Vem o Nick Cave ao Festival de Paredes de Coura e eu não vou, porque me dou mal com outros que também vão - "índios" e cervejolas.
Como é que o Cave poderá cantar Into my arms, Far from me ou a dilecta da IF - Slowly goes the night - naquele ambiente ? Provavelmente não cantará nenhuma destas. Faz bem.

Lover, lover, goodbye
So slowly goes the night ...


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I don't believe in an interventionist God
But I know, darling, that you do
But if I did I would kneel down and ask Him
Not to intervene when it came to you
Not to touch a hair on your head
To leave you as you are
And if He felt He had to direct you
Then direct you into my arms

Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms ...
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For you dear, I was born
For you I was raised up
For you I've lived and for you I will die
For you I am dying now
You were my mad little lover
In a world where everybody fucks everybody else over
You who are so far from me
Far from me
So far from me
Way across some cold neurotic sea
Far from me ...



Atrás da imagem está um magnífico vídeo.
Para quê efeitos especiais se o coração está na nossa cara ?

Já agora, um extracto da carta que Nick Cave enviou à MTV a propósito da sua recusa em ser nomeado para prémios daquela estação.
" MY RELATIONSHIP WITH MY MUSE IS A DELICATE ONE AT THE BEST OF TIMES AND I FEEL THAT IT IS MY DUTY TO PROTECT HER FROM INFLUENCES THAT MAY OFFEND HER FRAGILE NATURE.
SHE COMES TO ME WITH THE GIFT OF SONG AND IN RETURN I TREAT HER WITH THE RESPECT I FEEL SHE DESERVES - IN THIS CASE THIS MEANS NOT SUBJECTING HER TO THE INDIGNITIES OF JUDGEMENT AND COMPETITION. MY MUSE IS NOT A HORSE AND I AM IN NO HORSE RACE AND IF INDEED SHE WAS, STILL I WOULD NOT HARNESS HER TO THIS TUMBREL - THIS BLOODY CART OF SEVERED HEADS AND GLITTERING PRIZES. MY MUSE MAY SPOOK! MAY BOLT! MAY ABANDON ME COMPLETELY!SO ONCE AGAIN, TO THE PEOPLE AT MTV, I APPRECIATE THE ZEAL AND ENERGY THAT WAS PUT BEHIND MY LAST RECORD, I TRULY DO AND SAY THANK YOU AND AGAIN I SAY THANK YOU BUT NO...NO THANK YOU."



Ainda em Paredes de Coura vai estar o Vincent Gallo. Saberá ao que vem ?
Les vacances de mr. Hulot



Ainda os anos 50. Todos os verões, com Tati ...
A capa contém música original do filme. Em cima, o título esconde uma remistura recente de Mr. Untel. Experimentem.
O passado não é aquilo que passa, é aquilo que fica do que passou.
(Alceu de Amoroso Lima)


Figueira da Foz, anos 50

Música atrás da foto.
Em memória da Henriqueta, a primeira mulher que vi dançar rock'n'roll.
Há um ano que pararam os telefonemas, mas não as memórias.

Este silêncio de Verão.

Os silêncios são das maiores forças do crescimento psíquico. Representam tempos de pacificação, de resolução de conflitos, de reencontro, mas também são espaços de abertura, portas abertas à comunicação e ao preenchimento do que existe à nossa volta. Surpreendem. Marcam. Fazem adormecer, tanto quanto fazem sonhar.

Pedro Strecht, in Público, 12.8.05

Não sei se é verdade, mas soa-me bem.



Quando, vagamente, a temperatura baixa, saio de casa.
Como é bom o Verão na cidade ...
Em cheio. No meio de Agosto, a paisagem habitual é-me ainda mais indiferente. Tenho três dias para encontrar a cidade deserta. Não abandonada. Livre, finalmente !
Há ou não música Pop portuguesa sem ser pimba ? Não me refiro ao rock-fininho-português. Falo mesmo de Pop. Os Humanos fizeram-me sentir que há. e eu não fui ao Sudoeste ... ! Claro que muito devem a António Variações, mas Camané (Maria Albertina vai ficar como um clássico da pop portuguesa), Manuela Azevedo (Muda de vida, outro ... ) e David Fonseca, com os músicos e a produção do disco, construiram uma obra única e por isso irrepetível. Infelizmente eles deram por isso e ficaram-se por 4 concertos. Para mim, os 80 mil discos vendidos até agora não chegam. Uma digressão nacional era o mínimo, para ajudar a explicar que a ideia da Pop portuguesa ser cantada por Anjos, Carreiras e Romanas, é uma clara opção ideológica baseada na eternização do mau gosto anestesiante.
Ainda por cima, a Maria Albertina existe e a sua filha Vanessa também ! Ainda bem que foi nessa D. Albertina ...

