A Larangina "C" tem música. Sempre teve. Pelo menos desde que um anúncio de televisão feito em desenho animado (a preto e branco), encaixou Apache, dos Shadows, na acção de encher uma daquelas garrafas que imitava uma laranja, com textura e até uma folha verde pendurada no gargálo.
Depois desapareceu e regressou como Orangina.

imagem recolhida no TRUCA, site do locutor de publicidade/voice over, Luis Gaspar.

A esta hora ela parte de Sabarmati Station, em Ahmedabad. Oito horas depois chegará a Central Station, em Mumbai (Bombaim). Olhando a baía, de frente para India Gateway, começará a nostalgia do fim de viagem. Aqui, ao longe, levantou-se um vento furioso. Como quero contar sempre com (pela) música, as imagens escondem Ravi Shankar e a voz de Lakshmi Shankar - I am missing you.

O rapaz no baixo é Marcelo, agora já muito crescido, acompanhando a mãe, Astrud Gilberto, num Festival na Europa. O mesmo que canta em You didn't have to be so nice, com 6 anos, no post anterior. Infelizmente, Astrud não tem actuado ao vivo nos últimos tempos.


Em cima, Astrud com António Carlos Jobim.
Em baixo, Astrud com Chet Baker.
Tempos de um bom gosto e classe irrecuperáveis.
O último disco de Astrud Gilberto só foi vendido através da internet. Jungle, inclui uma versão de The look of love, de Burt Bacharach.
Sabiam que há muito tempo (ainda ?), algumas estradas florestais portuguesas fechavam ao pôr-do-sol ? As estradas da Mata do Urso, onde se esconde a Lagoa da Ervideira, eram assim. Quando se lá ficava dentro, o sr. Rolo vinha abrir a cancela. O Rolo filho queria ir para a Marinha. Estavamos a metros do mar. Num outro 18 de Agosto, literalmente, eu deslizava sobre estas águas. Podíamos não ser completamente felizes, mas estavamos cá quase todos.



As fotos (belíssimas) são do Miguel Costa. Escondem a música que na minha memória se junta a estas imagens - a versão de Astrud Gilberto de You didn't have to be so nice (cantada com o seu filho Marcelo, na altura com cinco ou seis anos - informação que me foi dada em tempos pela secretária da própria Astrud).
Os Verões de quando tudo era ainda possível.
Miss teardrop.
Outra do Felix Laband que deviam ouvir.
Música escondida, não é ? Os playmakers das rádios estão convencidos (querem-nos convencer ...) de que há uma fórmula científica que consegue justificar as antenas fechadas.
Ontem. 22,30 h
Um grupo à volta de uma rapariga ao telemóvel : "Temos uma surpresa para vocês. Estamos em Coimbra ! Depois de tanta volta, chegámos à civilização."
De onde viriam eles ?
De Richard Rodgers / Lorenz Hart
Blue moon,
you saw me standing alone
without a dream in my heart
without a love on my own.
Blue moon,
you knew just what I was there for
you heard me saying a prayer for
somebody I realy could care for.
( . . . )

As imagens abrem para dois extractos de Blue Moon - Elvis e Billie Holiday.

Vem o Nick Cave ao Festival de Paredes de Coura e eu não vou, porque me dou mal com outros que também vão - "índios" e cervejolas.
Como é que o Cave poderá cantar Into my arms, Far from me ou a dilecta da IF - Slowly goes the night - naquele ambiente ? Provavelmente não cantará nenhuma destas. Faz bem.
Lover, lover, goodbye
So slowly goes the night ...
_____________________________
I don't believe in an interventionist God
But I know, darling, that you do
But if I did I would kneel down and ask Him
Not to intervene when it came to you
Not to touch a hair on your head
To leave you as you are
And if He felt He had to direct you
Then direct you into my arms
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms ...
______________________________
For you dear, I was born
For you I was raised up
For you I've lived and for you I will die
For you I am dying now
You were my mad little lover
In a world where everybody fucks everybody else over
You who are so far from me
Far from me
So far from me
Way across some cold neurotic sea
Far from me ...

Atrás da imagem está um magnífico vídeo.
Para quê efeitos especiais se o coração está na nossa cara ?
Já agora, um extracto da carta que Nick Cave enviou à MTV a propósito da sua recusa em ser nomeado para prémios daquela estação.
" MY RELATIONSHIP WITH MY MUSE IS A DELICATE ONE AT THE BEST OF TIMES AND I FEEL THAT IT IS MY DUTY TO PROTECT HER FROM INFLUENCES THAT MAY OFFEND HER FRAGILE NATURE.
SHE COMES TO ME WITH THE GIFT OF SONG AND IN RETURN I TREAT HER WITH THE RESPECT I FEEL SHE DESERVES - IN THIS CASE THIS MEANS NOT SUBJECTING HER TO THE INDIGNITIES OF JUDGEMENT AND COMPETITION. MY MUSE IS NOT A HORSE AND I AM IN NO HORSE RACE AND IF INDEED SHE WAS, STILL I WOULD NOT HARNESS HER TO THIS TUMBREL - THIS BLOODY CART OF SEVERED HEADS AND GLITTERING PRIZES. MY MUSE MAY SPOOK! MAY BOLT! MAY ABANDON ME COMPLETELY!SO ONCE AGAIN, TO THE PEOPLE AT MTV, I APPRECIATE THE ZEAL AND ENERGY THAT WAS PUT BEHIND MY LAST RECORD, I TRULY DO AND SAY THANK YOU AND AGAIN I SAY THANK YOU BUT NO...NO THANK YOU."

