Depois de muitos anos, Kate Bush. Novo disco.
Como surpreendentemente começou logo a vender muito bem (no UK), já há quem desconfie. Eu não. Aerial tem momentos de grande contacto com o ambiente IF.
Visitar também o site de Kate, muito elegante.
E ouvir um pouco através da capa do disco ...
Às 7 da manhã de 13 de Novembro de 1989, faz hoje rigorosamente 16 anos, dei entrada ao noticiário da então chamada "cadeia nacional de rádios" da TSF e, minutos depois, abri o microfone para anunciar que "finalmente" estava no ar a RJC (Rádio Jornal do Centro). Às 7 e meia, o primeiro noticiário local com o João Fonseca (DN) e a (apreensiva) Fernanda Alves. Depois, foi um percurso que levou a RJC a ser a segunda rádio mais ouvida (contando com as nacionais) a escassos 1,8 pontos da (na época) inultrapassável RR. Não chegou.
Obrigado, Coimbra !
IF 12/13 Novembro 2005

# Murcof : Rios
# Andrew Pekler : First snow, last winter
# Eluvium : We say goodbye to ourselves
# Air : Alone in Kyoto
# Elvis Presley : Love me (extracto)
# "... Elvis has left the building ..." (som original)
# Eels : Suicide life
# Eels : Blinking lights (for you)
# Marine : A man and a woman
# Paul McCartney : For no one (outra versão)
# Brian Eno : And then so clear
# Animal Collective : The softest voice
# Murcof : Rostro (com adicção de BBC News)
# Robert Wyatt : Raining in my heart

para guardar (ou ouvir) em mp3, procure aqui.


A propósito da minha paixão por Lost in translation, de Sofia Coppola, o Hugo (agora mais perto do sol nascente) trata-me por tu e oferece-me esta imagem no IF-NO-AR. Muchi muchi ...
Sábado à noite.
Meia-noite. Quatro ou cinco conhecidos encontram-se para conversar. Eles não me vêem e muito menos me escutam, mas eu sento-me à mesa com eles. O chá de jasmim liberta o perfume no meio da noite.
À 1 h, na RUC, a Íntima Fracção. Logo a seguir, no mesmo sítio, o Vidro Azul.



It's Saturday night, it feels like a Sunday in some ways.
If you had any sense you'd maybe go away for a few days.
Be that as it may, you can only say you are lonely,
You are but a young girl, working your way through the phonies.

(Donovan)
Chegaram mais queixas sobre o acesso aos comentários aqui do blog da IF. Ainda não descobri o que se passa.
Na noite deste sábado regressa a Íntima Fracção (via hertziana) à RUC. Depois, podcast através do site da ESEC Rádio on-line (todas as emissões - era RUC - disponíveis).
Post anti-holograma

O Luís avisou-me que o sistema de comentários não está a funcionar. Não dei por nada, mas se alguém detectar problemas, por favor envie-me um mail.
Pouco para dizer ...
De novo o difícil silêncio. Talvez um pouco de vento.
Criamos na esperança (vã) de encontrar o amor incondicional que nos foge desde a primeira hora.


Vermeer

O Maio de 68 dos subúrbios.
Veja o vídeo com a cobertura da CNN. Clicar na foto (e aguentar o spot publicitário inicial - ao American Express, que deve ser um dos cartões mais utilizados nas banlieues parisienses ... !).


PROXIMIZADE
Querido diário :
depois da chuva, o frio. O circulo habitual.
Faltam as walkies.

Em tempos, durante a próxima semana, estaria em Espinho.
Nos últimos quatro anos desapareci do Cinanima.
Agora que voltei ao meu entusiasmo por Wallace&Gromit, tenho saudades ... sabem ?

Este fim-de-semana volta a não haver IF.
Transmissões dos after-hours do Jazz ao Centro vão ocupar as próximas noites da RUC.



Ainda a propósito de Rádio.
Para ler : As vozes da Rádio - 1924/39, de Rogério Santos (Ed. Caminho).
Ainda A RÁDIO EM PORTUGAL e o declínio do regime de Salazar e Caetano - 1958/74, de Dina Cristo (Ed. MinervaCoimbra).

Visitar sem falta, o blog Indústrias Culturais, do próprio Rogério Santos. Um devorador apetite pelo mundo da Comunicação. Vivo e estimulante.








