
Peixe Lua
Morreu o realizador José Álvaro Morais e o filme passou na 2:
Morais sabia filmar. Passar ambientes, temperatura, brisas. Às vezes parecia arty. Alguns viam ali estética publicitária. Eu gosto da forma do cinema de José Álvaro Morais. Das histórias, nem tanto.
Justin, gentler than a man
I am down on my knees
At the wireless knobs
I am down on my knees
At those wireless knobs
Telefunken, Telefunken
And I'm searching for
Luxembourg, Luxembourg,
Athlone, Budapest, AFN,
Hilversum, Helvetia
In the days before rock 'n' roll
(In the days before rock'n'roll - Van Morrison)

Numa manhã de Primavera (verdadeira), trouxe de casa do Alvim este disco. A edição francesa.
Às vezes, tenho uma enorme vontade de ouvir o Ray Charles. Não como da primeira vez, mas pela primeira vez.
Mesmo que fosse no Modern Sounds In Country & Western Music, mal amado por quem pensava que Ray era the High Priest. Só o conheci uns anos mais tarde, através do João Martins, quando o ouvia nas noites da RR.
Foi bom ter ouvido (muita) música desta na adolescência.
Entretanto, é pena que a rádio (quem manda nela) não consiga, ou não queira, arranjar vozes como a do João Martins. Vozes de proximidade, que não fazem o pino, nem gritam entre risos imbecis, qualquer coisa como "olhem tão criativo que eu sou ... que até pareço um daqueles estudantes que tocam pandeireta e dizem umas graçolas do tempo dos avós só que agora com asneiras e numa tuna ...
Misturam-se aqui algumas das memórias da IF. Ao mesmo tempo, parece não haver memória alguma.
Ölga.
Hoje, no Porto - Maus Hábitos.
De hoje a uma semana, em Lisboa - Galeria ZDB.
De novo a bor land. Da Sra. da Hora.
Mais música que sabe desenhar.
olga.MP3
"QuebraNozes" - o bailado da minha infância. Até já passou pela IF. Não me lembro como, mas passou.
Com a promessa de Primavera, deu-me em recordar a "Valsa das Flores". Continua tão bem, como na época em que Tchaikovsky a criou. Música que desenha movimentos.
A Janela Indiscreta já se abre há um ano !
É um blog absoluto.
Parabéns e uma lembrança para todos os que estão por detrás dos vidros.

O blog IF-NO-AR, sempre carinhosamente alimentado pela Cristina Fernandes e pelo Mário Filipe Pires, com participações avulso de indefectíveis da Íntima Fracção, está um autêntico objecto de arte. Eu acho que deviam visitá-lo. Ora vejam lá ...

Programa dos concertos de gente da Bor land. Estão lá os Alla Polacca !
Não gosto muito de falar das mensagens que recebo dos ouvintes da Íntima Fracção. Agradeço-as a todas por igual. Há no entanto e como calculam, algumas que me tocam mais.
Recebi hoje uma de um ouvinte da IF dos seus inícios, na Antena 1, nos anos 80. Nos EUA há 12 anos, ainda me escreve a pedir o alinhamento da emissão que está disponível na net - O som profundo do Outono.
Penso agora que tinha razão ao ler, nessa época, um extracto da Yourcenar :
" O amor de alguém é um presente tão inesperado e tão pouco merecido que devemos espantar-nos que não no-lo retirem mais cedo."
"Só se possuem eternamente os amigos de quem nos separamos."
O TEMPO, esse grande escultor.

Cirrocumulus stratiformis undulatus
Vindas do Céu sobre Lisboa (de onde é que mais podia ser ?!), chegaram estas nuvens. Através delas, entra-se num catálogo de nuvens que vale a pena conhecer.

Sempre. A minha amiga rádio.
O som. O tempo. A música.

Röyksopp não é nome de sopa instantânea. É um duo norueguês. Quando há dois anos ouvi Melody AM, foi fácil gostar de "So easy". Gostar do passado, empurrado por uma vaga de optimismo ? Encontrei a chave. Abriu-se a porta. Oiçam com os vossos próprios ouvidos.

so easy
De onde vem ?