7664 Km
Numa noite de Verão.



CAIXA NEGRA
é o título do livro de Frederico Mira George - edição Amores Perfeitos /Quasi / Magnólia.
Quem conhece o blog Saudades de Antero, saberá do que se trata.
CAIXA NEGRA está organizado em cinco capítulos a que Frederico chamou livros.
CAIXA NEGRA é uma colecção de textos que seguem as citações-farol do blog:
"the essential is no longer visible" - heiner muller / "um dia, sonhei que acordava" - m.cesariny
CAIXA NEGRA poderia ser uma colectânea para utilizar na IF. Frederico, suponho, vive a nostalgia da rádio.
O texto #23, página 37, é-me dedicado.

para o francisco amaral

que faço com as horas de dor ?
eu, rádio
tremor de um éter perdido, de orgãos devorados
que faço quando o amor é cada vez mais fraco
e as noites mais curtas e sem olhos
não há silêncios e morrem as paixões azuis
demasiados os invasores
são
demasiadas
as
ruidosas trovoadas-sem-fios
nem sequer relâmpagos
já só trovões missionários no negro da lua

onde estás floresta ?
onde
azul
- minha telefonia

Aproprio-me do poema. Alguém (ele, Frederico) escreveu-o para (por ...) mim.
A bela capa é do próprio Frederico Mira George, sobre fotografia de A. Carlos Mira, Lisboa 1932. Um livro para descobrir lentamente. Haverá sempre um texto escrito para (por ...) cada um de nós (leitores).


Um silêncio azul transparente. Vejo o passado.
Os sons, muito mais próximos do que as imagens.
Agosto é sempre um mês longínquo.
Embora aqui, não estou em nenhum lado.
As evidências desmotivam-me.
O que hei-de dizer ... fazer ?


A chuva.
Não me ocorre nada de melhor : It's raining again ... Uma cançãozinha dos Supertramp (la la ... la la la ... again ... ain ... ain ...) que eu passava na Antena 1, lá para 1982 / 83, num programa entre as 11 e as 13 (Rodapé, do Sansão Coelho).
Olhem a capa do single ...
Contém um clip áudio.



Há um outro It's raining again, de Tom Petty. Tomem lá clip ... aqui.
E Moby, no seu recente Hotel, também se lembrou de que chovia outra vez (Raining again).
Tudo coisas da outra vida da IF !
Outra vez. Um pássaro gigante levou-me o coração para o Taj Mahal.
Esta é a solitária história do regresso do aeroporto.



O que ficou para trás ?





Ups ! "Summer sun", dos Koop, distraiu-me.


















HELLO !
HELLO ... at my door ... step

(Susanna and The Magical Orchestra)
Som para este Verão : Radio Right Now, tema 9 do disco Dark Days Exit, de Felix Laband. Pode ouvir-se um clip no site deste sul-africano. Inesperado.

Por que não regressa a IF ?
Vai-me sobrar Summer in the city ...

Se o tempo tivesse parado há uns trinta e tal anos, nesta altura, provavelmente, estaria a viajar confortavelmente no banco de trás de um destes automóveis. Citroen ID/DS. Um carro que andava, se fosse preciso, em três rodas.



AGOSTO.
A verdade é que não estou cá. Nem aqui, nem em lado algum. Estúdio vazio porque a IF se faz no laptop. Faltam-me ondas para deslizar sobre o Agosto. A IF, atravessada, não na garganta, mas no coração.
All falling, falling at your feet, all falling, falling at your feet
All the information
All the big ideas
All the radio waves
On electronic seas
How to navigate
How to simply be
To know when to wait
Explain simplicity

In whom shall I trust
And how might I be still
Teach me to surrender
Not my will, thy will



(Daniel Lanois)

Há um novo disco, só instrumental, de Daniel Lanois : Belladona.




Lembro-me de Lanois ligado a alguns dos discos mais marcantes para o percurso da IF.

