Encantado pela ( com ) Nova Canção Francesa.

Ao ponto de a deixar entrar pela porta dentro, abrindo os ouvidos, o coração e a ... IF ! Na edição de hoje da IF, e embora o som de Vincent Delerm seja " muito cá de casa ", passa uma canção dele, irresistível, mas um pouco " fora-da-linha " : Fanny Ardant et moi.

A letra, que pode passar por irónica, é um bom bocado mais do que isso. Ainda por cima o rapaz aprecia o Truffaut ...







Logo ao lado, quem está ? Keren Ann. O último CD, " La Disparition ", é outro encanto. Se eu tivesse 16 anos, da janela do meu quarto visse o mar e tivesse este disco, por um momento poderia ser feliz.

A Nova Canção Francesa é uma outra " nouvelle vague " passados mais de 40 anos ? Não sei. Com ela, respira-se um ar que estava mesmo a ser preciso.



"Passo tempos, passo silêncios, mundos sem forma passam por mim." ( Bernardo Soares in "Livro do Desassossego" ). Fernando Pessoa passa pela próxima IF.
" I use to be swinging the girls 'cross the floor

and I use to be a lover like no one before

and all the girls whispered and giggled and blushed when I passed

But I know it's true that good things never last

Cause I'm older now, much older than I was, when I was young. "

( Jay Jay Johanson - I'm older now )



Esta é mais uma memória. A quem interessa ? Será " tudo aquilo que nunca quis saber sobre a Íntima Fracção ? ". Corresponde a uma viagem nocturna, em noite de lua cheia, entre Braga e Coimbra. Se a música não serve para fixar estes instantâneos, então serve para pouco.







I USE TO BE ...




Calma ! Não é nenhuma incursão pelo "fantástico mundo da bola ". Trata-se apenas de um pequeno relato (ah ! ). Mostraram-me hoje a primeira Taça de Portugal. A de 1939, que a Académica ganhou ao Benfica por 4-3. Um inesperado impulso levou-me a tocar na Taça (na História ?). Foi esta emoção que me surpreendeu e lembrei-me de um texto de Sam Shepard que já utilizei na IF. " Às vezes surpreendo-me com a minha própria nostalgia por um tempo que nem sequer vivi, ou de que tenho apenas vagas recordações."




A "célebre" mistura "You only live twice" feita para a IF e transmitida pela primeira vez em Fevereiro de 2002, vai estar disponível em CD para uns poucos (muito poucos) ouvintes da IF. O primeiro a recebê-la será Virgílio Nogueira, de Aveiro.
ÍNTIMA FRACÇÃO

24 / 25 de Maio de 2003



# The Waterboys : The thrill is gone ( versão não editada )

# Martin L. Gore : Candy says

# The MDH Band : Satellite of love ( reprise )

# David Bowie : When i live my dream

# Carla Bruni : Chanson triste

# Françoise Hardy : Lámour ne dure pas toujours

# The Softies : Favorite shade of blue

# Impostor Orchestra : Secrets will remain

# Czars : Song to the siren

# Cat Power : He was a friend of mine



# Doors : Love Street

# Bob Dylan : She belongs to me

# New Order : Your silent face

# Slowdive : Blue skied an' clear

# Smog : Nineteen

# Smog : Let's move to the country

# Piano Magic : Crown of the lost

# Nina Simone : Nobody knows you when your down and out



créditos sobre # Mastretta : Continental-Auto; música suplementar # Brad Mehldau : Cry me a river



textos



" Para lá das vozes cada vez mais confusas e indistintas, cria-se um nível a partir do qual (...) essa absurda traição do tempo deixa pura e simplesmente de existir, para tudo não ser mais do que memória - uma memória sem princípio nem fim que nos faz andar (...), desde sempre à procura de alguma coisa de raro e indefinível." ( Tahar ben Jelloun )



" O desejo do início e do silêncio, para que o instante seja a fábula do instante. O silêncio ... para dizer as palavras anteriores. É o centro, talvez a suspensão, a perda, o fundo : a ausência de cor - fundo incessante que procuro defender do assédio do sentido contra as presenças acidentais e a agitação da superfície. " ( António Ramos Rosa )



" Caminhar através de corredores intermináveis, brancos. Caminhar entre paredes lisas brancas sem que nenhuma porta se abra sem que nenhuma luz me ilumine a não ser esta sem sombra sem origem." ( António Ramos Rosa )



" Quartos vazios amplos e vazios mas sem dimensões concretas corredores paredes brancas o lugar está exposto com uma evidência violenta irrecusável. " ( António Ramos Rosa )
Antecipação da IF.

