ÍNTIMA FRACÇÃO
emissão de 3 / 4 de Maio de 2003
# Daniel Johnston : Now
# Lisa Germano : Into the night
# Ed Harcourt : From every sphere
# Air + Baricco : Se Vuoi Capire La Loro Storia
# Nina Simone : Nobody knows you when you're down and out
# Aphex Twin : Flim
# The Bad Plus : Flim
# Martin L. Gore : Candy says
# Milla Jovovich e The MDH Band : Satellite of love
# Julee Cruice : I remember
# The MDG Band : Satellite of love (reprise)
# Lemon Jelly : Spacewalk
# Doors : You're lost little girl
# Alain Bashung : Nights in white satin
# Lambchop : The daily ground
# Azure Ray : For no one
# The Platters : My prayer
# Murcof : Muim (extracto)
# Martin L. Gore : By this river
# Martin L. Gore : In my other world
# Julee Cruice : Im my other world
créditos finais sobre # April March : Chrominance decoder ; música suplementar # The Bad Plus
Textos : " Nunca escrevi, e acreditava que o fazia. Nunca amei, e acreditava que amava. Nunca fiz nada, a não ser esperar em frente da porta fechada." (M. Duras)
" O imperfeito é o tempo do fascínio : parece estar vivo e, no entanto, não mexe; presença imperfeita, morte imperfeita; nem esquecimento, nem ressureição; unicamente o engano esgotante da memória." (Barthes;Proust)
A propósito de Brigadoon ...
Recuperei agora uma entrevista que me fizeram para a RUC (Rádio Universidade de Coimbra), em 1990. Atrevi-me a indicar "a" música da década de 80. "The whole of the moon" dos Waterboys. Isto de escolher uma música, enfim ... Mas não retiro nada. Aquela canção (nem sei se é canção) é notável.

"I was grounded
while you filled the skies
I was dumbfounded by truths
you cut through lies
I saw the rain-dirty valley
you saw Brigadoon
I saw the crescent
you saw the whole of the moon!
I spoke about wings
you just flew
I wondered, I guessed, and I tried
you just knew
I sighed
but you swooned
I saw the crescent
you saw the whole of the moon!
The whole of the moon!".
A letra toda está aqui.
Recuperei agora uma entrevista que me fizeram para a RUC (Rádio Universidade de Coimbra), em 1990. Atrevi-me a indicar "a" música da década de 80. "The whole of the moon" dos Waterboys. Isto de escolher uma música, enfim ... Mas não retiro nada. Aquela canção (nem sei se é canção) é notável.

"I was grounded
while you filled the skies
I was dumbfounded by truths
you cut through lies
I saw the rain-dirty valley
you saw Brigadoon
I saw the crescent
you saw the whole of the moon!
I spoke about wings
you just flew
I wondered, I guessed, and I tried
you just knew
I sighed
but you swooned
I saw the crescent
you saw the whole of the moon!
The whole of the moon!".
A letra toda está aqui.
Está bem, eu digo.
Segue-se pelo IC8 ( quem vier da auto-estrada apanha-o em Pombal ) em direcção a Castelo Branco. Ao Km 88 sai-se para uma povoação chamada "Mosteiro". Desce-se 2 km para um vale largo. Aí está à esquerda o pequeno paraíso encantado. Vê-se da estrada.
Já agora fica aqui uma imagem do mesmo local, mas no Inverno.

Escutei aqui mesmo o "Moon Safari" dos Air, na época do seu lançamento. Pouco tempo depois li uma afirmação deles que não me espantou : o disco é para ouvir no campo.
A cinco minutos daqui fica a Barragem do Cabril e a vila de Pedrogão Grande. Tem uma piscina coberta aquecida, envidraçada, com vistas para o campo. É tudo inesperado e ... calmo. Para comer, procura-se o "Penedo", do sr. Pedro e da D. Isabel. Jornais e revistas na papelaria do sr. José Carlos David. Do outro lado da rua há um "Espaço internet".
Espero que não se atrevam a perturbar este meu "Belgais" (ou será Brigadoon ?).
Segue-se pelo IC8 ( quem vier da auto-estrada apanha-o em Pombal ) em direcção a Castelo Branco. Ao Km 88 sai-se para uma povoação chamada "Mosteiro". Desce-se 2 km para um vale largo. Aí está à esquerda o pequeno paraíso encantado. Vê-se da estrada.
Já agora fica aqui uma imagem do mesmo local, mas no Inverno.

