei a Serra da Estrela de carro e sózinho. O céu, que estava azul, passou a cinzento chumbo, o tal que dá neve. No topo da serra, com a noite a cair, a única referência que tinha para saber onde era a estrada estava numas barras pretas e amarelas, que é para isso que lá devem estar. Na descida para Seia, a neve desapareceu.
É assim que me sinto : de novo no alto da Serra. As barras que me amparam, tomam agora outros formatos. Não sei quem colocou lá as outras. Não conheço quem colocou agora estas, mas posso dizer obrigado. Não conheço, mas descobri-lhes as assinaturas. Aqui e ali.
INTIMA FRACÇÃO
20 / 21 de Setembro de 2003
# Smog : Back in school
# Múm : On the old mountain radio
# Prefab Sprout : Andromeda Heights
# Dick Hyman : Mack the knife
# Future 3 : Alison
# Dionne Warwick : Trains , boats and planes
# Fred Frith : Trains , boats and planes
# Blue Nile : From a late night train
# For Stars : There was a river
# Johnny Cash : We'll meet again
# Lambchop : Autumn's vicar
# Alpha : Blue Autumn
# Tom Verlaine : Depot ( 1958 )
# Suicide : Surrender
# Tindersticks : Running wild
# Manual : Blue skied an' clear
# Parker and Lily : My apartment complex
# Parker and Lily : Bridge and tunnel
# John Cale : The soul of Carmen Miranda
# Elvis Costello : Someone took the words away
Créditos sobre # Vera Lynn : We'll meet again
Música suplementar # Ulrich Schauss : Crazy for you
sons : telefones, máquinas em parque de diversões, vento, riacho, mar, avião, torre de controlo, elevador, comboio, sirene de barco, Corvette 62', som original do apresentador do espectáculo de Elvis Presley - 1957 : Elvis has left the building.
Textos :
" Na Íntima Fracção da noite ... não é o silêncio ... é o barulho do coração. Um ruído, um rumor que se levanta. "
" Pouco para dizer e muito para escutar. Tudo para sentir e sempre a espera pela intimidade de uma esperança ...
Recomeçando a cada instante. "
" Suaves e brilhantes reflexos, como uma pequena pérola rolando pela palma da mão estendida à janela da
escuridão desta noite. O clarão, o brilho mais intenso, já o sabemos, vem sempre de dentro. " (F.A.)
ENCONTRO DE WEBLOGS em BRAGA - UNIVERSIDADE DO MINHO.
Uma breve reflexão sobre o blog da Íntima Fracção.

Dreyfuss ( Curt ) entra no coração da rádio. Edifício vazio. Wolfman Jack, só, no estúdio.
São quase 5 da manhã.
You're Sixteen (You're Beautiful and You're Mine) - Johnny Burnette
A solidão dos viajantes da noite
"Each nightscape also shows a train, often reduced to a mere blur, which evokes the loneliness of late-night travelers."
Peter Oxley

# Blue Nile : From a late night train
From a late night train
Reflected in the water
When all the rainy pavement
Lead to you
It's over now
I know it's over
But I can't let go
The cigarettes, the magazines
All stacked up in the rain
There doesn't seem to be a funny side
It's over now
I know it's over
But I can't let go
From a late night train
The little towns go rolling by
And people in the station
Going home
It's over now
I know it's over
But I love you so
in. Hats, 1989
IF.
No meio da noite
Não é o silêncio ...
é o barulho do coração
( um ruído que não interessa ? )
Não consigo discutir algumas mudanças. A do " pi...pi...pi " horário da RDP é uma delas. Durante anos, de manhã, à tarde e à noite, abri-lhe a porta. Ou era a janela ?
Há coisas que não mudam e nos dão segurança.