Talvez esteja magoado com a Rádio, mas vejo-a caminhando rumo a um futuro diferente. A Rádio, o meio da intimidade, o único com gente dentro e próxima, será substituído por uma nova Rádio ainda mais próxima, única, pessoal ... EMEREC. Só que esta nova Rádio, e refiro-me obviamente ao Podcasting, nunca poderá ter uma das mais fascinantes características da Rádio tradicional : a partilha simultânea da escuta. Por isto, revolto-me contra quem esvazia a Rádio em Portugal, conduzindo-a para uma inócuidade mecânica de mera gestão electrónica, aparentemente vaga, mas com vincados traços ideológicos. Estes traços são riscados com intuitos claros : massificar, controlar, dominar. A preversidade encontra-se, sobretudo, nas contradições de quem assim haje. Quem sempre combateu o colectivo, defendeu a individualidade e incentivou a competição, eis que, também na Rádio, a indiferencia, a colectiviza, a reduz à escravidão por um pequeno grupo que decide em nome das audiências, previamente moldadas para a inevitabilidade das mesmas escolhas. A mesma música (nunca nova), a banalização das opiniões (raramente novas) e a ilusão da intervenção. Que assim procedam as rádios privadas ligadas aos grandes grupos de interesses económicos, é óbvio. Só me espantaria se assim não fosse, hoje e no Portugal dos actuais empresários. Mas que o Serviço Público não consiga, ou não queira, romper esta teia, já me espanta. A Antena 1 mantém-se o canal de todos e de ninguém. Sem correr riscos, é o melting pot do Portugal estável, aquele que afinal não chega para sair do canto. A Antena 2, tentou, timidamente, abrir outras portas (jazz). Muito poucas. Com cobertura nacional, produz para uma pequena minoria (contrária à imensa minoria da traída XMF). É um óbvio refúgio (a que também recorro), mas todo o ambiente e estética respira o peso de meio século. A Antena 3, continua a cumprir os seus desígnios iniciais : no suposto discurso juvenil, manter a alma da Energia domesticada.
Foram agora nomeados subdirectores para todas estes canais da RDP. Ou não vão querer mudar nada, ou terão pela frente a montanha há muito sedimentada pela instituição. Continuo a pensar que só mais um canal público poderia contornar a montanha e, mesmo assim, teria que crescer completamente à margem dos diferentes mecanismos em funcionamento na empresa pública.
É uma opinião. Eu sei. Sei também que as opiniões (sobretudo as não solicitadas) estão por aqui a um preço muito elevado.

I am down on my knees
At those wireless knobs
Telefunken, Telefunken
And I'm searching for Luxembourg,
Luxembourg,Athlone, Budapest, AFN,Hilversum, Helvetia
In the days before rock 'n' roll

(Van Morisson)
Fui hoje à tarde aos Cinemas Millenium-Avenida (Coimbra) ver o novo filme da dupla Wallace&Gromit. A dupla continua imparável, embora na versão portuguesa, Wallace perca alguma da sua personalidade - a dobragem tem os seus custos.
Mas com este post quero, especialmente, pedir a todos os que vivem em Coimbra ou que por lá passam, que apoiem o Avenida. É preciso comparecer para que o projecto de cinema alternativo, cinema europeu ou cinema americano de qualidade possa sobreviver. Depois não se queixem, nem digam mal do cinema em Coimbra.
Resumindo : este é um post anti-cinema-pipoca !
Todos ao Avenida !


Outono.
Já que o é, que chova, que continue o vento. Tudo menos este silêncio, agora, cada vêz mais pesado.








Michael Porter
Fallen tree in Autumn rain
Não cumpri o prometido, o que em Portugal só me fica bem !
Ainda não publiquei a lista de músicas que servirão de base para a IF - Colect.
O caudal de informação, ou por mail, ou através da minha memória, não pára. Assim, não vou lá.
Decidi não me lembrar de mais nada (fingir ...).
Publicarei a lista, ainda assim longa, da qual sairá a selecção final. Tentarei colocar extractos sonoros para a maior parte dos temas.

O projecto das T-shirts, bem como outro marchandise da Íntima Fracção, encontra-se em finalização. Em princípio, não haverá produção em série. Com excepção do CD, serão peças/objectos únicos. Julgo que este processo está mais de acordo com a IF.
IF 29/30 Outubro 2005

# Animal Collective : Loch Raven
# Rollerskate Skinny : All morning breaks
# The Czars : Autumn
# A Guy Called Gerald : Millenium Sanhedrin (com Ursula Rucker)
# April March : Charlatan
# David Toop and Max Eastley : Burial Rites
# King Crimson : Cadence and Cascade
# Susanna and the Magical Orchestra : Time
# Sengei Ono : I think of you
# Jane Siberry : It can't rain all the time
# Teenage Funclub : Tell me what you see
# Organ Language : Calm before calm
# Sigur Rós : Hoppipola

Para ouvir e fazer download AQUI.