Escutei aqui mesmo o "Moon Safari" dos Air, na época do seu lançamento. Pouco tempo depois li uma afirmação deles que não me espantou : o disco é para ouvir no campo.
A cinco minutos daqui fica a Barragem do Cabril e a vila de Pedrogão Grande. Tem uma piscina coberta aquecida, envidraçada, com vistas para o campo. É tudo inesperado e ... calmo. Para comer, procura-se o "Penedo", do sr. Pedro e da D. Isabel. Jornais e revistas na papelaria do sr. José Carlos David. Do outro lado da rua há um "Espaço internet".
Espero que não se atrevam a perturbar este meu "Belgais" (ou será Brigadoon ?).

Agora que a IF entrou no 20 º ano de vida, podem contar-se alguns episódios. Neste caso, confirmo. A 50 metros deste paraíso, foi a IF realizada durante Julho e Agosto de 1996. O pequeno estúdio foi desmontado, transportado e remontado numa casa aqui perto. Fazia muito calor durante o dia. À noite, passava um ar fresco pelas janelas.
O local é lindíssimo. Pode mesmo escutar-se o silêncio. Há uma queda de água, que pode ser confundida com o mar ao longe. Ainda não sei se deva dizer onde fica este "vale encantado".
Quem leia o post anterior pode pensar que "nado" em discos cedidos pelas editoras. Nem pensar. Esse tempo já lá vai. Quando a IF estava na Antena 1, mas só havia três emissoras de rádio em Portugal, sempre recebia alguma coisa. Agora não. Mas quase me atrevo a dizer que prefiro assim. Por mais resistências que haja, a Net há-de pôr algum equilíbrio nisto.
A IF não é uma playlist, nem aceita fazer promoções.
A IF não é uma playlist, nem aceita fazer promoções.
Uma parte do meu trabalho consiste em "ouvir música". Procurar, no meio da imensa oferta dos dias de hoje, aquilo que me interessa para ajudar a desenvolver um tema chamado "Íntima Fracção".
Entre as músicas que me passam pelos ouvidos, uma houve que me fez ter vontade de voltar a ouvi-la. Uma versão de "Flim" (Aphex Twin). Responsáveis : THE BAD PLUS. É jazz. Manuel Jorge Veloso atira-lhe com 5 ***** no DNMais deste sábado. E no disco há mais coisas imprevistamente boas. Por exemplo: versão de "Heart of glass" dos Blondie.
Os "responsáveis" estão aqui por baixo. E a capa do disco (These Are the Vistas), também.
Entre as músicas que me passam pelos ouvidos, uma houve que me fez ter vontade de voltar a ouvi-la. Uma versão de "Flim" (Aphex Twin). Responsáveis : THE BAD PLUS. É jazz. Manuel Jorge Veloso atira-lhe com 5 ***** no DNMais deste sábado. E no disco há mais coisas imprevistamente boas. Por exemplo: versão de "Heart of glass" dos Blondie.
Os "responsáveis" estão aqui por baixo. E a capa do disco (These Are the Vistas), também.
ÍNTIMA FRACÇÃO
26 / 27 de Abril de 2003
# Goldfrapp : Lovely head ( miss world mix )
# Goldfrapp : Forever
# Hooverphonic : Sad song
# Brian Eno / Harold Budd : Plateaux of Mirror
# Daniel Lanois : Silver morning
# Brokeback : Everywhere down here
# Labradford : Wien
# This Mortal Coil : Morning glory
# Móa : You only live twice
# Visit Venus
# Cat Power : He was a friend of mine
# Azure Ray : Sleep
# The Softies : My emptty arms
# Pascal Comelade : I surrender
# João Gilberto : Aos pés da cruz
# Erlend Oye : A while ago and recently
# Ed Harcourt : Still i dream of it
# Tara Jane O'Neil : Another sunday
# John Parish (com PJHarvey) : Shrunken Man
# Yo la tengo : How to make a baby elephant float
créditos sobre # Charles Trenet : Je chante ; música suplementar # Isan : Sublimation
26 / 27 de Abril de 2003
