

Primeiro, quando tudo era ainda possível.
Depois, há menos de dois meses, quando já se tornam evidentes as semelhanças entre Bono e José Cid ... (esperem pelo minuto 1:03)
Uma refeição frugal, que outra qualquer me faria sentir um actor em cena.
Para o gato, sim. Salmão e camarão, que a ternura e a lealdade também se devolvem.

A casa num silêncio absoluto e rebenta-me a meia-noite em buzinas, tachos, vozes de criança nas varandas e fogos-de-artifício longínquos. Doze badaladas, possivelmente passas, um pé no ar, votos, beijos e tudo o que sei detrás, mas agora apenas ouço.
No instante preciso e seguinte à 12ª badalada (porque não são 24 ?), suponho que no primeiro minuto do novo ano, jorra-me o sangue pelo nariz. Inesperado, absurdo, inquietante. Banal. Sinal ? Afinal estou vivo e não tenho ninguém para me dizer o que fazer.
O que fazer ?
(Água oxigenada e algodão em rama - 1 euro e 18 cêntimos)
O Tempo. Sempre o Tempo, esse grande escultor.
Um bom exemplo de como a reflexão de um académico pode contribuir para modificações necessárias (urgentes), no futuro.
# Belle and Sebastian : Night walk
# Lisa Germano : Into the night
# Martin L. Gore : Candy says
# Lou Reed : Walk on the wild side
# Post Industrial Boys : Walk on the wild side
# Post Industrial Boys : Iced sea
# Tba : Hip
# Feist : Lonely lonely
# Feist : Lonely lonely (frisbee' mix)
# Perry Blake : New Year's wish
# Explosions in the sky : Your hand in mine (goodbye)
# Floatation Toy Warning : Losing Carolina for drusky
# The Montgolfier Brothers : Dream in Organza
# Richard Hawley : You don't miss your water (till your river runs dry)
+ fogo de artifício ; vento nas árvores ; S.O.S.
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Brigitte Helm
Do you feel good ?
Man's World

Na passada noite de Natal, cumpriram-se 100 anos sobre a primeira transmissão de rádio tal como a conhecemos. O canadiano Reginald Fessenden enviou de Chestnut Hill, Massachusetts, uma mensagem em código Morse, avisando todos os barcos no Atlântico que uma importante mensagem ia ser transmitida. Perante o espanto absoluto dos operadores de rádio de diversos barcos, nos auscultadores, em vez dos habituais sinais de Morse, o que ouviram foi voz (de Fessenden) e música (ele mesmo tocou "O Holly night" em violino).
É um episódio que para nós, amantes da rádio, não pode ser esquecido. Infelizmente, é o que acontece.
O que terão sentido aqueles operadores nos barcos, no meio da noite de Natal, em pleno oceano ? Inicialmente um susto. Conta-se que muitos correram a chamar os comandantes dos navios, em completa incredulidade. Depois, uma inesperada sensação de proximidade e a quebra (irreversível) da noção de solidão.
O início de uma nova Era.
Thank you, mr. Fessenden.
Próximo Post : as Festas (cof ... cof ...) da IF !
Talvez não dêem por isso, porque o pinheiro e o presépio estão demasiado longe para que se possam ouvir.
Anjos translúcidos, frágeis bolas coloridas, a estrela para o cimo da árvore. Tudo objectos perplexos por não lhes interromperem o sono anual.

# Langley Schools Music Project : God only knows
# Simon and Garefunkel : Voices of old people
# Beach Boys : Morning Christmas
# Richard Hawley : Long black train
# This Mortal Coil : Thais II
# This Mortal Coil : I want to live
# Explosions in the sky : Day 6 (surprise IF remix)
# People Like Us : Dead Radio (extracto)
# Mazzy Star : Disappear
# Elizabeth Anka Vajagic : The sky lay still
# All Night Radio : All night radio (never ending IF remix)
# Ringo Star : Wish upon a star
+ rebobinar fita de áudio + God only knows (extracto - só vozes) + porta a fechar + pessoas à mesa, refeição + avião levanta voo
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Rádio
O blog da IF está com problemas nos comentários.
Comentar é sempre um problema. Ter opinião, ainda pior.
Por isto estou a tentar resolver a questão.
# Eluvium : We say goodbye to ourselves
# Death in Vegas : Girls
# Balun : Disappearing act (final - extracto)
# Post Industrial Boys : Iced sea
# Junior Boys : When no one cares
# The Focus Group : Verberations
# Lanterna : Last practice
# Explosions in the sky : Your hand in mine (goodbye)
# The Wedding Present : Caroline, no
# Beach Boys : Caroline, no (extractos takes 4 e 5)
# Colleen : I'll read you a story
# Lee Hazlewood : Mansion of tears
# Califone : If you would
# Lambchop : Fear
# Post Industrial Boys : Take a walk on the wild side
# Balun : Disappearing act (extracto - final)
# Balun : Snol
# Balun : Disappearing act (extracto - final)
+ intro Tokyo (BSO Lost in Translation); Love me 8extracto Elvis Presley); Radio Prague (extracto OMD); comboio a alta velocidade; correr na rua.
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Rádio
Lambchop @ Aula Magna (2006-12-10): JN
A sala está a metade da lotação e no palco existem cinco bolas brancas suspensas
no ar para onde permanentemente se projectam imagens de aves em pleno voo,
rebentação oceânica, rodeios americanos, máscaras ou nuvens em movimentação
preguiçosa.
Da penumbra surge Kurt Wagner e o seu colectivo. Imóveis na sua elegância,
abrem o concerto com "Paperback Bible", quase 10 minutos de centrifugação
enevoada e irresistivelmente envolvente.
Só a meio da actuação é que se atingiu a perfeição lambchopiana, nomeadamente
na sequência "Caterpillar", "We never argue", "The Daily Growl" e "Smuckers".
Hesitam, agora, as mãos neste teclado, incapazes de inventar palavreado que
retrate tamanha excelência que reside em cada segundo desta música demasiado
bela para este mundo. Há guitarras alumiadas, deslizantes, ondeantes. Há um
piano discreto. E há aquela voz e muito mais. Há, por exemplo, a sábia gestão
do silêncio.
Na recta final, Kurt Wagner solta-se numa agitação surpreendente,
esperneando-se durante a versão de "This Corrosion", dos Sisters of Mercy e
"Give it". Sai do palco pela plateia, magistral. Momentos antes, uma fã com o
peito inchado em arrebatamento, subira ao palco para beijar-lhe a face,
cravando-lhe na pele a quentura de quem quer retribuir todo o prazer que este
grande senhor nos oferece.
Cristiano Pereira @
JN (2006-12-12)