Strawberry Field

Só sobra o portão. O orfanato, com o nome que Lennon utilizou para Strawberry fields forever, há quase um ano (Janeiro de 2005) já só tinha à sua guarda três crianças. A integração em famílias de acolhimento, em Inglaterra, passou a ser a alternativa a estas instituições. (Que tal o desmantelamento da Casa Pia ?) Strawberry Field, fica em Woolton, perto do local onde Lennon cresceu. Quando era muito novo, John costumava tocar e cantar com dois amigos nos bosques que rodeiam o orfanato. Havia também lá uma festa anual, onde habitualmente ia com a tia Mimi. A canção foi composta no final de 1966, em Almeria (Espanha), onde John estava a filmar. Gravada entre 21 e 24 de Novembro, é suposto ser a mais complexa gravação dos Beatles. Antecipando as misturas actuais, o que se ouve na versão final (à venda em Fevereiro 1967) é precisamente isso, uma mistura entre a gravação dos quatro Beatles, com uma outra feita por George Martin com uma orquestra e o baterista Ringo Star. Há ainda uma banda magnética que foi manipulada para criar atmosferas novas.

Os Beatles cantaram e tocaram quase tudo de uma forma inovadora, mas no fundo verdadeiramente simples.

In my life (Rubber soul - 1965)

There are places I remember ...

All these places had their moments,
With lovers and friends I still can recall,
Some are dead and some are living,
In my life I?ve loved them all.

But of all these friends and lovers,
There is no one compared with you,
And these mem?ries lose their meaning
When I think of love as something new.

Though I know I?ll never lose affection
For people and things that went before,
I know I?ll often stop and think about them
In my life I love you more.

Though I know I?ll never lose affection
For people and things that went before,
I know I?ll often stop and think about them
In my life I love you more.
In my life I love you more.

In my life, é uma das minhas canções favoritas dos Beatles. Uma cançãozinha simples que traduz há muito a minha própria experiência de nostalgia, vivida na passagem por um internato num colégio quando adolescente.



Esta é uma fotografia de Strawberry Field. Provavelmente tirada há 40 ou 50 anos. A expressão vazia (ou resignada ?) do rapaz, conta-nos toda a sua história.
"Life is easy with eyes closed ...", cantava Lennon.

Mudança de hora na madrugada de domingo. Relógios devem ser atrasados 60 minutos às 02h00 em Portugal continental e na Madeira e à 01h00 nos Açores.

Por uma noite, a ilusão do tempo a andar para trás !

"I think that even the most rootless traveler sometimes has to put his foot down somewhere familiar," says Joe Jackson. "You can't only go forward. Sometimes it's healthy to look back."
Wizard of is
(Tom Rapp)



Um belo disco de 1969.
These things too, pelos Pearls before swine.
É muito provável que tenham sido "pérolas a porcos", mas desde o início da IF que o utilizo. Vale ainda a pena dizer que há discos que não envelhecem ?

Everything you see all around you
Will roll away on wheels of tomorrow ...

Mas ainda cá está !

Desta vez por antecipação, já está disponível para download a Íntima Fracção que passará na próxima noite de sábado para domingo (30 Outubro), à 1 da manhã.
Convite para ver, hoje !
O que é possível transmitir através da internet.
Experimentar AQUI ... é fácil.
Audiências rádio - Bareme.
Tanto que é feito em nome delas e, afinal, sempre continua a ser verdade que há mais marés do que marinheiros.


Remembranza é o mais recente disco de Murcof (Fernando Corona - electrónica mexicana).
Depois de Martes, há 3 anos, do qual já escolhi Mes para fazer parte da lista a caminho da colectânea IF, este continua a ser um disco em que as máquinas criam uma atmosfera densa, umas vêzes nostálgica, outras angustiada, mas que retrata uma boa parte da Humanidade que hoje não se sente bem no mundo e já não sabe como dizê-lo sem banalidades. Estes discos de Murcof não têm palavras, mas falam muito.

