
Já tinha falado deste trio que vem agora ao Grande Auditório do CCB.
Até tive tempo para os passar na IF.
É jazz, mas não se admirem se vos servirem versões de Aphex Twin (Flim, fantástica !), dos Blondie, Nirvana e até dos Abba (Knowing me, knowing you ...). Afinal, a música pode ser toda boa com The Bad Plus.

Billy Idol !
Não. Nunca passou na IF. Mas a minha vida na rádio está muito para além da Íntima Fracção . Se está!
Tal como um piloto de aviões fala em X horas de voo, também eu posso falar em N horas no ar. Juraria que nunca passei o Idol, mas ... às vezes tropeçamos (e como isto me tem acontecido ultimamente ! e escorregar também !) numa cançãozita, num som, em qualquer coisa que desencadeia o "dejá vu". O verdadeiro. Foi assim com "Eyes without a face". Uma espécie de "regressão" (sem ser na TV). Taú ! Salta-me o Billy para o prato direito e lá tive que escolher, em 1984. Foi a única música do rapaz a que devo ter dado passagem, mas logo a seguir lembro-me de uma série de outras, de outros, que eu jurava nunca tinha passado ! E ouço ... e vejo ... claramente, o estúdio. O cheiro a cera nos corredores. E pergunto o que me fazia ali ficar fechado horas e horas e horas ? Eu sei que havia horários (e tenho a certeza que os fiz todos !), mas porque me contentava em encontrar a "mais suportável" do Idol ? Seria para poder passar o João Gilberto ? os "Everything but the girl", trazidos de Londres pelo Gonçalo ? o Godinho ? o Fausto ? o Zappa "be in my vídeo" ? ou essa "chinfrineira" dos Jesus and Mary Chain ?! Pelo meio, até arrastava o Tom Verlaine, ou o Cale, para fora da Íntima Fracção.
"First i would like to say that is not nostalgia."
Será ?
A propósito de nostalgia.
"First i would like to say that is not nostalgia. It is not nostalgia for the past."
Anais Nin
Oiçam-na.
Anais1.MP3
Rui Bebiano regressa com o blog SOUS LES PAVÉS, LA PLAGE!

Leiam o post "Smoke gets in your eyes" (e já agora os comentários).
Como uma criança que pede para lhe contarem sempre a mesma história antes de adormecer, também eu, todas as noites, regresso às bandas sonoras dos filmes de Jacques Tati.

Um génio. É preciso ver todos os filmes de Tati para aprender o verdadeiro valor da relação imagem/som. Não há "efeitos especiais". É tudo demasiado simples por ser tão difícil.

Hulot.
Como é tarde para te dizer obrigado. Mesmo com prémio em Cannes e com um Oscar, foste longe demais. Paga-se caro. Ganhaste a eternidade, mas não sei se alguma vez te preocupaste com isso.
Em Portugal é difícil encontrar o DVD com o Playtime de Tati. Alguém me dá uma ajuda ?

JACQUES TATI - Tennis - Theme Piano - Les Vacances de Monsieur Hulot.mp3

Eu queria falar da "queda", mas não me ocorre dizer mais nada do que "Brufen 400", "Picalm-spray", ...
E sobretudo o medo. A sensação de indefesa, no preciso momento em que sobre o chão, já só há o céu à nossa vista.
Depois, perante a conjuntura, um bom cidadão não gasta ainda mais dinheiro ao Estado, a não ser que não se importe de esperar cinco horas !
Tudo isto para explicar o atraso de nova IF online.

(c)CAV

Esta é uma fotografia tirada nos anos 60. Ao lado do teclista Brian Auger, está Julie Driscoll (hoje, e desde há muitos anos, Julie Tippetts). Sempre a admirei. Por um lado, pelo que cantava e, sobretudo, como cantava. As primeiras gravações (as melhores), fê-las dos 19 para os 20 anos. Depois, disse: "entre o showbiz e a sanidade mental, prefiro a segunda".
A última notícia de Julie vem de 1999, quando gravou um disco experimental.
Quem me dá notícias da Julie ?
LIBERTEM OS GNOMOS !