Pop diletante.
La piscine couverte
En hiver sur la plage
tu nagé avec moi
Le vent nous joue sincèrement
if fait chaud comme au soleil
les requins sont nos amis
ils nous caresse avec leurs dents
tu me donne un baiser
et nous nous marierons
la réalité toujours
à quoi ça sert ça sert à quoi?
ce sont des rêves que je préfère
en rêve nous sommes amoureux
ba ba ba ba ba ba
baba ba ba ba baba
ba ba ba ba ba ba baba
ba ba ba ba ba
la réalité toujours
à quoi ça sert ça sert à quoi?
ce sont des rêves que je préfère
en rêve nous sommes amoureux
je t'avoue que c'est une rêverie
mais c'est vrai que c'est l'hiver
je suis triste et seule à Paris
dans une piscine couverte
dans une piscine couverte ...
(April March)
Comment: Lambchop @ Aula Magna (2006-12-10): Diário Digital
Lambchop na Aula Magna: Ligação directaPedro Figueiredo @
Diário Digital
Os Lambchop de Kurt Wagner trouxeram as canções do recente «Damaged» a uma Aula
Magna não totalmente lotada mas, ainda assim, imensamente dedicada às canções
do conjunto. Um feliz retorno a uma casa especial para a banda.
Editado recentemente, «Damaged» pode não estar ainda totalmente apreendido
pelos adeptos dos Lambchop, mas a verdade é que, ao vivo, as novas composições
coabitam plenamente com os temas de sempre de Kurt Wagner e companhia.
Com o chapéu da praxe e a mesma pinta de sempre, o líder dos Lambchop continua a
ser figura central de todo o conceito de espectáculo da banda: os músicos
agrupam-se em redor dele, é ele que conta as histórias (juntamente com o
pianista Tony) e, no fundo, é ele que está nas canções. Canções essas que,
tomando um certo country como base central, não recusam a frequente inclusão de
elementos electrónicos e um nervo muito rock'n'roll.
O que alguns pode ser visto como sonolento é, na verdade, a serena tranquilidade
de um parente próximo que nos conta (e canta, e que bem) as suas vivências,
devidamente musicadas por uma muito bem disposta banda. Na recta final do
espectáculo, um caricato momento: uma mulher surge da plateia e sobre o palco
para dançar ao lado de Kurt, esperando pelo final do tema para com ele trocar
algumas palavras. O músico regressaria, em encore, dizendo que teria de
explicar a situação à sua mulher…
Não sendo praticantes de música particularmente efusiva, os Lambchop merecem
crédito extra pela forma como conseguiram, uma vez mais, criar uma ligação
vincada com o público presente na sala lisboeta. O culminar com «Give It», tema
dos X-Press 2 vocalizado por Kurt Wagner, foi o festivo culminar de uma noite
especial. Lambchop na Aula Magna: intenso, denso, soturno e, no fim, alegre e
até mesmo festivo. Tão grandes ou maiores que a vida.
TRAUMA.
Vinte canções, temas, ..., o quê ?
Entre elas uma versão de uma das marcas mais persistentes na música de Lou Reed, Take a walk on the wild side. E como está cheia de estranha modernidade, de uma outra dimensão.
Embora editado na Alemanha, acho misterioso e fascinante como é que esta música vem daquele país.

De quando em quando poisam-me no coração aqueles sons dos primórdios da IF. Foi o que aconteceu hoje com Well I Wonder, dos Smiths.
Well I wonder
Do you hear me when you sleep ?
I hoarsely cry
Why
...Well I wonder
Do you see me when we pass ?
I half die ...
Why
...Please keep me in mind
Please keep me in mind
Gasping - but somehow still alive
This is the fierce last stand of all I am
Gasping - dying - but somehow still alive
This is the final stand of all I am
Please keep me in mind
Well I wonder
Well I wonder
Please keep me in mind
Keep me in mind
Keep me in mind
(in Meet is Murder - Fevereiro de 1985)
... e lembrar que este album foi nº1 de vendas no Reino Unido !
# A reminiscent drive : Serenade (extracto)
# Chet Baker : Almost blue
# Costeau : To know her
# Explosions in the sky : Your hand in mine (with strings)
# Explosions in the sky : Your hand in mine (goodbye)
# Lou Reed : Perfect day (never ending IF remix)
# Balun : Everything is alright
# Lanterna : Hope
# Bauhaus : Hope
# Richard Hawley : Love of my life
# April March : La piscine couvert
+ sons de velho elevador; vento nas árvores; trânsito sobre piso molhado; corpo que cai na água; nadar em piscina interior.
Apenas disponível na web.
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Podcast
Cat Power @ Aula Magna (2006-12-04): Fotos









Cat Power @ Aula Magna (2006-12-04) por Manuel Lino @ musica.iol.pt
Cat Power @ Aula Magna: musica.iol

