IF 3 de Setembro 2006 # Balun : A surprise # Susanna and the Magical Orchestra : Enjoy the silence # David Sylvian : Where the railroad meets the sea # David Sylvian : September # Caroline : Where's my love # Hanne Hukelberg : Words and a peace of paper # Johnny Cash : Help me # Burial : Wounder # Charlotte Gainsbourg : L'un part l'a # Richard Jobson : India song # Balun : Squared triangles # Fiona Apple : Pale September # David Sylvian : Cafe Europa # tema de Ghost Squad
+ sons : pequena água, pequeno fogo, subir escadas, porta, futebol em televisão de país longínquo
Os portugueses têm pavor do silêncio. Agora que o ritmo da maré está em refluxo e as massas de regresso aos quotidianos cinzentos iluminados a néon de várias cores, o calor continua e o barulho (i.e. o ruído desorganizado) levanta-se em maré viva. No meio da noite, para lá dos motores, ao longe, uma musiqueta persistente jorra de uma festa de subúrbio. Até as urgências de um hospital chamam os familiares dos assistidos como se estivessem numa estação de comboios. Oiço-lhes aqui perfeitamente os nomes. Posso fazer uma lista de toda a gente que por lá passou. E se eu a publicasse na internet ? Proibiam-me de o fazer ou baixavam o som ? (reorientar as cornetas também não era mal pensado) ... Ah ! se eu pudesse de novo viver dos meus programas ... Partia de laptop de baixo do braço e algum lugar haveria para eu os produzir. Tal como um escritor ? Sim.
Depois de me lembrar dos tempos do Indy ... Os primeiros tempos da IF. Quando uma espécie de bossa nova entrara em alguma música do UK. Everything but the girl. Os dois primeiros álbums foram-me trazidos pelo Gonçalo de Carvalho (da BBC). Foi na IF que os EBTG passaram pela primeira vez na rádio portuguesa.
É desse tempo uma janela de bom gosto que se abriu nas charts UK. Astrud Gilberto entrou lá com a recuperada Girl from Ipanema e até a versão de Nina Simone para Don't let me misunderstood, regressou vinte anos depois e foi n# 1.
Acabou O Independente. Nos seus tempos de glória, quando Miguel Esteves Cardoso e Paulo Portas lideravam o semanário, a IF era por lá considerada o melhor programa da rádio portuguesa. A certa altura, sem eu saber (nem conhecer nenhum deles, só vim a conhecê-los depois), publicaram uma página inteira de publicidade completamente gratuita à Íntima Fracção ! O anúncio (uma foto com um miúdo de costas, no meio da noite, frente a um posto fronteiriço) foi das mais belas imagens criadas sobre a IF. Nunca soube de quem foi a ideia. Obrigado Indy ! É estranho o fim deste jornal.
Às vezes encontro umas referências à Íntima Fracção que me surpreendem. Esta vem de longe. S.Paulo - Brasil. Julio Daio Borges é colunista do Digestivo Cultural e coloca a IF na sua lista de Melhores Podcasts. Leia aqui os motivos.
... all back home também é agora evidente nas cidades. De novo tudo igual. Uma espécie de fases da lua a que estamos obrigados. Um desespero.
Will I see even if the day's are getting short? Will I see even if the day's are getting shorter? Will I see?
(Time - Susanna and the Magical Orchestra)
A 2: passou hoje a I parte de "No direction home", o documentário de Martin Scorsese sobre Bob Dylan (esta 6ª passa a II parte). É uma boa lição sobre parte da música dos anos 60. E também sobre Dylan - o génio, o oportunismo, as contradições e a inovação. Fico sempre um bocado na dúvida sobre a bondade destas programações, numa altura em que foi editado um novo disco de Dylan. De qualquer forma, aprecio.
A capa de Bringing it all back home sempre me fascinou. Uma foto de Daniel Kramer, com Sally Grossman (mulher de Albert, manager de Dylan) ao fundo. Revistas sobre a mesa. Um gato ao colo de Bob. Uma sofisticação e ambiente que não batiam certo com o mundo de Dylan. Este disco foi gravado em três dias de Janeiro de 1965. Quando o descobri, uns anos depois, ficava a ouvir Love minus zero / no limit, quase em repeat.
In the dime stores and bus stations, People talk of situations, Read books, repeat quotations, Draw conclusions on the wall.
Some speak of the future, My love she speaks softly, She knows there's no success like failure And that failure's no success at all.
Some velvet morning when I'm straight I'm gonna open up your gate And maybe tell you 'bout Phaedra and how she gave me life and how she made it in Some velvet morning when I'm straight
Um assunto que interessa. Um cartaz elegante. A presença de António Pedro Pita.