Pode não ter sido a primeira vez que escrevi isto, mas encontrei-o agora mesmo numa folha saída de um caderno onde anotei ideias para o princípio da IF. Para mim, é um pouco da minha vida. Para os seguidores da IF, poderá ser uma curiosidade. Para os outros, certamente, não são mais do que palavras rabiscadas num papel. Como aprendi com Cortázar, se alguém encontrasse esta folha, o mais provável era usar o verso para tomar nota da chave do totoloto. Ou, quem sabe, para embrulhar um ramo de salsa que se foi buscar à mercearia. Cortázar era mais radical ( ai pois era ...). Para ele, tratava-se de um jornal. Depois de passar por várias mãos, uma velhota encontra-o e leva-o para casa. No caminho usa-o para embrulhar meio quilo de nabos, que é para o que os jornais servem depois destas excitantes metamorfoses.

Now I think I know
What you tried to say to me
How you suffered for your sanity
How you tried to set them free
They did not listen they're not listening still
Perhaps they never will.
Don McClean escreveu e cantou "Vincent". Talvez seja ( não parecia ) um bocadinho piegas. Seja como for, diz a verdade.
Esta noite na IF.
Há sempre alguém que se lembra. Por isso não estou sózinho.

"...and this is how you can be walking and falling at the same time." Laurie Anderson.

Johnny Cash. 1932 - 2003.
Há uns posts atrás, escrevi a letra de uma canção de Cash. Quase desde o princípio que passa na IF, através de Nick Cave. Esta noite também.
I'm a child of this age
Locked into the pages of your book
And when I am but dust and clay
And all the children stop to take a look
Will they marvel at the miracles I did perform
And the heights I did aspire
Or will they tear out the pages of the book
To light a fire
With the rain on my face
There is no place that I belong
Did you forget this fucking singer so soon?
And did you forget my song?
O título original é "The folk singer ". Tenho uma velha cópia em vinil. Uma noite destas, quem sabe, passará na IF. A mudança dos tempos escuta-se num pormenor. Cash, no disco, pergunta " Did you forget this folk singer so soon? ". Nick Cave pergunta o que está aqui em cima.
A primeira vez, que me lembre, em que ouvi Johnny Cash, foi numa faixa que ele canta a meias com Bob Dylan no álbum "Nashville Skyline". O disco que me chamou até ele foi " At San Quentin (The Complete 1969 Concert [LIVE]. No meu juvenil entusiasmo, naquela época, só pensava em sair do país. Quando Cash cantava " San Quentin i hate every inch of you ... ", e os presos para quem ele cantava explodiam em aplausos, eu sentia-me também daquele lado. Devo-lhe esta solidariedade longínqua.
ÍNTIMA FRACÇÃO
13 / 14 de Setembro de 2003
# Leonard Cohen : Love calls you by your name
# Lambchop : I'm glad i never
# Lambchop : The daily growl
# Velvet Underground : Sunday morning
# Astor Piazzolla : Liber tango
# Kraftwerk : Prologue
# Red House Painters : Instrumental
# Tindersticks : Until the morning comes
# Alpha : As far as you can
# Blue Nile : From a late night train
# Jeanne Moreau : India song
# Belle and Sebastian : Night walk
# Paddy McAloon : I'm 49
# Roger Eno : Swimming
# Belle and Sebastian : Fiction (reprise)
# Barry Adamson : Everything happens to me
# Nick Cave and the Bad Seeds : The singer
# Smog : Sweet treat
# Cat Power : Wild is the wind
# Laurie Anderson : Walking and falling
# Montgolfier Brothers : Inches away
# Guy Béart : Vous
# Tom Waits : I'm still here
créditos sobre # The Box Tops : I'm your puppet
música suplementar # Antenna : Memo
Textos
" A música desencadeia o alento para prosseguir em pleno desconhecido, onde só às apalpadelas é possível continuar. "
" Chegar às palavras é já ter-se perdido de si-mesmo. As palavras são um ser-no-mundo, um artifício para revelar o irrevelável."
" Os ouvidos, e os olhos; e os ouvidos, e os olhos; e os ouvidos ... O caminho repete-se eternamente, e tudo está já dito, desde sempre, desde o princípio que tudo foi dito, e só nos cabe repetir os ouvidos, os olhos escutados, repetir, e ser escutado. É preciso ir até à exaustão dos ouvidos para alcançar a visão dos olhos. "
" Tudo aquilo de que sou capaz de desistir deixa de me interessar. Interessa-me apenas o inabdicável. "
" O problema é : como passar aos actos necessários ? Como ganhar força para abandonar o lago de silêncio, para deixar o paraíso ? "
" O final, a conclusão do ciclo, o círculo per-feito : a música. Nada há que eu entenda, nada há que eu seja, que eu alcance. A música, universal e neutra, só ela persiste, impessoal, imorredoura." ( João Wiborg )