Cat Power na Aula Magna (foto de Manuel Lino)
Cat Power redimiu-se na Aula Magna Cantora conseguiu deixar boas recordações
2006/12/05 | 16:41 Lara Rosado @
musica.iol.pt
Cat Power esteve ontem na Aula Magna e, apesar dos problemas técnicos e de som
que surgiram durante o concerto, o balanço final foi positivo, com uma sala
repleta de público.
Esta foi a segunda vez que a cantora actuou em Portugal e até conseguiu limpar a
má imagem que tinha deixado na sua última passagem pelo nosso país.
Há dois anos, Cat Power actuou em Matosinhos, mas desiludiu os fãs com um
espectáculo de mais de duas horas, onde só cantou três músicas e passou o resto
do tempo a contar histórias e a discutir com o público. A cantora aproveitou
esta visita para pedir desculpa pelo seu comportamento.
Com um cigarro na mão, a artista subiu ao palco e interpretou músicas do seu
último álbum, ″The Greatest″, mas também alguns temas de discos anteriores,
como ″I Don t Blame You e o cover ″Satisfaction″ dos Rolling Stones.
Cat Power esteve praticamente todo o concerto acompanhada pela The Dirty Delta
Blues Banda, mas ficou sozinha a meio do espectáculo para interpretar alguns
temas ao piano. Era essa a sua intenção, mas rapidamente a cantora, agitada e
irrequieta o tempo todo, desistiu de imediato da ideia, desculpando-se com o
facto de poder estar a aborrecer o público presente na Aula Magna.
No fim a plateia ficou satisfeita com o concerto e, apesar de não ter havido encore,
aplaudiu de pé a actuação da cantora. Cat Power agradeceu a presença de todos e
andou no meio do público a distribuir setlists amarrotadas - uma maneira
original de dizer adeus.
Cat Power @ Aula Magna (2006-12-04): Diário Digital
Cat Power na Aula Magna: A redenção segundo Chan Marshal
O Festival Radar, que trouxe Stuart Staples, Lisa Germano e Yo La Tengo,
terminou ontem, 4 de Novembro, com Cat Power (ou Chan Marshal) ao vivo na Aula
Magna, em Lisboa. Um concerto com algumas imperfeições técnicas e problemas de
som, que impediram o público de ser mais caloroso. Valeu pelos intensos
momentos a solo, no piano e na guitarra... a redenção segundo Chan Marshal.
Depois de uma passagem frustrada por Matosinhos há dois anos, onde, reza a
história, Cat Power esteve três horas em palco para tocar três músicas
completas e se fartar de contar histórias, a autora de «The Greteast» chegou à
Aula Magna visivelmente bem disposta, cheia de sorrisos, e saltitando e
dançando durante as canções. Pediu desculpas pelo seu comportamento nesse
concerto e redimiu-se, cumprindo com o que lhe era exigido.
Desta vez foi até ao fim, não se perdeu em histórias nem deixou de tocar as
canções que todos queriam ouvir (com as devidas excepções, claro), abordando
todos os seus registos e até o álbum de covers, do qual tocou, entre outras, a
excelente «Satisfaction», dos Rolling Stones. «Crazy», de Gnarls Barkley, não
faz parte desse álbum mas foi outra das versões tocadas na noite de ontem.
Acompanhada por uma super banda – The Dirty Delta Blues Banda – constituída por
Jim White (bateria) dos Dirty Three; Greg Foreman (teclas) dos Delta 72; Judah
Bauer (guitarra) dos Blues Explosion, e Eric Papparozzi (baixo), Cat Power
centrou a sua apresentação num registo blues rock (dado pela banda) e também
folk, deixando de lado algumas canções mais íntimas e intensas, apostando antes
no ambiente de festa e de descontracção.
A intimidade só ocorreu por breves momentos, quando Cat Power ficou sozinha em
palco, entregue ao piano e à guitarra, proporcionando o melhor de todo o
concerto e um dos episódios mais intensos e cativantes de sempre. Chan Marshal
deu-se a conhecer, entregou-se ao peso daquelas canções e provou que era capaz
de as tocar, que estava curada dos seus tão conhecidos estados depressivos e
atitudes emocionais.
Desculpas aceites, o público aplaudiu de pé no final do concerto. Chan Marshal,
a frágil e complexa rapariga americana, agradeceu a oportunidade, recebeu uma
rosa e foi para o meio do público atirar setlists amarrotadas. Descalça (tirou
os seus sapatos portugueses, como fez questão de dizer, a meio do concerto)
regressou ao palco e ficou a acenar da porta durante uns breves minutos. Não
voltou, mas deixou memórias. E desta vez foram boas.
Ana Batista in
Diário Digital (2006-12-05)
Cat Power @ Aula Magna (2006-12-04): JN
Sexy, uma mulher terrivelmente sexy
Há três anos, Chan Marshall - ou Cat Power -- passou por um bar em Matosinhos
para uma actuação que tão cedo não sairá da memória daqueles que lá estiveram.
A rapariga, embriagada, estilhaçou-se em desatino ébrio e interpretou apenas
três canções completas ao longo de várias horas. Conta-se que passou a noite
inteira numa dispersão etílica. E se alguns ficaram encantados com tal postura,
outros - muitos mais - desiludiram-se com o desleixo de uma rapariga que
afogava o seu talento naquele naufrágio de bebedeira decadente.
Esta semana, regressou a Portugal para aquele que foi o mais concorrido dos
quatros concertos do Festival Radar (ontem terá actuado na Sala batalha, no
Porto). Chan Marshall, 34 anos, conseguiu lotar a Aula Magna, em Lisboa, com
uma assistência algo receosa daquilo que estaria para acontecer. "Será que ela
vem sóbria?", perguntava-se. E quando a mulher - e que mulher... - entrou em
palco de copo na mão e as pernas irrequietas, houve quem temesse o pior.
Se por um lado, a banda que a acompanhou não raras vezes abafou o desempenho da
principal protagonista, por outro notou-se que os seus companheiros controlavam
o comportamento de uma mulher que parecia caminhar numa linha ténue entre a
espontaneidade performativa e uma certa displicência.
Tal facto foi particularmente evidente na altura em que ficou sozinha em palco,
movendo-se pelo piano em gestos hesitantes e letras improvisadas. Mas verdade
seja dita esses foram os melhores momentos de um concerto razoável mas não
excepcional. Mas, vá lá, não se descontrolou - ou, pelo menos, limitou os danos
à performance. E cantou-nos música dela e dos outros. E dançou, ajoelhou-se,
descalçou-se, moveu as pernas, rodopiou os pés, pontapeou o ar. E tudo isso faz
dela uma mulher sexy, terrivelmente sexy.
Cristiano Pereira in JN (2006-12-06)
Esta noite, nova emissão-RUC sobre as eleições na AAC.
Encontro marcado entre a IF e seus ouvintes na web.
Stuart A. Staples @ Aula Magna (Diário Digital)
Stuart Staples na Aula Magna: O alegre deprimido
Em noite de derby local, o ex-vocalista dos marcantes Tindersticks levou à Aula
Magna as suas «Leaving Songs» de 2006, com pontuais passagens por repertório
passado. Sem grande magia, ficou assegurado o profissionalismo de músico e
banda e a elegância das canções.
A noite era de jogo decisivo não muito distante da Aula Magna, mas a verdade é
que tal não foi impedimento para que uma sala praticamente cheia recebesse nova
vinda de Stuart Staples a Portugal. Um regresso sempre saudado pelo público
nacional, que desde o tempo dos Tindersticks vem tendo Staples como figura de
culto e devoção.
Com a sua banda de sempre, Staples assegurou em disco alguma da melhor elegância
pop dos anos 90. Em palcos nacionais, solidificou-se um culto que, mesmo
atenuado na carreira a solo do músico, ainda é mais do que suficiente para
garantir uma boa audiência. Tal verificou-se nesta primeira data do Festival
Radar.
Desde sempre conotado a ambiências mais depressivas e obscuras, Stuart Staples
brindou o público com alguns temas onde uma nova luz se parece desenhar nos
horizontes no músico. «Leaving Songs», disco recente, foi o mote para um
concerto centrado, como seria de esperar, na inconfundível voz do britânico.
Pelo palco passaram temas de recorte clássico, essencialmente assentes em
guitarras e piano. Staples, animado, apresenta a banda e brinda no final com
companheiros de estrada. Depois de passagem recente pelo Santiago Alquimista,
desta vez foi a Aula Magna a acolher um espectáculo onde, mais do que qualquer
inspiração divina, triunfou a competência e o profissionalismo.
Sem deslumbrar por aí além, Stuart Staples trouxe neste seu regresso a Lisboa
aproximadamente hora e meia de canções. Das boas. E isso já não é nada mau…
Pedro Figueiredo,
Diário Digital , 2006-12-02
Há concertos que fazem certas noites ser inesquecíveis. Sobretudo quando nem
mesmo, ao regressarmos a casa, a audição compulsiva das mesmas canções, em
disco, consegue produzir em nós um efeito minimamente semelhante. Foi preciso
estar lá. Respirar o mesmo ar. Partilhar, em silêncio de comunhão, as mesmas
músicas. Viver o mesmo momento que o músico.
Foi assim o concerto de Lisa Germano, na segunda noite do Festival Radar.
Inesquecível. Envolvente. Arrepiante.
Há muito que a cantora era presença aguardada por estes lados, a sua visita
como elemento da banda que acompanhava os Eels, por ocasião de discreta
passagem pelo Lux há alguns anos, a saber a pouco... Magoada pelos destinos de
uma indústria que a foi abandonando depois dos primeiros êxitos (relativos) em
inícios de 90, chegou a anunciar uma retirada, encontrando novo destino ao
serviço de uma estimulante livraria em West Hollywood. Mas a pulsão criativa
dominava ainda o seu corpo e, fora de horas, novas canções foram nascendo,
primeiros sinais de nova etapa revelados em 2003 no soberbo Lullaby For Liquid
Pig, demanda apurada e continuada já este ano no igualmente sublime In
The Maybe World, um disco nascido de reflexões em torno da ideia da
morte (como noção superlativa de perda) mas que, um ano depois de composto,
Lisa Germano sente, afinal, como um manifesto de vida. Assim o explicou no
Santiago Alquimista. Assim o demonstrou um concerto de quase duas horas de
canções discretas, sussurradas, mas gritantemente belas.
Como os dois últimos discos o sugeriam, Lisa Germano optou pela mais extrema
nudez instrumental, a simplicidade atingida em diálogos para voz e piano, este
último por vezes cedendo o lugar a uma guitarra. Triste, mas não depressiva
(como fez questão de sublinhar), esta é uma música que acontece à flor da pele,
apenas possível numa alma de sensibilidade franca, sem receio das suas
fragilidades, dúvidas e limitações.
Lisa não gosta muito de falar entre músicas, aproximando mais a sua vivência de
palco do modelo do recital, que da mais vulgar festa para interacção, risos e
canções. O calor de uma plateia (e um balcão) que enchia no limite a sala
levaram-na, sem que se sentisse forçada, a estabelecer frequentes pausas para
notas explicativas, mesmo assim optando por juntar canções como de longos medleys
se tratasse. E assim, juntas, escutámos as peças-chave dos seus dois
últimos discos, tutano de uma noite que não negou visita aos anos 90,
recordando pequenas maravilhas como Reptile ou Victorious Secret,
em leituras despojadas, de puro assombro. A maioria das memórias mais remotas
nasceu, de resto, de uma sessão de "discos pedidos", que caracterizou a recta
final do concerto.
Nota sombria apenas para o alienígena acompanhamento de copos, garrafas e
máquina registadora, vindo de um bar aparentemente alheado do momento que a
mesma casa acolhia. Regresse brevemente, mas em sala sem copos...
Nuno Galopin, DN , 2006-12-04
# Skalpel : Sculpture (extracto)
# Beach Boys : Caroline, no ( stereo baching track)
# Brian Wilson : radio promo (Caroline, no)
# Kate Bush : Aerial Tal
# The Beatles (George e Gile Martin) : Gnik
# Readymade : Interlude
# David Sylvian : It'll never happen again
# Bernard Hermann : Twisted nerve (Kill Bill - extracto)
# Jens Lekman : If you ever need a stranger (to sing at your wedding)
# Murcof : Recuerdos (extracto)
# Pascal Comelade : 24 mila baci
# Robert Wyatt : Memories of you
# Mathilde Santing : Close watch
# Balun : I shouldn't do this
# Explosions in the sky : Your hand in mine (never ending IF remix)
# Labradford : Soft return
# Beach Boys : Caroline, no (takes 4 e 5)
# Explosions in the sky : Your hand in mine (extracto)
+ pequenos sinos; campainha de telefone; tempestade
Apenas na web.
Download mp3: http://www.esec.pt/radio/programas/intimafraccao/if.html
Podcast: http://www.gavezdois.com/
Um trabalho sobre podcast realizado por Carolina Lapa e Vítor Ferreira (alunos de Comunicação Social na Universidade do Minho), que passa pela Íntima Fracção.
É preciso que a geração deles, com a sua criatividade e sonho, mais do que conquistar o poder nos media, derrote o poder dos media e avance para o seu futuro abrindo janelas nos novos meios.
Um bom exemplo, logo hoje que passei a tarde com o Edgard Costa (GavezDois) falando sobre podcast com alunos de Comunicação na ESEC - Coimbra.
Fanny Ardant et moi
ARE YOU READY TO BE HEARTBROKEN
# Sengei Ono : I think of you
# Spektrum : Shall i jump
# John Denver : Whose garden was this
# Aphex Twin : Avril 14th
# Lauren Hoffman : Broken
# Phonophani : Oak or rock (extracto)
# The Smiths : Asleep (soundcheck em Inverness Eden Court, 1 Out. 1985)
# The Smiths : Asleep
# The Divine Comedy : A lady of a certain age
# Broadcast : Tears in the typing pool
# Birch Book : Sleepless search
# M.Ward : Chinese translation
# Flying Lizards : Tears
# Piano Magic : The journal of a disappointed man
# Dave Berry : This strange effect
# Hooverphonic : This strange effect
+ lobos a uivar ; extracto da banda sonora de Pulp Fiction ; cavalo que se afasta ; caminhar sobre pedras
Download mp3: http://www.esec.pt/radio/programas/intimafraccao/if.html
Podcast: http://www.gavezdois.com/
Rádio: http://www.ruc.pt/

