No blog IF NO AR - ideias para a continuidade da Íntima Fracção, a Cristina colocou esta imagem que tem tudo a ver com a IF. Chamou-lhe " em suspensão ".







Entretanto ...

13:05 - terceira estação de rádio que mostra o seu interesse na IF.

Obrigado. Confesso que não esperava isto.
Um dos mais belos posts sobre a IF colocados na blogosfera, está no Mar Salgado e foi escrito pelo Pedro.



"O TRAÇO AZUL JÁ ENTROU NO FUTURO: Estou certo de que, hoje, fomos muitos aqui. Os mapas complicaram-se - agora mudam com tanta rapidez - , mas a IF já está no seu caminho, leaving for home. Tonight."



Uma brilhante colagem partindo de uma frase-chave do programa ( há um traço azul no futuro incandescente ), com a citação do tema Maps of the world, com John Cale e Bob Newirth, uma memória dos anos 90 da IF.

Só não sei ainda se a viagem vai ser longa ou breve.



As primeiras mensagens que recebi durante a última IF na TSF, vieram do companheiro da Rádio, Francisco Mateus, que dedicou 15 minutos da emissão da própria TSF (antes das notícias da 1 hora) ao programa e às influências que dele recebeu há largos anos. Coisa que não poderá voltar a fazer tão cedo, porque a emissão da TSF vai começar a funcionar com playlist. Logo depois, mensagens do Brasil e da Venezuela !

Antes que me perguntem de novo, já que houve 4 mails a perguntar o mesmo (entre outras coisas), aqui fica uma confirmação : não foi por acaso que passei o épico (ou será angustiado ? ou uma angustia épica ?) Sweden, pelos Divine Comedy (Neil Hannon). I would like to live in Sweden ...When my work is done ... Where the snow lies crisp and even’neath the midnight sun ... Safe and clean and green and modern ... Bright and breezy free and easy ... I’ll grow wings and fly to sweden ... When my time is come ... Then at last my eyes shall see them ... Heroes every one ...Ingmar Bergman ... Henrik Ibsen ... Karin Larrson ... Nina Persson ".

É o que me apetece.

Também não foi por acaso que passei a gravação, quase integral, do final do célebre concerto de Elvis Presley, em 1956 - 15 de Dezembro, Shreveport, LA. Hirsch Youth Center, Louisiana Fairgrounds , com a frase do apresentador, dita para acalmar uma assistência nervosa que teimava em não deixar que o espectáculo continuasse : "Elvis has left the building". Não, não. Não vale a pena fazer comparações com o Elvis. Apenas me agrada como termina o registo : " se voltarem para os vossos lugares e se sentarem, o espectáculo continua dentro de 5 minutos."







Esta noite, entre a uma e as três, passa a última IF na frequência da TSF.

Entretanto, nas primeiras 24 horas depois de ter tornado pública a suspensão da IF, DUAS estações de rádio mostraram-se interessadas em ter a IF nas suas frequências. Também uma rádio-online ofereceu a casa para a IF passar os dias de retiro que fossem necessários.





A parte de trás do palco do concerto dos Stones fica virada para aqui, mas é possível ver o que se passa através desta webcam.
ÍNTIMA FRACÇÃO SUSPENSA.



No próximo sábado cumpre-se a última "Íntima Fracção" na TSF. Já não é a primeira vez que o programa é suspenso. Quando da passagem da Antena 1 para a TSF, há 14 anos ( ! ), a IF parou durante 4 meses. Durante os 20 anos que completa a 8 de Abril de 2004, foi o único período em que a sua transmissão esteve suspensa.

A IF é um programa de rádio de autor, por isso, não faz sentido dizer que acabou. É absurdo dizer a um pintor que deixe de pintar porque uma galeria não lhe expõe mais os quadros. Mesmo que a esta galeria se tenham dedicado 14 anos de vida.

Assim, a IF continua. Procura casa. Uma casa da Rádio onde se abra a janela e se deixe o som, o rumor do coração e da música, sair pelo meio da noite ... flutuando ... através do espaço infinito.

O Luís, de A natureza do Mal, disse-me tudo : "Nunca poderá acabar, porque é outro o lugar onde aquela música toca, foi sempre outro, inacessível aos gabinetes dos pequenos e grandes mandantes, o lugar, onde, suavemente está".

Agradeço todo o apoio dos ouvintes que, por diversas formas, me lançaram dúvidas e angústias, mas também porções de um enorme e (acreditem) inesperado afecto. Quase não respondi a mails, fui evasivo, eu sei. Às centenas de ouvintes que enviaram mensagens a que não respondi, garanto agora que a IF não acabou. Aos bloggers que não conheço, mas que aqui e ali juntaram esforços e criaram um blog colectivo para receber "Ideias para a continuidade da IF", devo dizer que o vosso trabalho e dedicação, para lá de agora se revelar de grande utilidade, me fez acreditar de novo que vale a pena trabalhar para a fruição de outros. Aos autores de Blogs que não nomeio, já que deve haver vários que não li, e que escreveram posts e linkaram sobre a IF, tenho de dizer que, com eles, a mágoa se desfez um pouco em cada noite.

A IF não acabou.

Está a cantar baixinho, parada, num caminho escuro à espera da aurora.

A IF não acabou.

A maioria das aves que migram orientam-se pelo sol, mas há espécies que preferem utilizar as estrelas como bússula.

A IF não acabou.

Enquanto procura de novo "a casa", embrulhar-se-á na imensa rede e ficará à espera do download de quem a amar.

A IF não acabou.

Observa bem e sente ! Sente mais do que vês - a escura noite, tornando-se, lentamente, em clara madrugada.

A IF não acabou.