Está tudo certo.
De acordo com o discurso oficial, a Eduarda avisou-me que estão para chegar os "Reis magros".
" A memória do ser amado é a recordação da divindade; lembrança do paraíso que paira agora no éter do segredo."
Escrevi isto rigorosamente há um ano neste blog. O texto foi utilizado na emissão da IF de 4 para 5 de Janeiro de 2003.
Pois bem, libertos desse pesado, mentiroso, abafado e cinzento 2003, o "éter do segredo" prepara-se de novo para a Íntima Fracção. "Lembrança do paraíso" ... tocando nos ouvidos, poisando nos corações.
Esta é a magnífica capa da colectânea de Outono
[ um som profundo do Outono ]
desenhada pela Cristina Fernandes sobre um fotografia do Mário Filipe Pires.
Está aqui tudo sobre
[ um som profundo do Outono ]
emissão [ em linha ] da Íntima Fracção, que resultou da ideia da colectânea de Outono produzida pelo blog Janela Indiscreta.
Brevemente, lança-se para a rede a primeira IF realizada com o fim de ser ouvida, exclusivamente, através da internet. O suporte rádio continua a ser um objectivo, mas não o único.
Quase um ano depois do 1º post neste blog da IF (30 Dezembro-2002), quero deixar claro (quem é que já me disse isto ?...) que a IF podia, neste momento, estar a ser transmitida através de várias estações de rádio que cobrem uma área entre Braga e Lisboa. Por motivos operacionais não foi, até agora, essa a opção.
Em 2004, a IF completa 20 anos. Ouviremos o que se segue ...

26, Dezembro

Aqui está a prometida IF.
É a chamada colectânea de Outono promovida pela Janela Indiscreta. Há alguns meses, a Cristina Fernandes entusiasmou-me a fazê-la com o fim de ser transmitida pela rádio. Com a chegada do Outono, a Íntima Fracção saiu da antena da TSF. Talvez por isso se arrastou tanto esta IF de 43 minutos, que agora pode ser ouvida através da Net.Isto é possível devido ao entusiasmo da Paula Simões, da ajuda do João Ventura (CEMEIA) e da disponibilidade do Pedro Pais e de todo o pessoal do CIC, da ESEC. E, claro, da própria ESEC.
A IF pode ouvir-se directamente ou então pode fazer-se download, para ouvir mais tarde e onde se quiser.
Para já, está disponível aqui.
Daqui a uns dias ficará disponível uma outra emissão da Íntima Fracção.
Tudo isto resulta também do apoio incondicional do Mário Pires, do blog Retorta.
O regresso às ondas hertzianas não foi ainda concretizado por dois motivos:
não querer abdicar do formato da IF (se assim fosse não seria IF);
querer garantir a maior cobertura possível, tal como desde o seu início, em Abril de 1984, sempre aconteceu.
Aos ouvintes da Íntima Fracção, garanto, que enquanto sentir que a IF possa ter alguma importância para vós (como para mim também houve outros programas de rádio que a tiveram), a IF não acaba. Trata-se pois de uma situação a ser gerida por nós. Sobra-me ainda lucidez para reconhecer os sinais que indiquem o seu fim. Num panorama radiofónico, genericamente, sem alma, a IF tem agora mais sentido.
Íntima Fracção : OUTONO
O suplemento Y, do Público, arrisca-se a ser considerado marginal. Chama para a primeira página Jacques Tati, a propósito da edição em DVD da cópia restaurada de Playtime. Estas decisões pagam-se e não me admirarei se o suplemento vier a sair do jornal, porque só eu e 999 leitores é que damos valor às matérias lá incluídas.