@Museu da Rádio (arquivo) via Público
Álvaro Jorge, Mary e Jorge Alves - RCP há 70 anos.
Vídeo killed the radio stars ... ?
Não.
Quem não ama a Rádio, sim.
I've had my share of the crying game ...
(Crying Game - Dave Berry - 1964)
Uma palavra.
Adequada. A que não existe.
Para lá da linguagem.
Só na música. E ...
em raras imagens miraculosas.
O que se vê são os meus olhos, nunca o meu coração.
# Cocteau Twins : Lazy Calm
# Colin Newman : Alone (piano solo)
# Howard Devoto : Some will pay
# Echo and the Bunnymen : Hang on to a dream
# The Smiths : Well i wonder
# Honeyroot : Love will tear us apart
# Broadcast : Echo's answer
# Aphex Twin : Penty Harmonium
# Junior Boys : Whem no one cares
# Eumir Deodato : Pavane for a dead princess
# David Bowie : God only knows
# Durrutti Column : The missing boy
# Tom Waits : Closing time
# Vera Lynn : We'll meet again
Download mp3: http://www.esec.pt/radio/programas/intimafraccao/if.html
Podcast: http://www.gavezdois.com/
Rádio: http://www.ruc.pt/
Para os que não estiverem em Zagreb no sábado, fica aqui o vídeo do Paulo Abrantes.

