Rainer Maria Rilke
Uma possível explicação para a IF e o impacto de a ter encontrado.

Não entendo muito bem como é que em 2005 se formam filas para comprar bilhetes para um concerto dos U2, que vai acontecer em Agosto. Lá que sabem vender ... não duvido. Não se trata de nostalgia, mas os melhores momentos dos U2 não têm nada a ver com os concertos recentes. O primeiro álbum - BOY (1980) - não passou da 52ª posição nas tabelas de vendas no UK e da 94ª (!!!) nos US. Pois é ali que está o melhor. INTO THE HEART é , para mim, A canção dos U2. Sei que dão uns concertos de estádio com grande aparato tecnológico (como estão longe de UNDER A BLOOD RED SKY ...).
Obrigado Bono, pela intervenção (por certo desinteressada) a favor da justiça no mundo, mas não vou comprar bilhete.
Into the heart of a child
I stay awhile
But I can go there.
Into the heart of a child
I can smile
I can't go there.
Into the heart, into the heart of a child
I can't go back
I can't stay awhile.
Into the heart.
Into the heart.
Para compensar, e a pedido, será reposta para download, a emissão da IF toda feita em torno do tema do filme "You only live twice". Enjoy ...
O autor chama-se SEIGEN ONO e o disco NEKONOTOPIA NEKONOMANIA. A música em causa é a faixa 3 - Enishie. Descobri-o graças à paciência do Nuno Artur Silva, das Produções Fictícias. O Nuno avisou-me logo que o objecto era difícil de encontrar, mas não me deixei amedrontar. Descobri que o senhor Seigen Ono é japonês e, partindo de uns vagos conhecimentos no Japão, cheguei à informação de que o disco tinha sido editado (1990) pela belga Crammed Discs, na colecção Made to Measure. Os meus amigos em Bruxelas e Liège fizeram o resto.

Seigen Ono é um músico japonês que, como produtor e engenheiro de som, trabalhou com the Lounge Lizards, Bill Laswell, R. Sakamoto, Herbie Hancock, e outros que tais. Este NEKONOTOPIA NEKONOMANIA, voga entre o ambient e o jazz minimalista, com a participação de John Zorn, Evan Lurie, e outras figuras da New York scene. Os últimos temas são dedicados à "Berliner Nächt", uma hipnótica suite para guitarra de 12 cordas.
Há, em alguns temas, como no caso do indicativo do Eixo do Mal, uma atmosfera retro que me faz lembrar um amigo de Hong-Kong a viver no Canadá, que em 1960, com dez anos, engraxava sapatos à porta de um salão de baile da então colónia britânica. Uma das recordações dele é a música que vinha do primeiro andar, com os sons da orquestra de Billy Vaughan, em especial a Berlin Mellodie.

sengei ono -Enishie.mp3
É só clicar no nome do ficheiro em cima e a música tocará nos ouvidos, poisando nos vossos corações ! Se descobrirem o disco, oiçam-no, de preferência, a comer bolos de mel das monjas beneditinas do Mosteiro de Santa Escolástica, em Roziz, acompanhados por chá verde com jasmin. Vão ver que se sentem felizes, abertos à contemplação e à introspecção. Não me perguntem porquê. É uma coisa que se sente ... não tenho a mais pequena intensão de tentar explicar.
Ah ! Torna-se óbvio que o Eixo do Mal (SIC-Notícias, sábados à noite, às 24 h, com repetição aos domingos às 18 horas), é uma espécie de habituação de que não me consigo afastar. Tudo gente inteligente e consideravelmente divertida. É tão raro ...
( Blossom Dearie )
Now at last I know
What a fool I've been
For have lost the last love
I should ever win
Now at last I see
How my heart was blind
To the joys before me
That I left behind
When the wind was fresh
On the hills
And the stars were new in the sky
And the lark was held in the still
Where was I Where was I
When the spring is cold
Where do robins go
What makes winter lonely
Now at last I know
When the wind was fresh
On the hills
And the stars were new in the sky
And the lark was held in the still
Where was I Where was I

Leslie Feist - Let it die
(desde Maio, cd produzido por R. Letang e Gonzales)
# This mortal coil : Another day
# Gonzales : Armellodie
# Azure Ray : These white lights will bend to make blue
# Opto : 04.34
# KLF : Alone again with the dawn coming up
# Destroyer : Your blues
# Echoboy : Telstar recovery (extracto)
# Noonday Underground : Closing time (extracto)
# Donna Regina : Why
# Dream Academy : It'll never happen again
# Samara Lubelski : Keeper of beauty
# James Taylor : Fire and rain
# Departure Lounge : I love you (remix Animals on wheels)
# A guy called gerald : American Cars
# Flying Lizards : Tears

A Cris, para além de me ter feito chegar o Mouchette, do Bresson, deu-me a conhecer, através das suas bobinas, um ciclo de filmes de Jean-Luc Godard a decorrer no Nimas. Perspicaz, nota o alinhamento.
Para hoje, domingo, Pierrot, le fou (Pedro, o louco).

Na 2ª feira, Nouvelle Vague (Nova Vaga).

Olhando com mais atenção, na 3ª, ainda há Helas pour moi (Valha-me Deus).