Para quem quiser saber mais sobre Tati, há o site oficial. Não saltem a introdução. É preciso tempo para a ver, tal como os filmes dele, mas vale a espera.
Tati fascina-me desde criança. Primeiro, ouvia o meu Pai falar com grande entusiasmo de "O meu tio". Depois, ouvia os primos mais velhos contarem as peripécias do filme. Finalmente, na adolescência, vi o Playtime numa sala enorme e com meia dúzia de espectadores. Deve ter sido por isso que Tati teve que vender a própria casa e abdicar dos direitos dos filmes anteriores para pagar dívidas. A cidade construída para rodar o filme, Tativille, devia ter ficado de pé com escola de cinema e salas de exibição. Foi tudo demolido, sepultando as folhas com o argumento. Tati refugiou-se num apartamento em Paris. Deprimido, à beira da derrota. Felizmente ainda reagiu a tempo de fazer mais dois filmes (um na Suécia - Estocolmo continua a ver-se daqui).

O Natal anuncia-se cinzento. Devia ser branco, mas isso deve ter sido na época de "White Christmas". Bing Crosby, abnegadamente, continua disponível para aquecer a mais negra noite de Natal. Quem sabe, talvez o Tatischeff me bata à porta. Desajeitado, pega no telecomando e envia-me para um canal onde Crosby canta pela 50ª vez. "I'm dreaming of a white christmas ...". E a rua fica branca. E depois os telhados e as árvores, o jardim. Ficamos em silêncio, atrás dos vidros, a olhar. À meia-noite ofereço-lhe um Porto branco. Tati diz-me então a primeira e última palavra da noite:" Merci".
Acordo no frio da manhã seguinte e afinal há gente na casa. Conversas animadas. Livros recebidos na véspera, folheiam-se agora. Fotografias. O calor na cozinha, com as criadas a fazerem o almoço.
Volto à janela e o Tati desce a rua. Pára. Bate o cachimbo na sola do sapato e segue. Sózinho, como sempre.

Bing Crosby - White Christmas1.MP3

Vento.
Sê através dos meus lábios, para a terra adormecida, o apelo poderoso duma profecia !
Vento ...
Se chega o Inverno, poderá estar longe a Primavera ?
Shelley
Ryuichi Sakamoto - Father Christmas.mp3
Uma porta por onde passámos tantas vezes, e vejo-a agora, ali, fechada, acreditando que para sempre.
A porta, como entidade física, essa, poder-se-á abrir e fechar ainda e sempre, provavelmente. Mas eu olho-a e sei que a fechei definitivamente. O calor, o afecto, os sons já tão longínquos, tudo poderia ter ficado registado nas superfícies mais inesperadas e, quem sabe, esperem apenas o instrumento indispensável para os revelar de novo. E assim vou duvidando de que os espaços, quaisquer que sejam, se fechem para sempre.
Receio apenas as portas que eu possa encerrar para sempre.
Memórias.
Jay Alanski (A reminiscent drive - 97) :
"sitting quietly, doing nothing"

a reminiscent drive- sitting quietly, doing nothing1.MP3
Sou indiferente ao frio do Inverno, o que temo mais são os corações gelados dos homens.
Disse o ilustre Saigo (sec. XIX).
No sec. XX, os jovens kamikaze, pilotos dos aviões-suicidas, despedem-se assim:
Se ao menos pudéssemos cair como as flores de cerejeira, tão puras e luminosas ...
Disse um piloto de 22 anos (1945).