clic na imagem
Em busca de quê ?
Do instante único, irrepetível, em que acreditamos ir ser felizes ?
Íntima fé no azul da rádio.
# Montagem (Nelson Fernandes edit)
# Eels : Theme for a pretty girl that makes you believe god exists
# Lisa Germano : Too much space
# Micah P. Hinson : Seems almost impossible
# Various Production : Fly
# Isan : Stickland
# Beach Boys : Wind Chimes (instrumental backing track)
# Hector Zazou : Lettre au Directeur des Messageries Maritimes
# Junior Boys : When no one cares
# Alla Polacca : A Cláudia é ... (burra)
# Eels : Marie floating over the backyard
# Eels : Suicide life
# Craig Armstrong : Delay
# Tindersticks : Les gateaux
# Cat Power : Remember me (solo version)
# Angelo Badalamenti : extracto bso Blue Velvet
# Holly Golightly : There is an end
# Boards of Canada : Tears from a coumpound eye
Download mp3: http://www.esec.pt/radio/programas/intimafraccao/if.html
Podcast: http://www.gavezdois.com/
Rádio: http://www.ruc.pt/
Sinatra gravou em 1959.
Junior Boys retomaram em 2006.
When no one cares.
Nas recentes IFs.

(música nas capas)
When no one cares
And the phone never rings
The nights are endless things
You're like a child that cries
And no one heeds the crying
You're like a falling star that dies
And seems to go on dying
When no one cares
You just count souvenirs
And they glisten with your tears
You can't believe a love like hers
Could come from someone new
When no one cares - but you
(Sammy Cahn, Jimmy Van Heusen)
Da foto do António Pedro nem falo ...
Tudo o que está à minha volta, a luz, é a IF !
Recebi agora via e-mail, de Turku, esta reprodução daquelas páginas. Agradeço à Paula Sofia e aqui ficam.
You say there were breezes.
I've heard records of breezes.
And I'd love to have felt one.
Tell me again I need to know.
The forest had trees, the meadows were green.
The oceans were blue and birds really flew.
Can you swear that it's true.
(Tom Paxton por John Denver em Whose Garden Was This ? - 1970)
escutar um extracto da intemporalidade
A decadência da rádio portuguesa ( ... claro que não é só a rádio !), obriga-nos a estar muito atentos. As coisas verdadeiramente interessantes passam-se, despretenciosamente, na net.
A série "Como no cinema", de Francisco Mateus, realizada para a TSF nos anos 2000/2001, começou a ser recuperada através da net AQUI.
Francisco Mateus confirmou nessas emissões, com enorme Arte, que a rádio é feita de sons e estes são fluídos invisíveis que nos fazem chegar aos sentimentos.
A série vai ser recuperada não na totalidade, mas pelo menos 39 edições vão ficar disponíveis ao ritmo de uma por semana. São fundamentais ! Devem ser guardadas para utilização por todos os que ensinam e aprendem Rádio (ou o que em vez dela se desenha).
Como no cinema.
A primeira incursão dá-se em Ferrara: uma cidade de música.

É essencial que estejam informados.
Hugo Pinto, actualmente jornalista em Macau, mas que passou pelo Público e se interessa apaixonadamente pela música, pela imagem, pela escrita, pelos blogs e, claro, também pelos sentimentos, passou a disponibilizar podcasts de uma hora que são igualmente essenciais. O Hugo explica assim aquilo a que chamou Miss Tapes :
A partir de hoje publicarei uma série de gravações a que dei o nome de "Miss Tapes". São "podcasts" de uma hora em que se alinham músicas. Só isso. Como as cassetes que se gravavam para a namorada. Um desejo na forma de uma esperança. Tal como este blogue, a única pretensão das "Miss Tapes" é comunicar. A música é a linguagem do indizível. Há palavras chave. Há sensações que se repetem. Mas, apesar da familiaridade e do desconhecido, resta um amontoado de intenções cristalizadas. Haverá sempre uma palavra a menos no seu lugar. É esta a derradeira maldição. E é este o eterno combate, porque de forças adversas falamos. Contra isso, a Fé tem que ser Diversa. in Fé Diversa
# TBA : Okean K (extracto)
# Beach Boys : God only knows (vocais - extracto 1)
# Alva Noto + Ryuichi Sakamoto : Trioon I
# Aphex Twin : Avril 14 th
# Cat Power : The Greatest (solo version)
# Heiner Goebbels (c/Arto Lindsay) : Alone in the elevator (extracto)
# Paddy McAloon : Sleeping Rough
# Southern Arts Society : That time is gone (extracto)
# Isan : Seven Mile Marker
# Junior Boys : When no one cares
# Balun : I shouldn't do this
# Marguerite Duras : extractos de entrevista sobre fundo de Virginia Astley
# Eluvium : An accidental memory
# Burial : Forgive
# Camera Obscura : Country mile
# Charalambides : Hope against hope
# Balun : Disappearing act
# Aphex Twin : Aussois
# Aphex Twin : Avril 14 th
# Beach Boys : God only knows (vocais - extracto 2)
+ tic tac relógio; corpo que cai na água; chuva; resíduos de textos e de músicas
Download mp3: http://www.esec.pt/radio/programas/intimafraccao/if.html
Podcast: http://www.gavezdois.com/
Rádio: http://www.ruc.pt/
Quem consegue ?
( distribuição em podcast pela 1ª vez da IF disponibilizada exclusivamente em mp3 no Outono de 2003 - 1ª IF realizada para a net pos-TSF)
Detalhes aqui.
De qualquer forma ela será disponibilizada na web e distribuída em podcast.
Contem com a IF. Ela conta (desesperadamente) convosco.
Obrigado.
O Hugo, de longe, ofereceu-me um Avril 14th, de Aphex Twin, mas onde ele julga encontrar pedaços de azul entre as núvens, está apenas (e sempre ?) um enorme esforço para as separar.
O Hugo, na sua fé diversa, deixou um vídeo de Trioon I - música de Alva Noto e Ryuichi Sakamoto. É este que traduz o momento de suspensão adequado. A insustentável expectativa que me acorda o peito. Os olhos postos em quase nada, e no entanto, há uma fina linha que se mantém viva.
# Beth Orton : Sisters of mercy
# Balun : I Shoudn't do this
# Burial : Forgive
# Isan : Lente et grave (Satie)
# Isan : Roadrunner
# Blueneck : Le : 465 (Alpha remix)
# Alpha : Song to the sirene (com Wendy Stubbs)
# Broadcast : Until then
# Camera Obscura : Razzle Dazzle Rose
# Squarepusher : Tommib help buss
# Piano Magic : The Nostalgic
# Caroline : Winter
# Johnny Cash : Help me
# Isan : Lent et douloureux (Satie)
+ curtos samples de Burial e PLU, sons de trovoada, chuva e vento. Textos.
AGORA, 4.as na RUC (1-2 h). ESECRádio online, 5.as. Distribuição do podcast, às 6.as.
Download mp3: http://www.esec.pt/radio/programas/intimafraccao/if.html
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Rádio: http://www.ruc.pt/
Vinda não sei já de onde, a mágoa, como um soluço de criança que não nos deixa respirar fundo, converte-se em som e risca o escuro como um traço luminoso. Sempre em busca do pedaço de azul entre as núvens.
Bateu-me em cheio, naquele espaço muito pequeno e sensível que se situa algures entre os ouvidos e o coração, quando o ouvi pela primeira vez, não sei bem onde (na cidade), dentro do carro, quando era transmitido entre as 20 e as 21 horas.
O VIDRO AZUL tem aquele toque mágico que se reconhece imediatamente pela ambiência conseguida.
O VIDRO AZUL só não tem uma maior difusão, devido ao actual estado decadente da generalidade da Rádio em Portugal.
Se neste momento, o VIDRO AZUL chegasse a uma rádio nacional, podia ser mau sinal.
O VIDRO é frágil e bastante azul !
Que a luz ténue do luar se reflita em ti durante muitas luas !