É nisto que estamos. Nem o alinhamento de um simples ciclo de cinema nos liberta do sobressalto. Utilizando ainda um título do Godard, sinto-me À bout de souffle (O Acossado).
Há sempre uma explicação (digital) para este tipo de erros. Está feito e detectado. Corrigida e em perfeitas condições, a IF regressa no domingo à RUC e, depois, à net na ESEC Rádio on-line.
Sempre à espera de um sinal, de uma resposta, da intimidade de uma esperança.
Assim, encontrei "uma" resposta para as perguntas que neste momento me coloco. É apenas a última frase de um post do Luís na Natureza do Mal :
"Domingo, até os que ingénuamente comemorarem, hão-de comemorar uma derrota."
Desta vez, é inevitável : todos perderemos, porque todos ganharão.
Estamos exaustos. Olhamos, apenas.
As imagens guardam música.
Este é o magnífico Park Hyatt Tokyo, o hotel onde foi filmado "Lost in translation", de Sofia Coppola. O hotel ocupa os últimos 14 dos 52 andares da Shinjuku Park Tower.

O quarto com vista para Tóquio, onde eu gostava de me perder em translação.

A suite presidencial (com piano), onde nunca ficarei (porque não gosto de ser presidente).

O grill do hotel.

Um dos bares com vista para Tóquio.

O bar onde se encontram os perdidos in translation.

E lá no alto, a piscina, onde já nadei através da câmara subaquática utilizada por Sofia. Obrigado.

Há quem goste de whiskey, charutos, carros de luxo, alta tecnologia como gadget.
Eu gosto de hotéis. Gostaría de ser viciado, mas nem dependente sou. Lost in translation é para mim (só?), um filme de culto, porque Sofia Coppola filmou o que eu sempre desejei ter filmado: HOTÉIS.
Como diria Carla Bley:
Time and Us.
It's only the wind blowing litter all around
Just a little wind and the trees are falling down
There's nobody crying, that was yesterday
Inside we're all smiling, everything's okay
It's only the wind
Behaviour - Pet Shop Boys (1990)

Primeiros dias de 1991. Frios, mas de novo luminosos. Algarve. Hotel da Aldeia. Fogo de artifício lançado por crianças no jardim do lado. Traços luminosos riscando a noite. Televisão por parabólica. Música. Rádio (os empolgantes dias da TSF). Ela.
Now maybe you're right and maybe you're wrong
But I ain't gonna argue with you no more
I've done it for too long.
It was getting so good why then, where did it go?
I can't think about it no more tell me if you know.
You were loving me, I was loving you
But now there aint nothing but regretting
nothing,
nothing but regretting everything we do.
Maybe you're right
Cat Stevens - Mona Bone Jakon (1970)

Num frio, mas luminoso sábado lisboeta de Janeiro de 1971, o Júlio regressa a Liège, via Bruxelas. Vou esperá-lo a Santa Apolónia. Pesamos a mala numa máquina de moeda. Vamos a minha casa inventar maneira de não ultrapassar os 20 Kgs. Almoço no Tatu. Voo TAP lá para as 4 e meia da tarde, uns bancos atrás de Vera Lagoa e Artur Agostinho. Naquele momento, tudo era ainda possível. Na Portela ainda quero falar do mesmo assunto. Ela. Mas ele não me quer ouvir. O passarão branco levanta em direcção à Europa, onde o Manel espera. Eu fico em terra, a caminho da Avenida de Roma e da Sinfonia e só podia comprar este disco.
# Microphones : I'll be in the air
# Czars : Goodbye (intro)
# Pretenders : Kid (live acoustic)
# Marianne Faithfull : Crazy love
# Gonzales : Melodika
# A Guy Called Gerald : American Cars
# A Guy Called Gerald : Millennium sanhedrin (com Ursula Rucker)
# Johny Cash : We'll meet again (extracto)
# Air : Alone in Kyoto
# The Column One / Excellent listener : Winter
# Leslie Feist : Now at last
# OMD : Statues
# Nouvelle Vague : Love will tear us apart
As vozes na rádio. As vozes "lá dentro". As vozes do outro lado da casa, ao fundo do vale, difusas, dispersas, junto ao mar. As vozes e os sons. A música. E, porém, as imagens. Desde o primeiro instante.

Durante algum tempo, utilizei na IF o disco (ainda em vinil) com a banda sonora do filme inglês "Distant voices, still lives" (1988), de Terence Davies. Alguém sabe se existe em CD ?
Louis Pauwels
Aqui está outro projecto a que tenho dedicado grande parte do meu tempo e entusiasmo.
Vejam.

To All Things What They Need

O regresso de Gerald Simpson. Desde 2000, é uma passagem regular na IF, mesmo com os discos arrumados na secção Dance/Electronica. Não tenho ainda opinião formada sobre o novo disco (com a participação de Finley Quaye e Ursula Rucker), mas a sua abertura será incluída na IF de 14 de Fevereiro.

A partir de hoje, olharei só de passagem a campanha eleitoral. O que vi até agora, deixa-me à beira daquela perigosa ideia de que "são todos iguais". Não pode ser verdade. Não quero que seja. Só pode ser verdade se todos nós, eleitores, formos também todos iguais na mediocridade.

