
Também na rádio devíamos poder levar no regaço umas quantas músicas que nos alimentassem o coração e a alma, e perante os "playlisters", abrir o manto e dizer com voz cândida : são rosas senhor ! (Celine Dion, Shakira, Bon Jovi, ... e outras quantas pétalas coloridas em laboratório !).
Tenho recebido várias mensagens lamentando o facto da Íntima Fracção não estar "no ar" e carpindo mágoas sobre o estado da Rádio em Portugal.
A propósito de músicas e rádio, o Meliante deu-me a conhecer um autêntico Fenómeno do Entroncamento.
Seja como for, a 8 de Abril a Íntima faz 20 anos e estou a preparar a festa. Íntima ... claro !
As ausências.
As difíceis ausências.
"Tu não és dono dos teus filhos. És apenas o arqueiro que lança a seta".
Como filhos, agora ou depois, descobrimos que gostaríamos antes ser boomerangs. Mas no trajecto de regresso, podemos não encontrar a mão que nos lançou.
O ar está estranhamente límpido. Mesmo de noite, vê-se.
Vê-se. Sabe-se. Pintores com tintas, mas sem telas. Pianistas com melodias, mas sem piano. Escritores com histórias, mas sem papel. Cantores com voz, mas sem palavras. Actores com personagens, mas sem palco. Radialistas, mas sem rádio.
As núvens passam, e não só à frente dos olhos da Cristina.
As nuvens passam, como têm sempre que passar. "All things must pass, all things must pass away."


Bardo Pond - Walking Clouds
É possível ouvir, através da net, a primeira emissão do clássico 5 minutos de Jazz, de José Duarte. Há coisas para sempre.
O que aconteceu ao Jazz Avenue do António Curvelo ? Eu sei, mas enfim ... a pergunta é agitação.
Sugiro que se pense e discuta o tema do post "RADIO FREE PORTUGAL", incluído no Retorta, alimentado pelo Mário. Os comentários também são para ler.

Partilhado, este poderia ser um pedaço de azul entre as núvens.
Voltou o frio.
Agora que eu pensava que a Primavera estava próxima.
A frase voltou o frio é muito mais fria do que o frio a que se refere.
Quem ouviu a Íntima Fracção, nem que tenha sido por pouco tempo durante os seus 20 anos, não deve ter escapado
à escuta de um "à procura do pedaço de azul entre as núvens". Esta frase é retirada de um quadradinho da série de BD Blueberry desenhada por Jean Giraud, com argumento de Jean-Michel Charlier. É aqui que estamos : à procura do pedaço de azul entre as núvens !

Nunca houve pouco para dizer
O Nuno relembrou-me um escrito do Fernando Alves.
É certo: o amor da rádio nunca acaba.
Afastai-vos da lepra que este silêncio trás.
De quarentena companheiros.
Que aos outros, aos que sobram, este silêncio também pesa.
Escutemos o silêncio das vozes que sobram.
Sussurrante nostalgia do que virá.
Voltaremos à antena numa inesperada manhã (noite), para dizer de novo:
O amor da rádio nunca acaba!
Erguemos pois os copos e os beijos.
Uma manhã (noite) destas, surpreenderemos os espantalhos do FM.
Amada rádio, até já.
Dá que pensar.
A Rádio Luna, a partir de amanhã, vai ser substituída por outra coisa qualquer ...
"Rádio clássica para a Grande Lisboa", não tinha como Deus a economia nem falava em dinheiro. Passava música e era calma, sem ser enfatuada.
Depois, ainda há quem critique o tom geral da blogosfera portuguesa por ser deprimido ou derrotista !
Cada vez admiro mais quem persiste no seu amor pela RÁDIO !

Um vídeo simples de Sondre Lerche, de regresso com "Two way monologue". Sai na 2ª, dia 8. Gosto particularmente de "It's over".
It's not over at all
You're just trying to smile
I know perfectly well
Such are things we both know
and we think we should say
just to organize the stains
Systems reveal their construction these days
as we escape to drift further away
We know the stars go out one night
but I can't tell you anything you wouldn't know
So nothing has been lost
O Vidro Azul vai encher a emissão do próximo dia 8 só com vozes femininas.
O Ricardo podia acrescentar esta, no álbum Corsária.

Sim. Né Ladeiras.
A Íntima Fracção comemora 20 anos a 8 de Abril.
Abre-se aqui a lista de prendas ...

O Perfil do Artista era uma rubrica apresentada no Rádio Clube Portugues, com produção, realização e apresentação de Igrejas Caeiro.
Teve início em Abril de 1954 com a entrevista a Jean Sablon e ao longo de 6 anos foram feitas 300 emissões e entrevistadas 258 personalidades. O programa terminou em 23 Fevereiro de 1960.
Quem quiser aprender a fazer entrevistas para Rádio que revelem a outra face dos entrevistados, deve ouvir com muita atenção estes registos. A colocação de voz de Igrejas Caeiro deve ser integrada no tempo. Já passaram quase 50 anos. Algumas destas entrevistas foram editadas em disco (vinil) e estão também várias disponíveis na net neste interessante site.
O programa começou antes da televisão e descobri que ia para o ar no horário nobre. Ainda no mesmo site pode ser ouvido o indicativo/abertura do Perfil do Artista.
Para ouvir, conversas com Aquilino Ribeiro, António Sérgio ou Jaime Cortesão.
É aconselhável ler o post A HISTÓRIA CENSURADA DA TSF, no Abrupto, de José Pacheco Pereira.
Agora que a "paixão da rádio" está moribunda, há várias perguntas a fazer. Eu faço já uma : haverá assim tanta gente interessante na rádio em Portugal para se deixar afundar um Aníbal Cabrita ? Como sobreviverá o Aníbal na casa de Shakira e Bon Jovi ?
Falo apenas de animadores e música. Até onde resistirão Aníbal Cabrita (um dos melhores radialistas portugueses dos últimos 25 anos), Ana Bravo, Francisco Mateus, José Maria Lameiras, Luís Paulo Borges, Mário Dias ? Já há muitos ouvintes que não resistiram.
TSF - Adeus !
“podia morrer nos teus olhos amada rádio”
diz Frederico Mira George no blog Saudades de Antero, citando Fernando Alves.
tsf – adeus!
diz ainda Frederico no seu blog.
Música Aos Pontapés
Os responsáveis pela programação da TSF decidiram, sabe-se lá com que intenção, mudar o tipo de música a que esta estação de rádio habituou os ouvintes (é claro que os hábitos mudam, mas há coisas que vale a pena não mudar).
[ ... ]
Ora, no caso da TSF, se alguns programas de enorme qualidade desapareceram - Linha do Horizonte ou Íntima Fracção são apenas dois exemplos entre muitos outros -, pouco ou nada parece ter sido feito para os substituir por outros espaços radiofónicos de talento semelhante. Pelo menos, a avaliar por aquilo que se ouve. Seja de manhã, à tarde ou até mesmo à noite. Agora, "tudo o que se passa" em qualquer rádio com tendências popularuchas, passa na TSF.
[ ... ]
Há quem defenda que a intenção dos autores da ideia é transformar a TSF numa espécie de rádio semi-noticiosa com uma música semi-jovem, para depois a despachar. Se a ideia é modernizar a rádio, a ideia falhou.
Mário Barros in Público (1.3.04)
Já o disse. Interessa-me apenas o inabdicável.
Falta pouco ?
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