Blue on blue - Bobby Vinton
Ou então, pelo próprio Bacharach - o dono da música.
Burt Bacharach-Blue On Blue_extr.MP3
Para VER.
Memórias dos "Novos dias da rádio".
Ando à procura do(s) MUSGO, mas só encontro o velho Musgo Real - sabonetes, creme para a barba e água de colónia, fabricado em Portugal desde 1887 !
Os spots, quase que se pode dizer promocionais, com a morte do jovem jogador húngaro do Benfica, não são classificáveis através de nenhuma palavra. Obscenos ? Não. Eles não são uma representação da morte, são a própria morte como espectáculo. Finalmente, a morte em directo !
A morte, nos media, " activa a dimensão interna mais reprimida, a mais negada social e pessoalmente, a do mal que existe no interior de cada um, sempre em conflito com o bem, a da morte, sempre em conflito com a vida, do desencanto, sempre em conflito com a esperança."
" A exigência da presença do mal nos media segue, então, a mesma lógica que exige a presença do mau em qualquer narrativa que se preze. [...] É a lógica da emoção, a lógica do inconsciente, aplicada também aos media." Ferrés
De novo, primeiro nós (as audiências), depois ele (Fehér).
Uma coisa boa e uma coisa má.
BOA : o blog "O Céu sobre Lisboa". Faz bem ao cérebro. É inteligente, sensível e faz-nos acreditar que afinal ainda há quem valha. Penso que começou em Novembro, mas só agora dei por ele. Leia-se o primeiro post. É recomendável passar por lá todos os dias !

MÁ : Só ontem soube que o David McWilliams morreu há dois anos. Uma música deste irlandês chegou aos tops nos anos 60, "Days of Pearly Spencer", mas as suas canções vão muito para além dela. Foi mais um que não conseguiu controlar os direitos sobre a sua música e calcula-se que perdeu mais de dois milhões de libras, que foram parar à conta de um solicito "empresário".
Terá sempre lugar na IF. No coração.

Philip Glass oferece, para o fim-de-semana, 55 '' de suave diversão.
philip glass - the simpsons end theme.mp3
Ainda o tema : QUEDA.
Para animar um pouco o blog.
Desde Setembro, a TSF caiu 0.6 em Lisboa, o seu reduto de sempre. E 0.3 no Porto.

Já tinha falado deste trio que vem agora ao Grande Auditório do CCB.
Até tive tempo para os passar na IF.
É jazz, mas não se admirem se vos servirem versões de Aphex Twin (Flim, fantástica !), dos Blondie, Nirvana e até dos Abba (Knowing me, knowing you ...). Afinal, a música pode ser toda boa com The Bad Plus.

Billy Idol !
Não. Nunca passou na IF. Mas a minha vida na rádio está muito para além da Íntima Fracção . Se está!
Tal como um piloto de aviões fala em X horas de voo, também eu posso falar em N horas no ar. Juraria que nunca passei o Idol, mas ... às vezes tropeçamos (e como isto me tem acontecido ultimamente ! e escorregar também !) numa cançãozita, num som, em qualquer coisa que desencadeia o "dejá vu". O verdadeiro. Foi assim com "Eyes without a face". Uma espécie de "regressão" (sem ser na TV). Taú ! Salta-me o Billy para o prato direito e lá tive que escolher, em 1984. Foi a única música do rapaz a que devo ter dado passagem, mas logo a seguir lembro-me de uma série de outras, de outros, que eu jurava nunca tinha passado ! E ouço ... e vejo ... claramente, o estúdio. O cheiro a cera nos corredores. E pergunto o que me fazia ali ficar fechado horas e horas e horas ? Eu sei que havia horários (e tenho a certeza que os fiz todos !), mas porque me contentava em encontrar a "mais suportável" do Idol ? Seria para poder passar o João Gilberto ? os "Everything but the girl", trazidos de Londres pelo Gonçalo ? o Godinho ? o Fausto ? o Zappa "be in my vídeo" ? ou essa "chinfrineira" dos Jesus and Mary Chain ?! Pelo meio, até arrastava o Tom Verlaine, ou o Cale, para fora da Íntima Fracção.
"First i would like to say that is not nostalgia."
Será ?
A propósito de nostalgia.
"First i would like to say that is not nostalgia. It is not nostalgia for the past."
Anais Nin
Oiçam-na.
Anais1.MP3
Rui Bebiano regressa com o blog SOUS LES PAVÉS, LA PLAGE!

Leiam o post "Smoke gets in your eyes" (e já agora os comentários).
Como uma criança que pede para lhe contarem sempre a mesma história antes de adormecer, também eu, todas as noites, regresso às bandas sonoras dos filmes de Jacques Tati.

Um génio. É preciso ver todos os filmes de Tati para aprender o verdadeiro valor da relação imagem/som. Não há "efeitos especiais". É tudo demasiado simples por ser tão difícil.

Hulot.
Como é tarde para te dizer obrigado. Mesmo com prémio em Cannes e com um Oscar, foste longe demais. Paga-se caro. Ganhaste a eternidade, mas não sei se alguma vez te preocupaste com isso.
Em Portugal é difícil encontrar o DVD com o Playtime de Tati. Alguém me dá uma ajuda ?