Balun (Jose, Andres e Angelica - de Puerto Rico) - Something Comes Our Way -
Video Killed the Radio Star, dos Buggles, inaugurou as emissões da MTV em 1 de Agosto de 1981. A canção, de 1979, um ícone da chamada New Wave, nunca foi tocada ao vivo ... até 2004. Aqui está um espantoso vídeo com Trevor Horn, 25 anos mais velho, liderando em palco um grupo bem alargado de músicos, entre os quais vários dos que participaram na gravação original em estúdio (incluindo duas vozes do coro feminino). Quem olhar com atenção, descobrirá uma surpresa ... Vejam se descobrem. Já agora fica também o clip que inaugurou a MTV.
IF 27 de Agosto 2006 MAKING FILMS
# Tortoise : By dawn # Yuichiro Fujimoto : Little sunset (versão IF) # Colleen : Mining in the rain # The Books : Twelve fold chain # Burial : Gutted # Burial : Broken home (shorter by IF) # Yonderboi : Trains in the night (versão IF e extractos) # Universal Pictures Starting Theme # Tom Verlaine : Meteor beach # Aeroc : Mahy # Niobe : In the sun # Hope Sandoval and the Warm Inventions : Clear day # Birch Book : Warm, wind and rain # Pan American : Wing # Susanna and the Magical Orchestra : Time (final em loop) # Bernard Hermann : Twisted nerve # Feist : Lonely lonely (shorter by IF) # Feist : Lonely lonely (Frisbee'd mix - extractos)
+ voz de Gene Kelly; trafego em piso molhado; trafego em cidade distante; comboio; wind chimes.
A rádio foi o único dos cinco meios a registar uma queda do investimento publicitário nos primeiros sete meses deste ano, comparativamente ao mesmo período do ano passado, revelam os dados ontem divulgados pela MediaMonitor.
As iluminadas estratégias falharam ! Ainda bem ...
Próxima edição da IF : MAKING FILMS.
Pouco para dizer - ""Well ... we movie stars get the glory, I guess we have to take the little heartaches that go with it. People think we live lives of glamour and romance, but we're really lonely ... terribly lonely." (Gene Kelly)
Muito para escutar - desde Tortoise a Feist, com Burial, The Books, Tom Verlaine, Aeroc, Niobe, Hope Sandoval, Pan American, ...... , e mais, muito mais. Alguns temas em reformulações IF.
Praia da Barra. Entre a Ria de Aveiro e o mar. Se há alguns anos já não reconheci quase nada, agora deve ser muito pior. E, no entanto, as dunas, o vento, a nortada, uma bola. Só isto deve estar igual. Já não deve haver vacas nem quinta do sr. Quintino. Talvez nem mesmo seca do bacalhau. Nem estradas de terra batida para deslizarmos de bicicleta contra e depois a favor do vento. Nem café do farol, nem Assembleia com noites de rock'n'roll. De certo, o nevoeiro. E o farol. E a "ronca" ? E o meu companheiro das manhãs em busca de leite acabado de colher ? Alberto Caria, ainda podes responder ?
foto de Santiago Marquez Suarez
Uma compilação vídeo com 40 m e 30 s sobre Chet Baker. Inclui umas das favoritas da IF - Almost Blue.
IF 20 de Agosto 2006 # Sétima Legião : Mar de Outubro # Susanna and the Magical Orchestra : Love will tear us apart # Honeyroot : Love will tear us apart # Gustavo Santaolalla : The wings # Boards of Canada : Tears from the compound eye # Tom Waits : Day after tomorrow # Bernard Hermann : Twisted nerve # Charalambides : Hope against hope # Susanna and the Magical Orchestra : Hello # a.o.s. : History repeats itself # Simon Joyner : Flying dreams # Lambchop : A day without glasses # Phonophani : Oak or rock (extracto) # Bernard Hermann : Twisted nerve (loop sobre shorter by IF)
+ sons de aviões e aeroportos + sampler de Daytime girl (Bee Gees)
Na Íntima Fracção desta semana faz-se o que há muito tempo não acontecia : passagem integral do indicativo do programa - Mar de Outubro (Sétima Legião - LP "A um deus desconhecido" 1984). Há ainda também o novo (e o velho ...) de Susanna and the Magical Orchestra. Twisted Nerve, de Bernard Hermann, que faz parte da banda sonora de Kill Bill, entra em loop e mistura-se com sons de aeroportos e aviões que não escondem um curto sampler dos Bee Gees.
There she goes my daytime girl. Spreading her wings like a high flying eagle.
