Próximo Post : as Festas (cof ... cof ...) da IF !
Talvez não dêem por isso, porque o pinheiro e o presépio estão demasiado longe para que se possam ouvir.
Anjos translúcidos, frágeis bolas coloridas, a estrela para o cimo da árvore. Tudo objectos perplexos por não lhes interromperem o sono anual.

# Langley Schools Music Project : God only knows
# Simon and Garefunkel : Voices of old people
# Beach Boys : Morning Christmas
# Richard Hawley : Long black train
# This Mortal Coil : Thais II
# This Mortal Coil : I want to live
# Explosions in the sky : Day 6 (surprise IF remix)
# People Like Us : Dead Radio (extracto)
# Mazzy Star : Disappear
# Elizabeth Anka Vajagic : The sky lay still
# All Night Radio : All night radio (never ending IF remix)
# Ringo Star : Wish upon a star
+ rebobinar fita de áudio + God only knows (extracto - só vozes) + porta a fechar + pessoas à mesa, refeição + avião levanta voo
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O blog da IF está com problemas nos comentários.
Comentar é sempre um problema. Ter opinião, ainda pior.
Por isto estou a tentar resolver a questão.
# Eluvium : We say goodbye to ourselves
# Death in Vegas : Girls
# Balun : Disappearing act (final - extracto)
# Post Industrial Boys : Iced sea
# Junior Boys : When no one cares
# The Focus Group : Verberations
# Lanterna : Last practice
# Explosions in the sky : Your hand in mine (goodbye)
# The Wedding Present : Caroline, no
# Beach Boys : Caroline, no (extractos takes 4 e 5)
# Colleen : I'll read you a story
# Lee Hazlewood : Mansion of tears
# Califone : If you would
# Lambchop : Fear
# Post Industrial Boys : Take a walk on the wild side
# Balun : Disappearing act (extracto - final)
# Balun : Snol
# Balun : Disappearing act (extracto - final)
+ intro Tokyo (BSO Lost in Translation); Love me 8extracto Elvis Presley); Radio Prague (extracto OMD); comboio a alta velocidade; correr na rua.
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Lambchop @ Aula Magna (2006-12-10): JN
A sala está a metade da lotação e no palco existem cinco bolas brancas suspensas
no ar para onde permanentemente se projectam imagens de aves em pleno voo,
rebentação oceânica, rodeios americanos, máscaras ou nuvens em movimentação
preguiçosa.
Da penumbra surge Kurt Wagner e o seu colectivo. Imóveis na sua elegância,
abrem o concerto com "Paperback Bible", quase 10 minutos de centrifugação
enevoada e irresistivelmente envolvente.
Só a meio da actuação é que se atingiu a perfeição lambchopiana, nomeadamente
na sequência "Caterpillar", "We never argue", "The Daily Growl" e "Smuckers".
Hesitam, agora, as mãos neste teclado, incapazes de inventar palavreado que
retrate tamanha excelência que reside em cada segundo desta música demasiado
bela para este mundo. Há guitarras alumiadas, deslizantes, ondeantes. Há um
piano discreto. E há aquela voz e muito mais. Há, por exemplo, a sábia gestão
do silêncio.
Na recta final, Kurt Wagner solta-se numa agitação surpreendente,
esperneando-se durante a versão de "This Corrosion", dos Sisters of Mercy e
"Give it". Sai do palco pela plateia, magistral. Momentos antes, uma fã com o
peito inchado em arrebatamento, subira ao palco para beijar-lhe a face,
cravando-lhe na pele a quentura de quem quer retribuir todo o prazer que este
grande senhor nos oferece.
Cristiano Pereira @
JN (2006-12-12)

Pop diletante.
La piscine couverte
En hiver sur la plage
tu nagé avec moi
Le vent nous joue sincèrement
if fait chaud comme au soleil
les requins sont nos amis
ils nous caresse avec leurs dents
tu me donne un baiser
et nous nous marierons
la réalité toujours
à quoi ça sert ça sert à quoi?
ce sont des rêves que je préfère
en rêve nous sommes amoureux
ba ba ba ba ba ba
baba ba ba ba baba
ba ba ba ba ba ba baba
ba ba ba ba ba
la réalité toujours
à quoi ça sert ça sert à quoi?
ce sont des rêves que je préfère
en rêve nous sommes amoureux
je t'avoue que c'est une rêverie
mais c'est vrai que c'est l'hiver
je suis triste et seule à Paris
dans une piscine couverte
dans une piscine couverte ...