Lembrei-me das palavras de "Falling at your feet" - da banda sonora do filme "The Million dollar hotel" e do disco "Shine", com que abri este post. Tudo a propósito das últimas edições do Comércio do Porto e de A Capital. Há muitos anos, comprar a Capital ao fim da tarde era, para mim, um apoio, um combate à solidão na capital. Era tentar saber do mundo. Agora, aqui ao lado, uma apresentadora de televisão com aspecto de miúda do secundário, esganiçada, com excessos histriónicos que nos fazem pedir para que pare, papagueia qualquer coisa que lhe colocaram no teleponto sobre cinema americano pimba. A Capital e o Comércio do Porto atirados ao chão. A contagem até ao KO fez-se rapidamente. O Sindicato dos Jornalistas faz um apelo patético aos proprietários (Grupo Prensa), como se estes grupos tivessem ouvidos que escutassem mais qualquer coisa do que o tilintar do dinheiro. O Sindicato sabe disso, mas faz o papel de resistente.
(ALL FALL DOWN)
All falling...all falling at your feet
Ooh..aah falling at your feet
(All fall down)
All the information
All the big ideas

Neste sábado, Marianne Faithfull, na Cidadela de Cascais. Cool Jazz Fest.
Aquela menina bonita protegida pelos Stones nos anos 60, depois de um longo período no nevoeiro, voltou com uma voz profunda e um "Broken English" no final dos 70's. Durante os últimos 25 anos, Marianne Faithfull tem arrastado uma dor, uma revolta (às vezes uma melancólica fúria), que fez com que a IF a chamasse em variados momentos.
No último disco - Before the poison, Marianne trabalhou com Nick Cave e PJHarvey.
Blazing Away, um disco gravado ao vivo numa igreja de Brooklyn, é um dos meus registos favoritos.

Boozoo Bajou.



Dust My Broom, quatro anos depois, é o segundo disco.
Música para este Verão, a última do disco : Barkensignal.
Oiçam.
Tanto se imagina o espraiar das ondas, como o vento por entre as árvores.
A todos os que levam IF's para férias, espero que sejam uma boa companhia. Depois digam onde as ouviram. Se se levam livros para férias, vendo bem, com os recentes reprodutores de som, porque não se há-de levar a IF ?
Miami Beach.
She's a rainbow.



She comes in colors everywhere;
She combs her hair
She's like a rainbow

She's a rainbow
(Jagger/Richards)
THEIR SATANIC MAJESTIES REQUEST
Rolling Stones - 1967
Uma bela ideia !
O Som da Frente foi ( é ?! ) um dos programas da rádio portuguesa mais marcantes nos últimos 25 anos (um quarto de século). Sai agora um CD duplo com a recapitulação do Som entre 1982 e 1993.
O Som da Frente, realizado por António Sérgio, sempre se dedicou à divulgação de música popular contemporânea. Algumas destas recuperações de agora, também passaram pela IF. Dois programas obviamente distintos, têm algo em comum : corredores de fundo nocturnos.
E como era bom as rádios nacionais colocarem de novo o som ... à frente.
Vale visitar o site do Som da Frente.

A Blue Note passou também a vender roupa.



Madredeus editados pela Blue Note a 2 de Agosto.
Esta noite não houve Íntima Fracção. Culpa minha.
Não consegui que ela saísse desta varanda !



A IF volta para a semana (embora não queira sair da varanda ...).

IF 17/18 Julho

# Red House Painters : Summer dress
# Sam Prekop : Between outside
# Brian Eno : Everything merges with the night
# Beach Boys : And your dream comes true
# Scott Walker : Boy child
# Goldfrapp : Felt mountain
# One A.M. Radio : I didn't speak the language
# One A.M. Radio : Lucky
# Kings of Convenience : Gold in the air of summer
# João Gilberto : Estate
# Jon Hassell : Estate
# Shivaree : Someday
# Lovin' Spoonful : Summer in the city (reduzida)
# Lee Hazlewood + Nancy Sinatra : You've lost your lovin' feeling
# Julie London : Theme from "A summer place"
# Françoise Hardy : La fin de l'eté
# Craig armstrong : Gentle piece
[Em linha] só estão disponíveis para assinantes, mas os textos sobre a música na Rádio portuguesa, publicados este domingo no Público, terão que ser aqui discutidos. Aguardem !
SUMMER HOLIDAY

O tempo cura (quase) tudo.
Uma velha canção de Cliff Richard, com os Shadows, que me chegou a parecer meia pateta ( ... talvez seja mesmo), agora soa-me a fresco ! Esta música é o tema principal de um filmesito dos inícios da década de 60 do século passado, com Cliff e os Shadows de férias, em viagem pela Europa. A única coisa que retenho do filme é uma cena em que eles cortam bolachas Maria com um tesoura ... E agora a música, ao longe, até me parece fresca.
Olhem aqui a bela capa do disco (vinil).



Uma surpresa para quem clicar na capa em cima !
A IF vira-se agora um pouco para 2005. Tomem lá para ouvir neste Verão a meio caminho.



Who's Got Trouble?
Shivaree.
As fotos levam até duas boas canções para este Verão. Há ainda uma outra de autoria de Brian Eno. Shivaree, para quem não conhece, não é o que se espera. Tarantino aproveitou-lhe um tema para Kill Bill 2.