Susanna and the Magical Orchestra. Regresso. Mountain Melody. Album de covers. Não tem o fascínio do anterior (List of Lights and Buoys), mas continua a encantar. É o termo exacto. Cohen, Prince, AC/DC, Scott Walker, Depeche Mode, Fairport Convention, Dylan ... e uma versão de Love will tear us apart (Joy Division), como quem canta enquanto desenha uma paisagem urbana de outro século. Tudo revisto de forma murmurante e em slow-motion. A distância necessária para o passado.
SERVIÇO PÚBLICO ( !!! ??? )
Programas transmitidos dos locais de chegada em cada etapa da Volta a Portugal em Bicicleta. Só vistos. Impossíveis de imaginar. Apresentação amadoreca. Momentos de humor patético. Ondas de música de mau gosto e indiscutível ordinarice ( "eu fiz marmelada com os marmelos descascados, ... " Joana). O povo gosta ? Gostará ? Em cada local havia meia dúzia de "interessados". Por outro lado, o povo também gosta de muitas outras coisas : de não trabalhar, de deitar foguetes, de incendiar matas, ... , da economia paralela ... etc e tal. Para quando então programas na televisão pública de enaltecimento destas realidades ?
Os verdadeiros génios que fazem andar a música para lá do pôr-do-sol, têm sempre que defrontar (em algum momento) as maiores desconsiderações e até insultos. Vejam aqui o momento mais vexatório da carreira de João Gilberto (já há um bom par de anos). Vejam como a galera ululante se comporta. Se forem até ao final ouvirão a frase-chave. "Os senhores vão passar e ele vai ficar." Ficou mesmo ! Alguém já viu algum pimba ser vaiado e posto fora do palco ? A propósito deste episódio longínquo, está na altura de começar o "tiro-ao-pimba". Acreditem. É uma questão de sobrevivência.
Disponibilizo também aqui um momento inesquecível com os dois maiores génios da música brasileira, Tom Jobim e João Gilberto. João nunca consegui ver/ouvir ao vivo. Jobim, sim. Era simplesmente bom demais para certas sensibilidades. No espectáculo que deu no início dos anos 90 no Mosteiro dos Jerónimos, houve quem abandonasse. Já o disse aqui no blog. Agora, digo o nome de quem saiu por estar enfadado : Pedro Ferraz da Costa (CIP). Talvez seja conveniente, no momento em que o senhor se esforça por criar uma alternativa/unidade/... , ou lá o que é, de direita (seja lá o que isto for para o referido).
A propósito de PaperSun, dos Traffic, uma das canções pop mais emblemáticas sobre o Verão ( ... from beach to beach ), abro a janela para verem como eram os miúdos de há 40 anos. The Spencer Davis Group, com Steve Winwood, ao vivo, em 1966. Steve tinha 16 anos e é o do lado direito do écran. O vídeo inclui "Keep on running" e "Somebody help me", entre outras. Spencer Davis, desde 1967 sem Steve, ainda rola. Esta semana toca em NY no Rock and Roll Fantasy Camp. Depois, UK Tour, Alemanha e Austrália. Não foi com álcool e drogas que esta gente chegou até hoje a mexer-se como se mexe (sim, Jagger incluído).
Para quê ir a um estádio se vamos ver (quase) tudo num écran ?
A velha tem mau feitio e não consegue ir de férias... em Agosto teima em manter as portas abertas à tarde e à noite. Visite-a!
Um achado. Estaleiro cultural. Fica em Braga.
IF 13 de Agosto 2006 # Moby : Homeward angel (long) - (shorter by IF) # Burial : Untitled 1 # Burial : U hurt me (extracto) # Burial : Forgive # Burial : Untitled 2 # Burial : Night bus # Charalambides : There is no end # Idaho : On the shore # Bill Frisell : I'm so lonesome i could cry # 12Twelve : Intonarumori # OMD : Statues # Hwyl Nofio : Jesuralem lane # The Focus Group : Underwater pries # Lambchop : Short
Aprender com a Charlotte da série de Amy Winfrey, Making Fiends. O que seria das Vendettas deste mundo ... Dá para ver na net e/ou fazer download gratuito do podcast.
Ninguém deve deixar de ouvir (e guardar ?) a mais recente edição do Vidro Azul, por Ricardo Mariano. Eu tenho-a no iPod e as madrugadas tornaram-se mais suportáveis. Trata-se de uma longa (2 horas) e encadeada banda sonora que nos amarra às imagens que não vemos, mas sabemos. Exemplar. Mas será que não há mesmo estação de rádio onde estes programas tenham lugar ? (refiro-me a cobertura nacional). Provavelmente "isto" já não é Rádio. É uma nova forma de composição. A Rádio (também ?) devia ser "isto".
