Nick Cave lá ... e eu aqui.







Desde o princípio da Íntima Fracção, Nick Cave teve sempre música e palavras adequadas aos sentimentos das mais diversas fases.

Embora tenham passado sons de todos os discos, estes foram os mais habituais. Através de cada capa chega-se aos sons mais perto do coração da IF.







Tenho uma necessidade absoluta de voltar a fazer sair a música de Cave do uivo do vento nocturno.

Experimentem entrar por esta foto e vejam o que encontram.

Not the end ...



"the essential is no longer visible" - Heiner Müller



cena 1 - para f.

todas as madrugadas podiam ser assim. silenciosas, azuis, transparentes, com vozes de rádio ao fundo, sons suaves de carros a passar, luzes douradas da rua a entrarem-nos pela janela.



as noites podiam acabar mais cedo e os dias nascerem mais tarde. todas as madrugadas poderiam ser assim e se fossem, seríamos mais doces, teríamos asas.



cena 2

um dia a rádio voltará a ter programas de rádio.

por agora temos que esperar.

um dia a inteligência voltará à rádio.

um dia a inteligência voltará.

por agora, podemos olhar, aproveitar a pausa. sonhar. criar os momentos de som que vão nascer, um dia, na rádio.




em Saudades de Antero



Textos como este, comovem-me. É verdade. Chamam-me as lágrimas. Tudo aquilo está muito para além da Íntima Fracção, mas foi escrito por causa da IF.
Não sentem a onda que se levanta lá muito ao fundo ? Ela está para além da linha do horizonte, mas já se formou.







TSUNAMI !!!
Um silêncio longínquo.

A música no instante em que (quase) tudo era ainda possível.

(quase) Todos ainda vivos.

Uma esperança (quase) infindável até ao fundo das horas.



young girl blues.MP3
Encerrou a Telefonia Virtual. Depois de sete anos na rede a escrever sobre rádio, vai sentir-se a falta. Havia quem não gostasse, mas pelo menos falava e fazia falar sobre RÁDIO.

Nem me atrevo a dizer o lugar comum ... sim, esse ... Mas é verdade ! Mais pobre do que está (sei que é possível) vai ser difícil !



Logo de seguida (ao mesmo tempo ?) abriu a Telefonia Real. Para quem está de fora, há aqui qualquer coisa que não bate certo. Vamos lá ver o que dá.







Sexta, 13 Fevereiro.

Gato Negro.



Dizem que a mesma combinação, em Agosto, ainda é pior.

Aproveitem para ouvir Black Cat ...
"Got no time for time".

Uma frase que dita em português parece ter menos significado. E menos sonoridade.



will the summer make good for all our sins?



MÚM







08 - mum - away.mp3
Eu sei que a IF tem de voltar. Quatro meses escondida. No desespero pelo momento irreprímivel : "abriste a janela e voaste." (Godinho). A 8 de Abril, o 20º aniversário. Encontrar-nos-emos nessa noite ? É uma pergunta-promessa.
Há músicas que ficam agarradas a sítios, cheiros, luzes.

Quando andava à procura de temas mais ou menos esquecidos, de outros tantos filmes não menos lembrados, conheci um chinês de Hong Kong a viver nos EUA. Para mim, a expedição tinha começado em busca da banda sonora do road-movie "Il sorpasso", do Dino Risi.







Depois lembrei-me de "Come September" (em português com o fantástico título Idílio em Setembro).







Daqui até Billy Vaughn foi um percurso natural.







São tudo coisas com mais de 40 anos, datadas, easy, mas que mostram um outro lado da época. O chinês andava à procura de "Berlin Melody". Fazia-lhe lembrar os seus dez anos, quando engraxava sapatos à porta de um salão de dança. Dizia-me ele que aquela música, ainda hoje, lhe parecia descer pelas escadas. A mim, faz-me lembrar um Austin Healy Sprite. Vermelho.







É sempre com as músicas menos esperadas que as memórias longínquas nos vêm bater à porta.

"Surpreende-me a minha própria nostalgia por tempos de que tenho apenas escassas redordações."(Shepard) Ou nenhumas.