The man in the elevator (Der Mann Im Fahrstuhl) - Heiner Goebbels : Heiner Muller
Desde sempre, o que procuro na Íntima Fracção.
Uma tarefa nas fronteiras da impossibilidade, mas simultâneamente do inabdicável.
O som (a música ?), o silêncio, exprime muitas vezes o inexprimível. Porque, desde sempre, o receptor participa na construção da mensagem que recebe.
As imagens, neste campo, são insuficientes. Mesmo que acompanhadas de som, é esse mesmo som que as altera.
As imagens, de maneira a exprimirem alguma coisa que ultrapasse a simples interpretação das suas formas, têm que estar livres do som, ou, serem concebidas para aquele(s) som. Rigorosamente.
Isto é difícil de conseguir.
É necessária uma exclusividade que a subsistência não permite.
As novas formas de expressão audiovisual só podem seguir este trajecto.
O resto é mero showbiz.

Está estimado em 1,9 milhões o número de cães e em 1,5 milhões o número de gatos existentes em Portugal. Quase metade dos lares portugueses têm um ou mais animais de estimação, o dobro da média europeia.
Os animais de companhia completam um desejo humano básico ao oferecerem amor e afecto incondicional, e a sua dependência faz-nos sentir necessários e importantes por proporcionarem uma amizade intocável e sem julgamentos. Além de tudo isto, e contrariamente ao que muitas pessoas julgam, ajudam-nos a viver mais felizes e saudáveis.
in www.educare.pt
The sleeping hours takes us far
From traffic, telephones and fear
Put out your problems with the cat
Escape until a bell you hear
...
Its such a rainy afternoon
No point in going anywhere
The sounds just drift across my room
I wish this feeling I could share
The actor - Moody Blues
Para lá do grande refúgio que é a net, sinto-me satisfeito por ainda haver um pedacinho de éter para a IF.
Não acredito que 64% mais para a Ciência resolvam alguma coisa. Pelo menos enquanto o OE se ficar pelos 0,6% para a Cultura. É que bastou escrever um post com aquela história do Jura (tema da telenovela Jura), para aqui virem cair uns quantos mais visitantes.
Escrever telenobela também serve ...
Escrevi um post a propósito de "Nono andar", da Né Ladeiras e de Ana e as suas irmãs. Pois a Paula Simões (a quem a IF deve em boa parte o ter saltado para a net), enviou-me um ficheiro mp3 com a música.
E o que terá feito a Paula levar atrás de si o "Nono andar" para o sudoeste da Finlândia ?
Um mp3 a cair lá do norte ...

Razzle Dazzle Rose
Rose, I'm feeling older
I was as lucky as a four-leaved clover
I tried to be happy it wasn't easy
When I choose my colour it will be ...
Razzle Dazzle Rose
Camera Obscura
amanhã em Estocolmo,
dia 26, no TAGV, em Coimbra
lançamento da nova grelha da RUC