JACQUES TATI - Tennis - Theme Piano - Les Vacances de Monsieur Hulot.mp3

Eu queria falar da "queda", mas não me ocorre dizer mais nada do que "Brufen 400", "Picalm-spray", ...
E sobretudo o medo. A sensação de indefesa, no preciso momento em que sobre o chão, já só há o céu à nossa vista.
Depois, perante a conjuntura, um bom cidadão não gasta ainda mais dinheiro ao Estado, a não ser que não se importe de esperar cinco horas !
Tudo isto para explicar o atraso de nova IF online.

(c)CAV

Esta é uma fotografia tirada nos anos 60. Ao lado do teclista Brian Auger, está Julie Driscoll (hoje, e desde há muitos anos, Julie Tippetts). Sempre a admirei. Por um lado, pelo que cantava e, sobretudo, como cantava. As primeiras gravações (as melhores), fê-las dos 19 para os 20 anos. Depois, disse: "entre o showbiz e a sanidade mental, prefiro a segunda".
A última notícia de Julie vem de 1999, quando gravou um disco experimental.
Quem me dá notícias da Julie ?
LIBERTEM OS GNOMOS !

Está tudo certo.
De acordo com o discurso oficial, a Eduarda avisou-me que estão para chegar os "Reis magros".
" A memória do ser amado é a recordação da divindade; lembrança do paraíso que paira agora no éter do segredo."
Escrevi isto rigorosamente há um ano neste blog. O texto foi utilizado na emissão da IF de 4 para 5 de Janeiro de 2003.
Pois bem, libertos desse pesado, mentiroso, abafado e cinzento 2003, o "éter do segredo" prepara-se de novo para a Íntima Fracção. "Lembrança do paraíso" ... tocando nos ouvidos, poisando nos corações.
Esta é a magnífica capa da colectânea de Outono
[ um som profundo do Outono ]
desenhada pela Cristina Fernandes sobre um fotografia do Mário Filipe Pires.
Está aqui tudo sobre
[ um som profundo do Outono ]
emissão [ em linha ] da Íntima Fracção, que resultou da ideia da colectânea de Outono produzida pelo blog Janela Indiscreta.
Brevemente, lança-se para a rede a primeira IF realizada com o fim de ser ouvida, exclusivamente, através da internet. O suporte rádio continua a ser um objectivo, mas não o único.
Quase um ano depois do 1º post neste blog da IF (30 Dezembro-2002), quero deixar claro (quem é que já me disse isto ?...) que a IF podia, neste momento, estar a ser transmitida através de várias estações de rádio que cobrem uma área entre Braga e Lisboa. Por motivos operacionais não foi, até agora, essa a opção.
Em 2004, a IF completa 20 anos. Ouviremos o que se segue ...

26, Dezembro

Aqui está a prometida IF.
É a chamada colectânea de Outono promovida pela Janela Indiscreta. Há alguns meses, a Cristina Fernandes entusiasmou-me a fazê-la com o fim de ser transmitida pela rádio. Com a chegada do Outono, a Íntima Fracção saiu da antena da TSF. Talvez por isso se arrastou tanto esta IF de 43 minutos, que agora pode ser ouvida através da Net.Isto é possível devido ao entusiasmo da Paula Simões, da ajuda do João Ventura (CEMEIA) e da disponibilidade do Pedro Pais e de todo o pessoal do CIC, da ESEC. E, claro, da própria ESEC.
A IF pode ouvir-se directamente ou então pode fazer-se download, para ouvir mais tarde e onde se quiser.
Para já, está disponível aqui.
Daqui a uns dias ficará disponível uma outra emissão da Íntima Fracção.
Tudo isto resulta também do apoio incondicional do Mário Pires, do blog Retorta.
O regresso às ondas hertzianas não foi ainda concretizado por dois motivos:
não querer abdicar do formato da IF (se assim fosse não seria IF);
querer garantir a maior cobertura possível, tal como desde o seu início, em Abril de 1984, sempre aconteceu.
Aos ouvintes da Íntima Fracção, garanto, que enquanto sentir que a IF possa ter alguma importância para vós (como para mim também houve outros programas de rádio que a tiveram), a IF não acaba. Trata-se pois de uma situação a ser gerida por nós. Sobra-me ainda lucidez para reconhecer os sinais que indiquem o seu fim. Num panorama radiofónico, genericamente, sem alma, a IF tem agora mais sentido.
Íntima Fracção : OUTONO
O suplemento Y, do Público, arrisca-se a ser considerado marginal. Chama para a primeira página Jacques Tati, a propósito da edição em DVD da cópia restaurada de Playtime. Estas decisões pagam-se e não me admirarei se o suplemento vier a sair do jornal, porque só eu e 999 leitores é que damos valor às matérias lá incluídas.