Recordações do que se não viveu. Recordações do que se conhece por relatos de outros.



billy vaughn - berlin melody1.MP3
Logo à noite, às 0:15 - BOB MARLEY LIVE AT THE RAINBOW na 2:

Gravação de um concerto memorável, em Londres, no Verão de 1977.







Por dentro da foto de Bob Marley está um extracto da reconstrução feita por Bill Laswell de "Waiting in vain", para Dreams of Freedom. A Maria Eduarda, com dois anos, acompanhava esta na sua bateria mággggica ... e de phones nas orelhas !

Sempre me entusiasmaram as reconstruções dos temas de Bob Marley feitas pelo Bill Laswell. Há até um som recorrente nas emissões da IF, que foi retirado do início da reconstrução de "Is this love".




Peixe Lua



Morreu o realizador José Álvaro Morais e o filme passou na 2:

Morais sabia filmar. Passar ambientes, temperatura, brisas. Às vezes parecia arty. Alguns viam ali estética publicitária. Eu gosto da forma do cinema de José Álvaro Morais. Das histórias, nem tanto.
Justin, gentler than a man

I am down on my knees

At the wireless knobs

I am down on my knees

At those wireless knobs

Telefunken, Telefunken

And I'm searching for

Luxembourg, Luxembourg,

Athlone, Budapest, AFN,

Hilversum, Helvetia

In the days before rock 'n' roll



(In the days before rock'n'roll - Van Morrison)







Numa manhã de Primavera (verdadeira), trouxe de casa do Alvim este disco. A edição francesa.

Às vezes, tenho uma enorme vontade de ouvir o Ray Charles. Não como da primeira vez, mas pela primeira vez.



Mesmo que fosse no Modern Sounds In Country & Western Music, mal amado por quem pensava que Ray era the High Priest. Só o conheci uns anos mais tarde, através do João Martins, quando o ouvia nas noites da RR.

Foi bom ter ouvido (muita) música desta na adolescência.

Entretanto, é pena que a rádio (quem manda nela) não consiga, ou não queira, arranjar vozes como a do João Martins. Vozes de proximidade, que não fazem o pino, nem gritam entre risos imbecis, qualquer coisa como "olhem tão criativo que eu sou ... que até pareço um daqueles estudantes que tocam pandeireta e dizem umas graçolas do tempo dos avós só que agora com asneiras e numa tuna ...



Misturam-se aqui algumas das memórias da IF. Ao mesmo tempo, parece não haver memória alguma.



Ölga.



Hoje, no Porto - Maus Hábitos.

De hoje a uma semana, em Lisboa - Galeria ZDB.

De novo a bor land. Da Sra. da Hora.



Mais música que sabe desenhar.

olga.MP3







Qual é o som da Primavera sem tempo ?
"QuebraNozes" - o bailado da minha infância. Até já passou pela IF. Não me lembro como, mas passou.

Com a promessa de Primavera, deu-me em recordar a "Valsa das Flores". Continua tão bem, como na época em que Tchaikovsky a criou. Música que desenha movimentos.



A Janela Indiscreta já se abre há um ano !

É um blog absoluto.

Parabéns e uma lembrança para todos os que estão por detrás dos vidros.




O blog IF-NO-AR, sempre carinhosamente alimentado pela Cristina Fernandes e pelo Mário Filipe Pires, com participações avulso de indefectíveis da Íntima Fracção, está um autêntico objecto de arte. Eu acho que deviam visitá-lo. Ora vejam lá ...




Programa dos concertos de gente da Bor land. Estão lá os Alla Polacca !
Não gosto muito de falar das mensagens que recebo dos ouvintes da Íntima Fracção. Agradeço-as a todas por igual. Há no entanto e como calculam, algumas que me tocam mais.

Recebi hoje uma de um ouvinte da IF dos seus inícios, na Antena 1, nos anos 80. Nos EUA há 12 anos, ainda me escreve a pedir o alinhamento da emissão que está disponível na net - O som profundo do Outono.

Penso agora que tinha razão ao ler, nessa época, um extracto da Yourcenar :

" O amor de alguém é um presente tão inesperado e tão pouco merecido que devemos espantar-nos que não no-lo retirem mais cedo."

"Só se possuem eternamente os amigos de quem nos separamos."