Onde nos leva o gelado caminho ?
Confesso que se não fosse o Ânimo do António Colaço, nem tinha dado pelas afirmações sobre a IF que sairam na edição de 5 de Dezembro do Independente. Mas o António levantou estardalhaço no blog e eu fiquei a saber.
É provável que encontrem aqui um post com uma reflexão sobre o assunto.
Para já, uma notícia : dentro em breve estarão on-line duas novas emissões da IF.
É por causa de pessoas como o António que reafirmo o que disse no final de Setembro : a IF não acabou. Deixou de ser transmitida pela TSF.
Obrigado ao António e ao Ricardo, e aos Hugos, ao Mário, à Cristina, ao Vicente, ao Pedro, à Ana, ao ... à ... mas afinal quantos são ? Quantos são ?! Nunca soube, mas confesso que também nunca quis saber. Podia ser de outra maneira ?
"O INTIMA FRACÇÃO ERA UM PROGRAMA DE AUTOR QUE JÁ ESTAVA NUMA FAIXA HORÁRIA MARGINAL."
Isto disse o José Fragoso, actual director da TSF, ao Independente.
Não sei ainda se comentarei o resto das afirmações que JF fez sobre a IF, na entrevista que deu aquele semanário. MAS, esta afirmação não posso deixar de corrigir. A IF não estava JÁ numa faixa horária marginal. A IF SEMPRE esteve num horário que o JF chama de marginal. E, ouvindo bem, não podia deixar de ser assim. O recurso ao JÁ, remete o leitor para a ideia de que o programa JÁ tinha sido arrumado numa faixa horária "marginal", depois de ter vivido numa outra, eventualmente central ou integrada. Não é correcto.
Acabaram os Concertos Portugal Telecom, mais conhecidos pelos Concertos "Em Órbita".
Para quem não sabe, "Em Órbita" foi (é !) um programa de rádio que começou em 1965 e passou por diversas fases, mas todas construiram um autêntico património da formação do gosto do público, com critérios de grande exigência e rigor.
Com o fim destes concertos, dedicados à música antiga, pode também terminar o conceito (que insisto, existe) "Em Órbita".
Há só uma enorme perplexidade que, persistentemente, teima em não se resolver. Será que num país conservador, com alguns conservadores no poder, só se conserva a medíocridade ?
Contra o que é habitual neste blog, transcrevo um texto de Carlos Câmara Leme, publicado no jornal Público. Está lá tudo.
" 1. A 5 de Novembro de 2003, na Estação Júlio Prestes/Sala S. Paulo, a PT Brasil atribuía, pela primeira vez, os Prémios Portugal Telecom de Literatura Brasileira. A operação do outro lado do Atlântico foi um êxito: conseguiu atrair toda a elite social e cultural da grande metrópole brasileira e garantiu, simultaneamente, a instituição de um prémio literário sério e prestigiado. O investimento (com as várias reuniões do júri, publicidade e a gala de atribuição na Sala S. Paulo), rondou os 350 mil euros.
2. A ligação da PT ao Em Órbita, um dos programas que fazem já parte da história da rádio em Portugal, data de 1996. Em 1997, surgiram os Concertos PT/Em Órbita. De então para cá, os mágicos momentos musicais saldaram-se numa aposta completamente ganha. A vários níveis: Portugal passou a estar associado, internacionalmente, a uma programação notável, consistente, com uma qualidade rara porque envolvendo os maiores intérpretes (formações, maestros, cantores) mundiais do movimento da música antiga.
3. Anteontem, no Rivoli do Porto, esta aventura sustentada e inventiva - em pouquíssimas ocasiões este arco foi tão bem conseguido em Portugal -, chegou ao fim. Chegou ao fim, inexplicavelmente. A PT, que apoia mecenaticamente um Teatro Nacional D. Maria II absolutamente à deriva, deixou de apostar na face mais visível e lúcida da sua política mecenático-cultural.
A decisão é tanto mais inexplicável quanto, em documento de Março de 2002, o conselho executivo da PT aprovara o triénio 2003-05, faltando o orçamento e o respectivo programa dos concertos. Para 2004, o orçamento era de 330 mil euros.
Noutro país, a deselegância para com Jorge Gil - o "senhor Em Órbita" - tinha outro caminho. Aqui suscitou uma onda de perplexidade (Presidente da República, ministro da Cultura, agentes culturais, políticos e empresariais dos mais diversos quadrantes manifestaram a sua estupefacção perante tão indigente decisão), que não passou da pequena conversa de salão. Jorge de Sena bem nos avisara - "vivemos no reino da estupidez". Portugal ficou ainda mais estúpido. E mais pobre. "