Ainda em Paredes de Coura vai estar o Vincent Gallo. Saberá ao que vem ?
Les vacances de mr. Hulot

Ainda os anos 50. Todos os verões, com Tati ...
A capa contém música original do filme. Em cima, o título esconde uma remistura recente de Mr. Untel. Experimentem.
O passado não é aquilo que passa, é aquilo que fica do que passou.
(Alceu de Amoroso Lima)

Figueira da Foz, anos 50
Música atrás da foto.
Em memória da Henriqueta, a primeira mulher que vi dançar rock'n'roll.
Há um ano que pararam os telefonemas, mas não as memórias.
Este silêncio de Verão.
Os silêncios são das maiores forças do crescimento psíquico. Representam tempos de pacificação, de resolução de conflitos, de reencontro, mas também são espaços de abertura, portas abertas à comunicação e ao preenchimento do que existe à nossa volta. Surpreendem. Marcam. Fazem adormecer, tanto quanto fazem sonhar.
Pedro Strecht, in Público, 12.8.05
Não sei se é verdade, mas soa-me bem.


Quando, vagamente, a temperatura baixa, saio de casa.
Como é bom o Verão na cidade ...
Em cheio. No meio de Agosto, a paisagem habitual é-me ainda mais indiferente. Tenho três dias para encontrar a cidade deserta. Não abandonada. Livre, finalmente !
Há ou não música Pop portuguesa sem ser pimba ? Não me refiro ao rock-fininho-português. Falo mesmo de Pop. Os Humanos fizeram-me sentir que há. e eu não fui ao Sudoeste ... ! Claro que muito devem a António Variações, mas Camané (Maria Albertina vai ficar como um clássico da pop portuguesa), Manuela Azevedo (Muda de vida, outro ... ) e David Fonseca, com os músicos e a produção do disco, construiram uma obra única e por isso irrepetível. Infelizmente eles deram por isso e ficaram-se por 4 concertos. Para mim, os 80 mil discos vendidos até agora não chegam. Uma digressão nacional era o mínimo, para ajudar a explicar que a ideia da Pop portuguesa ser cantada por Anjos, Carreiras e Romanas, é uma clara opção ideológica baseada na eternização do mau gosto anestesiante.
Ainda por cima, a Maria Albertina existe e a sua filha Vanessa também ! Ainda bem que foi nessa D. Albertina ...
7664 Km
Numa noite de Verão.

CAIXA NEGRA
é o título do livro de Frederico Mira George - edição Amores Perfeitos /Quasi / Magnólia.
Quem conhece o blog Saudades de Antero, saberá do que se trata.
CAIXA NEGRA está organizado em cinco capítulos a que Frederico chamou livros.
CAIXA NEGRA é uma colecção de textos que seguem as citações-farol do blog:
"the essential is no longer visible" - heiner muller / "um dia, sonhei que acordava" - m.cesariny
CAIXA NEGRA poderia ser uma colectânea para utilizar na IF. Frederico, suponho, vive a nostalgia da rádio.
O texto #23, página 37, é-me dedicado.
para o francisco amaral
que faço com as horas de dor ?
eu, rádio
tremor de um éter perdido, de orgãos devorados
que faço quando o amor é cada vez mais fraco
e as noites mais curtas e sem olhos
não há silêncios e morrem as paixões azuis
demasiados os invasores
são
demasiadas
as
ruidosas trovoadas-sem-fios
nem sequer relâmpagos
já só trovões missionários no negro da lua
onde estás floresta ?
onde
azul
- minha telefonia
Aproprio-me do poema. Alguém (ele, Frederico) escreveu-o para (por ...) mim.
A bela capa é do próprio Frederico Mira George, sobre fotografia de A. Carlos Mira, Lisboa 1932. Um livro para descobrir lentamente. Haverá sempre um texto escrito para (por ...) cada um de nós (leitores).

Um silêncio azul transparente. Vejo o passado.
Os sons, muito mais próximos do que as imagens.
Agosto é sempre um mês longínquo.
Embora aqui, não estou em nenhum lado.
As evidências desmotivam-me.
O que hei-de dizer ... fazer ?

A chuva.
Não me ocorre nada de melhor : It's raining again ... Uma cançãozinha dos Supertramp (la la ... la la la ... again ... ain ... ain ...) que eu passava na Antena 1, lá para 1982 / 83, num programa entre as 11 e as 13 (Rodapé, do Sansão Coelho).
Olhem a capa do single ...
Contém um clip áudio.

Há um outro It's raining again, de Tom Petty. Tomem lá clip ... aqui.
E Moby, no seu recente Hotel, também se lembrou de que chovia outra vez (Raining again).
Tudo coisas da outra vida da IF !
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