A notícia sobre os bilhetes esgotados para o espectáculo dos Stones, deixa-me à vontade para dizer alguma coisa sobre o assunto. Mas estou sem forças para desenvolver argumentações. Mesmo assim, ao chamar-lhe espectáculo e não concerto, já devo ter dito alguma coisa.
Eu queria era ter visto os Rolling Stones em 1965 ou 66.

Agora, o melhor que posso fazer, é dar uma pequena prenda de consolação aos que não conseguiram bilhete. Se espreitarem aqui, vêem o Estádio em tempo real. O "único" problema é que o palco vai ficar de costas para a câmara. Talvez se veja o Mick Jagger a levar a transfusão de sangue antes do espectáculo ( como fazia o Viren, aquele atleta finlandês que bateu o Carlos Lopes na última volta ).
A Natureza do Mal diz que o meu " par espantoso, maravilhoso " é a Íntima Fracção. Todo o post é maravilhoso e deve ser lido. "Par espantoso".

" Por favor, não desistas, continua para o lado da aurora, prossegue o caminho da claridade. Por favor, não voltes para trás, não adormeças. Fica cristalino, diamantino, por favor, o futuro virá, virá o momento da voz, o fulgor cândido dos olhos. "
( extracto de uma carta recebida em Setembro de 1986, a propósito da Íntima Fracção )
A Íntima Fracção vê-se e sente-se.

" La belle dame sans merci " Sir Frank Dicksee.
Afinal, a Íntima Fracção vê-se.

Écran do editor onde se compõe a Íntima Fracção.
ÍNTIMA FRACÇÃO
6 / 7 de Setembro de 2003
# Paddy McAloon : Sleeping rough
# Red House Painters : Instrumental
# Red House Painters : Summer dress
# The Doors : Summer almost gone
# Pearls Before Swine : The wizard of is
# Smog : A Guiding light
# Alpha : Portable living room
# Murcof : Mes
# Kraftwerk : Prologue
# The Langley Schools Music Project : Desperado
# Múm : Sleep - Swim
# Sondre Lerche : Things you call faith
# Blue Nile : From a late night train
# Montgolfier Brothers : Dream in organza
# sons em estrutura de ligação : Chopin - Étude (Tristesse); Enya (Waterfall) com ruídos captados em ruas
# Brian Eno : Julie with ...
# Virginia Astley : From gardens where we feel secure
# For Stars : There was a river
# Paddy McAloon : I'm 49
# Paddy McAloon : Fall from grace
# Lambchop : Autumn's vicar
créditos sobre # Harry Belafonte : Try to remember
música suplementar # Penguin Cafe Orchestra : Telephone and rubber band
Textos
" Subitamente o vento uiva e bate à minha janela fechada. O céu é uma rede coalhada de peixes sombrios. Aqui vêm
soprar todos os ventos, todos.
Aqui despe-se a chuva.
Passam fugindo os pássaros. O vento. O vento. Eu só posso lutar contra a força dos homens. O temporal amontoa
folhas escuras e solta todos os barcos que esta noite amarraram ao céu.
Tu estás aqui. Tu não foges. Tu responder-me-ás até ao último grito. Enrola-te a meu lado como tivesses medo.
Porém mais que uma vez correu uma sombra estranha pelos teus olhos. "
[ Íntima Fracção ] " deixa-me lembrar como eras então, quando ainda não existias ". (P.Neruda)
Este pode ser o lago de Narciso. Para quem o vir assim, basta espreitar e conferir a imagem que lhe é devolvida.
Não procuro o lago. Tento compreender as relações, complexas, que se estabelecem através da IF. A maior parte dos mails que recebo, a propósito do programa, são fortemente emotivos. Tenho consciência do que faço. Não entendo é como é que sendo a rádio um meio tão propiciador à criação de ilusões e acima de tudo de momentos efémeros, a emoção se mantém, persiste.
" EU CONTINUO DO OUTRO LADO DO PROGRAMA, EMBORA VOCE NAO ME CONHECA..EU SEMPRE ESTIVE ALÍ. "
" INTIMA FRACÇÃO é, sem dúvida, para mim, mais de que um programa de rádio de muita qualidade. É, também a expressão de um deus, apesar de eu não ser uma pessoa religiosa ... "
" O que eu quero dizer com isto é que eu não chorei por ter deixado [ ... ], eu chorei como uma criança abandonada quando, nesse sábado para domingo, ouvi pela última vez, o seu programa. Porquê isto? ".
Estes três exemplos, retirados de mensagens pessoais, mostram bem o que atrás disse. Eu tento compreender e se existe alguma comunidade cujo ponto comum seja a IF, é esta a hora. Preciso saber.
I'm lost, yes I am lost.
And duty will not track me down;
And duty will not track me down,
asleep among the trees.
( Paddy McAloon )
As "Histórias Urbanas" da Capital da Cultura, não apetecem só pelos filmes.
Vejam o grafismo.
A propósito de um comentário colocado no post sobre o disco que contém o indicativo da Íntima Fracção.
Ainda não entrei na venda de memorabilia. Por enquanto ! Nunca se sabe se não virei a precisar ...