by Rockymike
Como a música tem sempre algo para acompanhar os dias !
Depois de um dia de chuva (de muita chuva), as memórias de um disco que o José Luís me trouxe de Paris, no início dos anos 80, em plena época (lá) das rádios livres (Rádio Alfa !).
From A to B. New Musik.
A World of Water.
(oiçam onde foram buscar as ideias - 25 anos depois - os compositores nacionais de música para anúncios a telemóveis)
JUST ONE SMILE (extracto)
Just one smile the pain's forgiven
Just one kiss the hurt's all gone
Just one smile to make my life worth living
A little dream to build my world upon
Quem (o quê) me protegia ?
Na nova grelha da RUC, a IF vai surgir nas noites de 4ª feira, à 1 da manhã.
Este facto vai obrigar a alterações na distribuição do podcast - no GavezDois - bem como da cópia em mp3 na ESEC Rádio On-line.
Para se fazer tudo com segurança e (alguma) calma, resolvi fazer este curto intervalo.
Ah Né ! Lembra-me a letra toda. Também pode ser só a música. Só tenho o disco em vinil e o gira-discos avariou.
Disseram-me que a nova telenovela da SIC - Jura (e juro que não faço ideia do que seja) tem como tema musical uma antiga canção de Rui Veloso e Carlos Tê. Pois, há vinte anos, em 1986, a Né Ladeiras trabalhava comigo num programa de rádio na RDP-Centro, chamado Boomerang. Um dia trouxe-me uma fita que tinha gravado em casa do Rui Veloso com a música (tipo unplugged) Jura. Julgo que a passámos umas duas ou três vezes na emissão.
A 22 de Março, a Né foi ao Porto participar no Festival RTP da Canção com esta música (que nesse festival teve que se chamar "Dessas juras que se fazem"). Ficou em 3º lugar. Aquilo cantado pela Né era uma coisa deslocada, ali, no meio da Dora e da Lara Li.
No princípio de Abril, numa data especial, reunimos em minha casa quase toda a gente que participava no programa : a Isabel Simões (uma voz de ouro, que antes dos 40 abandonou, desiludida, a comunicação social), o Pedro Trilho y Blanco (hoje advogado, que nessa altura assinava lá uma rubrica de uma hora - Music for your tape recorder), o João Costa (um dos mais elegantes e conhecedores animadores de rádio, que passou depois pela TSF e veio a fixar-se na RDP onde o mantêm absurdamente escondido), o Horácio Firmino (hoje reputado psiquiatra, que nessa época fazia uma rubrica sobre cinema) e, claro, a Né Ladeiras.
Rimo-nos muito com as "estórias" à volta do festival, mas o Jura ficou por ali.
Rui Veloso acabou por, mais tarde, gravá-lo e também As Vozes da Rádio o fizeram.
Agora dizem-me que é tema de novela.
Alô Né ! Para te recordar, aqui fica uma imagem da tua prestação com o Jura no Março de 1986 ...
Nunca mais lá foste, claro. Nem com a Ana e as Suas Irmãs (só participaste na gravação do disco ... e o maxi como era bonito. Acho que passei a versão instrumental na IF).

Mas não quero que a Né, se ler este post, fique zangada.
Do "Corsária", já do fim dos anos 80, passei muitas coisas na IF.
Um magnífico disco que devia ser recuperado, agora.
A capa.

E não Isabel, de facto não é a Micéu que está na capa, mas a Greta Garbo !

"Os homens são como viajantes cansados ...".
Este é um texto do livro "O tempo esse grande escultor", que tem acompanhado a IF desde as primeiras edições.
A autora é a escritora belga Marguerite Yourcenar. Nascida em 1903, faleceu três anos depois da IF ter começado - 1987 - (embora esteja ainda por descobrir quando é que a IF nasceu ...).
O livro é de 1983.
Yourcenar colocou na escrita muitas das ideias nas quais se baseia a Íntima Fracção.
"O nosso verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar inteligente sobre nós próprios". "Não estou certo de que a descoberta do amor seja necessariamente mais deliciosa do que a da poesia" (acrescento que não é possível descobrir o amor sem ter descoberto a poesia). "No conjunto, é somente por orgulho, por ignorância grosseira, por cobardia, que nos recusamos a ver, no presente, esboços das épocas que virão".
O Luís, que conheceu a IF em Portugal há muitos anos, tendo regressado à Venezuela há outros tantos, recuperou a IF através da web. Foi ele que se lembrou daquele extracto da Yourcenar. O Luís está na web também em Ombres de l'éther.
Por uma série de factores quase imponderáveis (incluindo um problema técnico), esta semana não houve Íntima Fracção.
Voltará para a semana.
Entretanto, na net, aqui ou ali, há muita coisa que provavelmente não ouviu ainda. Aproveite.
With your hand in his hair
And his hand in
Your back pocket
I couldnt help but stare
I wanted to tell you
That i was back in school
But in the dark of the club
I knew it wouldnt carry much weight
Well, i'm trying to learn your language
I'm trying to learn your language
(Smog - Bill Callahan)
Vento moderado (20 a 35 km/h) de sul, soprando forte (35 a 55 km/h),com rajadas até 80 km/h, nas regiões do litoral, rodando para sudoeste e tornando-se fraco a moderado (10 a 25 km/h) para o final da tarde. Nas terras altas, o vento será muito forte (55 a 75 km/h) de sudoeste, com rajadas até 120 km/h, enfraquecendo gradualmente a partir da tarde, para forte (40 a 55 km/h), com rajadas até 80 km/h.
# The famous lost 10.1.2005 playlist
Reposição da IF do alinhamento desaparecido.
(Por muitos pedidos recebidos ao longo de meses)
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40 anos de Pet Sounds
Já foi em Maio, mas as edições comemorativas sairam depois (CD+DVD).
Há um blog exclusivamente dedicado ao disco ! Lá podem encontrar imensa informação, incluindo um podcast que está a ser publicado a propósito da data.
João Bonifácio ( Y - Público ) escreveu na passada sexta-feira :
MELHOR DISCO DE SEMPRE E PONTO FINAL.
De acordo !
Há aqui um vídeo que inclui pedaços da gravação de Pet Sounds. Nunca tinha visto.
Em 8 de Abril de 1989, a IF passou o seu 5º aniversário. Estava na RDP e eu estava farto (não da IF), desanimado, desmotivado. Agora, com esta coisa do encerramento do Independente e de me ter lembrado daquela página dedicada à IF, recordo também que no Caderno 3, dois dias antes, o Indy fez uma montagem especial com a imagem de uns phones, cujo fio se desenrolava pelas páginas do caderno até à penúltima onde se anunciava aquela emissão. Uns dias antes tinha tido uma conversa telefónica com o MEC a quem disse da intenção de acabar com a IF, durante o programa do 5º aniversário. O problema é que eu era funcionário da RDP e a ideia, a concretizar-se, corresponderia a um processo disciplinar e muito provavelmente o despedimento. Seja como for, e não por causa disto, o MEC insistiu para que eu não acabasse com a IF e mostrou-me a gratuitidade do gesto.
Na noite de 9 de Abril realizei a emissão em directo. Tinha tudo escrito (julgo que conservo essa planificação). Na primeira hora, uma IF de aniversário, mas normal. Na segunda disse como fazia o programa, descrevi o estúdio e falei das dificuldades em prepará-lo. Tinha solicitado que me concedessem um dia por semana para a sua preparação, mas tal foi rapidamente rejeitado por a IF "ser uma actividade complementar e não a principal no meu trabalho na RDP". Cheguei a desligar um dos gira-discos quando estava a reproduzir um disco, deixando o silêncio pairar com um peso fora do comum para um programa de rádio. Mas estava tudo escrito e previsto. A IF foi até ao fim e continuou.
Poucos dias depois, chegaram os primeiros contactos da TSF para onde me mudei em Setembro desse ano.
Nessa noite de 9 de Abril de 1989, Enya tocou num espectáculo da televisão japonesa. Encontrei esse vídeo. Não que Enya tenha sido visita habitual da IF, mas pelo menos Orinoco Flow passou por lá numa altura em que eu imaginava viagens ao longo das costas, com o mar à vista.
Para completar estas histórias, e a propósito da imagem que ocupava a página inteira do Independente sobre a IF, recebi do Frederico Mira George uma informação, embora sem garantia de estar correcta : a ideia surgiu na reunião de ilustradores e escritores, se não estou em erro, ideia lançada pelo jorge colombo e pela céu guarda depois executada pelo pedro morais.
ORINOCO FLOW
(Enya)
Let me sail, let me sail, let the orinoco flow,
Let me reach, let me beach on the shores of tripoli.
Let me sail, let me sail, let me crash upon your shore,
Let me reach, let me beach far beyond the yellow sea.
From bissau to palau - in the shade of avalon,
From fiji to tiree and the isles of ebony,
From peru to cebu hear the power of babylon,
From bali to cali - far beneath the coral sea.
From the north to the south, ebudae into khartoum,
From the deep sea of clouds to the island of the moon,
Carry me on the waves to the lands I've never been,
Carry me on the waves to the lands I've never seen.
We can sail, we can sail...
We can steer, we can near with rob dickins at the wheel,
We can sigh, say goodbye ross and his dependencies
We can sail, we can sail...
# Niobe : In the sun (extracto)
# Jens Lekman : Me on the beach
# Niobe : In the sun
# Paul Simon : René and Georgette Magritte with their dog after the war
# Yo la tengo : Instrumental
# Four Tet : Fuji check
# BSO Lost in Translation : Intro Tokyo
# Radio Zhian Xuan (extracto)
# Piana : Early in the summer
# Gregor and Samsa : Young and old
# Southern Arts Society : That time is gone (extracto)
# People Like Us : Dead Radio (extracto)
# Quantic : Tell me like you mean it (extracto)
# Bell Orchestra : nuevo (extracto)
# Susanna and The Magical Orchestra : Don't think twice it's allright
# Oneida : Reckoning
# Yo la tengo : Downtown
# Idaho : To be the one
# Sengei Ono : I think of you
+ sons : corpo que cai na água; mar; " God forgive me ... but an old person without money is pathetic "; S.O.S. ; tráfego; pedras que rolam sobre pequena encosta.
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Rádio: http://www.ruc.pt/
Cada vez sei menos se é um programa de rádio ou se uma montagem sonora, uma música que utiliza outras músicas, voz, ruídos, sons, silêncios e expectativas. Um podcast ?
Este fim-de-semana, uma enorme colagem com várias surpresas.