# Goldfrapp : Lovely head ( miss world mix )
# Goldfrapp : Forever
# Hooverphonic : Sad song
# Brian Eno / Harold Budd : Plateaux of Mirror
# Daniel Lanois : Silver morning
# Brokeback : Everywhere down here
# Labradford : Wien
# This Mortal Coil : Morning glory
# Móa : You only live twice
# Visit Venus
# Cat Power : He was a friend of mine
# Azure Ray : Sleep
# The Softies : My emptty arms
# Pascal Comelade : I surrender
# João Gilberto : Aos pés da cruz
# Erlend Oye : A while ago and recently
# Ed Harcourt : Still i dream of it
# Tara Jane O'Neil : Another sunday
# John Parish (com PJHarvey) : Shrunken Man
# Yo la tengo : How to make a baby elephant float
créditos sobre # Charles Trenet : Je chante ; música suplementar # Isan : Sublimation
Agora ... já não há disto. Um herói romântico. Era muito bom que houvesse. Todos os poderes do mundo viveriam sempre à espera que ele, numa noite, saltasse para a rua.
Quanto mais negra for a noite, mais provável é que ele apareça.
Capitão Salgueiro Maia. Não tem o nome em avenidas nem praças das grandes cidades. Mas vai ser difícil apagá-lo da História de Portugal. Como a História recente (e bela) de Portugal continua por saber, sugiro uma visita AQUI.
Não. Não é ridículo dizer que a IF existe porque 10 anos antes da sua criação alguém abriu as janelas da noite.
Quanto mais negra for a noite, mais provável é que ele apareça.
Capitão Salgueiro Maia. Não tem o nome em avenidas nem praças das grandes cidades. Mas vai ser difícil apagá-lo da História de Portugal. Como a História recente (e bela) de Portugal continua por saber, sugiro uma visita AQUI.
Não. Não é ridículo dizer que a IF existe porque 10 anos antes da sua criação alguém abriu as janelas da noite.
ESTOU DESOLADO E INCONSOLÁVEL.
Morreu Nina Simone.
Uma das minhas referências faleceu ontem com 70 anos. Um prodígio ao piano (tocava aos 4 anos), era de uma família pobre e de negros. Nos EUA não era o melhor para se crescer. Foi ajudada por um professor que sentiu ali a existência de uma fora-de-série. Com 10 anos, em 1943, deu o primeiro concerto como pianista. Os pais, que estavam na primeira fila, foram "retirados" para um lugar "lá atrás" para que brancos ocupassem os lugares da frente. Esta experiência foi determinante. Para além de uma extraordinária pianista e cantora, veio a tornar-se numa combatente pelos direitos cívicos dos negros.


Em 1974, desiludida, abandonou os EUA. Nunca mais voltou. Viveu em vários países, mas acabou por se fixar em França.
Conseguiu cantar quase de tudo, de uma forma que mais ninguém atingiu. Não estava nunca ultrapassada.
A minha preferência vai para a versão de Nina de "Don't let me be misunderstood".
Chamava-se Eunice Waymon, mas o nome artistico vinha de "nina" (menina) e "simone", da actriz francesa Simone Signoret.
A Doutora Nina Simone era Doutora honoris-causa em Música e Humanidades.
Nunca vi Nina ao vivo, mas conheci os autores do video-clip de "My baby just cares for me".
Uma compilação saída em Julho de 1989 tem um conjunto notável de interpretações de Nina."The High Priestess Of Soul", já se sabe, não morreu. É uma das tais que se ausentou. Discos (50 álbuns, pelo menos) e vídeos estão aí para o confirmar.
Morreu Nina Simone.
Uma das minhas referências faleceu ontem com 70 anos. Um prodígio ao piano (tocava aos 4 anos), era de uma família pobre e de negros. Nos EUA não era o melhor para se crescer. Foi ajudada por um professor que sentiu ali a existência de uma fora-de-série. Com 10 anos, em 1943, deu o primeiro concerto como pianista. Os pais, que estavam na primeira fila, foram "retirados" para um lugar "lá atrás" para que brancos ocupassem os lugares da frente. Esta experiência foi determinante. Para além de uma extraordinária pianista e cantora, veio a tornar-se numa combatente pelos direitos cívicos dos negros.


