"Before the poison" é o título do mais recente disco de Marianne Faithful. Confesso que só ouvi três temas. A participação de Nick Cave e PJHarvey é motivo de atração. Para mim, para além da voz sempre quente e envolvente de Marianne, há o fascínio pelo título : BEFORE THE POISON - antes do veneno. Não seria bom podermos voltar ao "antes do veneno" que nos deram a provar ou que nós mesmos escolhemos tomar ?



Faz hoje um ano que a Íntima Fracção poisou. O voo nocturno só foi retomado, de passagem, quando se completaram os 20 anos da IF. Não é por causa da ausência da IF, mas a rádio em Portugal, na generalidade, está sem alma !

E, no entanto ...

A tradição só surge quando o desejo ou visão do futuro necessita de uma base onde se apoiar. O futuro inventa o passado.

Recordação do último fim-de-semana de Setembro.







Na próxima 2ª feira, dia 27 de Setembro, estarei no Vidro Azul (RUC) entre as 23 e as 24 horas. Também na net, em directo.



PUGET SOUND - um conceito que une três projectos musicais : "The boy with the broken leg", "Daily Misconceptions" e "Electric Marbles". Editado em parceria pela Bor Land e Essay Collective, o disco pode ser descarregado (MP3) aqui.

Se querem um bom exemplo, escutem também aqui "Into marbles". Há alguma atmosfera IFneana.

Todos os impossíveis são possíveis. O milagre é apenas a ignorância dos termos segundo os quais se processa o sucedido.



O lugar da IF.



Parto durante a noite para o lugar invulnerável, luminoso no seio da inexistência. Parto para onde a paz progride como uma planta vivaz, um ouro irretornável.



Interessa-me apenas o inabdicável.

Sempre à espera de um sinal, de uma resposta, da intimidade de uma esperança.

Amor incondicional.

Que me importa o brilho do cristal sem o som do seu toque ?









Últimos dias de Verão. Gaivotas em terra. IF ao mar. Imaginário. " Quereria que o condicional não nos condicionasse, mas que nos tornasse mais sóbrios, que não nos submergisse num passado impossível nem nos exilasse para um futuro improvável." Ánguelov

Íntima Fracção - Verão 2004 - ouvir aqui.



E.

Coisas que Robert Bresson escreveu (sobre Cinema) e que se aplicam também à Rádio.

"Novidade não é originalidade nem modernidade".

Lembra-se de Rousseau : Eu não procurava fazer como os outros nem de modo diferente.



"Cinema, Rádio, televisão, revistas são uma escola de desatenção : olhamos sem ver, ouvimos sem escutar."

"O que os nossos olhos e ouvidos exigem não é a pessoa verídica, mas a pessoa verdadeira."

"O ouvido leva-nos para dentro. Os olhos, para fora."



Estas afirmações consolam. Apenas. É preciso que se mantenham vivas na memória. Eu sei ! ... curta.





Há uma remix de "Is a woman", dos Lambchop, feita pelos Alpha. E eu não sabia.

Uma Alpha garden party para ouvir aqui, transmitted from rural location in Dorset - England, via Satellite.





Quem não gosta que digam bem do nosso trabalho ?

Às vezes, a escrita sobre ele é mais bela do que aquilo que fizemos.

É por isso que chamo a atenção para ela.

Num tempo desperançoso, ela toca-me como a cadência longínqua e nostálgica de um Adufe.







A Íntima Fracção não induz ao sono. Induz ao sonho.

Esta foi outra bela ideia sobre a IF. Há dias, dita por um físico, o que é sempre muito mais rigoroso e irrefutável. Induzir, vem do latim inducère, «levar para dentro». Certeiro, Professor Carlos Fiolhais.









Try to remember the kind of September

When life was slow and oh, so mellow



De que é feita a Íntima Fracção ?

Tenho 16 anos. Uma rapariga loura, alta, beija-me furiosamente dentro de um automóvel (porquê ?).

Estou apaixonado e sei logo que não é por ela. A estes beijos, prefiro os outros que chegam em cartas de papel azul claro (perfumado ? Rochas, Avon, Chanel ?).

Setembro era um mês em que tudo era ainda possível.



Try to remember the kind of September

When you were a tender and callow fellow.

Try to remember, and if you remember,

Then follow... follow... follow me ...



A IF-Verão 2004.

A ouvir aqui.



" Da primeira vez, acendeu um círio numa pequena igreja italiana. Ficou surpreendido com a beleza da chama e o gesto pareceu-lhe menos idiota. Porquê privar-se desde então do prazer de criar uma luz ? Recomeçou e a este gesto delicado (inclinar o novo círio sobre o círio iluminado, esfregar docemente os dois pavios, encher-se de prazer com o atear da chama, encher os olhos desta luz íntima e forte) foi associando votos cada vez mais vagos que englobavam - pelo receio da escolha - "tudo o que não corre bem no mundo." (R.Barthes)

É tão difícil manter o ânimo, que aqui fica esta luz solidária com a iniciativa da Ânimo, do António Colaço. Por "tudo o que não corre bem no mundo". E é tanto !