AIR - o duo de Versailles, vai regressar a 24 de Janeiro.
O CD chama-se Talkie Walkie. Já o ouvi todo. É bom material. Seria melhor se não tivesse havido 1998 e um "Moon Safari". Os rapazes estão outra vez um "mellow french duo". Parece-me que ouviram muito 10 CC, New Musik e os Beatles. A verdade é que têm uma sonoridade única, o que é difícil, atendendendo ao universo que tocam.
Talkie Walkie não é bem a procura do safari perdido. É de todos os seus discos o mais parecido com "Moon Safari" ( deste, nunca mais se separam ), mas não há nostalgia alguma. A nostalgia é só minha. Acredito que o Morricone gostasse de ter escrito "Ce matin la", mas ainda bem que foram os AIR.
Fica aqui um pedacito do novo álbum. É ouvir, que está em mp3.
air - run _ extracto.MP3
1 de Dezembro de 1962
Um Mini ( um Seven ... ) cruza vezes sem conta o frio da tarde nas ruas da cidade.
Chamam-se "canadianas" aos casacos com capuz e alamares de madeira.
Paddy Hopkirk ainda irá ganhar o Rali de Monte Carlo, com um Mini Cooper.
Todos os que amávamos ainda cá estavam.
Nevará depois do Natal.

À noite passa na TV outro episódio de "Ghost Squad" (como se terá chamado na RTP ?), com o agente secreto da Scotland Yard, Nick Craig.

Ghost Squad.MP3

Novo disco de Fausto (Bordalo Dias).
Em que playlist consegue entrar ? Com que (em que) frequência ?
E na televisão ?
Será que é ele que não quer "correr as capelinhas" da promoção ? Não me admirava e até o compreendia. Há uns anos (muitos), almocei com o Fausto e os "promotors" da discográfica que editara um dos seus discos . Fausto é um homem diferente. Foi com constrangimento que o vi ter que engolir as graçolas dos promotores da ocasião.
Agora, dizem, fez um álbum desencantado. Ainda não o consegui ouvir, mas se for, estou com(o) ele.
Fausto é um excelente músico. Um magnífico poeta. Um homem culto.
Não chega.
Falta qualquer coisa que o eleve ao nível de uma Mónica (S?)Cintra...
Há um lugar para nós
Algures, um lugar para nós
Paz e sossego e ar livre
Esperam por nós
Somewhere

Tenho passado os dias e as noites apreciando as vistas sobre Riddarfjärden e o centro da cidade. Lembra-me um tempo morno, de prenúncios, de vagas premonições.
Ah se eu pudesse oferecer um presente no Natal ...
Dub a dub a dum dum
Dub a dub a dum
Dub a dum dum dub a dub
Dub a dub a dum
Dub a dub a dum dum
Dub a dub a dum
Dub a dum dum dub a dub
Dub a dub a dum
Wish I was at home for Christmas
Jona Lewie - Stop the cavalry_s.MP3
Porque não o conseguem imaginar, não o querem !
Porque não o conseguem imaginar como possível, farão tudo para o tornar impossível.
Por tudo isto, odiar-te-ão por o tornares possível.
Leon KRIER

