Por uns dias vou à procura das ondas.
Talvez encontre a Íntima Fracção.
Esta noite, quando entrei no Smart, tive uma estranha sensação. Na rádio, Mar de Outubro da Sétima Legião, logo seguido da Virginia Astley. Pareceu-me olhar para mim próprio, de fora e sem ser ao espelho. Como se eu fosse um outro que, desesperadamente, olha para mim sentado num estúdio de rádio há vinte anos. O engano esgotante da memória. Não quero repetir nada. Quero apenas regressar, como aquele que se perdeu e, para retomar o caminho em frente, tem de voltar ao ponto de partida por que é aí que sabe guiar-se pelas estrelas.
O responsável por esta estranheza foi o Nuno Ávila (um caso de amour fou pela rádio) surfando nas ondas da RUC.
Agora, preparam-se as homenagens a Carlos Paredes. Tinha sido muito mais justo que, ao longo dos anos, se tivesse feito alguma coisa para que Paredes não fosse um génio a ter que dividir a vida entre um serviço público burocrático e a sua Arte.
Lembro Carlos Paredes a pedir-me mil desculpas por não autorizar a gravação de um espectáculo. Eu estava apenas a cumprir ordens. A produção tinha falhado redondamente. E o Carlos Paredes a dar-me o número de telefone de casa, a convidar-me para lá aparecer, a garantir uma entrevista, uma coisa diferente, uma espécie de compensação que me esperaria lá por Benfica. O que o Carlos Paredes não queria era que eu pensasse que se tratava de uma birra de artista. O homem não sabia de nada, e quando entrou no palco para um pequeno teste de som, deparou-se com todo aquele equipamento.
Era (é !) um enorme Artista e um homem simples.
Está aberta a caça às homenagens ...
Os pequenos são homenageados em vida (e de que maneira !). Os grandes, quando o são, já não lhes serve para nada.
World Citizen
World Citizen
I want to travel by night
Across the steppes and over seas
I want to understand the cost
Of everything thats lost
I want to pronounce all their names correctly
World Citizen
World Citizen
Só um ouvinte de longa data da IF poderia lembrar-se disto.
"That summer feeling", de Jonathan Richman and the Modern Lovers - Julho de 1984 - Rough Trade - 12". Este tema foi gravado nos Sunset Studios, em Burbank - 1982. Houve depois, já nos anos 90, uma versão deplorável.
O Pedro lembra-se disto tudo, e de ter ouvido a original na IF. É este o disco.

Ora oiçam AQUI.
"That summer feeling", de Jonathan Richman and the Modern Lovers - Julho de 1984 - Rough Trade - 12". Este tema foi gravado nos Sunset Studios, em Burbank - 1982. Houve depois, já nos anos 90, uma versão deplorável.
O Pedro lembra-se disto tudo, e de ter ouvido a original na IF. É este o disco.

Ora oiçam AQUI.
O mundo já pouco tem para nos oferecer, parece muitas vezes constituir-se de pouco mais do que barulho e receio, mas o certo é que a erva e as árvores continuam a crescer. Quando um dia a terra estiver completamente coberta de caixotes de betão, as nuvens continuarão a correr no céu e adquirir sempre novas formas, e aqui e ali as pessoas, por intermédio da arte, precisarão de manter uma porta aberta para o divino.
Hermann Hesse

Claude Monet
Ssshhhhhhh ........ escutem !
Hermann Hesse

Claude Monet
Ssshhhhhhh ........ escutem !