Charalambides. A Vintage Burdon. Um disco dolente, para um Verão quente.
ZACKY. Uma grande minúscula prenda, à porta, no final de tarde de mais um dia 8.
Dias e noites quentes numa cidade (finalmente) desocupada. A rádio (RUC), continua a transportar os sons do Wolfman Jack da actualidade, mais sóbrio, mais sofisticado e conhecedor - José Braga, um nadador-locutor com as mais diversas músicas em nosso auxílio.
IF 6 de Agosto 2006 # Eluvium : We say goodbye to ourselves # Fairport Convention : Meet on the ledge # Bob Dylan : One of us must know (sooner or later) # Bell Orchestra : Recording a tape ( typewriter duet) # Birch Book : Sleepless search # Eels (with strings) : Blinking lights (for me) # Czars : I saw a ship # A silver mt. zion : Blown-out joy from heaven's mercied hole # Isan : Ship # Gregor Samsa : We'll lean that way forever # Efterklang : Swarming # Tape : Sun refrain
Tão longe ... Do mar. Da liberdade de partir. De ainda encontrar espaço. De descobrir.
Da impossibilidade de se dizer o quê ?
A conta está paga. Gostaria de voltar ali todas as terças para ouvir o músico que arranca sons iguais à Fender de Marvin Welch, dos Shadows. Em casa, o ar que vem do mar não se sente. Não há um único ruído. Talvez os grilos. Mais uma vez, tal como escreveu Barthes, "as cenas desenham-se para serem recordadas". A nostalgia começou no momento da chegada. Na partida, mais do que medo, há o pavor de não regressar. É uma opção optimista. Tudo o que nos parece ser certo, está, afinal, irremediavelmente ameaçado pela incerteza. Preciso ver Tati nas "Férias do Sr. Hulot". A partida é levemente nostálgica, mas, mais do que esperança, há certezas para o ano seguinte.
IF 30 de Julho 2006 # Feist : Lonely, lonely # Feist : Lonely, lonely (frisbee'd mix) # Waldeck : I talk to the wind # Hanne Hukkelberg : Searching # Beach Boys : Wind chimes (instrumental backing track) # Yo la tengo : Tonight # The Byrds : You and me (instrumental) # Brian Eno : Dunwich beach # Kraftwerk : Europe endless # Isan : Ships # Belle and Sebastian : I know where the summer goes # Brian Eno, Harold Budd, Roger Eno : Always returning
sons : mar, piscinas, comboio de alta velocidade, terminal de aeroporto, . . .
Eu aqui a olhar o mar e ao mesmo tempo, também não longe do mar, 30 crianças morrem no mesmo local (de abrigo ?), como consequência de um bombardeamento.
Há uma guerra entre dois países por causa de dois soldados raptados. Não sei bem se foi só isto ... foi o que ouvi. Sei muito pouco sobre aquele conflito. Descubro todos os dias novas informações.
Podia ter lido milhares de páginas, mas há sempre algo que escapa. Mesmo que já tivesse nascido quando tudo começou, de nada me serviria tentar compreender o que se passava. Agora, não quero. Sinto um enorme desprezo por povos que se guerreiam há tanto tempo.
Deve haver razões fortes dos dois lados. Claro. São seres humanos. Pensam.
No meio da guerra, há sempre lamentáveis (trágicos) erros. O de hoje foi mais um. Bem que avisara o jornalista que, regressado de um dos países onde foi a convite do seu governo, garantia que os seus soldados não eram super-homens. Eram humanos. Também se enganavam.
Enganam-se. Enganam-nos.
Mas eu vi a menina morta nos braços de um socorrista. De cabelo apanhado. Como se tivesse adormecido ao colo do pai. Quem lhe terá apanhado pela última vez o cabelo ? Ela ? A mãe ? Uma irmã ? Uma avó ? O pai certamente que não. Os pais das meninas de 6 anos que morrem de cabelo apanhado, apanhadas pelas bombas, há muito que se devem ter feito explodir em direcção ao paraíso. Se não fosse assim, eles não deixariam que as meninas fossem apanhadas e mortas de cabelo apanhado pelas bombas lançadas por exércitos corajosos. Humanos, logo, falíveis. Sempre demasiado falíveis.
Eu sei quem, esta manhã, apanhou o cabelo à menina morta que passou à minha frente nos braços do socorrista.
The summer wind, came blowin in - from across the sea It lingered there, so warm and fair - to walk with me
(Frank Sinatra)
Why did summer go so quickly ? Was it something that you said ?