Carla Bruni. Françoise Hardy. The Softies.







Uma modelo italiana retirada, a cantar em francês. Uma francesa a cantar, com uma inalterada elegância, desde 1962. Um duo feminino norte-americano a cantar como pássaros no meio do campo.
" O desejo do início e do silêncio para que o instante seja a fábula do instante. O silêncio para dizer as palavras anteriores. É o centro, talvez a suspensão, a perda, o fundo : a ausência de cor. ( António Ramos Rosa )
Playlist:CDs que não saiem do hi-fi
Ver Crítica Beth Gibbons - Out of Season
Alpha - Stargazing
Smog - Supper
Cat Power - You Are Free
Kristin Hersh - The Grotto
Lambchop - Pet Sounds Sucks(live 2002)
Break Reform - Fractures
Tindersticks - Waiting for the Moon
Concerto:Cat Power
Data: 2003-06-27
Local: Festival do Porto

Concerto a não perder.
Ver CríticaCat Power - Are You Free


Ainda o silêncio e ... a imagem.

Silence, de Comès. Banda desenhada.



Ainda o silêncio e, claro, a música.



Ainda o silêncio.

Chega a Paula e acrescenta : "Existe e conquista-se. Por ser o "silêncio da cumplicidade". Basta pensar na ínfima quantidade de pessoas com as quais temos (temos mesmo?) intimidade suficiente para estar em silêncio... ".

É disto que se trata na IF. Sempre foi. O (difícil) silêncio da intimidade.



"O silêncio ouve-se, toca-se. Existe." ( comenta a Manuela ).

Robert Bresson pensava que " if the ear is entirely won, give nothing to the eye ". Afirmação que tinha a ver com o cinema, mas não será esta a essência da rádio ?







O silêncio de que falamos não é o de " quem cala, consente. " (Cumplicidade do silêncio)

É o silêncio da cumplicidade.
"o silêncio não existe..." ( comentário de Su ). O trajecto a caminho do silêncio, sim. ( respondo eu)



ÍNTIMA FRACÇÃO

17 / 18 de Maio de 2003



# King Crimson : Cadence and Cascade

# Giant Sand : Fly me to the moon

# Low e Spring Heel Jack : Hand so small

# Lene Lovich : Too tender to touch

# Goldfrapp : Forever

# Lamb : Less than two

# Chet baker : Come rain or come shine

# Beth Gibbons and Rustin' Man : Drake

# Friends of Dean Martinez : Twilight sleep



# Lisa Germano : Into the night

# Smog : Let's move to the country

# Martin L. Gore : In my other world

# Broadway Project : Sea of change

# Four Tet : And they all look broken hearted

# Azure Ray : Another week

# Brad Melhau : Dear Prudence

# Keith Jarrett : Köll Concert ( 2.c )



créditos sobre # April March : La piscine couverte; música suplementar # Departure Lounge : A strange descent



textos :



" A solidão dispensa o silêncio. O silêncio exige a solidão. Esta ... intimidade, que está apenas numa fracção. Um pequeno cristal que vibra por si - brilhando - persistentemente no meio da noite. " ( F.A. )

" O engano da memória é o do registo só aparentemente útil. Não se retoma aquilo que permanece. A cena passada já não é cena. As imagens já não existem, apenas as formas. Nada resiste para além do primeiro contacto. Retomar é banalizar. Não quero a repetição, quero o regresso ao primeiro e único momento. " ( F.A. sobre Barthes )

" Penetrando nos infindáveis mistérios dos grandes espaços nocturnos. O som alonga-se na distância. Concentricamente. Até onde correrá o som ?". ( F.A. )

" As palavras mais fortes foram já todas utilizadas. Os sons mais belos já conseguidos. Nem tudo foi errado. Deixámos de esperar o regresso de uma Idade de Ouro. " ( Roddy Frame )
A IF está a ser invadida pelo jazz ? Que mal é que tem ? Há jazz que entra na IF sem desarrumar a casa.