15 anos de RÁDIO UNIVERSITÁRIA DO MINHO.
A resistência destas rádios, fazem delas faróis que ainda nos dão alguma esperança no meio do mar quase morto da rádio em Portugal.
Mas ... afinal, que idade tenho ?
Como (e onde ...) se cruza a memória e o futuro ?
O Mário, no Retorta, faz uma reflexão exemplar sobre o "novo".
A música, é um espelho desta questão.
Ouvir "Love will tear us apart" dos Joy Divison, hoje, no projecto Nouvelle Vague, dá que pensar e ouvir.
Como (e onde ...) se cruza a memória e o futuro ?
O Mário, no Retorta, faz uma reflexão exemplar sobre o "novo".
A música, é um espelho desta questão.
Ouvir "Love will tear us apart" dos Joy Divison, hoje, no projecto Nouvelle Vague, dá que pensar e ouvir.
O blog ÂNIMO, mantido pelo eterno criativo, solidário e "sensitive" António Colaço, completou um ano.
Ainda bem que há estes locais onde se fala a mesma língua.
Ainda bem que há estes locais onde se fala a mesma língua.
I use to get
Flowers from girls in their bloom
and I use to get
Letters with a smell of perfume
I use to be handsome and popular
But what can I say
It didn't take long til I called it a day
But I'm older now, much older than I was when I was young

Sinto quase a mesma nostalgia quando volto a ouvir Jay Jay Johanson (1997) ou os Beach Boys (1966).
É esta a essência da IF.
Para alguns, isto deve estar errado.
Trato-me por tu
Ele. Procura o espaço de intimidade que lhe permita tratar-se por tu. Impossível. Descobrirá que precisa de mais.
Há um ano que deixa palavras, imagens e sons. Tudo para sentir. Impossível compreender.
Nunca chegará a nenhum lado. Não há caminho. Faz-se caminho ao andar. A única possibilidade é andar.
Trato-o por tu. Trata-me por você.
Um dia, reencontrar-nos-emos.
Ele. Procura o espaço de intimidade que lhe permita tratar-se por tu. Impossível. Descobrirá que precisa de mais.
Há um ano que deixa palavras, imagens e sons. Tudo para sentir. Impossível compreender.
Nunca chegará a nenhum lado. Não há caminho. Faz-se caminho ao andar. A única possibilidade é andar.
Trato-o por tu. Trata-me por você.
Um dia, reencontrar-nos-emos.

Gosto deste último disco dos King of Convenience. Há um certo mistério neste duo norueguês. São de Bergen e parece que cada um anda para seu lado. Um deles estuda. A sério. Não abdica de ser psicólogo. O outro passa mais tempo fora da Noruega. Sempre que regressa a casa, compõem. Mas também há histórias de MDs através do correio e de troca de e-mails.
Gostava de estar em Montreux (Suíça) no próximo dia 15, no Miles Davis Hall. Lá estarão os Kings of Convenience, no famoso Festival que sempre desejei cobrir para a rádio, o que nunca fiz.
Gold in the air of summer,
you'll shine like gold in the air of summer.
As músicas ouvem-se entrando pela capa do disco.

No dia do funeral de Sophia de Mello Breyner, vi e ouvi na televisão (pública!) um repórter rapaz/sagaz perguntar a uma senhora que estava no Rossio, no meio da euforia pré-desilusão futebolística : "Então ... este dia é mais ou menos feliz do que o 25 de Abril ?" !!!
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
25 de Abril - Sophia de Mello Breyner

