O que é que as CocoRosie têm a ver com a Íntima Fracção ?

Não sei bem se Brian Wilson devia ter feito o que fez.

O mítico Smile, era mítico porque nunca tinha sido terminado. Trinta e muitos anos depois, resolveu-se a completá-lo. Aparentemente está tudo muito cuidado, embora pense que Brian tem muito pouco a ver com isto.

Por mim, não abandono a veneração a Pet Sounds, gravado em 1966.











Corin Dingley e Andy Jenks, dos meus adorados Alpha, actuam no próximo sábado - 9 de Outubro - no Fundão.

Armados com a sua soul orquestral para colorir sonhos pop atmosféricos, apresentam ao vivo uma banda sonora para o clássico francês de 1923, "Le Brasier Ardent", de Ivan Mosjoukine. Depois de "Come from Heaven" (1997), "The Impossible Thrill" (2001), "Stargazing", editado em 2003, e de várias músicas incluídas em bandas sonoras de filmes espanhóis, franceses, japoneses, britânicos ou norte-americanos, os dois Alpha deixam o resto da banda em Bristol para esta incursão no mundo cinematográfico, fruto do desejo do duo de se aventurar pelas composições simplesmente instrumentais.

É no IMAGO - Festival Internacional de Cinema e Vídeo Jovem - que começou hoje no Fundão.







A primeira vez que me lembro de o ter visto, foi logo das primeiras vezes que vi televisão. Recordo-o a ler notícias, sem teleponto. Umas primas mais velhas achavam-no o mais querido de todos, por causa de uma covinha no queixo.



Esteve também no écran na noite do 25 de Abril. Foi ele que apresentou, um a um, os elementos da chamada Junta de Salvação Nacional.

Nunca imaginei que viesse morrer quase à porta da minha casa.

Atravessou as casas onde vivi, desde que me lembro. Esteve no melhor programa de sempre da televisão portuguesa. No entanto, dizia de si que já não era mais do que uma efeméride. Uma amargura. Imensa. Ele tinha a exacta noção de que a arte de comunicar foi substituída pela máquina de comunicar.

Tinha razão, o Zé Fialho.







"Before the poison" é o título do mais recente disco de Marianne Faithful. Confesso que só ouvi três temas. A participação de Nick Cave e PJHarvey é motivo de atração. Para mim, para além da voz sempre quente e envolvente de Marianne, há o fascínio pelo título : BEFORE THE POISON - antes do veneno. Não seria bom podermos voltar ao "antes do veneno" que nos deram a provar ou que nós mesmos escolhemos tomar ?



Faz hoje um ano que a Íntima Fracção poisou. O voo nocturno só foi retomado, de passagem, quando se completaram os 20 anos da IF. Não é por causa da ausência da IF, mas a rádio em Portugal, na generalidade, está sem alma !

E, no entanto ...

A tradição só surge quando o desejo ou visão do futuro necessita de uma base onde se apoiar. O futuro inventa o passado.

Recordação do último fim-de-semana de Setembro.







Na próxima 2ª feira, dia 27 de Setembro, estarei no Vidro Azul (RUC) entre as 23 e as 24 horas. Também na net, em directo.



PUGET SOUND - um conceito que une três projectos musicais : "The boy with the broken leg", "Daily Misconceptions" e "Electric Marbles". Editado em parceria pela Bor Land e Essay Collective, o disco pode ser descarregado (MP3) aqui.

Se querem um bom exemplo, escutem também aqui "Into marbles". Há alguma atmosfera IFneana.

Todos os impossíveis são possíveis. O milagre é apenas a ignorância dos termos segundo os quais se processa o sucedido.



O lugar da IF.



Parto durante a noite para o lugar invulnerável, luminoso no seio da inexistência. Parto para onde a paz progride como uma planta vivaz, um ouro irretornável.



Interessa-me apenas o inabdicável.

Sempre à espera de um sinal, de uma resposta, da intimidade de uma esperança.

Amor incondicional.

Que me importa o brilho do cristal sem o som do seu toque ?









Últimos dias de Verão. Gaivotas em terra. IF ao mar. Imaginário. " Quereria que o condicional não nos condicionasse, mas que nos tornasse mais sóbrios, que não nos submergisse num passado impossível nem nos exilasse para um futuro improvável." Ánguelov

Íntima Fracção - Verão 2004 - ouvir aqui.