Depois da partida do Lak, entrei gradualmente naquela (perigosa) fase de acreditar mais nos animais do que nos homens (quanto mais conheço os homens mais gosto dos cães).
De facto, se no meio da tempestade eles se mantêm fiéis, os homens vacilam ao primeiro vento.
Leonardo (Da Vinci), de cuja sabedoria ainda hoje se não duvida, há séculos que sustentou:"Haverá um dia em que o homem conhecerá o íntimo dos animais. Nesse dia, um crime contra um animal será considerado um crime contra a própria humanidade".


Ontem à noite, foi o que vi.
Da minha janela, a rua vazia, o persistente silêncio que me confunde o pingar de uma torneira com o saltar seco dos ponteiros do relógio.
Muito mais do que a chuva lá fora.
Raining in my heart ...

Raining in my heart, é uma canção de Buddy Holly. Buddy tornou-se um mito da música popular, depois de ter morrido apenas com 22 anos num acidente de aviação no Iwoa - EUA, em 1959. No meio de uma tempestade de neve, um pequeno avião levou três músicos que se encontravam a meio de uma tourné. Holly, grande influenciador dos primeiros grupos da pop/rock britânica, Richie Valens, o xicano que tinha conseguido conquistar os brancos (e Donna, a verdadeira namorada imortalizada na canção com o mesmo nome) e ainda Big Bopper, um verdadeiro símbolo da leveza e criatividade do final da década de 50 - Chantilly lace.
Criou-se a ideia de que esse tinha sido the day music die. Não terá sido tanto assim, mas uma parte daquela música ficou para sempre num lago gelado do Iwoa.
Robert Wyatt recuperou Raining in my heart, no CD Cuckooland (2003), numa versão tocada apenas ao piano e sem voz. Robert tem razão, a melodia não precisa de mais nada.



... but it's raining, raining im my heart ...

( post carregado de links que valem ser visitados, para além de todas as músicas referenciadas)

A IF, afinal, só regressa no próximo sábado.
Hoje, a noite da RUC é cheia com os concertos da festa da Latada.
Pim ...
A Íntima Fracção regressa à RUC, na nova grelha de 2005, nas noites de sábado para domingo à uma da manhã (já este sábado à noite). Logo a seguir vem o replay do Vidro Azul. Sugiro vivamente estas noites ...
Para podcast, a IF vai continuar aqui.
O mais difícil foi regressar ao estúdio, sózinho. Sem companhia, nem cumplicidade.



Estas fotografias são dos últimos tempos (talvez) verdadeiramente felizes no estúdio.
Depois, vieram as sombras. A rude interrupção. O vazio. A mágoa. Os vagos ânimos. De novo um outro vazio. As dúvidas.
Atenção ! Estão para chegar tempos ainda mais difíceis. Não acreditam ? Recordem ou fiquem a saber AQUI.
Olha ... a TSF descobriu o Podcasting !

"A rádio de informação TSF vai passar a disponibilizar gratuitamente on-line programas para descarregar e ouvir no computador ou noutro dispositivo, como por exemplo os populares iPod, da Apple. A iniciativa, que arranca até ao fim do mês, foi apresentada pelo director, José Fragoso, como a entrada da estação na era do podcasting, com o objectivo de permitir que alguém que perca um programa que queria ouvir o possa fazer numa altura em que lhe seja conveniente."
" ... afirmo o primeiro encontro na sua diferença, quero o seu regresso, não a sua repetição." R.Barthes - Fragmentos de um discurso amoroso
A primeira edição da Íntima Fracção, a 8 de Abril de 1984 - Antena 1, realizou-se numa noite de sábado para domingo. Passados mais de dois anos, mudou-se para as noites de domingo para segunda. Mais 3 anos, já na TSF, continuou nas noites de domingo. Tirando o período de emissões diárias (1993 a 96), a IF seguiu sempre nas madrugadas de domingo para segunda. No último ano de presença na TSF, e antes de ter sido rudemente interrompida ao fim de mais de 14 anos naquela estação, a IF tinha regressado às noites de sábado. No primeiro ano da RUC, retomou as noites de domingo. Entra agora ali no seu segundo ano e regressa às noites de sábado para domingo entre a 1 e as 2 h (já de 22 para 23 de Outubro).

Sinto a dúvida (legítima, não ?), mas vou dar-lhe o benefício ...

Há um gato que tenta, há dias, desesperadamente entrar-me em casa. Empurra as vidraças, esgueira-se por uma janela ou porta aberta, mia em longos chamamentos. Já o encontrei a dormir sobre as camas, em sofás, no estúdio !
Quem (o que) é este gato ?
Esta segunda à noite, à porta do Vidro Azul, Novembro.
Ouvir enquanto vê.