Blinking lights on the airplane wings
Up above the trees
Blinking down a morse code signal
Especially for me
Os que enchem os carrinhos dos supermercados, que formam filas para o cinema, que ocupam os estacionamentos, que fazem outros ocupar.
Estão de regresso.
Os miúdos com corte de cabelo igual ao dos pop groups de há 40 anos, as famílias inteiras nos centros comerciais, o tipo que embirra com o segurança e ainda um outro que fala da viagem e das estradas.
Estão de regresso.
As motorizadas barulhentas como as de há décadas, os Seats a chiar na rotunda, os transportes cheios, as esplanadas ocupadas. A rapariga que me cumprimenta e eu não sei quem é.
Estão de regresso.
Às primeiras páginas dos jornais, os políticos, os consensos, os futebóis e que tais.
Estão de regresso e eu, embora me possa dar por satisfeito por cá estar, só penso em ir-me embora.
http://www.forests-forever.com/cgi-bin/index.cgi

Isto não é um cachimbo.
(e) Isto não é Setembro.

créditos : Ceci n'est pas une pipe (quadro - Magritte - 1929)
Come September (filme - Robert Mulligan - 1961)
músicas : René and Georgette Magritte With Their Dog After The War - Paul Simon
Come September Theme - Bobby Darin
# Balun : A surprise
# Susanna and the Magical Orchestra : Enjoy the silence
# David Sylvian : Where the railroad meets the sea
# David Sylvian : September
# Caroline : Where's my love
# Hanne Hukelberg : Words and a peace of paper
# Johnny Cash : Help me
# Burial : Wounder
# Charlotte Gainsbourg : L'un part l'a
# Richard Jobson : India song
# Balun : Squared triangles
# Fiona Apple : Pale September
# David Sylvian : Cafe Europa
# tema de Ghost Squad
+ sons : pequena água, pequeno fogo, subir escadas, porta, futebol em televisão de país longínquo
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Podcast: http://www.gavezdois.com/
Rádio: http://www.ruc.pt/
Agora que o ritmo da maré está em refluxo e as massas de regresso aos quotidianos cinzentos iluminados a néon de várias cores, o calor continua e o barulho (i.e. o ruído desorganizado) levanta-se em maré viva.
No meio da noite, para lá dos motores, ao longe, uma musiqueta persistente jorra de uma festa de subúrbio. Até as urgências de um hospital chamam os familiares dos assistidos como se estivessem numa estação de comboios. Oiço-lhes aqui perfeitamente os nomes. Posso fazer uma lista de toda a gente que por lá passou.
E se eu a publicasse na internet ? Proibiam-me de o fazer ou baixavam o som ? (reorientar as cornetas também não era mal pensado) ...
Ah ! se eu pudesse de novo viver dos meus programas ...
Partia de laptop de baixo do braço e algum lugar haveria para eu os produzir.
Tal como um escritor ?
Sim.
Os primeiros tempos da IF. Quando uma espécie de bossa nova entrara em alguma música do UK.
Everything but the girl.
Os dois primeiros álbums foram-me trazidos pelo Gonçalo de Carvalho (da BBC). Foi na IF que os EBTG passaram pela primeira vez na rádio portuguesa.
É desse tempo uma janela de bom gosto que se abriu nas charts UK. Astrud Gilberto entrou lá com a recuperada Girl from Ipanema e até a versão de Nina Simone para Don't let me misunderstood, regressou vinte anos depois e foi n# 1.

Acabou O Independente.
Nos seus tempos de glória, quando Miguel Esteves Cardoso e Paulo Portas lideravam o semanário, a IF era por lá considerada o melhor programa da rádio portuguesa. A certa altura, sem eu saber (nem conhecer nenhum deles, só vim a conhecê-los depois), publicaram uma página inteira de publicidade completamente gratuita à Íntima Fracção ! O anúncio (uma foto com um miúdo de costas, no meio da noite, frente a um posto fronteiriço) foi das mais belas imagens criadas sobre a IF. Nunca soube de quem foi a ideia.
Obrigado Indy !
É estranho o fim deste jornal.





