Últimos dias de Verão. Gaivotas em terra. IF ao mar. Imaginário. " Quereria que o condicional não nos condicionasse, mas que nos tornasse mais sóbrios, que não nos submergisse num passado impossível nem nos exilasse para um futuro improvável." Ánguelov

Íntima Fracção - Verão 2004 - ouvir aqui.



E.

Coisas que Robert Bresson escreveu (sobre Cinema) e que se aplicam também à Rádio.

"Novidade não é originalidade nem modernidade".

Lembra-se de Rousseau : Eu não procurava fazer como os outros nem de modo diferente.



"Cinema, Rádio, televisão, revistas são uma escola de desatenção : olhamos sem ver, ouvimos sem escutar."

"O que os nossos olhos e ouvidos exigem não é a pessoa verídica, mas a pessoa verdadeira."

"O ouvido leva-nos para dentro. Os olhos, para fora."



Estas afirmações consolam. Apenas. É preciso que se mantenham vivas na memória. Eu sei ! ... curta.





Há uma remix de "Is a woman", dos Lambchop, feita pelos Alpha. E eu não sabia.

Uma Alpha garden party para ouvir aqui, transmitted from rural location in Dorset - England, via Satellite.





Quem não gosta que digam bem do nosso trabalho ?

Às vezes, a escrita sobre ele é mais bela do que aquilo que fizemos.

É por isso que chamo a atenção para ela.

Num tempo desperançoso, ela toca-me como a cadência longínqua e nostálgica de um Adufe.







A Íntima Fracção não induz ao sono. Induz ao sonho.

Esta foi outra bela ideia sobre a IF. Há dias, dita por um físico, o que é sempre muito mais rigoroso e irrefutável. Induzir, vem do latim inducère, «levar para dentro». Certeiro, Professor Carlos Fiolhais.









Try to remember the kind of September

When life was slow and oh, so mellow



De que é feita a Íntima Fracção ?

Tenho 16 anos. Uma rapariga loura, alta, beija-me furiosamente dentro de um automóvel (porquê ?).

Estou apaixonado e sei logo que não é por ela. A estes beijos, prefiro os outros que chegam em cartas de papel azul claro (perfumado ? Rochas, Avon, Chanel ?).

Setembro era um mês em que tudo era ainda possível.



Try to remember the kind of September

When you were a tender and callow fellow.

Try to remember, and if you remember,

Then follow... follow... follow me ...



A IF-Verão 2004.

A ouvir aqui.



" Da primeira vez, acendeu um círio numa pequena igreja italiana. Ficou surpreendido com a beleza da chama e o gesto pareceu-lhe menos idiota. Porquê privar-se desde então do prazer de criar uma luz ? Recomeçou e a este gesto delicado (inclinar o novo círio sobre o círio iluminado, esfregar docemente os dois pavios, encher-se de prazer com o atear da chama, encher os olhos desta luz íntima e forte) foi associando votos cada vez mais vagos que englobavam - pelo receio da escolha - "tudo o que não corre bem no mundo." (R.Barthes)

É tão difícil manter o ânimo, que aqui fica esta luz solidária com a iniciativa da Ânimo, do António Colaço. Por "tudo o que não corre bem no mundo". E é tanto !

O mundo existe. Por mais escondido que eu esteja, ele vem ter comigo. Na verdade, serei eu que o procuro.

Media.

Neste momento, quase toda a gente com responsabilidades de edição mediática, procura imagens da mais brutal e cobarde acção política directa dos últimos anos (que nos tenham contado). Como é preciso dizer (alimentar ?) algo sobre o assunto, lançaram-se dezenas de informações que se revelaram inconsistentes.

A SIC correu a criar os grafismos "promocionais" do drama. A segurar as famosas audiências. Não se perderam os ensinamentos do criador. O espectáculo, agora, chama-se "Terror na escola".

Na RTP 1, "excepcionalmente", interrompeu-se a transmissão do jogo da selecção dos sub-21, por causa do final (terrível) da crise. A verdade é que há muito a situação tinha atingido o nível de tragédia, mas o Mouravitch só tinha satélite para a hora do Telejornal e os outros canais estavam a começar os seus noticiários das 20 horas. JRSantos aparece entusiasmado. Transmite até uma estranha sensação de contentamente, que nada tem a ver com alegria. Apenas entusiasmo, frenesim. Fala alto, levanta-se. Dirige-se para um écran onde está preparado um grafismo sobre a situação (como são rápidos). Mais uma vez, "apanhado" pelas circunstâncias. Lá longe, "aquilo".







É nesta altura que me faz falta a IF. "The bright side of the moon".

September's here again ...

(David Sylvian)











PC lembrou-me que esta música passava, por esta altura, na IF.

Está neste disco. Passei-o pela primeira vez, graças ao João Costa.

September, demora 1'18''.









The sun shines high above

The sounds of laughter

The birds swoop down upon

The crosses of old grey churches

We say that we're in love

While secretly wishing for rain

Sipping coke and playing games

September's here again

September's here again

IF-Verão 2004 ainda aqui.





IF - Verão 2004.

Para ouvir, aqui.



"Behind two hills ... a swimming pool" - MÚM







Há várias.

"Behind two hills ... another swimming pool".







Na IF, os sons e as suas combinações remetem para as imagens. Por isso, quando se encontram os sítios, eles lembram música.