O mundo existe. Por mais escondido que eu esteja, ele vem ter comigo. Na verdade, serei eu que o procuro.

Media.

Neste momento, quase toda a gente com responsabilidades de edição mediática, procura imagens da mais brutal e cobarde acção política directa dos últimos anos (que nos tenham contado). Como é preciso dizer (alimentar ?) algo sobre o assunto, lançaram-se dezenas de informações que se revelaram inconsistentes.

A SIC correu a criar os grafismos "promocionais" do drama. A segurar as famosas audiências. Não se perderam os ensinamentos do criador. O espectáculo, agora, chama-se "Terror na escola".

Na RTP 1, "excepcionalmente", interrompeu-se a transmissão do jogo da selecção dos sub-21, por causa do final (terrível) da crise. A verdade é que há muito a situação tinha atingido o nível de tragédia, mas o Mouravitch só tinha satélite para a hora do Telejornal e os outros canais estavam a começar os seus noticiários das 20 horas. JRSantos aparece entusiasmado. Transmite até uma estranha sensação de contentamente, que nada tem a ver com alegria. Apenas entusiasmo, frenesim. Fala alto, levanta-se. Dirige-se para um écran onde está preparado um grafismo sobre a situação (como são rápidos). Mais uma vez, "apanhado" pelas circunstâncias. Lá longe, "aquilo".







É nesta altura que me faz falta a IF. "The bright side of the moon".

September's here again ...

(David Sylvian)











PC lembrou-me que esta música passava, por esta altura, na IF.

Está neste disco. Passei-o pela primeira vez, graças ao João Costa.

September, demora 1'18''.









The sun shines high above

The sounds of laughter

The birds swoop down upon

The crosses of old grey churches

We say that we're in love

While secretly wishing for rain

Sipping coke and playing games

September's here again

September's here again

IF-Verão 2004 ainda aqui.





IF - Verão 2004.

Para ouvir, aqui.



"Behind two hills ... a swimming pool" - MÚM







Há várias.

"Behind two hills ... another swimming pool".







Na IF, os sons e as suas combinações remetem para as imagens. Por isso, quando se encontram os sítios, eles lembram música.







ÍNTIMA FRACÇÃO - VERÃO 2004

utilizando :

Introdução : indicativo da IF - Mar de Outubro (Sétima Legião)



# Booker T. Jones & MG's : Summertime

# Múm : Behind two hills, a swimming pool

# Isan : First date (with Jumble Sale)

# Spektrum : Shall i jump

# Beach Boys : excerto de God only knows (só vozes); Caroline, no (instrumental)

# Jesus&Mary Chain : extracto de Surfin' USA

# Nouvelle Vague : Love will tear us apart

# Lawrence : Somebody told me

# D.Sylvian&R.Sakamoto : World citizen (excerto); World citizen (i won't be disappointed)

# KLF : Madrugada eterna

# John Zorn : The good, the bad and the ugly

# The Album Leaf : Moss mountain town

# Destroyer : Your blues

# Dimitri from Paris : Welcome abord ; Okinawa love

# People like us : San Frandisco

# Tba : intr.detec.sys

# Astrud Gilbert : Once upon a summertime

# All night radio : All night radio ( IF remix )



Ainda : " Úuuuuuuuu ...", retirado da versão remisturada por Bill Laswell de "Is this love" (Bob Marley) - Dreams of Freedom.



Sons dispersos ao longo do programa :

mar, mergulhos para uma piscina, nadar, água que corre, vidro a partir-se, trovoada, mar calmo e sons de praia, gaivotas, radio a ser sintonizado, deitar coca-cola num copo, tv zapping, mar-ondas, fogo de artifício.



Textos :

próprios e mais um retirado do blog "Saudades de Antero" de Frederico Mira George.



IF editada com CoolEditPro.



A Íntima Fracção - Verão 2004, ouve-se aqui.

Obrigado Paula Simões. Obrigado Pedro Pais. Obrigado ESEC-Radio on line.

Obrigado a todos os que ainda acreditam. Que ouvem. Que querem ouvir. Que enviam mails. Que deixam mensagens.

Há um traço azul no futuro incandescente.

Aqui está !

Íntima Fracção do Verão 2004.

Podem ouvir ou fazer o download (e ouvir quando quiserem).

Vamos acreditar que este Verão ainda tem alguma coisa para nos dar !



Estive mergulhado num cocktail de entusiasmo e desespero. Isto dá uma mistura estranha. Comecei por ouvir (e voltar a ouvir) as Pet Sounds Sessions. Os momentos de experiências, erros e correcções, que vamos ouvindo sempre com a voz de Brian Wilson em primeiro plano, fazem-me compreender o entusiasmo do arqueólogo perante a descoberta de qualquer peça que, finalmente, lhe dê a exlicação procurada. São gravações com 38 anos ! Muito longe das tecnologias digitais. Era mesmo preciso tocar e cantar.
Depois, voltei ao meu pequeníssimo estúdio para misturar (finalmente) a IF do Verão 2004. O que pretendia fazer não se consegue com limitações tecnológicas (algumas enormes). Começo a não saber se a IF (ou eu ?) se encaminha para a Rádio ou para a Banda Sonora. Ou para a composição, simplesmente.
Agora, vou pedir que a coloquem online e split man ! , citando ainda B.Wilson em The little girl i once knew.
Bruscamente, no Verão passado.