Em 1974, desiludida, abandonou os EUA. Nunca mais voltou. Viveu em vários países, mas acabou por se fixar em França.
Conseguiu cantar quase de tudo, de uma forma que mais ninguém atingiu. Não estava nunca ultrapassada.
A minha preferência vai para a versão de Nina de "Don't let me be misunderstood".
Chamava-se Eunice Waymon, mas o nome artistico vinha de "nina" (menina) e "simone", da actriz francesa Simone Signoret.
A Doutora Nina Simone era Doutora honoris-causa em Música e Humanidades.
Nunca vi Nina ao vivo, mas conheci os autores do video-clip de "My baby just cares for me".
Uma compilação saída em Julho de 1989 tem um conjunto notável de interpretações de Nina."The High Priestess Of Soul", já se sabe, não morreu. É uma das tais que se ausentou. Discos (50 álbuns, pelo menos) e vídeos estão aí para o confirmar.

O azul entre as núvens e a representação do azul numa máquina de vender água.
Será sempre o mesmo azul ? "Almost blue " - Chet Baker.

Já ninguém quer levar um destes bonecos para casa. Já não há quem queira fazer de Capitão Gancho na Terra do Nunca. Nem mesmo a Inês.
ÍNTIMA FRACÇÃO
19 / 20 de Abril de 2003
# Dakota Suite : A view of the sea
# The Softies : Sleep away your troubles
# Barry Adamson : Everything happens to me
# Departure Lounge : Equestrian skydiving
# The Microphones : Instrumental
# The Microphones : The moon
# Teenage Funclub : Who loves the sun
# Velvet Underground : Who loves the sun
# Azure Ray : For no one
# Melvin Amina : Over the rainbow / What a wonderful world
# Buffallo Springfield : Expecting to fly
# The Softies : My empty arms
# Bright Eyes : Something vague
# Bob Dylan : Knocking' on heavens door
# Cat Power : Knocking' on heavens door
# Murcof : Mes
# Lemon Jelly : Closer
# Lambchop : Flick
créditos finais sobre # Peggy Lee : We'll meet again
música suplementar # Chet Baker : Almost Blue
textos : " Ao longo da costa, com o mar sempre à vista. Azul claro, azul escuro. Até muito longe, sem qualquer receio, sem dia certo de regresso. Livres para as novas imagens e os novos sons. Partir em busca da vontade de regressar." (F.A.)
" Não querendo ficar encerrado na noite à espera da cíclica vinda do cometa, retomando-lhe o rosto, o rasto luminoso, temporário, ilusório. Não querendo nada para sempre, apenas procuro a eternidade, a ausência de dúvidas." (F.A.)
" Quem não poisou os dedos sobre o marfim amarelecido das teclas de um velho piano, não sabe olhar através de uma vidraça imperfeita. O seu olhar não poderá nunca ultrapassar o fino vidro de som seco. Não sentirá a distância, o abandono. E a distância não se mantém constante. O que era longe é agora perto. O que estava perto, está agora longe." (F.A.)
" Um som silencioso, diria. Um som puro, o sonho. Esquecer a linguagem, abrir a boca e cantar ao acaso. A memória posta na invenção. (...) Mas dir-se-ia apenas um canto partindo das nuvens. As nuvens acastelando-se sobre o sol. O sol abrindo brechas e escapando-se. Dir-se-ia apenas : uma voz vindo do espaço. O etéreo. O imaterial. Apetece dizer : à memória dos gestos gravados no ar." (Jörg Olssön)