Para quem quiser saber mais sobre Tati, há o site oficial. Não saltem a introdução. É preciso tempo para a ver, tal como os filmes dele, mas vale a espera.
Tati fascina-me desde criança. Primeiro, ouvia o meu Pai falar com grande entusiasmo de "O meu tio". Depois, ouvia os primos mais velhos contarem as peripécias do filme. Finalmente, na adolescência, vi o Playtime numa sala enorme e com meia dúzia de espectadores. Deve ter sido por isso que Tati teve que vender a própria casa e abdicar dos direitos dos filmes anteriores para pagar dívidas. A cidade construída para rodar o filme, Tativille, devia ter ficado de pé com escola de cinema e salas de exibição. Foi tudo demolido, sepultando as folhas com o argumento. Tati refugiou-se num apartamento em Paris. Deprimido, à beira da derrota. Felizmente ainda reagiu a tempo de fazer mais dois filmes (um na Suécia - Estocolmo continua a ver-se daqui).

O Natal anuncia-se cinzento. Devia ser branco, mas isso deve ter sido na época de "White Christmas". Bing Crosby, abnegadamente, continua disponível para aquecer a mais negra noite de Natal. Quem sabe, talvez o Tatischeff me bata à porta. Desajeitado, pega no telecomando e envia-me para um canal onde Crosby canta pela 50ª vez. "I'm dreaming of a white christmas ...". E a rua fica branca. E depois os telhados e as árvores, o jardim. Ficamos em silêncio, atrás dos vidros, a olhar. À meia-noite ofereço-lhe um Porto branco. Tati diz-me então a primeira e última palavra da noite:" Merci".
Acordo no frio da manhã seguinte e afinal há gente na casa. Conversas animadas. Livros recebidos na véspera, folheiam-se agora. Fotografias. O calor na cozinha, com as criadas a fazerem o almoço.
Volto à janela e o Tati desce a rua. Pára. Bate o cachimbo na sola do sapato e segue. Sózinho, como sempre.

Bing Crosby - White Christmas1.MP3

Vento.
Sê através dos meus lábios, para a terra adormecida, o apelo poderoso duma profecia !
Vento ...
Se chega o Inverno, poderá estar longe a Primavera ?
Shelley
Ryuichi Sakamoto - Father Christmas.mp3
Uma porta por onde passámos tantas vezes, e vejo-a agora, ali, fechada, acreditando que para sempre.
A porta, como entidade física, essa, poder-se-á abrir e fechar ainda e sempre, provavelmente. Mas eu olho-a e sei que a fechei definitivamente. O calor, o afecto, os sons já tão longínquos, tudo poderia ter ficado registado nas superfícies mais inesperadas e, quem sabe, esperem apenas o instrumento indispensável para os revelar de novo. E assim vou duvidando de que os espaços, quaisquer que sejam, se fechem para sempre.
Receio apenas as portas que eu possa encerrar para sempre.
Memórias.
Jay Alanski (A reminiscent drive - 97) :
"sitting quietly, doing nothing"

a reminiscent drive- sitting quietly, doing nothing1.MP3
Sou indiferente ao frio do Inverno, o que temo mais são os corações gelados dos homens.
Disse o ilustre Saigo (sec. XIX).
No sec. XX, os jovens kamikaze, pilotos dos aviões-suicidas, despedem-se assim:
Se ao menos pudéssemos cair como as flores de cerejeira, tão puras e luminosas ...
Disse um piloto de 22 anos (1945).