A revolta do arquitecto, é a revolta de todos os criadores.
ESTOCOLMO.
"... safe, clean, and modern". (Neil Hannon - Divine Comedy)
Tem que se sonhar com alguma coisa.
Nem que seja para criar a vontade do regresso.
Virginia Astley - Broken_exct.MP3
Afinal, ainda não foi desta que cheguei a BROKEN, da Virginia Astley.
Fica aqui um extracto daquela suave pérola que rola pelos ouvidos até aos corações.
BROKEN, I'M BROKEN.
Há umas 3 semanas andava eu à procura da letra de "BROKEN", da Virginia Astley.
Deixa-me agora o C.Paris o caminho para ela.
BROKEN
Trinta raios tem o cubo da roda, mas o vazio entre eles perfaz a essência da roda.
Da argila nascem os vasos, mas o vazio neles perfaz a essência do vaso.
As paredes com janelas e portas formam a casa, mas o vazio nelas perfaz a essência da casa.
Fundamentalmente :
A matéria contém a funcionalidade;
O que não é matéria contém a essência.
Lao Tse ( filósofo chinês - sec. V a . c . )
Este texto esteve afixado durante muito tempo num gabinete que partilhei, entre outros, com o Arq. António Durães. Foi ele que lá o colocou. E com aquela pequena folha que o continha, aprendi mais do que em milhares de páginas impressas.
A IF tem aqui a sua natureza explicada.
" O mais importante é o que não pode ser dito ainda; o essencial, o secreto, é o que se não nomeia. Dizer é a periferia; o centro é o silêncio. " J.Wiborg (86)
Há muito que somos o centro, mas não podemos abandonar a periferia. Tu permaneces no centro, mas há muito que geograficamente não o suportas. Eu passo entre os dois, num território que não permite o vagueio. E, no entanto, quem dera voltarmos a ser o rouxinol anónimo (ou talvez, finalmente, sê-lo !) (03) ... a própria noite que em silêncio brilha: a clara noite, como um sonho futuro e verdadeiro. (88)

Se eu estivesse hoje em Estocolmo, logo não faltava ao concerto de Georgie Fame, no Teatro Scala.
A música de Georgie Fame está algures entre o jazz e o rythm'blues.
A maior parte do público conhece-o pelas composições mais pop, como a Balada de Bonnie and Clyde ou Yeh Yeh, que teve uma versão largamente consumida nos anos 80, através de Matt Bianco.
Fame está muito para além disto. Tocou com Count Basie, mas também com Eric Burdon, Alan Price ou, mais recentemente, com Van Morrison.
Pois é. Se eu estivesse em Estocolmo ... Como não estou, talvez um qualquer administrador de Casino lhe dê a nostalgia e o contrate para vir cantar "uns velhos êxitos" no jantar anual dos "empresários labroscas" !
É ! É verdade. Estou um bocado ácido.
Parece que tudo correu pelo melhor.
Não sei ainda o que motivou a libertação do Carlos Raleiras, mas ainda bem que foi assim.

Quanto à Maria João Ruela, não encontro nada melhor para dizer do que o início de uma canção de Bob Dylan, já com vinte anos ...
Well, the pressure's down, the boss ain't here,
He gone North, he ain't around,
They say that vanity got the best of him
But he sure left here after sundown.
By the way, that's a cute hat,
And that smile's so hard to resist
But what's a sweetheart like you doin' in a dump like this?
Para se ouvir um pedaço, entra-se pela capa do álbum onde foi publicada. Infidels (1983).

À hora deste post, o Carlos Raleiras continua raptado no Iraque. Embora tenhamos trabalhado para a mesma rádio, pelo menos 12 anos, devo-me ter cruzado com o Raleiras meia dúzia de vezes. Talvez em alguma festa de Natal (quando as havia), no aniversário da TSF, na redacção (nas Amoreiras ? na Av. de Ceuta ?). Será que falámos alguma vez ao telefone por um qualquer motivo de trabalho ? Não me lembro. Seja como for, o Carlos é um colega e a situação é terrível.
No grupo de profissionais que foi atacado, está também o Pedro Baptista, para mim o Pedro Cristiano, repórter de imagem em serviço para a TVI. Não só trabalhámos juntos noutras paragens, como o Pedro foi também meu aluno. Há oito anos, com uma simples câmara de vídeo-8, ele apresentou-me um trabalho feito num comício da campanha eleitoral que levou Jorge Sampaio à presidência pela primeira vez. O Pedro era um adolescente, mas conseguiu com um enorme talento, trazer um "bruto" que estava capaz de ir para o ar sem mais. Isto é difícil. É preciso ter um sentido apurado da narrativa áudio-visual. Entusiasmei-o muito para seguir a carreira de operador de câmara. Ele avançou, recuou, regressou, ainda estudou Gestão, mas finalmente decidiu-se e entregou-se ao seu talento e capacidade.
Vejo-o agora ali, como dizia o outro, "algures no sul do Iraque", com ar tenso (pudera !) e tão longe daquela primeira reportagem que o ajudou a encontrar uma profissão. Quase me sinto responsável !
O que mais me impressionou foram os comentários que já ouvi. "Os jornalistas foram imprevidentes !". Paulo Camacho disse na SIC-Notícias : " se um só daqueles jornalistas que ali estavam resolvesse avançar, ai dos outros que não o fizessem ! Seriam crucificados pelas suas redacções e chefias."
Esta é a verdade. Não me puxem pela língua.
Espero que tudo acabe bem !