19 / 20 de Abril de 2003
# Dakota Suite : A view of the sea
# The Softies : Sleep away your troubles
# Barry Adamson : Everything happens to me
# Departure Lounge : Equestrian skydiving
# The Microphones : Instrumental
# The Microphones : The moon
# Teenage Funclub : Who loves the sun
# Velvet Underground : Who loves the sun
# Azure Ray : For no one
# Melvin Amina : Over the rainbow / What a wonderful world
# Buffallo Springfield : Expecting to fly
# The Softies : My empty arms
# Bright Eyes : Something vague
# Bob Dylan : Knocking' on heavens door
# Cat Power : Knocking' on heavens door
# Murcof : Mes
# Lemon Jelly : Closer
# Lambchop : Flick
créditos finais sobre # Peggy Lee : We'll meet again
música suplementar # Chet Baker : Almost Blue
textos : " Ao longo da costa, com o mar sempre à vista. Azul claro, azul escuro. Até muito longe, sem qualquer receio, sem dia certo de regresso. Livres para as novas imagens e os novos sons. Partir em busca da vontade de regressar." (F.A.)
" Não querendo ficar encerrado na noite à espera da cíclica vinda do cometa, retomando-lhe o rosto, o rasto luminoso, temporário, ilusório. Não querendo nada para sempre, apenas procuro a eternidade, a ausência de dúvidas." (F.A.)
" Quem não poisou os dedos sobre o marfim amarelecido das teclas de um velho piano, não sabe olhar através de uma vidraça imperfeita. O seu olhar não poderá nunca ultrapassar o fino vidro de som seco. Não sentirá a distância, o abandono. E a distância não se mantém constante. O que era longe é agora perto. O que estava perto, está agora longe." (F.A.)
" Um som silencioso, diria. Um som puro, o sonho. Esquecer a linguagem, abrir a boca e cantar ao acaso. A memória posta na invenção. (...) Mas dir-se-ia apenas um canto partindo das nuvens. As nuvens acastelando-se sobre o sol. O sol abrindo brechas e escapando-se. Dir-se-ia apenas : uma voz vindo do espaço. O etéreo. O imaterial. Apetece dizer : à memória dos gestos gravados no ar." (Jörg Olssön)
Páscoa. Coelhinhos, ovos ... amêndoas. O "senhor prior já não visita ninguém". As viagens para o sol estiveram esgotadas.
Anda alguém no jornal Público a escrever por mim.
Eu gosto deste disco.

Não está tão distante do universo da IF como pode parecer. Li que foi gravado no quarto do Sam (Samuel, não ?), em Chelas, num sétimo andar. Não sei mais nada.
Sei que é puro e tem bom gosto.

Não está tão distante do universo da IF como pode parecer. Li que foi gravado no quarto do Sam (Samuel, não ?), em Chelas, num sétimo andar. Não sei mais nada.
Sei que é puro e tem bom gosto.
É rigorosamente da época da "Crise de 69". Bob Dylan, que já tinha avisado que os " tempos estão a mudar " e que entretanto tinha tido um bruto "estoiro" de moto, gravava uma coisa doce que nem parecia dele : "Lay lady lay".

