Cada vez mais, a Rádio na Web.
Desampara-me a Loja é um programa que passa exclusivamente na ESECRádio. A partir de Janeiro às quartas-feiras, das 15h às 16h. Excepcionalmente, esta sexta-feira, dia 17, às 17h.
Ora leiam (e depois ouçam ...).
O Desampara-me a Loja! regressa com as palavras de "Desafinado","Corcovado", "Garota de Ipanema", "Eu não existo sem você" e excertos dolivro "António Carlos Jobim - Um homem iluminado" de Helena Jobim.A música espalhar-se-á entre António Carlos Jobim,Stan Getz e CharlieByrd, Ana Caram, Quincy Jones, Elis Regina, Astrud Gilberto, FrankSinatra, Diana Krall, Miles Davis, John Pizzarelli e Rosemary Clooney.
"A DIFERENÇA ENTRE A BOSSA NOVA E AS OUTRAS MÚSICAS
É QUE NA BOSSA NOVA O BATERISTA ENTRA NO PALCO TODO SUADO
DEPOIS DE MIL PERIPÉCIAS NO TRÂNSITO E BRIGAS COM A MULHER.
À MEDIDA QUE VAI TOCANDO, SEU SEMBLANTE SE AQUIETA E ELE SAI DO PALCO ENXUTO.
NO ROCK É AO CONTRÁRIO.
O BATERISTA ENTRA NO PALCO ENXUTO
E SAI TRANSTORNADO E MOLHADO EM SUOR"
Paulo Braga brincando com Tom Jobim.
Espero que a Manuela Brito e a Paula Simões não desamparem a loja.
Loja aberta e recheada !
No meio do correio electrónico, encontro uma mensagem que me coloca perante o que faço. A
IF. Por quê ? Como ?
A propósito de
India Song, cantada por
Jeanne Moreau, que saía com frequência do coração da IF. Canção, única, vinda do filme com o mesmo título realizado pela
Duras.
" ... perguntar-se-á porque lhe conto tudo isto. Bem, é simples. Passei todo o filme a pensar na IF, por várias razões. Ainda um dia antes, numa das minhas cassetes que gravei de antigas edições da IF, ouvia essa musica (que agora sei, ser a India Song, cantada por Jeanne Moreau) e perguntava-me de onde surgiria aquela melancólica e misteriosa música. No final do filme só necessitei chegar ao carro, e fazer Rewind, para poder ouvir a peça mais importante do filme.
Assim pareceu-me óbvio que, todo o jogo de vozes dos narradores que nos guiam pelo filme é uma ideia muito similar à da IF. As vozes sugestionam um contexto, a musica guia-nos pelas atmosferas e as imagens (ao contrário do que estamos habituados) não são necessariamente óbvias e rígidas, mas sim o resultado de uma experiência muito mais intuitiva do que racional. Daqui resulta uma percepção quase mágica da realidade. É este o segredo da IF.
É este o paralelismo que encontro.
Porque é um assim que "vejo" a Íntima fracção. Ao início da madrugada, uma visita intimista num claro convite à magia."
A isto, respondi :
" De facto, passei com frequência Índia Song, pela Jeanne Moreau.
A sua interpretação da IF, partindo desse belo filme da Duras, ajuda-me a entender melhor o que faço. Há anos que oiço algumas pessoas falarem da "magia" da IF. Para mim, que a produzo, não é fácil reconhecê-la. As leituras dos outros ajudam-me a compreender a minha "escrita radiofónica" e aquilo que será o discurso contido na IF. Estou de acordo quanto à experiência mais intuitiva do que racional, mas a elaboração da IF, ao contrário do que será a re-elaboração feita por cada ouvinte, procura a organização do intuído.
Durante anos, nada disto foi óbvio. De algum tempo para cá, tenho a ideia precisa do universo da IF. Só não consigo, não quero, encontrar a resolução para o seu desenho. É esta procura que a constrói. Impossível de repetir, ela prossegue como o avanço dos dias - entre a memória e a ânsia pelo futuro."

Pouco para dizer. Muito para escutar. Tudo para sentir.
Em breve, notícias do éter ...

PUGET SOUND - um conceito que une três projectos musicais : "The boy with the broken leg", "Daily Misconceptions" e "Electric Marbles". Editado em parceria pela Bor Land e Essay Collective, o disco pode ser descarregado (MP3) aqui.
Se querem um bom exemplo, escutem também aqui "Into marbles". Há alguma atmosfera IFneana.

Últimos dias de Verão. Gaivotas em terra. IF ao mar. Imaginário. " Quereria que o condicional não nos condicionasse, mas que nos tornasse mais sóbrios, que não nos submergisse num passado impossível nem nos exilasse para um futuro improvável." Ánguelov