(April March)
Comment: Lambchop @ Aula Magna (2006-12-10): Diário Digital
Lambchop na Aula Magna: Ligação directaPedro Figueiredo @
Diário Digital
Os Lambchop de Kurt Wagner trouxeram as canções do recente «Damaged» a uma Aula
Magna não totalmente lotada mas, ainda assim, imensamente dedicada às canções
do conjunto. Um feliz retorno a uma casa especial para a banda.
Editado recentemente, «Damaged» pode não estar ainda totalmente apreendido
pelos adeptos dos Lambchop, mas a verdade é que, ao vivo, as novas composições
coabitam plenamente com os temas de sempre de Kurt Wagner e companhia.
Com o chapéu da praxe e a mesma pinta de sempre, o líder dos Lambchop continua a
ser figura central de todo o conceito de espectáculo da banda: os músicos
agrupam-se em redor dele, é ele que conta as histórias (juntamente com o
pianista Tony) e, no fundo, é ele que está nas canções. Canções essas que,
tomando um certo country como base central, não recusam a frequente inclusão de
elementos electrónicos e um nervo muito rock'n'roll.
O que alguns pode ser visto como sonolento é, na verdade, a serena tranquilidade
de um parente próximo que nos conta (e canta, e que bem) as suas vivências,
devidamente musicadas por uma muito bem disposta banda. Na recta final do
espectáculo, um caricato momento: uma mulher surge da plateia e sobre o palco
para dançar ao lado de Kurt, esperando pelo final do tema para com ele trocar
algumas palavras. O músico regressaria, em encore, dizendo que teria de
explicar a situação à sua mulher…
Não sendo praticantes de música particularmente efusiva, os Lambchop merecem
crédito extra pela forma como conseguiram, uma vez mais, criar uma ligação
vincada com o público presente na sala lisboeta. O culminar com «Give It», tema
dos X-Press 2 vocalizado por Kurt Wagner, foi o festivo culminar de uma noite
especial. Lambchop na Aula Magna: intenso, denso, soturno e, no fim, alegre e
até mesmo festivo. Tão grandes ou maiores que a vida.
TRAUMA.
Vinte canções, temas, ..., o quê ?
Entre elas uma versão de uma das marcas mais persistentes na música de Lou Reed, Take a walk on the wild side. E como está cheia de estranha modernidade, de uma outra dimensão.
Embora editado na Alemanha, acho misterioso e fascinante como é que esta música vem daquele país.

De quando em quando poisam-me no coração aqueles sons dos primórdios da IF. Foi o que aconteceu hoje com Well I Wonder, dos Smiths.
Well I wonder
Do you hear me when you sleep ?
I hoarsely cry
Why
...Well I wonder
Do you see me when we pass ?
I half die ...
Why
...Please keep me in mind
Please keep me in mind
Gasping - but somehow still alive
This is the fierce last stand of all I am
Gasping - dying - but somehow still alive
This is the final stand of all I am
Please keep me in mind
Well I wonder
Well I wonder
Please keep me in mind
Keep me in mind
Keep me in mind
(in Meet is Murder - Fevereiro de 1985)
... e lembrar que este album foi nº1 de vendas no Reino Unido !
# A reminiscent drive : Serenade (extracto)
# Chet Baker : Almost blue
# Costeau : To know her
# Explosions in the sky : Your hand in mine (with strings)
# Explosions in the sky : Your hand in mine (goodbye)
# Lou Reed : Perfect day (never ending IF remix)
# Balun : Everything is alright
# Lanterna : Hope
# Bauhaus : Hope
# Richard Hawley : Love of my life
# April March : La piscine couvert
+ sons de velho elevador; vento nas árvores; trânsito sobre piso molhado; corpo que cai na água; nadar em piscina interior.