(The windmills of your mind - tema de The Thomas Crown Affair - 1968)
Maria João Pires deixa Belgais, na Beira Baixa, e vai viver para a Baía (Brasil). Após "a tortura sofrida durante anos" em Portugal, disse. O Projecto Educativo de Belgais, que a pianista criou, foi sempre motivo de desencontros com o poder, ou os diversos poderes. Nunca consegui saber onde ia dar a ambição de Maria João e onde começavam os entraves dos poderes "oficiais". Em Portugal (e em muitos outros lados ... talvez), o poder político (qualquer) tem um enorme pavor em apoiar de uma forma mais evidente, projectos que saiam das regrazinhas e das metodologias definidas nos milhentos documentos que vão sendo produzidos laboriosamente por formigas que se prepararam a vida inteira para escrever regras com as quais sonham dominar os outros ou, pelo menos, salvar-se a si próprias. Assim, não interessa fazer nada. O importante é restruturar, redimensionar, reformular, reorganizar, numa palavra, reformar, mas sem fazer nada. Há eleitos que demoram todo o mandato só a restruturar os seus serviços. Tarefa "ciclópica", dizem eles. Quando acabam, já não há tempo para fazer nada. Outro seguirá o mesmo caminho ... logo a seguir. O abandono de Maria João Pires fica-nos mal. Mesmo que tenha alguma coisa de excesso de génio. Mas não é verdadeiramente isto a que nos últimos 4 anos nos temos sujeitado ? A sentirmo-nos a mais ? Tenho tido esta sensação estranha. Os últimos governos vêem-nos como empecilhos. Gente que só atrapalha. Tudo se tornaria mais fácil se a esperança média de vida voltasse para trás e as gerações mais novas saissem de casa dos pais directas para a emigração.
O site do projecto de Belgais merece ser visitado. O Google encontra cerca de 150.000 referências a Maria João Pires e 543 fotos da pianista. Nada, se comparado com as 7.200.000 referências a Cristiano Ronaldo. Um estádio, um só estádio dos tais do Euro2004 e o P(?)aís seria polvilhado de Belgais.
Dêem-nos música ... desta.
My Miami's shirt. Não se sente. Vê-se. E bem ! Se pudesse, passava o Verão com ela (não se sente ...). E no iPod, ouvia em repeat, Feist : Lonely lonely (Frisbee'd mix). Como se houvesse férias para a IF. Prosaico. Deitado, de frente para os azuis.
Novo dos Yo la tengo. I Am Not Afraid of You and I Will Beat Your Ass. Disseram que soava a Doors. Não. Soa a Byrds. Material selecionado na IF.
IF 23 Julho 2006 # The Residents : It's a man's man's world (extracto) # The Residents : And i was alone # Animal Collective : The softest song # Animal Collective : Banshee Beat # Lars Horntveth : Pooka # Rogue Wave : Perfect # The Albumn Leaf : Window # Yo la tengo : Instrumental # Yo la tengo : Tonight # Sun Ra : Holiday for strings # Yo la tengo : Sometimes i don't get you # Her Space Holiday : The good people of everywhere # Sengei Ono : I think of you
"A hundred times every day i remind myself that my inner and outer life depend on the labors of other men, living and dead , and that i must exert myself in order to give the same measure as i have received and still receiving ." Einstein
Esta sábia afirmação chegou do Jaime, homem de Ciência e ouvinte do podcast da IF. Como o mundo seria melhor se mais 10 % pensassem assim.
IF 16 de Julho 2006 # Syd Barrett : Golden Hair # Syd Barrett : Wouldn't you miss me # Syd Barrett : Dark globe # Isan : Seven mile marker # Jens Lekman : Me on the beach # Bob Marley : Waiting in vain # Micah P. Hinson : The possibilites # Feist : Lonely lonely ( frisbee'd mix) # Niobe : In the sun # Colleen : I'll read you a story # Divine Comedy : There is a light that never goes out # Boards of Canada : Kaini industries # Boards of Canada : Happy cycling
Devo esclarecer que o vídeo (sobre e com Syd Barrett) contido no post anterior, contém imagens que podem ser consideradas chocantes por todos os que ainda nada aprenderam sobre a mutabilidade da natureza. Look out jovens músicos talentosos e demais gente hedonista ! E, claro, todos os que odeiam os velhos por não suportarem aquele espelho do seu futuro, quando os filhos dos filhos dos seus filhos os virem também como velhos.
Próxima IF : algum Syd Barrett.