É o nome de um filme realizado em 1959 por Joseph L. Mankiewicz. Um clássico com Elizabeth Taylor, Katharine Hepburn e Montgomery Clift.















Através de qualquer destes fotogramas, entra-se no trailer do filme.

Bruscamente, no Verão passado - quarenta e cinco anos depois, este título assalta-me com a força de todas as imposições.

Basta ! Não quero mais chuva em Agosto ...



pouco para dizer ...

No dia em que tinha decidido fotografar o fascínio da cidade deserta, na manhã de um domingo de Agosto, encontrei um skyline cinzento chuva.







A ideia de solidão desapareceu. Parecia-me agora que estava toda a gente em casa. O cimento molhado tornou-se igual ao dos domingos de Inverno.







Ao princípio da noite, da noite que era (é) a da Íntima Fracção, um skyline menos carregado, mas ainda com nuvens.







Depois, recebi um mail sobre a IF (sim, ainda os recebo, de ouvintes que suponho serem dos inabdicáveis).

" Sei que não é um e-mail muito animador e

provavelmente já deve estar farto de lamentações, mas

eu necessitava queixar-me, e dizer que a minha vida é

um pouco mais pobre, sem a Intima Fracção.

As musicas, os sons, as palavras, os silencios, tudo

alternado num ritmo só encontrado na atmosfera da

Íntima Fracção, fazem muita falta, (e tenho certeza

que não é só a mim)."


Estas mensagens têm sobre mim um duplo efeito. Primeiro, deixam-me arrasado. Onde estará este ouvinte ? Onde ouviria ele a IF ? Em que condições ? Há quanto tempo ? Porquê ? Será que terei mesmo conseguido, no meio da noite, como dizia Chevalier, "o misterioso contacto do coração" ? Depois, retomo o folgo, acredito e olho para o fim do dia a tornar-se numa clara madrugada.

Há sempre um traço azul no futuro incandescente !







Entrando por esta última imagem, há uma pequena mensagem que vem do fundo do coração da Íntima Fracção. É prosaico, mas é isto que quero dizer a todos os que ainda enviam mensagens.



A magnífica capa do Libération que mostra Cartier-Bresson em New York, 1935.



Uma das mais belas, e inesperadas, fotos tiradas pelo fotógrafo em 1968.
Precisava de estar aqui muito tempo. O suficiente para apanhar o ritmo do mar. O necessário para partir quando me apetecesse e não quando fosse obrigado.

São magníficos os locais de que se parte quando se é obrigado.











Passagem pela noite. A primeira noite de Agosto. A cidade, de passagem. O som. Somebody told me. Lawrence.



Persistentemente. Coleccionando sons. Prontos a navegar sobre as ondas. A poisar nos corações.



Por uns dias vou à procura das ondas.

Talvez encontre a Íntima Fracção.



Esta noite, quando entrei no Smart, tive uma estranha sensação. Na rádio, Mar de Outubro da Sétima Legião, logo seguido da Virginia Astley. Pareceu-me olhar para mim próprio, de fora e sem ser ao espelho. Como se eu fosse um outro que, desesperadamente, olha para mim sentado num estúdio de rádio há vinte anos. O engano esgotante da memória. Não quero repetir nada. Quero apenas regressar, como aquele que se perdeu e, para retomar o caminho em frente, tem de voltar ao ponto de partida por que é aí que sabe guiar-se pelas estrelas.

O responsável por esta estranheza foi o Nuno Ávila (um caso de amour fou pela rádio) surfando nas ondas da RUC.



Agora, preparam-se as homenagens a Carlos Paredes. Tinha sido muito mais justo que, ao longo dos anos, se tivesse feito alguma coisa para que Paredes não fosse um génio a ter que dividir a vida entre um serviço público burocrático e a sua Arte.

Lembro Carlos Paredes a pedir-me mil desculpas por não autorizar a gravação de um espectáculo. Eu estava  apenas a cumprir ordens. A produção tinha falhado redondamente. E o Carlos Paredes a dar-me o número de telefone de casa, a convidar-me para lá aparecer, a garantir uma entrevista, uma coisa diferente, uma espécie de compensação que me esperaria lá por Benfica. O que o Carlos Paredes não queria era que eu pensasse que se tratava de uma birra de artista. O homem não sabia de nada, e quando entrou no palco para um pequeno teste de som, deparou-se com todo aquele equipamento.

Era (é !) um enorme Artista e um homem simples.

Está aberta a caça às homenagens ...

Os pequenos são homenageados em vida (e de que maneira !). Os grandes, quando o são, já não lhes serve para nada.





Como entendo bem os surfistas que esperam as ondas.

World Citizen

World Citizen

 
I want to travel by night
Across the steppes and over seas
I want to understand the cost
Of everything thats lost
I want to pronounce all their names correctly
 
World Citizen
World Citizen