Onde nos leva o gelado caminho ?
Confesso que se não fosse o Ânimo do António Colaço, nem tinha dado pelas afirmações sobre a IF que sairam na edição de 5 de Dezembro do Independente. Mas o António levantou estardalhaço no blog e eu fiquei a saber.
É provável que encontrem aqui um post com uma reflexão sobre o assunto.
Para já, uma notícia : dentro em breve estarão on-line duas novas emissões da IF.
É por causa de pessoas como o António que reafirmo o que disse no final de Setembro : a IF não acabou. Deixou de ser transmitida pela TSF.
Obrigado ao António e ao Ricardo, e aos Hugos, ao Mário, à Cristina, ao Vicente, ao Pedro, à Ana, ao ... à ... mas afinal quantos são ? Quantos são ?! Nunca soube, mas confesso que também nunca quis saber. Podia ser de outra maneira ?
"O INTIMA FRACÇÃO ERA UM PROGRAMA DE AUTOR QUE JÁ ESTAVA NUMA FAIXA HORÁRIA MARGINAL."
Isto disse o José Fragoso, actual director da TSF, ao Independente.
Não sei ainda se comentarei o resto das afirmações que JF fez sobre a IF, na entrevista que deu aquele semanário. MAS, esta afirmação não posso deixar de corrigir. A IF não estava JÁ numa faixa horária marginal. A IF SEMPRE esteve num horário que o JF chama de marginal. E, ouvindo bem, não podia deixar de ser assim. O recurso ao JÁ, remete o leitor para a ideia de que o programa JÁ tinha sido arrumado numa faixa horária "marginal", depois de ter vivido numa outra, eventualmente central ou integrada. Não é correcto.
Acabaram os Concertos Portugal Telecom, mais conhecidos pelos Concertos "Em Órbita".
Para quem não sabe, "Em Órbita" foi (é !) um programa de rádio que começou em 1965 e passou por diversas fases, mas todas construiram um autêntico património da formação do gosto do público, com critérios de grande exigência e rigor.
Com o fim destes concertos, dedicados à música antiga, pode também terminar o conceito (que insisto, existe) "Em Órbita".
Há só uma enorme perplexidade que, persistentemente, teima em não se resolver. Será que num país conservador, com alguns conservadores no poder, só se conserva a medíocridade ?
Contra o que é habitual neste blog, transcrevo um texto de Carlos Câmara Leme, publicado no jornal Público. Está lá tudo.
" 1. A 5 de Novembro de 2003, na Estação Júlio Prestes/Sala S. Paulo, a PT Brasil atribuía, pela primeira vez, os Prémios Portugal Telecom de Literatura Brasileira. A operação do outro lado do Atlântico foi um êxito: conseguiu atrair toda a elite social e cultural da grande metrópole brasileira e garantiu, simultaneamente, a instituição de um prémio literário sério e prestigiado. O investimento (com as várias reuniões do júri, publicidade e a gala de atribuição na Sala S. Paulo), rondou os 350 mil euros.
2. A ligação da PT ao Em Órbita, um dos programas que fazem já parte da história da rádio em Portugal, data de 1996. Em 1997, surgiram os Concertos PT/Em Órbita. De então para cá, os mágicos momentos musicais saldaram-se numa aposta completamente ganha. A vários níveis: Portugal passou a estar associado, internacionalmente, a uma programação notável, consistente, com uma qualidade rara porque envolvendo os maiores intérpretes (formações, maestros, cantores) mundiais do movimento da música antiga.
3. Anteontem, no Rivoli do Porto, esta aventura sustentada e inventiva - em pouquíssimas ocasiões este arco foi tão bem conseguido em Portugal -, chegou ao fim. Chegou ao fim, inexplicavelmente. A PT, que apoia mecenaticamente um Teatro Nacional D. Maria II absolutamente à deriva, deixou de apostar na face mais visível e lúcida da sua política mecenático-cultural.
A decisão é tanto mais inexplicável quanto, em documento de Março de 2002, o conselho executivo da PT aprovara o triénio 2003-05, faltando o orçamento e o respectivo programa dos concertos. Para 2004, o orçamento era de 330 mil euros.
Noutro país, a deselegância para com Jorge Gil - o "senhor Em Órbita" - tinha outro caminho. Aqui suscitou uma onda de perplexidade (Presidente da República, ministro da Cultura, agentes culturais, políticos e empresariais dos mais diversos quadrantes manifestaram a sua estupefacção perante tão indigente decisão), que não passou da pequena conversa de salão. Jorge de Sena bem nos avisara - "vivemos no reino da estupidez". Portugal ficou ainda mais estúpido. E mais pobre. "

AIR - o duo de Versailles, vai regressar a 24 de Janeiro.
O CD chama-se Talkie Walkie. Já o ouvi todo. É bom material. Seria melhor se não tivesse havido 1998 e um "Moon Safari". Os rapazes estão outra vez um "mellow french duo". Parece-me que ouviram muito 10 CC, New Musik e os Beatles. A verdade é que têm uma sonoridade única, o que é difícil, atendendendo ao universo que tocam.
Talkie Walkie não é bem a procura do safari perdido. É de todos os seus discos o mais parecido com "Moon Safari" ( deste, nunca mais se separam ), mas não há nostalgia alguma. A nostalgia é só minha. Acredito que o Morricone gostasse de ter escrito "Ce matin la", mas ainda bem que foram os AIR.
Fica aqui um pedacito do novo álbum. É ouvir, que está em mp3.
air - run _ extracto.MP3
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