Ainda não consegui ouvir este duplo duas vezes. Mas tem Alla Polacca e vários temas de Stowaways. Nestes passam uma série de boas memórias (influências ?) para quem tem boa memória. Eu ouvi lá desde Stranglers (Golden Brown) até António Carlos Jobim. Será assim ou será que a informação já é muita e também já não consigo processar convenientemente ?
Ah ! Mas "A" dos (do ? da ?) Alla Polacca, de "Not the white P ?" é das melhores coisas feitas por portugueses que ouvi nos últimos tempos. Ainda não consegui libertar-me da sua escuta quase compulsiva.
Às duas e meia da madrugada de uma noite de nevoeiro, começo a ouvir o Canon de Pachelbel vindo da rua. Não é uma gravação. São cerca de 20 rapazes em traje estudantil. Vestidos de negro no meio da noite. Violas, bandolins, flautas e violinos. Cantam em sussurro. É uma serenata para uma menina que vive em frente. "Menina estás à janela". E ela está. Saberá o que lhe está a acontecer? Ao fim de 4 músicas, calam-se e dizem-lhe adeus. A menina, ou alguém por ela, abre e apaga a luz três vezes. Diz : obrigada.
Afinal ainda será diferente o "amor em Portugal" ? Naqueles momentos, passou pela rua uma qualquer impossibilidade para além da tristeza em que vivemos.
Foi tudo tão elegante e contido, que fiquei a acreditar que Coimbra ainda tem coração. Porque não o deixam pulsar ?
Sei porque gosto de ouvir vezes sem fim a versão em piano de "Raining in my heart", por Robert Wyatt, no novo CD dele, "Cuckooland". Nostalgia. O tempo "em que tudo era ainda possível". A sala do piano, ao fundo do corredor, em casa da avó Emília. Os finais de tarde perfumados pelo jardim, com o ar morno suavemente cheio pelo som do piano da madame Borges. A belga corria a persiana da janela da sala, mas deixava os vidros abertos. O bairro, luminoso, devia agradecer, mas os clássicos do fim da tarde pareciam clandestinos. Sempre me apeteceu encostar ao portão da moradia e bater palmas quando ela fechava o piano. Dar-lhe até um amor-perfeito, colhido no jardim da minha casa. Nunca o fiz. Nunca ninguém o fez, embora dissessem "Ah! Que maravilha ... a madame Borges ...". Agora é tarde. Resta-me ouvir o piano tocado pelo Wyatt. Agora, que ele está ali, tenho a certeza, no mesmo estado de alma do que eu.
"Raining in my heart".
"Eles transformaram os telejornais em ficção e o resto são 'reality shows'. Há cada vez menos espaço para coisas sérias, boas e rigorosas" - João Botelho, na abertura do Cinanima.
Apetecia-me dizer uma série de coisas sobre o poder que "eles" têm de construir um mundo hipócrita. Estou demasiado ocupado com a sobrevivência. Não tenho tempo para polémicas que não me dão o bem estar que "eles" sabem retirar para proveito próprio. E, porém, garantem-me, são conservadores e católicos.
A Íntima Fracção - Programa de rádio - começa a parecer distante.
A liberdade conquistada não pode ser esquecida.
O regresso ao éter depende, exclusivamente, do espaço disponível para esticar a mão, no meio da noite, onde rola uma pérola que já não consigo esconder.
"Apenas me interessa o inabdicável."
E assim vai ser.
Está aqui a parte IIc (final) do Köll Concert, de Keith Jarrett, do qual falei a propósito de "A" dos Alla Polacca.
keith jarrett - K lnConcert4_2.MP3
Foi gravado a 25 de Janeiro de 1975. Um improviso absoluto. Há outros concertos a solo que Jarrett gravou e que fazem parte da mesma linha.
Keith Jarrett sofre de "síndrome de fadiga crónica", mas os tratamentos têm resultado e, por isso, está de novo a dar concertos, tendo uma tourné pelo Japão programada para a Primavera de 2004.
Sexta, 14, toca em Seattle (EUA) e já deixou o seu aspecto afro (ele não é descendente de africanos). A cabeleira deu lugar a um corte bem mais curto como se pode ver.
Radio Etiópia ( Patti Smith ). Radio Ga-Ga ( Queen ).
Quantas mais ?
As rádios portuguesas estão vazias. A maioria (refiro-me às rádios de expressão nacional) são RÁDIOS SEM ALMA. A TSF, que ainda marcava alguma diferença, não quis (ou não soube ...) resistir à uniformização da música. A estética radiofónica está moribunda. Noutra estação, passei uma noite a ouvir as horas, a data, e a identificação da rádio. A música era um bocadinho melhor, mas de resto faltava tudo. A linguagem radiofónica deve ser como a cinematográfica. Não há elemento algum que surja sózinho. Há sempre alguma coisa imediatamente antes e outra depois. Ignorar esse "racord" é matar a rádio. Neste momento, está quase ...
Entretenham-se com a Rádio Bolívia. É só mais uma !