Para muito breve (dois ou três dias) a publicação da lista de temas sugeridos pelos ouvintes como referências da IF. A esses juntam-se memórias próprias. Da longa lista, que será quanto possível também audível, sairá a colectânea Íntima Fracção.
Foram mais de uma centena de sugestões. Obrigado.
A lista a ser publicada, pela exagerada extensão se fossem divulgadas na íntegra todas as sugestões, resulta já de uma primeira selecção. Mesmo assim bastante vasta (21 anos ...), será apenas a base de partida para a produção da Colectânea.
Na nova grelha da RUC, a Íntima Fracção regressa nas noites de sábado para domingo à 1 hora. De volta na noite de 22 para 23 de Outubro. Entretanto, já estão disponíveis na web as edições de 3 e 10 de Outubro (emissão Lak).
I'm on the outside looking inside
What do I see
Much confusion, disillusion
All around me.

I talk to the wind
My words are all carried away
I talk to the wind
The wind does not hear
The wind cannot hear.
A França, viva !








hmm..was a friend of mine
hmm..is a friend of mine
He never done no wrong
and a thousand miles from home
and he'd never harm no one
and he was a friend of mine

Informação residual : o Lak nasceu em Liège - Bélgica, a 18 de Março de 1996. Dois meses depois viajou de comboio entre Liège e Bruxelas. Veio de avião para Lisboa e de automóvel para Coimbra. Durante a sua vida demonstrou que um cão Rottweiler só será mau se o prepararem para isso. Morreu em Condeixa, a sul de Coimbra, a 5 de Outubro de 2005.
Só agora entendi a mágoa de quem perdeu amigos destes.
IF 9/10 outubro 2005
EMISSÃO LAK

# Big Star : Holocaust
# This Mortal Coil : Holocaust
# Cat Power : He was a friend of mine
# Sétima Legião : Por tua imensa saudade
# Air : Ce matin la
# This mortal coil : It'll end in tears
# Lloyd Cole : The see and the sand
# Tindersticks : Nosferatu
# Lisa Germano : Into the night
# The Smiths : Well i wonder
# Brian Eno : Long way down
# Scott Walker : Boy child
# Ryuichi Sakamoto : Forbidden colours (piano solo)
# Buffalo Springfield : Expecting to fly
# Carlos Bica : Mr. Brody

brevemente para descarregar da net
As edições da IF regressaram à página da ESEC Rádio on-line para todos os que as quiserem guardar.

You thought that it could never happen
To all the people that you became,
Your body lost in legend, the beast so very tame.

(Leonard Cohen)
He was a friend of mine
Ah he was a friend of mine
Every time I think about him now
Lord I just can't keep from cryin'
'Cause he was a friend of mine

(Bob Dylan)

também pelos Byrds e por Cat Power (versão na próxima Íntima Fracção)
Eu devo ter sentido o aviso chegado com a súbita lembrança de Holocaust. Levei-a em conta das listas com memórias da IF que os ouvintes têm feito chegar. Estava enganado. Havia um sentido transcendente para o regresso daquela terrivelmente trágica música. Perdi ontem o meu melhor amigo. O meu inseparável companheiro dos últimos nove anos e meio. Aquele que falava comigo em silêncio. O que atravessava dias, noites, madrugadas, dias ensolarados, quentes, frios, brumas, nevoeiros, chuvas, ventos, trovoadas, vales, montanhas, caminhos duros, estradas suaves, luares, luas novas, lagos, ribeiros, jardins, portas, escadas, tudo, para estar junto de mim. Aquele que me acompanhou sem um ruído, compenetrado, no estúdio, querendo apenas estar, sem interferir, sem perturbar. O que me defenderia, contra tudo e todos. Aquele que me passava de novo o ânimo, quando parecia perdido. Que nada esperava, a não ser eu mesmo e o afago de amigo, que seria sempre menor do que o dele.
Deve haver inúmeras narrativas semelhantes, muito mais eloquentes, criativas, verdadeiramente literárias. Muitos blogueiros, dos inúmeros intelectuais que aconchegam a blogosfera, citarão uma infinidade de autores ("como dizia ...") mais ou menos obscuros (os que os outros não conhecem), quem sabe "os gregos" até, com textos belíssimos sobre este estado de espírito. Não me servem. Desprezo-os. Aos autores e aos intelectuais bloguistas. Ninguém escreverá seja o que for, que eu não permitirei. Ninguém escreveu uma linha que se referisse ao meu amigo, excepto o Hugo, numa entrevista comigo na Pública, há rigorosamente dois anos -"sempre acompanhado pelo LAK, o rottweiler bom". Existem. Seres que ultrapassam a sua condição e se situam num lugar indefinível.
Agora, um silêncio que é o oposto daquele que, desde sempre, procuro na IF. Sentidamente abandonado e perdido. Os espaços e os passos vazios.
De novo, sei lá como, sempre à espera de uma resposta, de um sinal, da intimidade de uma esperança.
Perdi o sonho dos meus quatros anos : o meu amigo de patas e pêlos.