Syd Barrett morreu sexta-feira passada. Quem não sabe quem foi Barrett, procure no Google. Depois de 3 meteóricos anos de criatividade com os Pink Floyd, interrompidos em 1968, ainda tentou seguir sózinho, mas estava demasiado instável para o quer que fosse. Anos de consumo de LSD atiraram-no de regresso a casa da mãe, nos arredores de Cambridge. Considerado, justamente, um enorme influenciador de posteriores nomes marcantes da cena musical moderna (Bowie incluído), desapareceu por completo. Retomou o nome original - Roger Barrett - e viveu 35 anos a pintar e a cuidar do jardim. Os Pink Floyd garantem que ele sempre recebeu os royalties a que tinha direito. Supõe-se que terá sido assim que viveu estas últimas 3 décadas e meia. Sossegado, os vizinhos viam-no a passear até à loja da esquina para comprar o jornal. No entanto, durante muito tempo, tornara-se uma lenda sem se saber onde estava. Quando começou a ser procurado por seguidores e jornalistas no seu refúgio de Cambridge, defendeu-se, evitando-os. Há um bom par de anos que dificilmente, quem o conhecesse das capas dos discos e das fotos das velhas revistas, o reconheceria. Diabético, faleceu com 60 anos, supondo-se que a causa tenham sido complicações provenientes da doença. Mesmo na morte, passou despercebido. A notícia foi conhecida dias depois e as cerimónias fúnebres terão sido absolutamente privadas. A IF conta nas suas mais belas memórias com a música de Syd Barrett.
Wouldn't you miss me? Claro. Sim. Muito !
Passei de ano ! Agora já não recebi uma bicicleta (azul e branca, linda) comprada em Sangalhos. Passei de ano ! Agora recebi um iPod (daqueles com muitos gigas). O que iria na cabeça (e especialmente no coração !) da Michelle quando o mandou embrulhar ?
Michelle, ma belle. These are words that go together well, My Michelle. Michelle, ma belle. Sont les mots qui vont tres bien ensemble, Tres bien ensemble.
Sempre, e sem iPod ...
IF 9 de Julho 2006 # Nick Drake : Instrumental # Gonzales : One evening (Feist) # Honeyroot : Love will tear us apart # Idaho : To be the one # Gregor Samsa : Loud and clear # Gregor Samsa : Young and old # David Sylvian : It'll never happen again # Roudoudou : Peace and tranquility to earth # The Octopus Project : Hold the ladder # Harold Budd : It's steeper near the roses (for David Sylvian) # Mercury Rev : The tides of the moon # Múm : Sunday night (just keeps on rolling) - extracto # Beach Boys : God only knows (só vocais) - extracto # Feist : Mushaboom (live) # Feist : Mushaboom (Postal Service mix) # Mastretta : Continental-Auto # Lou Reed, Laurie Anderson, Brian Eno : As we sleep
inclusão de extractos de Tape, Murcof e Hans Zimmer
Para este fim de semana, uma IF como outra qualquer - sempre igual, porque diferente. Claro que tem Feist em duas versões de Mushaboom. Abre com um instrumental de Nick Drake e depois Gonzales toca "One evening", de Feist. Pelo meio aparece David Sylvian com a sua versão de "It'll never happen again", ainda mais melancólica que a original de Tim Hardin. E mais coisas, muitas mais. Para ilustração do post fica um vídeo (terrivelmente pirata) de Sylvian, a cantar e a tocar (sózinho) "It'll never happen again", a 4 de Novembro de 1995, em Londres. Não aprendi com Hardin, nem com Sylvian ... Há sempre qualquer coisa que não devia voltar a acontecer, mas acontece. Um crente desconfiado que, afinal, acredita sempre.
ah ... bon ! ah ... boooufff ! je n'aime pas les cochons chauvinistes ... ouais ... voilá un vrai mec !
suplement : mes excuses à EPC ... je le sais ... ah ! la cinémathèque !!! ... les beaux temps de Paris ... l'intellectualité ... touts ses gens extraordinaires qui vont faire des documentaires à la Republique Centre Africaine ... ah ! ces bizarres créatures ... qui me fais tourner en bourrique !!! maintenant au football ... ASSEZ !!! ehn ?
Está em loop no blog Sophia's. Feistcantando Mushaboom. Foi publicado em Maio de 2004 no CD Let it die. Agora, também pela Primavera (Abril), saiu um novo disco - Open Season - onde são incluídas quatro remixes de Mushaboom (para além de outras excelentes surpresas). É uma canção tão fresca e optimista que a deixei a rodar em loop, através do Sophia's, durante umas boas duas horas. E foi como se tudo fosse ainda possível : eu estava a salvo no estúdio, havia Verões para acreditar e a música era como uma animação mágica que saltava do écran e voava sobre o tempo e o espaço. Não sabia onde, mas alguém estaria feliz.