E.

Coisas que Robert Bresson escreveu (sobre Cinema) e que se aplicam também à Rádio.

"Novidade não é originalidade nem modernidade".

Lembra-se de Rousseau : Eu não procurava fazer como os outros nem de modo diferente.



"Cinema, Rádio, televisão, revistas são uma escola de desatenção : olhamos sem ver, ouvimos sem escutar."

"O que os nossos olhos e ouvidos exigem não é a pessoa verídica, mas a pessoa verdadeira."

"O ouvido leva-nos para dentro. Os olhos, para fora."



Estas afirmações consolam. Apenas. É preciso que se mantenham vivas na memória. Eu sei ! ... curta.





Há uma remix de "Is a woman", dos Lambchop, feita pelos Alpha. E eu não sabia.

Uma Alpha garden party para ouvir aqui, transmitted from rural location in Dorset - England, via Satellite.





Quem não gosta que digam bem do nosso trabalho ?

Às vezes, a escrita sobre ele é mais bela do que aquilo que fizemos.

É por isso que chamo a atenção para ela.

Num tempo desperançoso, ela toca-me como a cadência longínqua e nostálgica de um Adufe.







A Íntima Fracção não induz ao sono. Induz ao sonho.

Esta foi outra bela ideia sobre a IF. Há dias, dita por um físico, o que é sempre muito mais rigoroso e irrefutável. Induzir, vem do latim inducère, «levar para dentro». Certeiro, Professor Carlos Fiolhais.









Try to remember the kind of September

When life was slow and oh, so mellow



De que é feita a Íntima Fracção ?

Tenho 16 anos. Uma rapariga loura, alta, beija-me furiosamente dentro de um automóvel (porquê ?).

Estou apaixonado e sei logo que não é por ela. A estes beijos, prefiro os outros que chegam em cartas de papel azul claro (perfumado ? Rochas, Avon, Chanel ?).

Setembro era um mês em que tudo era ainda possível.



Try to remember the kind of September

When you were a tender and callow fellow.

Try to remember, and if you remember,

Then follow... follow... follow me ...



A IF-Verão 2004.

A ouvir aqui.



" Da primeira vez, acendeu um círio numa pequena igreja italiana. Ficou surpreendido com a beleza da chama e o gesto pareceu-lhe menos idiota. Porquê privar-se desde então do prazer de criar uma luz ? Recomeçou e a este gesto delicado (inclinar o novo círio sobre o círio iluminado, esfregar docemente os dois pavios, encher-se de prazer com o atear da chama, encher os olhos desta luz íntima e forte) foi associando votos cada vez mais vagos que englobavam - pelo receio da escolha - "tudo o que não corre bem no mundo." (R.Barthes)

É tão difícil manter o ânimo, que aqui fica esta luz solidária com a iniciativa da Ânimo, do António Colaço. Por "tudo o que não corre bem no mundo". E é tanto !

O mundo existe. Por mais escondido que eu esteja, ele vem ter comigo. Na verdade, serei eu que o procuro.

Media.

Neste momento, quase toda a gente com responsabilidades de edição mediática, procura imagens da mais brutal e cobarde acção política directa dos últimos anos (que nos tenham contado). Como é preciso dizer (alimentar ?) algo sobre o assunto, lançaram-se dezenas de informações que se revelaram inconsistentes.

A SIC correu a criar os grafismos "promocionais" do drama. A segurar as famosas audiências. Não se perderam os ensinamentos do criador. O espectáculo, agora, chama-se "Terror na escola".

Na RTP 1, "excepcionalmente", interrompeu-se a transmissão do jogo da selecção dos sub-21, por causa do final (terrível) da crise. A verdade é que há muito a situação tinha atingido o nível de tragédia, mas o Mouravitch só tinha satélite para a hora do Telejornal e os outros canais estavam a começar os seus noticiários das 20 horas. JRSantos aparece entusiasmado. Transmite até uma estranha sensação de contentamente, que nada tem a ver com alegria. Apenas entusiasmo, frenesim. Fala alto, levanta-se. Dirige-se para um écran onde está preparado um grafismo sobre a situação (como são rápidos). Mais uma vez, "apanhado" pelas circunstâncias. Lá longe, "aquilo".







É nesta altura que me faz falta a IF. "The bright side of the moon".