Uma das canções mais conhecidas dos This Mortal Coil - Holocaust - foi escrita por Alex Chilton. Desde o início, a IF utilizou-a como um bilhete de identidade. Nem sempre adequado, é verdade. Mas seremos sempre os mesmos ?

Holocaust

Your eyes are almost dead
Can't get out of bed
And you can't sleep
You're sitting down to dress
And you're a mess
You look in the mirror
You look in your eyes
Say you realize
Everybody goes
Leaving those who fall behind
Everybody goes
As far as they can
They don't just care
They stood on the stairs
Laughing at your errors
Your mother's dead
She said, "Don't be afraid"
Your mother's dead
You're on your own
She's in her bed
Everybody goes
Leaving those who fall behind
Everybody goes
As far as they can
They don't just care
You're a wasted face
You're a sad eyed lie
You're a holocaust



Na versão de This Mortal Coil, é Howard Devoto quem canta, com um piano tocado por Steven Young, dos Colourbox (que utilizei na IF através de Arena) . Quanto ao original de Alex Chilton, só agora o descobri. Podem ouvir os dois através das capas dos discos.

" ... parece que as pessoas trabalham, trabalham, trabalham - só para se manterem em pé." Cat Power.


BOR LAND

Editora discográfica fundada em Outubro de 2000, que ao longo de cinco anos apresentou novos sons de projectos como Old Jerusalem, Alla Polacca, Complicado, The Unplayable Sofa Guitar ou Ölga. Pela vontade de produzir e editar discos de qualidade, a Bor Land conquistou de forma singular um lugar de destaque, sendo actualmente uma das mais importantes e bem sucedidas editoras independentes portuguesas. Em tom de aniversário, Outubro é presenteado com concertos, a edição de ?Can Take You Anywhere You Want?, uma compilação composta por um duplo-cd e o novo trabalho a solo do contrabaixista Carlos Bica, ?Single?.

Can Take You Anywhere You Want :: BL029CD

CD1 :: Old Jerusalem :: Roll Müic :: München :: Bildmeister :: Bypass :: The Allstar Project :: Spatial White Noise :: Rose Blanket :: The Unplayable Sofa Guitar :: Puget Sound :: Lemur :: Jeffrey Lewis :: Plasticine :: Gordon's Deal /

CD2 :: Starlux :: Norton :: Ölga :: Complicado :: Stealing Orchestra :: Most People Have Been Trained To Be Bored :: Carlos Bica :: In Her Space :: Kafka :: Alexandre Soares /Jorge Coelho :: Mindelo :: The Astonishing Urbana Fall :: Alla Polacca.

Esta edição está disponível para download completo e gratuíto no site da Bor Land (consultar catálogo).
Info + Mp3 :: Esta edição está disponível para download completo e gratuíto em www.bor-land.com
Comprar :: 14.95? :: www.cdgo.com/artigoDetalhe.php?idArtigo=2979149Data Edição
:: 2005.10.06

Na lista dos concertos não consta nenhum com os Alla Polacca, o que lamento. Trata-se, já o afirmei, do projecto português mais próximo do espírito da Íntima Fracção.
Quanto à Bor Land, para mim, é um contentamento (e um espanto !) verificar que completa cinco anos. Como resistirá à ditadura das playlists ?
IF 3 Outubro 2005

# Sigur Rós : Intro
# Sigur Rós : Andvari
# David Pajo : Francie
# extracto de entrevista com Margueritte Duras (piano de fundo por Virginia Astley)
# Richard Jobson : The happiness of lonely
# Robert Wyatt : Raining in my heart
# Nick Cave : Far from me
# Alla Polacca : A Cláudia ...
# Slowdive : Blue skied an' clear (sobre Sengei Ono)
# extracto da mensagem espiritual de Gandhi pelo próprio
# Lakshmi Shankar : I am missing you
# Mono : Where i am
# Stuart Staples : Untitle
# Sengei Ono : Enishie
# Air : Alone in Kyoto
Foi boa a ideia de pedir a colaboração dos ouvintes para a elaboração da colectânea IF. Agora, vejo a dita por entre montanhas de CDs. Excesso ? Claro. Mas algumas recordações que, por qualquer motivo (injusto), já não faziam parte das minhas memórias, nem dos meus registos, obrigaram-me a repensar tudo. Publicarei aqui uma lista alargada de temas com os quais se tentará produzir a colectânea IF.
A cada mail com sugestões, mais emoções.