ÍNTIMA FRACÇÃO - VERÃO 2004

utilizando :

Introdução : indicativo da IF - Mar de Outubro (Sétima Legião)



# Booker T. Jones & MG's : Summertime

# Múm : Behind two hills, a swimming pool

# Isan : First date (with Jumble Sale)

# Spektrum : Shall i jump

# Beach Boys : excerto de God only knows (só vozes); Caroline, no (instrumental)

# Jesus&Mary Chain : extracto de Surfin' USA

# Nouvelle Vague : Love will tear us apart

# Lawrence : Somebody told me

# D.Sylvian&R.Sakamoto : World citizen (excerto); World citizen (i won't be disappointed)

# KLF : Madrugada eterna

# John Zorn : The good, the bad and the ugly

# The Album Leaf : Moss mountain town

# Destroyer : Your blues

# Dimitri from Paris : Welcome abord ; Okinawa love

# People like us : San Frandisco

# Tba : intr.detec.sys

# Astrud Gilbert : Once upon a summertime

# All night radio : All night radio ( IF remix )



Ainda : " Úuuuuuuuu ...", retirado da versão remisturada por Bill Laswell de "Is this love" (Bob Marley) - Dreams of Freedom.



Sons dispersos ao longo do programa :

mar, mergulhos para uma piscina, nadar, água que corre, vidro a partir-se, trovoada, mar calmo e sons de praia, gaivotas, radio a ser sintonizado, deitar coca-cola num copo, tv zapping, mar-ondas, fogo de artifício.



Textos :

próprios e mais um retirado do blog "Saudades de Antero" de Frederico Mira George.



IF editada com CoolEditPro.



A Íntima Fracção - Verão 2004, ouve-se aqui.

Obrigado Paula Simões. Obrigado Pedro Pais. Obrigado ESEC-Radio on line.

Obrigado a todos os que ainda acreditam. Que ouvem. Que querem ouvir. Que enviam mails. Que deixam mensagens.

Há um traço azul no futuro incandescente.

Aqui está !

Íntima Fracção do Verão 2004.

Podem ouvir ou fazer o download (e ouvir quando quiserem).

Vamos acreditar que este Verão ainda tem alguma coisa para nos dar !



Estive mergulhado num cocktail de entusiasmo e desespero. Isto dá uma mistura estranha. Comecei por ouvir (e voltar a ouvir) as Pet Sounds Sessions. Os momentos de experiências, erros e correcções, que vamos ouvindo sempre com a voz de Brian Wilson em primeiro plano, fazem-me compreender o entusiasmo do arqueólogo perante a descoberta de qualquer peça que, finalmente, lhe dê a exlicação procurada. São gravações com 38 anos ! Muito longe das tecnologias digitais. Era mesmo preciso tocar e cantar.
Depois, voltei ao meu pequeníssimo estúdio para misturar (finalmente) a IF do Verão 2004. O que pretendia fazer não se consegue com limitações tecnológicas (algumas enormes). Começo a não saber se a IF (ou eu ?) se encaminha para a Rádio ou para a Banda Sonora. Ou para a composição, simplesmente.
Agora, vou pedir que a coloquem online e split man ! , citando ainda B.Wilson em The little girl i once knew.
Bruscamente, no Verão passado.

É o nome de um filme realizado em 1959 por Joseph L. Mankiewicz. Um clássico com Elizabeth Taylor, Katharine Hepburn e Montgomery Clift.















Através de qualquer destes fotogramas, entra-se no trailer do filme.

Bruscamente, no Verão passado - quarenta e cinco anos depois, este título assalta-me com a força de todas as imposições.

Basta ! Não quero mais chuva em Agosto ...



pouco para dizer ...

No dia em que tinha decidido fotografar o fascínio da cidade deserta, na manhã de um domingo de Agosto, encontrei um skyline cinzento chuva.







A ideia de solidão desapareceu. Parecia-me agora que estava toda a gente em casa. O cimento molhado tornou-se igual ao dos domingos de Inverno.







Ao princípio da noite, da noite que era (é) a da Íntima Fracção, um skyline menos carregado, mas ainda com nuvens.







Depois, recebi um mail sobre a IF (sim, ainda os recebo, de ouvintes que suponho serem dos inabdicáveis).

" Sei que não é um e-mail muito animador e

provavelmente já deve estar farto de lamentações, mas

eu necessitava queixar-me, e dizer que a minha vida é

um pouco mais pobre, sem a Intima Fracção.

As musicas, os sons, as palavras, os silencios, tudo

alternado num ritmo só encontrado na atmosfera da

Íntima Fracção, fazem muita falta, (e tenho certeza

que não é só a mim)."


Estas mensagens têm sobre mim um duplo efeito. Primeiro, deixam-me arrasado. Onde estará este ouvinte ? Onde ouviria ele a IF ? Em que condições ? Há quanto tempo ? Porquê ? Será que terei mesmo conseguido, no meio da noite, como dizia Chevalier, "o misterioso contacto do coração" ? Depois, retomo o folgo, acredito e olho para o fim do dia a tornar-se numa clara madrugada.

Há sempre um traço azul no futuro incandescente !







Entrando por esta última imagem, há uma pequena mensagem que vem do fundo do coração da Íntima Fracção. É prosaico, mas é isto que quero dizer a todos os que ainda enviam mensagens.



A magnífica capa do Libération que mostra Cartier-Bresson em New York, 1935.



Uma das mais belas, e inesperadas, fotos tiradas pelo fotógrafo em 1968.
Precisava de estar aqui muito tempo. O suficiente para apanhar o ritmo do mar. O necessário para partir quando me apetecesse e não quando fosse obrigado.

São magníficos os locais de que se parte quando se é obrigado.











Passagem pela noite. A primeira noite de Agosto. A cidade, de passagem. O som. Somebody told me. Lawrence.



Persistentemente. Coleccionando sons. Prontos a navegar sobre as ondas. A poisar nos corações.