Apenas disponível na web.
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Cat Power @ Aula Magna (2006-12-04): Fotos









Cat Power @ Aula Magna (2006-12-04) por Manuel Lino @ musica.iol.pt
Cat Power @ Aula Magna: musica.iol

Cat Power na Aula Magna (foto de Manuel Lino)
Cat Power redimiu-se na Aula Magna Cantora conseguiu deixar boas recordações
2006/12/05 | 16:41 Lara Rosado @
musica.iol.pt
Cat Power esteve ontem na Aula Magna e, apesar dos problemas técnicos e de som
que surgiram durante o concerto, o balanço final foi positivo, com uma sala
repleta de público.
Esta foi a segunda vez que a cantora actuou em Portugal e até conseguiu limpar a
má imagem que tinha deixado na sua última passagem pelo nosso país.
Há dois anos, Cat Power actuou em Matosinhos, mas desiludiu os fãs com um
espectáculo de mais de duas horas, onde só cantou três músicas e passou o resto
do tempo a contar histórias e a discutir com o público. A cantora aproveitou
esta visita para pedir desculpa pelo seu comportamento.
Com um cigarro na mão, a artista subiu ao palco e interpretou músicas do seu
último álbum, ″The Greatest″, mas também alguns temas de discos anteriores,
como ″I Don t Blame You e o cover ″Satisfaction″ dos Rolling Stones.
Cat Power esteve praticamente todo o concerto acompanhada pela The Dirty Delta
Blues Banda, mas ficou sozinha a meio do espectáculo para interpretar alguns
temas ao piano. Era essa a sua intenção, mas rapidamente a cantora, agitada e
irrequieta o tempo todo, desistiu de imediato da ideia, desculpando-se com o
facto de poder estar a aborrecer o público presente na Aula Magna.
No fim a plateia ficou satisfeita com o concerto e, apesar de não ter havido encore,
aplaudiu de pé a actuação da cantora. Cat Power agradeceu a presença de todos e
andou no meio do público a distribuir setlists amarrotadas - uma maneira
original de dizer adeus.
Cat Power @ Aula Magna (2006-12-04): Diário Digital
Cat Power na Aula Magna: A redenção segundo Chan Marshal
O Festival Radar, que trouxe Stuart Staples, Lisa Germano e Yo La Tengo,
terminou ontem, 4 de Novembro, com Cat Power (ou Chan Marshal) ao vivo na Aula
Magna, em Lisboa. Um concerto com algumas imperfeições técnicas e problemas de
som, que impediram o público de ser mais caloroso. Valeu pelos intensos
momentos a solo, no piano e na guitarra... a redenção segundo Chan Marshal.
Depois de uma passagem frustrada por Matosinhos há dois anos, onde, reza a
história, Cat Power esteve três horas em palco para tocar três músicas
completas e se fartar de contar histórias, a autora de «The Greteast» chegou à
Aula Magna visivelmente bem disposta, cheia de sorrisos, e saltitando e
dançando durante as canções. Pediu desculpas pelo seu comportamento nesse
concerto e redimiu-se, cumprindo com o que lhe era exigido.
Desta vez foi até ao fim, não se perdeu em histórias nem deixou de tocar as
canções que todos queriam ouvir (com as devidas excepções, claro), abordando
todos os seus registos e até o álbum de covers, do qual tocou, entre outras, a
excelente «Satisfaction», dos Rolling Stones. «Crazy», de Gnarls Barkley, não
faz parte desse álbum mas foi outra das versões tocadas na noite de ontem.
Acompanhada por uma super banda – The Dirty Delta Blues Banda – constituída por
Jim White (bateria) dos Dirty Three; Greg Foreman (teclas) dos Delta 72; Judah
Bauer (guitarra) dos Blues Explosion, e Eric Papparozzi (baixo), Cat Power
centrou a sua apresentação num registo blues rock (dado pela banda) e também
folk, deixando de lado algumas canções mais íntimas e intensas, apostando antes
no ambiente de festa e de descontracção.