O TEMPO, esse grande escultor.





Cirrocumulus stratiformis undulatus



Vindas do Céu sobre Lisboa (de onde é que mais podia ser ?!), chegaram estas nuvens. Através delas, entra-se num catálogo de nuvens que vale a pena conhecer.




Sempre. A minha amiga rádio.
O som. O tempo. A música.







Röyksopp não é nome de sopa instantânea. É um duo norueguês. Quando há dois anos ouvi Melody AM, foi fácil gostar de "So easy". Gostar do passado, empurrado por uma vaga de optimismo ? Encontrei a chave. Abriu-se a porta. Oiçam com os vossos próprios ouvidos.





so easy




De onde vem ?





Blue on blue - Bobby Vinton




Ou então, pelo próprio Bacharach - o dono da música.



Burt Bacharach-Blue On Blue_extr.MP3
Para VER.

Memórias dos "Novos dias da rádio".
Ando à procura do(s) MUSGO, mas só encontro o velho Musgo Real - sabonetes, creme para a barba e água de colónia, fabricado em Portugal desde 1887 !



Os spots, quase que se pode dizer promocionais, com a morte do jovem jogador húngaro do Benfica, não são classificáveis através de nenhuma palavra. Obscenos ? Não. Eles não são uma representação da morte, são a própria morte como espectáculo. Finalmente, a morte em directo !

A morte, nos media, " activa a dimensão interna mais reprimida, a mais negada social e pessoalmente, a do mal que existe no interior de cada um, sempre em conflito com o bem, a da morte, sempre em conflito com a vida, do desencanto, sempre em conflito com a esperança."

" A exigência da presença do mal nos media segue, então, a mesma lógica que exige a presença do mau em qualquer narrativa que se preze. [...] É a lógica da emoção, a lógica do inconsciente, aplicada também aos media." Ferrés

De novo, primeiro nós (as audiências), depois ele (Fehér).
Uma coisa boa e uma coisa má.

BOA : o blog "O Céu sobre Lisboa". Faz bem ao cérebro. É inteligente, sensível e faz-nos acreditar que afinal ainda há quem valha. Penso que começou em Novembro, mas só agora dei por ele. Leia-se o primeiro post. É recomendável passar por lá todos os dias !







: Só ontem soube que o David McWilliams morreu há dois anos. Uma música deste irlandês chegou aos tops nos anos 60, "Days of Pearly Spencer", mas as suas canções vão muito para além dela. Foi mais um que não conseguiu controlar os direitos sobre a sua música e calcula-se que perdeu mais de dois milhões de libras, que foram parar à conta de um solicito "empresário".

Terá sempre lugar na IF. No coração.







Philip Glass oferece, para o fim-de-semana, 55 '' de suave diversão.



philip glass - the simpsons end theme.mp3
Ainda o tema : QUEDA.

Para animar um pouco o blog.

Desde Setembro, a TSF caiu 0.6 em Lisboa, o seu reduto de sempre. E 0.3 no Porto.




Já tinha falado deste trio que vem agora ao Grande Auditório do CCB.

Até tive tempo para os passar na IF.

É jazz, mas não se admirem se vos servirem versões de Aphex Twin (Flim, fantástica !), dos Blondie, Nirvana e até dos Abba (Knowing me, knowing you ...). Afinal, a música pode ser toda boa com The Bad Plus.




Billy Idol !


Não. Nunca passou na IF. Mas a minha vida na rádio está muito para além da Íntima Fracção . Se está!

Tal como um piloto de aviões fala em X horas de voo, também eu posso falar em N horas no ar. Juraria que nunca passei o Idol, mas ... às vezes tropeçamos (e como isto me tem acontecido ultimamente ! e escorregar também !) numa cançãozita, num som, em qualquer coisa que desencadeia o "dejá vu". O verdadeiro. Foi assim com "Eyes without a face". Uma espécie de "regressão" (sem ser na TV). Taú ! Salta-me o Billy para o prato direito e lá tive que escolher, em 1984. Foi a única música do rapaz a que devo ter dado passagem, mas logo a seguir lembro-me de uma série de outras, de outros, que eu jurava nunca tinha passado ! E ouço ... e vejo ... claramente, o estúdio. O cheiro a cera nos corredores. E pergunto o que me fazia ali ficar fechado horas e horas e horas ? Eu sei que havia horários (e tenho a certeza que os fiz todos !), mas porque me contentava em encontrar a "mais suportável" do Idol ? Seria para poder passar o João Gilberto ? os "Everything but the girl", trazidos de Londres pelo Gonçalo ? o Godinho ? o Fausto ? o Zappa "be in my vídeo" ? ou essa "chinfrineira" dos Jesus and Mary Chain ?! Pelo meio, até arrastava o Tom Verlaine, ou o Cale, para fora da Íntima Fracção.