A próxima edição da IF vai ter Brad Mehldau ( com uma versão de "Dear Prudence" ) e o regresso de Keith Jarrett, ao "Concerto Colónia" - parte 2.c.







A próxima IF abre com "Cadence and Cascade" dos King Crimson, de "In The Wake Of Poseidon", o segundo disco do grupo. Já tem mais de 30 anos. Publicado em 1970, ouvido agora, sobretudo este tema, continua a ter a mesma atmosfera planante que me fazia ilha no mar agitado do metropolitano. Uma companheira das Belas-Artes, que eu só me lembro de encontrar no Metro, entrava no Campo Pequeno e cantava baixinho :

" Cadence and Cascade

Kept a man named Jade;

Cool in the shade

While his audience played.

Purred

whispered

Spend us too:We only serve for you. "



Era um pouco triste, mas talvez ainda houvesse futuro.

What happen to Fernanda ?



A imagem que serviu para a composição gráfica utilizada lá em cima, foi retirada de um filme de Robert Bresson. As considerações de Bresson sobre o som são fundamentais.

Entretanto, o fórum criado por ouvintes da IF continua aberto.
O blog da IF mudou de aspecto. Isto deve-se a uma nova estrela da blogosfera portuguesa. Só lhe posso dizer : OBRIGADO !



ÍNTIMA FRACÇÃO

10 / 11 de Maio de 2003



# Lisa Germano : Pearls

# Wayne Horvitz : Close to you

# Cat Power : Keep on runnin'

# Beck : We live again

# The Go-Betweens : In her diary

# António Carlos Jobim : Insensatez

# Barry Adamson : Something wicked this way

# Mark Eitzel : To the sea

# Jay Jay Johanson : I'm older now ( extracto )

# Nina Simone : Isn't it a pity



# Everything but the girl : Come on home ( acústico )

# Sondre Lerche : Things you call faith

# Ed Harcourt : Metaphorically yours

# Alain Bashung : Faisons envie

# Brokeback : The Wilson Ave. Bridge In Chicago River 1953

# Costeau : To know her



créditos sobre # Bing Crosby : Stranger in paradise ; música suplementar # The Bad Plus : Heart of glass



textos :



" Por vezes, raras vezes, vem uma ou outra voz para me consolar. Mas nunca dizem aquilo que procuro. Mesmo entre sorrisos, estou completamente só, porque não sei quem és, e só tu és. As fantasias falsas não conseguem nunca esconder o vácuo do mais ausente dos rostos. Não sei quem és, e automaticamente tudo o que se tente se torna irreal. Fico reduzido a uma suspensão, uma espera, um sono, uma escuta imóvel. Sou aquele que dorme desde há séculos, aquele que aguarda, diluído no azul do sonho. Sou o que entre as árvores [...] só deseja a fonte mais clara."



" Deito-me e sonho com a floresta. Recordo-me do meu destino. Encontrarei o círculo, e tudo ficará em ordem."

" Arde no universo, como um só fogo, azul, inesgotável, central, definitivo."



" Com o tempo, todos os deuses acabaram por tornar-se imperfeitos. Todas as salvações, todos os deveres, todos os caminhos herdados acabaram por revelar a sua ineficácia, a sua incapacidade de conferir a liberdade. Ao fim do alinhamento de todos os séculos, acabámos por deparar com o puro desejo, a contemplação directa da liberdade infinita. Só a liberdade conduz a si própria, só a liberdade inexaurível é real. Alcançámos o nível do homem inventor ; atingimos o cume ; tornámo-nos de ar." (Johan Wiborg)