Será que se tivesse lido este poema ainda perguntava o mesmo ? Será que alguém lhe deu a ideia de perguntar aquilo ?
Será que o rapaz é sagaz ?
Será que ainda vai ser repórter por muito mais tempo ?
Receio que sim.
" Que se lixe a Taça ! ".
Esta era uma expressão que ouvia com frequência quando era miúdo. Claro que a frase continha uma série de valores semânticos. Hoje, digo-a eu.
Com a Grécia, as coisas começaram a correr mal antes do campeonato começar. Lembro-me de um anúncio na imprensa, do BES, que dizia : Vamos deixá-los em ruínas ! ... Ideia de mau gosto, como se viu.
O que mais me irritou não foi Portugal ter perdido a final. O que mais me irritou foram alguns políticos a aproveitar a boleia do Euro. Foram os comentários aos jogos (excepto o comentado por Mourinho ... afinal ele sabe mesmo mais do que eu pensava). Foram as realizações televisivas. Patéticas. Pimbas. Deslumbradas ! Havia meios a mais ! O que não havia era necessidade de os querer utilizar todos ao mesmo tempo (até o 2º golo de Portugal contra a Holanda mal se viu, tal a paranóia das infinitas repetições). E, acima de tudo, o futebol é um jogo colectivo, e estas realizações tentaram sempre mostrar o contrário.
O que não percebi : quando um jogador (em plano aproximado) passava a bola, havia um zoom sobre ele e só depois nos davam a ver para onde tinha ele passado a bola ... Realização para provocar a participação do espectador? Não foi o "Onde está o Wally?", mas sim o "Onde está a bola?".
Que se lixe a Taça !
Esta era uma expressão que ouvia com frequência quando era miúdo. Claro que a frase continha uma série de valores semânticos. Hoje, digo-a eu.
Com a Grécia, as coisas começaram a correr mal antes do campeonato começar. Lembro-me de um anúncio na imprensa, do BES, que dizia : Vamos deixá-los em ruínas ! ... Ideia de mau gosto, como se viu.
O que mais me irritou não foi Portugal ter perdido a final. O que mais me irritou foram alguns políticos a aproveitar a boleia do Euro. Foram os comentários aos jogos (excepto o comentado por Mourinho ... afinal ele sabe mesmo mais do que eu pensava). Foram as realizações televisivas. Patéticas. Pimbas. Deslumbradas ! Havia meios a mais ! O que não havia era necessidade de os querer utilizar todos ao mesmo tempo (até o 2º golo de Portugal contra a Holanda mal se viu, tal a paranóia das infinitas repetições). E, acima de tudo, o futebol é um jogo colectivo, e estas realizações tentaram sempre mostrar o contrário.
O que não percebi : quando um jogador (em plano aproximado) passava a bola, havia um zoom sobre ele e só depois nos davam a ver para onde tinha ele passado a bola ... Realização para provocar a participação do espectador? Não foi o "Onde está o Wally?", mas sim o "Onde está a bola?".
Que se lixe a Taça !
É por causa do "amor incondicional" que demoro a chegar à lista das músicas incondicionais para o CD - 20 anos da IF.
É ainda à procura do mesmo amor que vou fazer uma IF de Verão.
Está ainda aí alguém ?

The sun is out - the sky is blue
there's not a cloud to spoil the view
but it's raining - raining in my heart
Raining in my heart - Buddy Holly
É ainda à procura do mesmo amor que vou fazer uma IF de Verão.
Está ainda aí alguém ?

The sun is out - the sky is blue
there's not a cloud to spoil the view
but it's raining - raining in my heart
Raining in my heart - Buddy Holly
Nunca houve pouco para dizer, mas sim a impossibilidade de o fazer.
Dizer.
Desde sempre, saber que dizer dos outros, das coisas, das músicas, do mundo, é dizer de mim. Assim, na subtil arte da Comunicação, estou muitas vezes entre o que desejo absolutamente dizer e o que devo (ou julgo) dizer para ser merecedor do "amor incondicional". Aquele, dizem (justamente), que é o que procuramos desde o momento em que nascemos.
Dizer.
Desde sempre, saber que dizer dos outros, das coisas, das músicas, do mundo, é dizer de mim. Assim, na subtil arte da Comunicação, estou muitas vezes entre o que desejo absolutamente dizer e o que devo (ou julgo) dizer para ser merecedor do "amor incondicional". Aquele, dizem (justamente), que é o que procuramos desde o momento em que nascemos.