Encontrei o vídeo-promo do tema, bem como várias prestações ao vivo. Escolhi esta em Paris :
Post para atrair audiências através dos motores de busca !
Figo Cristiano Ronaldo Scolari Merche Romero Yoko Ono à portuguesa Merche nua Imagem de Nossa Senhora no balneário português Labreca Ricardo perante a angústia do penalti Portugal Campeão Se o Eusébio ainda jogasse Os ingleses cantam no estádio (dedicado a Rui Orlando da SportTV que não entendeu o momento mais sublime do intervalo antes dos penaltis, quando a instalação sonora no estádio lançou Doris Day com "Que sera ... sera ... whatever will be ... will be ... the future's not ours to see ... que sera, sera ... what will be, will be".)
IF 2 de JULHO 2006 # Sengei Ono : Planador (expandido) # Simon Joyner : Birds of Spring # The White Birch : Seer believer # Jolie Holland : Mehitibells blues # Moby : Blue paper # Takagi Masakatsu : And then # a.o.s. : History repeats itself # Murcof : Rios # Howard Devoto : Some will pay (for what others pay to avoid) # Readymade : Interlude # The Pretenders : I go to sleep (live) # Stratus : Interlude # The Octopus Project : The adjustor # Johann Johannsson : Karen Býr Til Engil
Excepcionalmente, a mais recente edição da IF só ficará disponível na net a partir de amanhã - 3ª feira.
The Greatest - Cat Power (Chan Marshall) The Greatest, uma das canções que mais (me) tocaram no último ano. ... Once I wanted to be the greatest No wind of waterfall could stall me And then came the rush of the flood Stars of night turned deep to dust ...
Pela fotografia de Chan, entra-se no estúdio de televisão onde Jools Holland apresenta (há quanto tempo ...) os seus convidados. Está lá Cat Power para cantar "The Greatest".
IF 25 de Junho 2006 # Tom Verlaine : A burned letter # Black Sabbath : Laguna sunrise # Dead Combo : After peace swim twice # Belle and Sebastian : I know where the summer goes # 12Twelve : Intonarumori # Nina Simone : Nobody knows you when you're down and out # Piano Magic : I must live London # The Focus Group : Verberations # The focus Group : Verberations int. # Johnny Cash : Hurt # Destroyer : The music lovers (never ending If mix) # Lars Horstveth : Kahlua blues (extracto) # Lisa Germano : Big, big world # The Tony Hatch Orchestra : Ghost Squad theme # Jon Hassell : Estate (summer)
Memórias ... Durutti Column. Vini Reilly e Bruce Mitchel numa foto (Rui P.M. Salgueiro) tirada no concerto de 7 de Abril de 1995, em Coimbra. Clikando na foto abre-se um vídeo de "The Missing boy" gravado no concerto de Lisboa em 1988. Excelente ...
A IF atingiu o 1º lugar do TOP-100 de podcasts musicais da loja iTunes ( i must say i'm amazed ... ). Se ainda não subscreveu a IF (gratuita), pode fazê-lo aqui.
Foi no mínimo (deixem-me dizer a palavra ...) estimulante, o encontro de ontem à noite na FNAC Coimbra sobre podcast. Com a actual ou futura tecnologia, a distribuição de conteúdos (houve alguma relutância em chamar-lhe "outra rádio") está à solta ! Aqui está um link para uma notícia sobre o encontro saída no Ciência Hoje. Obrigado Edgard Costa ! Começa a fazer sentido chamar-lhe o "Papa dos podcasts portugueses". A sua militância tem contribuído muito para a consolidação do movimento. Saído da assistência, ainda tive oportunidade de conhecer Jorge Prazeres, um dos bons ouvintes da IF. Noite em família ... (ainda por cima com o Ricardo - de vidro e azul - Mariano, um primo mais novo da IF).
IF 18 Junho 2006 # Arve Henriksen : Opening image # Lisa Germano : Big big world # Mojave 3 : You've said it before # Alpha : Theme 1 (Lost garden of clouds) # Alpha : You know (LGC) # Alpha : Backward # Dears : Warm and sunny days # Kinks : Love me till the sunshine # Joe Meek : Telstar (demo) # People Like Us : Dead Radio (extracto) # Isan : Immoral Architecture # Nouvelle Vague : The Killing Moon # The Knife : Rock classics # Felix Laband : Minka (and the notes after)
Apropriei-me desta foto de Fernando Assis Pacheco que está no Discurso dos Dias. Interessa-me tudo o que respeita ao poeta português maior contar de histórias dos últimos 100 anos. E já agora relembro-o :
Peçam a grandiloquência a outros acho-a pulha no estado actual da economia (Variações em Sousa, 1987)
Quando esperava ansiosamente que, finalmente, começasse a escrever histórias para além do jornalismo, no final de Novembro de 1995, partiu. Foi a maior desfeita que me fez o filho do pai que me ajudou a nascer. Se ainda não sabem, no site da ASA está à venda por 5 euros o livro que eu gostaria de adaptar para linguagem audiovisual (está lá tudo !) : Trabalhos e Paixões de Benito Prada.