IF 26.09.05

# Daniel Lanois : Falling at your feet
# Boozoo Bajou : Barkensignal
# Vetiver : Been so long
# Four Tet : Fuji check
# The Dears : Warm and sunny days
# A guy called gerald : American cars (extracto)
# Goldfrapp : Time out from the world
# Goldfrapp : Paper bag
# Felix Laband : Red handed
# Felix Laband : Minka (and the notes after) + mix extracto Bob Marley dub session instrumental No woman no cry
# Scanner : Slow motion (extracto)
# Susanna and the Magical Orchestra : Hello
# Nancy Sinatra : Run for your life
# Brad Mehldau : August ending (live Lausanne)
A Íntima Fracção está de novo no ar. Na RUC e depois, para download, na ESECRádio online.
Um pássaro voando em círculos sobre o mesmo pequeno jardim, depois dos grandes, imensos, largos voos nocturnos sobre as montanhas e os mares.

. . . a trabalhar na escolha para a colectânea IF.


Susanna and The Magical Orchestra.
Os noruegueses mais sussurantes dos últimos tempos. Quem disse que ser rico diminui a criatividade ? (penso que foi um secretário ou subsecretário de Estado da Cultura de Cavaco !). Brevemente vão para a Irlanda onde estarão em vários concertos, incluindo em Cork, que é a Cidade Capital Europeia da Cultura - 2005.
Dois pedaços do paraíso, para ouvir aqui :

Who am i
Turn the pages
The fruit of original sin.
Uma colectânea de homenagem a Marguerite Duras (incluindo uma magnífica entrevista à própria com piano de Virginia Astley por fundo), editada na década de 80. Daqui utilizei vários temas para a IF, incluindo um (por mim já esquecido) - The happiness of lonely, por Richard Jobson.
Fui ajudado pelo Manuel, que, dos EUA, me enviou uma lista de temas que ele liga à Íntima Fracção. Suponho que é um dos tais ouvintes que escutava a IF com o coração.
Há mais de seis horas que sopra um vento forte e ruidoso. De certa forma, ele obriga ao silêncio. Mas quando alguém parece fechar a porta, outro silêncio torna-se-me incómodo. Angustiado, anseio pelo topo do farol feito estúdio e de lá lançar os sons que apaziguem os corações.
Vou tentar agradecer pessoalmente a todos que enviaram e-mails com músicas da IF. Entretanto, ficam já aqui os agradecimentos colectivos. Há, de facto, ouvintes que conhecem melhor do que eu a IF !
Durante o fim de semana podem ainda enviar um mail com sugestões.
O que conseguiremos fazer com o material recolhido ?
Neste domingo à noite - às 24 horas - a Íntima Fracção retoma o éter, na RUC (directo). Para download, depois, aqui.

Gromit, o cão, o melhor amigo de Wallace, o homem. Regressam aos écrans em Outubro, vindos dos estúdios da Aardman. Nick Park, que já foi o boy-wonder do cinema de animação, diz que Wallace foi inspirado no seu pai.
Eu gostava de ter um Gromit, mas tenho um Lak, que é tão meu amigo como Gromit é de Wallace. Infelizmente o Lak não é de plasticina, o que quer dizer que envelhece e não me faz o pequeno almoço. Mesmo assim, as minhas afinidades com Wallace vão até ao ponto de também gostar de bolachas com queijo, chá e walkies.
Há uns largos anos conheci (e entrevistei) o Peter Lord, da Aardman. Ele tinha construído um dos primeiros vídeoclips de animação que ficaram na História da MTV : Sledgehammer, de Peter Gabriel. Depois, a Aardman ainda criou um clip memorável pela sua simplicidade : My baby just cares for me, de Nina Simone. Tudo acabou por levar estes criadores até Spielberg e à Fuga das Galinhas. O regresso à dupla Wallace and Gromit traz-nos de volta a casa. Walkies, mais ou menos excitantes.
Continente lhamado América.