Não há grande espaço para mais.
Os olhares estão postos num ponto distante. Os ouvidos também.
Esta bela fotografia de Paulo Novais, da Lusa, sublinha a frase chave da IF: pouco para dizer, MUITO para escutar, TUDO para sentir.
Há festejos ruidosos nas ruas - muito para escutar. As pessoas parecem felizes - tudo para sentir. Os Beatles (George Harrison) descreveram este sentimento há muito : " ... the smile's return to the faces."
É certo que estes grandes arrebatamentos colectivos, em Portugal, são apenas conseguidos quando a bola bate nas redes das balizas contrárias. Mas quem sabe ? Talvez um dia, aqueles em quem o país devia também ter orgulho, tenham o mesmo tempo de antena. Pode ser que haja mais noites de festa !
A festa do futebol é bonita, mas ...
" ... queremos muito mais ... " !
POST INDUSTRIAL BOYS - POST INDUSTRIAL MEDIAOCRACY
Está bom tempo. Há futebol. As ruas parecem uma pintura "fauve" a verde e vermelho. É provavel que "alguma coisa mude para que tudo fique na mesma".
Está bom tempo. Há futebol. As ruas parecem uma pintura "fauve" a verde e vermelho. É provavel que "alguma coisa mude para que tudo fique na mesma".
Há alguns anos (muitos, provavelmente) correu o boato de que o Ray Charles tinha morrido.
Eu e o Amândio vestimo-nos de luto. Eramos adolescentes. Estavamos desolados. Verdadeiramente desolados. Vivíamos com aquela voz dentro de nós. Gostaríamos de tocar piano como Ray.
Devo ter chorado um bom par de vezes ao ouvir alguns temas de Ray Charles. Não duvido que tivesse companhia. Van Morrison disse-mo.
Esta é uma velha foto de Ray com um significado especial para mim. Estava na capa do EP -edição portuguesa - que incluía "Together again".

Um dos discos de Ray Charles de que mais gosto (e que me deu um trabalhão a encontrar em CD), tem lá dentro algumas das peças mais significantes da carreira do "High Priest".

Coisas (para OUVIR aqui em baixo) como
YOU WON'T LET ME GO
IT HAD TO BE YOU
TELL ME YOU'LL WAIT FOR ME
DON'T LET THE SUN CATCH YOU CRYIN'
Mas há muita música de Ray Charles que DEVE ser ouvida. Segue num próximo post.
Tudo a propósito da morte, a 10 de Junho, de uma das mais fantásticas vozes da música do século XX. Claro que esta gente não morre. São mortais, mas não desaparecem. Cá estão os discos, os DVDs, a música na rádio (já não garanto ...).
Amândio. Desta vez, foi mesmo a sério. Não vou pôr luto. Sei que lhe dirás o quanto o amamos !
Eu e o Amândio vestimo-nos de luto. Eramos adolescentes. Estavamos desolados. Verdadeiramente desolados. Vivíamos com aquela voz dentro de nós. Gostaríamos de tocar piano como Ray.
Devo ter chorado um bom par de vezes ao ouvir alguns temas de Ray Charles. Não duvido que tivesse companhia. Van Morrison disse-mo.
Esta é uma velha foto de Ray com um significado especial para mim. Estava na capa do EP -edição portuguesa - que incluía "Together again".

Um dos discos de Ray Charles de que mais gosto (e que me deu um trabalhão a encontrar em CD), tem lá dentro algumas das peças mais significantes da carreira do "High Priest".

Coisas (para OUVIR aqui em baixo) como
YOU WON'T LET ME GO
IT HAD TO BE YOU
TELL ME YOU'LL WAIT FOR ME
DON'T LET THE SUN CATCH YOU CRYIN'
Mas há muita música de Ray Charles que DEVE ser ouvida. Segue num próximo post.
Tudo a propósito da morte, a 10 de Junho, de uma das mais fantásticas vozes da música do século XX. Claro que esta gente não morre. São mortais, mas não desaparecem. Cá estão os discos, os DVDs, a música na rádio (já não garanto ...).
Amândio. Desta vez, foi mesmo a sério. Não vou pôr luto. Sei que lhe dirás o quanto o amamos !
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