Como se chama o sujeito que teima num "erro" apesar e perante toda a gente, como se tivesse à sua frente a eternidade para "se enganar" ? - Chama-se relapso.
(R.B.)
Continua a produção dos Alpha. Anunciam para 30 Julho "Without some help", novo album. Daqui a pouco passaram 10 anos de "Come from heaven".
Onde passará devagar o tempo ? O Dylan dizia " time passes slowly up here in the mountains ". Onde ficam essas montanhas ? Qualquer um as encontrará. Não é difícil, mas não queremos.
Time passes slowly up here in the daylight, We stare straight ahead and try so hard to stay right, Like the red rose of summer that blooms in the day, Time passes slowly and fades away.
(Bob Dylan)
Os Korgis, esses mesmo que parece terem apenas criado uma música em toda a carreira - Everybody's got to learn sometime (logo esta !) - que regressou já neste século numa versão de Beck, vão editar em Julho um novo disco. O disco vai ter uma nova versão da única (?) música (conhecida) dos Korgis. Os links levam ao video clip da versão original (1980) e a um outro com uma versão (ainda dos Korgis) mais recente.
Tento reler "A Voz Humana", de Jean Cocteau. Paro. As imagens que se formam são demasiado presentes. No palco ou num improvável écran. Terrível filmar A Voz Humana. Seria belo. As imagens saltam de cada palavra. Sobretudo quando ditas por Simone Signoret. Aqui, num pequeno extracto gravado em 1964.
IF 11 de JUNHO 2006 # Eels : Theme for a pretty girl # Eels : Blinking lights (for you) # Birch Book : Sleepless search # Stuart Staples : People fall down # Colleen : I'll read you a story # Isan : Working in dust # Eels : Bride of theme from blinking lights # Wunder : How we are # Hanne Hukkelberg : Boble # Grace Jones : The crossing # Grace Jones : Miss Grace Jones (extracto) # Grace Jones : The fashion show # Billy Preston : King of the road # Cat Power : The greatest # Ryuichi Sakamoto + Alva Noto : Morning
A Carol é novinha e bonita. Trabalha comigo num programa de televisão. Hoje, não fosse o mau tempo, teria apresentado um desfile de moda. Esta circunstância levou-me a relembrar o único motivo que alguma vez me provocou interesse pelo world fashion : Grace Jones. Há 20 anos. Slave to the Rhythm. A próxima IF vai ter um lugar para Miss Grace Jones. Descubram como.
IF 4 de Junho 2006 # Beach Boys : Surf's up (instrumental) # Honeyroot : Love will tear us apart # The Focus Group : Bells haze # 12Twelve : Intonarumori # The Focus Group : Jout sections # The Focus Group : Verberations # The Focus Group : Verberationsexp. # The Fiery Furnaces : Benton harbour blues again # Lafradford : Soft return # Simon Joyner : Flying dreams # Sengei Ono : Ii think of you (extracto) # Isan : Ship # Isan : Seven mile marker # Joseph Arthur : A smile that explodes # Lambchop : The new cobweb summer # Yonderboi : Trains in the night (extracto) # The Greenhornes + Holly Golightly : There is an end # The Focus Group : Free, psych & mirrors # Mapstation : The sinuous ribbon (extracto)
+ sons diversos (incluindo fogo de artifício preso)
1 de JUNHO Dia Mundial da Criança. O meu dia mundial da criança foi quando, criança, perdi a Mãe. As crianças, sabe-se, muito brevemente deixarão de o ser. O tempo, na criança, é longo. No adulto é muito curto. Quando voltarem a olhar, já lá não estão. Não esqueçam.
" Os vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e filhas da nostalgia da vida por si mesma. Eles vêm por meio de vós mas não são de vós, e, apesar de estarem convosco, não vos pertencem." (K. Gibran)
Aceitem.
Já este fim-de-semana, uma IF com fogo de artifício preso. E o novo dos Isan (Plans draw in pencil). E the Focus Group. E Simon Joyner. E Joseph Arthur. Também ainda uma outra versão para Love will tear us apart, por Honeyroot. Claro, 12Twelve e mais umas quantas surpresas que incluem versão instrumental do histórico Surf's Up, dos BB.