O álbum que tem esta canção, chama-se "Nashville Skyline" e saiu a 9 de Abril de 1969.
Apaixonei-me por "Lay lady lay". Juntamente com Manuel Vasco Miranda, que um ano depois partia para a Bélgica para seguir uma carreira inicialmente ligada à Fotografia e depois à Publicidade e às Artes Gráficas, gravámos uma bobina de fita magnética inteira só com esta canção. Assim, nas longas noites de estudo, projectos e conversa, a fita rolava sem parar no reprodutor e não tinhamos que voltar a pôr o disco. Era simples.
Um ano depois, demo-nos a outro exagero. Em vésperas da fuga dele para a Bélgica, durante uma semana fomos sempre à sessão das 6, no velho S. Jorge, ver os "Beijos Roubados" do Truffaut. Todos os dias tinhamos dúvidas sobre esta ou aquela cena, um ou outro plano. O segundo balcão do S.Jorge foi uma segunda casa. Uma espécie de casa de uma tia, onde se ia lanchar. Lembro-me que chegámos a ir ver o filme mais uma vez para tirar uma dúvida "angustiante" : Antoine Doinell (J-P. Léaud) dizia "passe-moi LA Coca" ou " LE Coca " ?!
Neste filme encontrei uma velha canção de Charles Trenet, " Que reste-t-il de nos amours? ". De vez em quando passa pela IF. É excelente para criar a sensação de nostalgia, de passado ... de um passado muito passado.
"Je tourne autour de la question qui me tourmente depuis trente ans : le cinéma est-il plus important que la vie ?" (François Truffaut)

Beijos Roubados - François Truffaut - 1968

O álbum que tem esta canção, chama-se "Nashville Skyline" e saiu a 9 de Abril de 1969.
Apaixonei-me por "Lay lady lay". Juntamente com Manuel Vasco Miranda, que um ano depois partia para a Bélgica para seguir uma carreira inicialmente ligada à Fotografia e depois à Publicidade e às Artes Gráficas, gravámos uma bobina de fita magnética inteira só com esta canção. Assim, nas longas noites de estudo, projectos e conversa, a fita rolava sem parar no reprodutor e não tinhamos que voltar a pôr o disco. Era simples.
Um ano depois, demo-nos a outro exagero. Em vésperas da fuga dele para a Bélgica, durante uma semana fomos sempre à sessão das 6, no velho S. Jorge, ver os "Beijos Roubados" do Truffaut. Todos os dias tinhamos dúvidas sobre esta ou aquela cena, um ou outro plano. O segundo balcão do S.Jorge foi uma segunda casa. Uma espécie de casa de uma tia, onde se ia lanchar. Lembro-me que chegámos a ir ver o filme mais uma vez para tirar uma dúvida "angustiante" : Antoine Doinell (J-P. Léaud) dizia "passe-moi LA Coca" ou " LE Coca " ?!
Neste filme encontrei uma velha canção de Charles Trenet, " Que reste-t-il de nos amours? ". De vez em quando passa pela IF. É excelente para criar a sensação de nostalgia, de passado ... de um passado muito passado.
"Je tourne autour de la question qui me tourmente depuis trente ans : le cinéma est-il plus important que la vie ?" (François Truffaut)

Beijos Roubados - François Truffaut - 1968
Há 34 anos, um rapaz chamado Alberto, estudante em Coimbra, levantou-se em frente do Presidente da República e pediu para falar. Não parece feito de se lhe tirar o chapéu. Mas foi. Em 1969, levantar-se na segunda ou terceira fila de um anfiteatro em dia de inauguração e pedir ao Presidente da República para falar em "nome dos estudantes", dava prisão. Foi o que aconteceu passadas umas horas. Alberto Martins, quando se levantou do seu lugar naquela manhã de 17 de Abril de 1969, ajudou Portugal a não ser nunca mais o mesmo. Ainda bem.

Alberto Martins sempre me pareceu uma pessoa serena e levemente triste. Faz parte de uma geração que parece ter cumprido a sua missão. Três meses depois do acto de coragem de Alberto, o Homem chegou à Lua. Dizem. 34 anos depois, não há uma única página na net sobre a "Crise Académica de 1969". "Então, é assim ..." !

Alberto Martins sempre me pareceu uma pessoa serena e levemente triste. Faz parte de uma geração que parece ter cumprido a sua missão. Três meses depois do acto de coragem de Alberto, o Homem chegou à Lua. Dizem. 34 anos depois, não há uma única página na net sobre a "Crise Académica de 1969". "Então, é assim ..." !
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