A propósito de uma noite de vento.
After all the jacks are in their boxes,
and the clowns have all gone to bed,
you can hear happiness staggering on down the street,
footprints dress in red.
And the wind whispers Mary.
A broom is drearily sweeping
up the broken pieces of yesterday's life.
Somewhere a Queen is weeping,
somewhere a King has no wife.
And the wind it cries Mary.
The traffic lights they turn blue tomorrow
And shine their emptiness down on my bed,
The tiny island sags downstream
'Cos the life that they lived is dead.
And the wind screams Mary.
Will the wind ever remember
The names it has blown in the past,
And with this crutch, its old age and its wisdom
It whispers, "No, this will be the last."
And The Wind Cries Mary.

Jimmy Hendrix
Van Morrison de regresso e agora na Blue Note.
Não sei se a etiqueta será uma mais valia para a música de Van. Visitante habitual da IF desde o seu início, Van Morrison volta com este What's wrong with this picture?. A capa evoca o design da própria Blue Note - anos 60. O disco abre com mais uma canção de tristeza e resignada revolta.
Saiu há 3 dias.
Salta-me nas mãos. Embaralha-se-me nos ouvidos. Saltita-me no coração, levemente inquieto. Quer encontrar a saída (a IF) e não disfarça a ansiedade.

O Nuno Pereira deu-me a conhecer, através do Bodyspace, este livro. Era só o que me faltava para completar o trabalho arqueológico sobre PET SOUNDS(1966).
Depois de o ouvir há tanto tempo, vou procurar entrar na verdade desta absoluta obra prima do século XX ( e estou a falar em música popular). Na época, a Capitol, editora dos Beach Boys, não ficou satisfeita com o disco. Queriam mais do mesmo. Quer dizer, mais Verões intermináveis, carros, garotas e ondas ( take a wave and you're sittin' in the top of the world ). Brian Wilson não fez nada disto. Utilizou a música como pintura, como matéria plástica. Ao ouvir as sessões de gravação ( a que se seguiram intermináveis misturas só com Brian, um produtor e um técnico ), sente-se que "algo de raro e indefinível" estava a acontecer.
Espero que este livro me possa contar mais.

A Maria Eduarda apareceu com uma folha destas que o João Francisco lhe deu.
Em breve, tal como estas belíssimas folhas de plátano, cairá aí a colectânea "Outono" organizada pela Janela Indiscreta com capa (não menos bela) do Mário. Porque a ideia já vem de há muito, vai ser uma Íntima Fracção outonal registada em CD. Quem quer ? Ponha o dedo no ar ...
A Íntima Fracção é uma mulher.
Durante a semana, escolhia-lhe as mais belas peças de vestuário. Desenhava-a. Pintava-a. Dava-lhe recados.
Ao fim da semana, ela vinha. Como se fosse outra. Como se não tivesse sido eu a prepará-la. Falava suavemente. Levemente sedutora. Não chorava, mas fazia-me chorar. Não sei porquê.
Há três semanas que não aparece, mas todos os dias me envia mensagens. Diz, irónica, que ainda não é desta que eu me livro dela.
Is a woman.
De regresso ao futuro, lá vai o som olhando de cima a noite.
Imitation Electric Piano, Trinity Neon.


Ao retomar os Young Marble Giants, abri a porta para as memórias imediatamente anteriores à IF.
Se há pilotos de avião que têm milhares de horas de voo, eu tenho-as também "no ar". Só não sei onde fui, nem por onde passei. Por muito que queira imaginar, não chega.
Em algumas noites dos anos imediatamente anteriores à IF, com a cumplicidade da "assistência técnica", desligava a iluminação normal do estúdio e trabalhava apenas com um candeeiro sobre a mesa. É desse tempo, onde voar pela noite era uma aventura, que me chega a Lene Lovich. "Too tender (to touch)".
Too tender to touch
To fragile to last
These misty eyes are just enough
A little sign
To guide the way
We don't need so very much
"The Portuguese media marketplace is currently in the middle of a major realignment, with Lusomondo Media at the heart of it," said Donal Buggy, the chief financial officer at INM. ( no Guardian )

Young Marble Giants.
O trio de Cardiff, passeia pela cidade. Algures, nos anos que antecederam o nascimento da IF.
O Mário colocou no IF-NO-AR, o som e a letra de "Radio silents" dos Y.M.G. . Está num single que saiu em 1979 e mais tarde num álbum de 84.
Passa ali o som daquela espera por alguma coisa que vai acontecer.
O Hugo Ferreira da RUC (e do Cimbalino) fala no seu blog da ResonanceFM, de Londres (mas também na net).
O sonho explicado por quem o faz :
Imagine a radio station like no other. A radio station that makes public those artworks that have no place in traditional broadcasting. A radio station that is an archive of the new, the undiscovered, the forgotten, the impossible. That is an invisible gallery, a virtual arts centre whose location is at once local, global and timeless. And that is itself a work of art. Imagine a radio station that responds rapidly to new initiatives, has time to draw breath and reflect. A laboratory for experimentation, that by virtue of its uniqueness brings into being a new audience of listeners and creators. All this and more, Resonance104.4fm aims to make London's airwaves available to the widest possible range of practitioners of contemporary art.