Venezuela à noite, vista do céu. Onde estará o ouvinte da Íntima Fracção que lá vive e me enviou um mail a pedir TODOS os programas desde 1994 ?
Brevemente, talvez, possa ouvir aí mesmo a Íntima Fracção.
Este "movimento blogístico" ( já sei que há quem pense que não há movimento nenhum ... ) tem atraído uma considerável miríade de "estrelas" habituadas aos spot-lights mediáticos. A maior parte é gente que vale a pena ouvir, mesmo quando se discorda. Mas há um grupo que, embora curioso e entusiasmado em ver no que tudo isto dá, se mostra reservado, ou mesmo abertamente contra. Julgo que não têm blogs (claro !), mas utilizam as suas tribunas habituais para deixar críticas ou simplesmente desconfianças. A última veio de Medeiros Ferreira no DN. Segundo este "colunista", tudo não passa de uma versão nova para qualquer coisa que a literatura portuguesa sempre teve : os diários, as reflexões. É verdade. Tão verdade como essa literatura já tinha sido influenciada por coisas vindas do passado. É impossível que assim não seja. Trata-se aqui (blogs) de aproveitar uma nova tecnologia e poder disponibilizar os conteúdos, de imediato, para quem os quiser conhecer. É a diferença.
Para além destas constatações, discordo em absoluto, da ideia que Medeiros Ferreira tem : " ... os blogues dos nossos cibernautas pouco tratam de sentimentos. Estão mais virados para a descoberta da luta política por conta própria. Porque será?". Os sentimentos passam no quotidiano de um generoso número de blogs. Quanto à "luta política por conta própria", já estou de acordo. Para a pergunta de Medeiros Ferreira, há inúmeras respostas, dependendo dos blogs que, supostamente, visitou.
Recomeça hoje o ciclo de cinema "Histórias urbanas", incluído na Capital Nacional da Cultura - Coimbra-2003.
Escolho já "O anjo azul", "A regra do jogo" e "A ultrapassagem" de Dino Risi. Este é um filme que tem para mim um fascínio (só) aparentemente inexplicável. 15 de Agosto de 1962 - Roma. Partida para uma viagem até tão perto e, no entanto, que nos leva tão longe. Preto e branco. Culto. Os anos 60 latinos antes da invasão anglo-saxónica. Os primeiros sinais de desencanto.
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