Tenho dificuldade em me entender com a música no Verão. Dá-me para o easy-listening e, sempre, para aquele CD suplementar dos Beach Boys onde se ouvem as sessões de gravação de Pet Sounds, em 1966.
A próxima IF vai ter muito Summer, mas não só deste.
Afinal, há tanto tempo e julgamos descobrir sempre outros.
Scott Walker está agora na 4AD e espera-se um novo disco. Nunca se sabe quando.
Passará pela próxima edição da IF.

A 22 de Agosto vai ser posto à venda o novo disco de Goldfrapp - SUPERNATURE.
Já pude ouvir uns extractos que o site oficial oferece e o que me parece é que eles (ou será Alison ?) querem é vender (muito). Qualquer rádio, qualquer discoteca, receberá bem o novo disco. Só não digo que está perdida para sempre a paleta dos sons inimitáveis, porque há pelo menos um tema no disco - Time out from the world - que mostra que, se quiserem, farão muito mais do que em Felt Mountain. Mas é uma traição. Sempre à espera de que os "aviões cor-de-rosa" voltassem a voar ao amanhacer, Alison insiste em deixar-nos em terra, na noite banal, da gente banal, num bar de patéticas ilusões.


A capa não deixa dúvidas : banal.

Como era Human a Goldfrapp de há cinco anos ! E ao mesmo tempo tão éterea.

LOVELY HEAD.

IF 10/11 de Julho

# Billie Holiday : Summertime
# Takagi Masakatsun : And then
# Colleen : Summer water
# Beach Boys : Surf's up (instrumental)
# Beach Boys : Wind chimes (instrumental baking track)
# April March : Chrominance decoder
# The Nits : The dream
# Nino Rota : Patricia (extracto bso La Dolce Vita)
# Nino Rota : Why wait (final bso La Dolce Vita)
# Rosa Passos : Aos pés da cruz
# Maria Taylor : Xanax
# Alpha com Helen White : Morning jam
# Lars Horntveth : Pooka
# Maysa Matarazzo : Fácil dizer adeus (com fogo de artifício de fundo)

A próxima edição da IF (10/11 de Julho) à meia-noite na RUC e depois aqui, vai ser um daqueles desenhos que saem inesperados. A Billie Holiday, Colleen, April March, Rosa Passos, Maria Taylor, juntam-se, entre outros, Nino Rota (com músicas do filme La Dolce Vita), uns holandeses esquecidos - The Nits - e um tema não publicado dos Alpha com a voz de Helen White. Como é que tudo isto se encaixa ? Só ouvindo ... e sentindo. Talvez vendo.
A IF de 27 de Junho já está disponível para ser só sua. Aqui.
Amanhã fica a de 4 de Julho.
É ou não podcast ?
IF 3/4 Julho

# Brian Eno : On some faraway beach
# Brian Eno : Don't look back
# Brian Eno : The dove
# Brian Eno : Melancholy waltz
# The Books : None but shining hours
# Galaxie 500 : Another day
# Yann Tiersen com Jane Birkin : Plus d'hiver
# Brian Eno : Dunwich beach, autumn 1960
# Brian Eno : Roman twilight
# People like us : Dead radio (extracto)
# Lou Reed, Laurie Anderson e Brian Eno : As we sleep
# Brian Eno : Another day
# Tom Jobim : Vivo sonhando
# The Dining Rooms : Destination moon
# Tortoise : By dawn (extracto)
# Eels : Grace Kelly blues
# Efterklang : Swarming
# Brian Eno com Peter Shawalm : Night Traffic
# Maysa Matarazzo : Ouça
Desapareceu o post com o alinhamento da IF de 3/4 de Julho ...
Daqui a pouco volta, tal como a edição de 27 de Junho que ficará disponível na web juntamente com aquela de 4 de Julho.

Construir a IF, longe e no alto.
No final de Agosto será inaugurado o Turning Torso, de Calatrava, em Malmo, na Suécia. Uma escultura com 180 metros de altura, habitável.



São as vistas, o que tem atraído a maior parte dos que vão habitar o edifício. Para lá vão mudar cidadãos dos mais variados lugares do mundo. O mais velho com 90 anos. O mais novo com 19.





Tudo explicado (menos o meu súbito fascínio) aqui.
Os dois comentários colocados no post anterior, levaram-me de novo para o lugar onde se tenta entender o que fazemos, porque fazemos. Mas uma vez mais, não é ainda o momento para tentar explicar (me) a Íntima Fracção. Por enquanto, sou apenas mais um ouvinte.