Ando a ouvir "A", dos Alla Polacca.
Alla Polacca - A_short.MP3
É verdade que cada vez me lembro mais do Köln Concert, de Keith Jarrett, mas há sempre uma atmosfera nova que me passa pelo coração de cada vez que oiço. Agora foi a do quarto do piano, em casa do Alvim, na Rua de Campolide, há muitos muitos anos. Nas teclas estava a infância a fugir, tão depressa quanto nós queriamos fugir daqui.

Os Alla Polacca vão-me enviar os discos deles. Espero ansiosamente para ouvir "A".
Enviaram-me um mail muito simpático. Fiquei com a ideia que não conhecem a Íntima Fracção. Também quem é que manda o programa ser tão antigo, mas não se sentir velho ?
A verdade é que também eu não os conhecia e até venceram o Termómetro Unplugged. Imperdoável.
No blog IF-NO-AR, os amigos da Íntima Fracção continuam a postar coisas magníficas.
A Cristina Fernandes colocou lá este texto.
A aurora estende um fumo de bruma sobre os rios e os lagos. É um véu que se entrepõe entre o Sol que se levanta e o seu reflexo, que se espalha na região do ar que o envolve. É o seu próprio calor que torna impossível vê-lo no instante do seu nascimento. Não conhecemos nunca o que começa no seu início. Qualquer causa em nós é recapitulada e fictícia.
Não conhecemos nunca o que acaba no instante do seu verdeiro fim. Todo o adeus é uma palavra que queremos acreditar que conclui. Ora ela não começa nada e nada acaba.
Pascal Quignard
E o Mário, que não conheço pessoalmente (o mesmo com a Cristina), deixou lá esta foto.

Azul aprisionado ?
É com o Mário e a Cristina que se está a projectar uma série de fotos que partem dos ambientes da IF. Dos ambientes, músicas e memórias da IF.
Entretanto está aí a chegar a Colectânea de Outono da Janela Indiscreta, partindo de sugestões dos visitantes e editada por mim. Como inclui voz e, por causa de uma constipação, a minha está boa para "escrever à máquina...", tenho que esperar mais um bocadinho.
Para além dos que já disseram que queriam o CD, quem mais quer ?
Instagram