Já sei, já sei ... Cá, isto não dá !
Portugal não voltará para trás (sic).
Depois do grande choque ( e pavor ? ) de ouvir um dos MAIORES radialistas portugueses ( Aníbal Cabrita ), vulgarizado por uma lista de músicas (?) a cumprir, retomo a ideia deixada no Adufe . A letra de Caroline, no ( Briam Wilson-Tony Asher ) é a mais simples e eficaz forma de explicar o que nos vai na alma. Basta substituir Caroline por TSF ... Leia a letra completa no Adufe.

Chamo a atenção para um comentário ao post anterior deixado pelo Rui MCB.
Também eu ouvi esta noite o Aníbal Cabrita ser completamente esmagado pelo peso de uma playlist sem classificação.
Acabaram-se estas dúvidas, começaram outras.
Utilizo o blog para dizer que não consigo responder a todas as mensagens. Se receberem um simples "obrigado", não julguem que é sobranceria.
O que me impressiona mais, é descobrir que, muito para além do que alguma vez imaginei, há muita gente com gravações da Íntima Fracção.
Este post foi escrito depois de ter recebido mais uma mensagem de um ouvinte que tem IFs gravadas.
Assim, para além dos sons das memórias que envolvem os corações, a IF está espalhada, intemporal, em "velhos decks de K7" que a continuam em qualquer canto da noite.
As últimas emissões da IF, antes da suspensão, foram marcadas por " From a late night train " dos Blue Nile.
Nesta época de tomar fôlego e balanço, há também uma canção que eu gostaria de partilhar e que desenha bem nos ouvidos o actual estado de espírito.
Room with a view. A versão em inglês de "Chambre avec vue" de Henri Salvador, pelo próprio. Do CD com o mesmo nome, editado pela Blue Note. Reencontrei o disco através da Janela Indiscreta.

Um quarto com vista para ...
Se possível, de onde se possam ver as coisas do alto. Imaginar os percursos do som da IF, entrando por uma janela, poisando na cabeceira de alguém. No meio da noite. A promessa de voltar.
Em antena ( e também na Internet ) o que há de mais próximo da Íntima Fracção chama-se Vidro Azul. Vale a escuta e a visita ao blog.
Entretanto acabei de passar pelo IF-NO-AR. A sugestão deixada por MrDeltaSun já vai aqui : "Quanto custa uma frequência ?".
Calma.
Há longos longos anos que não sentia o que é passar um fim-de-semana sem a Íntima Fracção.
Se estivesse hoje no ar, teria passado uma das canções (suaves) de sempre na IF :
JE NE PEUX PLUS DIRE JE T'AIME
de Jacques Higelin.
O disco é de 1979. Utilizei-o pela primeira vez logo no primeiro ano da IF (1984). Foi o Paulo Eno Marques que mo emprestou. No Natal desse ano, chega a Manela Albuquerque - a prima, da EMI (Valentim, Vadeca ...) e dá-me o disco de presente. Um duplo vinil.
Há muitos anos que já não utilizo o vinil, mas esta música atravessou toda a história da IF. Hoje, tê-la-ia utilizado de novo. Conta o estado actual da minha relação com a TSF, com quem estou casado há 14 anos.
Je ne peux plus dire je t'aime
Ne me demande pas pourquoi
Je ne ressens ni joie ni peine
Quand tes yeux se posent sur moi
Si la solitude te pèse
Quand tu viens à passer par là
Et qu'un ami t'a oubliée
Tu peux toujours compter sur moi
Je ne peux plus dire je t'aime Hm Hm
Sans donner ma langue à couper
Trop de serpents sous les caresses
Trop d'amours à couteaux tirés
Si dure que soit la solitude
Elle te ramène à ton destin
La loi du grand amour est rude
Pour qui s'est trompé de chemin
Je ne peux plus dire je t'aime
Ne me demande pas pourquoi
Toi et moi ne sont plus les mêmes
Pourquoi l'amour vient et s'en va
Si la solitude te pèse
Quand le destin te mène ici
Et qu'un ami t'a oubliée
Tu peux toujours compter sur moi
Et qu'un ami vienne à manquer
Tu peux toujours compter sur moi

Ao Lourenço,
que comprou uma Rolleiflex no momento em que deviam ser compradas : anos 50.
Ao Lourenço,
um cavaleiro andante que deixou milhares de "retratos" noutros tantos milhares de casas.
Ao Lourenço,
a quem garanto que, se ninguém tomar contar da Rollei, esteja descansado que eu trato dela.
Well this could be the last time
This could be the last time
Maybe the last time
I don't know. Oh no. Oh no
The Rolling Stones em Coimbra, na noite da despedida da IF à TSF.

São os Stones ou os Pink Floyd ?

Estes são os Rolling Stones.

Mick Jagger correndo na noite de Coimbra ... em direcção ao "futuro incandescente".
Eu não estava no estádio. Era a última noite da IF na TSF. O concerto acabou a tempo. Os milhares de pessoas nas ruas lembraram-me a ENORME diferença entre um espectáculo de massas e um programa de rádio para ouvir sózinho.
Instagram