A intimidade só ocorreu por breves momentos, quando Cat Power ficou sozinha em
palco, entregue ao piano e à guitarra, proporcionando o melhor de todo o
concerto e um dos episódios mais intensos e cativantes de sempre. Chan Marshal
deu-se a conhecer, entregou-se ao peso daquelas canções e provou que era capaz
de as tocar, que estava curada dos seus tão conhecidos estados depressivos e
atitudes emocionais.
Desculpas aceites, o público aplaudiu de pé no final do concerto. Chan Marshal,
a frágil e complexa rapariga americana, agradeceu a oportunidade, recebeu uma
rosa e foi para o meio do público atirar setlists amarrotadas. Descalça (tirou
os seus sapatos portugueses, como fez questão de dizer, a meio do concerto)
regressou ao palco e ficou a acenar da porta durante uns breves minutos. Não
voltou, mas deixou memórias. E desta vez foram boas.
Ana Batista in
Diário Digital (2006-12-05)
Cat Power @ Aula Magna (2006-12-04): JN
Sexy, uma mulher terrivelmente sexy
Há três anos, Chan Marshall - ou Cat Power -- passou por um bar em Matosinhos
para uma actuação que tão cedo não sairá da memória daqueles que lá estiveram.
A rapariga, embriagada, estilhaçou-se em desatino ébrio e interpretou apenas
três canções completas ao longo de várias horas. Conta-se que passou a noite
inteira numa dispersão etílica. E se alguns ficaram encantados com tal postura,
outros - muitos mais - desiludiram-se com o desleixo de uma rapariga que
afogava o seu talento naquele naufrágio de bebedeira decadente.
Esta semana, regressou a Portugal para aquele que foi o mais concorrido dos
quatros concertos do Festival Radar (ontem terá actuado na Sala batalha, no
Porto). Chan Marshall, 34 anos, conseguiu lotar a Aula Magna, em Lisboa, com
uma assistência algo receosa daquilo que estaria para acontecer. "Será que ela
vem sóbria?", perguntava-se. E quando a mulher - e que mulher... - entrou em
palco de copo na mão e as pernas irrequietas, houve quem temesse o pior.
Se por um lado, a banda que a acompanhou não raras vezes abafou o desempenho da
principal protagonista, por outro notou-se que os seus companheiros controlavam
o comportamento de uma mulher que parecia caminhar numa linha ténue entre a
espontaneidade performativa e uma certa displicência.
Tal facto foi particularmente evidente na altura em que ficou sozinha em palco,
movendo-se pelo piano em gestos hesitantes e letras improvisadas. Mas verdade
seja dita esses foram os melhores momentos de um concerto razoável mas não
excepcional. Mas, vá lá, não se descontrolou - ou, pelo menos, limitou os danos
à performance. E cantou-nos música dela e dos outros. E dançou, ajoelhou-se,
descalçou-se, moveu as pernas, rodopiou os pés, pontapeou o ar. E tudo isso faz
dela uma mulher sexy, terrivelmente sexy.
Cristiano Pereira in JN (2006-12-06)
Esta noite, nova emissão-RUC sobre as eleições na AAC.
Encontro marcado entre a IF e seus ouvintes na web.
Stuart A. Staples @ Aula Magna (Diário Digital)
Stuart Staples na Aula Magna: O alegre deprimido
Em noite de derby local, o ex-vocalista dos marcantes Tindersticks levou à Aula
Magna as suas «Leaving Songs» de 2006, com pontuais passagens por repertório
passado. Sem grande magia, ficou assegurado o profissionalismo de músico e
banda e a elegância das canções.
A noite era de jogo decisivo não muito distante da Aula Magna, mas a verdade é
que tal não foi impedimento para que uma sala praticamente cheia recebesse nova
vinda de Stuart Staples a Portugal. Um regresso sempre saudado pelo público
nacional, que desde o tempo dos Tindersticks vem tendo Staples como figura de
culto e devoção.
Com a sua banda de sempre, Staples assegurou em disco alguma da melhor elegância
pop dos anos 90. Em palcos nacionais, solidificou-se um culto que, mesmo
atenuado na carreira a solo do músico, ainda é mais do que suficiente para
garantir uma boa audiência. Tal verificou-se nesta primeira data do Festival
Radar.