"First i would like to say that is not nostalgia."

Será ?
A propósito de nostalgia.

"First i would like to say that is not nostalgia. It is not nostalgia for the past."



Anais Nin



Oiçam-na.



Anais1.MP3



Rui Bebiano regressa com o blog SOUS LES PAVÉS, LA PLAGE!







Leiam o post "Smoke gets in your eyes" (e já agora os comentários).



Como uma criança que pede para lhe contarem sempre a mesma história antes de adormecer, também eu, todas as noites, regresso às bandas sonoras dos filmes de Jacques Tati.







Um génio. É preciso ver todos os filmes de Tati para aprender o verdadeiro valor da relação imagem/som. Não há "efeitos especiais". É tudo demasiado simples por ser tão difícil.







Hulot.

Como é tarde para te dizer obrigado. Mesmo com prémio em Cannes e com um Oscar, foste longe demais. Paga-se caro. Ganhaste a eternidade, mas não sei se alguma vez te preocupaste com isso.

Em Portugal é difícil encontrar o DVD com o Playtime de Tati. Alguém me dá uma ajuda ?







JACQUES TATI - Tennis - Theme Piano - Les Vacances de Monsieur Hulot.mp3




Eu queria falar da "queda", mas não me ocorre dizer mais nada do que "Brufen 400", "Picalm-spray", ...

E sobretudo o medo. A sensação de indefesa, no preciso momento em que sobre o chão, já só há o céu à nossa vista.

Depois, perante a conjuntura, um bom cidadão não gasta ainda mais dinheiro ao Estado, a não ser que não se importe de esperar cinco horas !

Tudo isto para explicar o atraso de nova IF online.
O que se perde por excesso de informação ?

Informação.

O ânimo da ÂNIMO com estes licores.







Raz Ohara, em Coimbra (acompanhando Alexander Kowalski).





Raz Ohara - I Wanna Be Where You Are_1.MP3



O que quase se perde quando o rádio do carro não fixa a RUC ?

O Vidro Azul.

Esperem pelo alinhamento. E oiçam, nem que seja através da Net. É geralmente muito bom. O "line-up" e a voz (tão marginalizada na rádio de hoje).





(c)CAV




Esta é uma fotografia tirada nos anos 60. Ao lado do teclista Brian Auger, está Julie Driscoll (hoje, e desde há muitos anos, Julie Tippetts). Sempre a admirei. Por um lado, pelo que cantava e, sobretudo, como cantava. As primeiras gravações (as melhores), fê-las dos 19 para os 20 anos. Depois, disse: "entre o showbiz e a sanidade mental, prefiro a segunda".

A última notícia de Julie vem de 1999, quando gravou um disco experimental.

Quem me dá notícias da Julie ?
LIBERTEM OS GNOMOS !







Está tudo certo.

De acordo com o discurso oficial, a Eduarda avisou-me que estão para chegar os "Reis magros".
" A memória do ser amado é a recordação da divindade; lembrança do paraíso que paira agora no éter do segredo."

Escrevi isto rigorosamente há um ano neste blog. O texto foi utilizado na emissão da IF de 4 para 5 de Janeiro de 2003.

Pois bem, libertos desse pesado, mentiroso, abafado e cinzento 2003, o "éter do segredo" prepara-se de novo para a Íntima Fracção. "Lembrança do paraíso" ... tocando nos ouvidos, poisando nos corações.




Esta é a magnífica capa da colectânea de Outono



[ um som profundo do Outono ]



desenhada pela Cristina Fernandes sobre um fotografia do Mário Filipe Pires.