O blog do Luís, na Venezuela, já recuperou e surgiu com novo título. Uma proximidade que a IF proporcionou. Grácias Luís !
Aos ouvintes de hoje, de ontem, de anteontem, ..., de há 20 anos.

Estou a fazer uma lista com músicas características da Íntima Fracção. O motivo por que o faço, espero, será divulgado daqui a algum tempo. O problema é que me parece sempre que falta ainda mais alguma. Faltará sempre, eu sei. Mais de 20 anos de emissões, 3 deles com edição diária, contêm muita música. Talvez os ouvintes, os que enviam mensagens (e persistem ...) emocionadas (e que me emocionam), os que me asseguram terem gravações muito antigas, antigas ou mais recentes da IF, esses ouvintes que, por vezes, parecem conhecer melhor a Íntima Fracção do que eu, esses ouvintes que afinal sempre existiram e existem, a esses quero pedir ajuda : lembram-se de uma, duas, três (ou mais !) músicas que liguem à IF ? Por favor enviem-me um mail com essa informação. Espalhem o pedido. Façam um link para aqui. Obrigado. Eu sentia que não estava sózinho na noite.
Quando a noite cai, ela nunca cai sobre uma pessoa só ...

Será hoje colocada na net a IF de 18 de Julho (a última antes de férias).
O regresso da emissão "no ar" era para ter acontecido esta noite. Está pronta, mas tem que aguardar pela noite de 18 para 19 de Setembro. Espero ...
O Luís, um militante ouvinte da IF, é venezuelano, mas viveu vários anos em Portugal. Aqui conheceu a IF. Depois de regressar à Venezuela, veio a reencontrá-la através da web. Ele próprio está agora na net com o blog VORÁGINE INCONTEXTUAL.










O País a olhar para a implosão.
Festas, binóculos, entidades oficiais (as pessoas importantes, como disse a repórter da SIC Notícias !). Estações de televisão em directo, desde a véspera. Espaço aéreo até fechado. Nova versão para o velho "olha o balão" ... "olha a implosão !" Provincianismo e lançamento do empreendimento sem custos com a comunicação social. Que significado terá esta implosão das torres da Torralta ? O começo do novo ou, metaforicamente, o ruir das esperanças ? Felizmente que não se chegou ao discurso do género "porque aqui, nesta costa ensolarada, aqui também é Portugal !".
"Se tentarmos agradar ao público, aceitando acriticamente as suas preferências, isso significará apenas que não temos respeito algum por ele, que só queremos o seu dinheiro." Tarkovski
É em torno desta ideia (encontrada no Retorta) que tudo se não resolve.
É uma perplexidade incómoda ? É. Uma perplexidade incómoda que teima em não se resolver !
A Íntima Fracção continua, na RUC, na noite de domingo para segunda, às 0 horas. Disponível para download na ESEC Rádio on-line.
"Nunca choraremos bastante quando vemos
O gesto criador ser impedido
Nunca choraremos bastante quando vemos
Que quem ousa lutar é destruído
Por troças por insídias por venenos
E por outras maneiras que sabemos
Tão sábias tão subtis e tão peritas
Que nem podem sequer ser bem descritas".

Sophia de Mello Breyner Andresen


Communication let me down ...


O fascínio da voz chegando através do éter (1900).
Agora, a banalidade das vozes, da música, do ruído. A ausência, quase absoluta, do silêncio.

HELP ! HELP ! HELP ! HELP ! HELP ! HELP !





Para além das imagens, foi o som do coro de desespero e protesto gritado pela multidão nas ruas de New Orleans : help ! help ! help !, o que mais me impressionou nesta catástofre prevista com dias de antecedência. Na exaustiva cobertura da CNN, um outro momento revelou bem o que aconteceu. Quem tinha dinheiro, fugiu a tempo. Os outros, como os doentes do principal hospital público da cidade, na cobertura, ficaram a ver os helicópteros levar o pessoal do hospital privado que existe ao lado.
Fats Domino, uma lenda da música de New Orleans, está a salvo. Irma Thomas, outra voz da cidade do golfo, continuava desaparecida.
As últimas terríveis noites em New Orleans, serão aquilo que os Estados Unidos da América merecem ? Não. Quem ficou para trás foram os velhos, os pobres, os negros. Porquê ?

SHAME ON US ! É a manchete de hoje do NY Daily News.