Desde sempre conotado a ambiências mais depressivas e obscuras, Stuart Staples
brindou o público com alguns temas onde uma nova luz se parece desenhar nos
horizontes no músico. «Leaving Songs», disco recente, foi o mote para um
concerto centrado, como seria de esperar, na inconfundível voz do britânico.
Pelo palco passaram temas de recorte clássico, essencialmente assentes em
guitarras e piano. Staples, animado, apresenta a banda e brinda no final com
companheiros de estrada. Depois de passagem recente pelo Santiago Alquimista,
desta vez foi a Aula Magna a acolher um espectáculo onde, mais do que qualquer
inspiração divina, triunfou a competência e o profissionalismo.
Sem deslumbrar por aí além, Stuart Staples trouxe neste seu regresso a Lisboa
aproximadamente hora e meia de canções. Das boas. E isso já não é nada mau…
Pedro Figueiredo,
Diário Digital , 2006-12-02
Há concertos que fazem certas noites ser inesquecíveis. Sobretudo quando nem
mesmo, ao regressarmos a casa, a audição compulsiva das mesmas canções, em
disco, consegue produzir em nós um efeito minimamente semelhante. Foi preciso
estar lá. Respirar o mesmo ar. Partilhar, em silêncio de comunhão, as mesmas
músicas. Viver o mesmo momento que o músico.
Foi assim o concerto de Lisa Germano, na segunda noite do Festival Radar.
Inesquecível. Envolvente. Arrepiante.
Há muito que a cantora era presença aguardada por estes lados, a sua visita
como elemento da banda que acompanhava os Eels, por ocasião de discreta
passagem pelo Lux há alguns anos, a saber a pouco... Magoada pelos destinos de
uma indústria que a foi abandonando depois dos primeiros êxitos (relativos) em
inícios de 90, chegou a anunciar uma retirada, encontrando novo destino ao
serviço de uma estimulante livraria em West Hollywood. Mas a pulsão criativa
dominava ainda o seu corpo e, fora de horas, novas canções foram nascendo,
primeiros sinais de nova etapa revelados em 2003 no soberbo Lullaby For Liquid
Pig, demanda apurada e continuada já este ano no igualmente sublime In
The Maybe World, um disco nascido de reflexões em torno da ideia da
morte (como noção superlativa de perda) mas que, um ano depois de composto,
Lisa Germano sente, afinal, como um manifesto de vida. Assim o explicou no
Santiago Alquimista. Assim o demonstrou um concerto de quase duas horas de
canções discretas, sussurradas, mas gritantemente belas.
Como os dois últimos discos o sugeriam, Lisa Germano optou pela mais extrema
nudez instrumental, a simplicidade atingida em diálogos para voz e piano, este
último por vezes cedendo o lugar a uma guitarra. Triste, mas não depressiva
(como fez questão de sublinhar), esta é uma música que acontece à flor da pele,
apenas possível numa alma de sensibilidade franca, sem receio das suas
fragilidades, dúvidas e limitações.
Lisa não gosta muito de falar entre músicas, aproximando mais a sua vivência de
palco do modelo do recital, que da mais vulgar festa para interacção, risos e
canções. O calor de uma plateia (e um balcão) que enchia no limite a sala
levaram-na, sem que se sentisse forçada, a estabelecer frequentes pausas para
notas explicativas, mesmo assim optando por juntar canções como de longos medleys
se tratasse. E assim, juntas, escutámos as peças-chave dos seus dois
últimos discos, tutano de uma noite que não negou visita aos anos 90,
recordando pequenas maravilhas como Reptile ou Victorious Secret,
em leituras despojadas, de puro assombro. A maioria das memórias mais remotas
nasceu, de resto, de uma sessão de "discos pedidos", que caracterizou a recta
final do concerto.
Nota sombria apenas para o alienígena acompanhamento de copos, garrafas e
máquina registadora, vindo de um bar aparentemente alheado do momento que a
mesma casa acolhia. Regresse brevemente, mas em sala sem copos...
Nuno Galopin, DN , 2006-12-04