"Há um traço azul no futuro incandescente".



O psicótico vive no temor da queda ( pelo que as várias psicoses não seriam senão defesas ). Mas o " receio clínico da queda é o receio de uma queda que já se experimentou ( primitive agony ) [ ... ] e há momentos em que um paciente sente a necessidade de lhe dizerem que a queda, que ele tanto teme e lhe mina a vida, já se verificou". ( Winnicott )




When you're standing on the crossroads

That you cannot comprehend

Just remember that death is not the end

And all your dreams have vanished

And you don't know what's up the bend

Just remember that death is not the end

Not the end, not the end

Just remember that death is not the end






A RÁDIO foi uma Arte.

A RÁDIO é uma Arte ?

A RÁDIO poderá ser uma ARTE ?









Em 1984, um pouco antes de começar a Íntima Fracção, passei a Serra da Estrela de carro e sózinho. O céu, que estava azul, passou a cinzento chumbo, o tal que dá neve. No topo da serra, com a noite a cair, a única referência que tinha para saber onde era a estrada estava numas barras pretas e amarelas, que é para isso que lá devem estar. Na descida para Seia, a neve desapareceu.

É assim que me sinto : de novo no alto da Serra. As barras que me amparam, tomam agora outros formatos. Não sei quem colocou lá as outras. Não conheço quem colocou agora estas, mas posso dizer obrigado. Não conheço, mas descobri-lhes as assinaturas. Aqui e ali.
INTIMA FRACÇÃO

20 / 21 de Setembro de 2003



# Smog : Back in school

# Múm : On the old mountain radio

# Prefab Sprout : Andromeda Heights

# Dick Hyman : Mack the knife

# Future 3 : Alison

# Dionne Warwick : Trains , boats and planes

# Fred Frith : Trains , boats and planes

# Blue Nile : From a late night train

# For Stars : There was a river



# Johnny Cash : We'll meet again

# Lambchop : Autumn's vicar

# Alpha : Blue Autumn

# Tom Verlaine : Depot ( 1958 )

# Suicide : Surrender

# Tindersticks : Running wild

# Manual : Blue skied an' clear

# Parker and Lily : My apartment complex

# Parker and Lily : Bridge and tunnel

# John Cale : The soul of Carmen Miranda

# Elvis Costello : Someone took the words away



Créditos sobre # Vera Lynn : We'll meet again

Música suplementar # Ulrich Schauss : Crazy for you



sons : telefones, máquinas em parque de diversões, vento, riacho, mar, avião, torre de controlo, elevador, comboio, sirene de barco, Corvette 62', som original do apresentador do espectáculo de Elvis Presley - 1957 : Elvis has left the building.



Textos :



" Na Íntima Fracção da noite ... não é o silêncio ... é o barulho do coração. Um ruído, um rumor que se levanta. "

" Pouco para dizer e muito para escutar. Tudo para sentir e sempre a espera pela intimidade de uma esperança ...

Recomeçando a cada instante. "

" Suaves e brilhantes reflexos, como uma pequena pérola rolando pela palma da mão estendida à janela da

escuridão desta noite. O clarão, o brilho mais intenso, já o sabemos, vem sempre de dentro. " (F.A.)
ENCONTRO DE WEBLOGS em BRAGA - UNIVERSIDADE DO MINHO.

Uma breve reflexão sobre o blog da Íntima Fracção.




Dreyfuss ( Curt ) entra no coração da rádio. Edifício vazio. Wolfman Jack, só, no estúdio.

São quase 5 da manhã.



You're Sixteen (You're Beautiful and You're Mine) - Johnny Burnette
A solidão dos viajantes da noite



"Each nightscape also shows a train, often reduced to a mere blur, which evokes the loneliness of late-night travelers."



Peter Oxley







# Blue Nile : From a late night train





From a late night train

Reflected in the water

When all the rainy pavement

Lead to you

It's over now

I know it's over

But I can't let go



The cigarettes, the magazines

All stacked up in the rain

There doesn't seem to be a funny side

It's over now

I know it's over

But I can't let go



From a late night train

The little towns go rolling by

And people in the station

Going home

It's over now

I know it's over



But I love you so



in. Hats, 1989
IF.

No meio da noite

Não é o silêncio ...

é o barulho do coração

( um ruído que não interessa ? )
Não consigo discutir algumas mudanças. A do " pi...pi...pi " horário da RDP é uma delas. Durante anos, de manhã, à tarde e à noite, abri-lhe a porta. Ou era a janela ?

coisas que não mudam e nos dão segurança.




Pode não ter sido a primeira vez que escrevi isto, mas encontrei-o agora mesmo numa folha saída de um caderno onde anotei ideias para o princípio da IF. Para mim, é um pouco da minha vida. Para os seguidores da IF, poderá ser uma curiosidade. Para os outros, certamente, não são mais do que palavras rabiscadas num papel. Como aprendi com Cortázar, se alguém encontrasse esta folha, o mais provável era usar o verso para tomar nota da chave do totoloto. Ou, quem sabe, para embrulhar um ramo de salsa que se foi buscar à mercearia. Cortázar era mais radical ( ai pois era ...). Para ele, tratava-se de um jornal. Depois de passar por várias mãos, uma velhota encontra-o e leva-o para casa. No caminho usa-o para embrulhar meio quilo de nabos, que é para o que os jornais servem depois destas excitantes metamorfoses.




Now I think I know

What you tried to say to me

How you suffered for your sanity

How you tried to set them free

They did not listen they're not listening still

Perhaps they never will.




Don McClean escreveu e cantou "Vincent". Talvez seja ( não parecia ) um bocadinho piegas. Seja como for, diz a verdade.