A Íntima Fracção completa hoje vinte e quatro anos. Nesta data, novo rumo.
A partir de hoje o blogue e a distribuição ( gratuita) do programa passam para a versão online do semanário EXPRESSO.
Agradeço a todos os que me acompanharam até aqui e espero por vós (e mesmo por todos os que ainda não conhecem a Íntima Fracção ...) no EXPRESSO online (link directo ao blogue da IF).
Não gosto de adiantar a hora. Não se trata de chegar mais depressa ao futuro (nunca se lá chega). É enganarmo-nos perante o sol. E porque será melhor o futuro do que o passado ? Estão ambos perdidos, embora o passado tenha a vantagem de deixar vestígios (nem que seja na memória). Assim, brevemente (no futuro que se tornará presente), uma nova vida da IF. Ou ... a vida de sempre, vista e ouvida noutro lugar.
Dylan - Newcastle - 1966
Alguém deixou um comentário a um post sobre as memórias dos Waterboys. É qualquer coisa tão dos inícios da Íntima Fracção que estava meia adormecida. Mas regressa. Não com a força do absolutamente novo, do insuperável grito, mas regressa. Nunca mais da mesma maneira. Subindo, subindo sempre, até ao tal pedaço de azul entre as núvens. Mas regressa, tal como naquela época, resistindo. Regressa, e eu recebi o sinal.
Spirit
Man gets tired Spirit don’t Man surrenders Spirit won’t Man crawls Spirit flies Spirit lives When man dies
Man seems Spirit is Man dreams The spirit lives Man is tethered Spirit free What spirit Is man can be
Chegou a Primavera. O frio. A noite gelada. Flores que resistem. As músicas. As esperanças dos corações tristes. Urgentíssimas ...
Para esta quarta emissão da rubrica Broadcating From Home decidimos dar destaque a uma editora. Inicialmente, e na sequência do concerto de Michael Gira, andámos às voltas com os projectos e os títulos promovidos pela Young God Records. Mas o número de série desta emissão remeteu-nos para chancela responsável por algumas das sonoridades mais emblemáticas da década de 80.
Originalmente designada como Axis Records, formada em 1979 por Ivo Watt - Russel e Peter Kent, a editora britânica 4AD cedo se destacou como uma importante fábrica de texturas e novas tendências sonoras. Não deixa de ser curiosa a origem do nome da editora que resultou da conjugação de grafismos resultantes do flyer promocional que tencionava associar o perfil da editora à ideia de progresso. Assim dos grafismos 1980 FORWARD; 1980 FWD; 1984 AD nasceu o nome 4AD.
As variações AD:Eram os tempos do vinil, dos lados B, das mail orders, das encomendas por catálogo, das rádios pirata, e todos conhecíamos os códigos e prefixos adoptados pela 4AD:
AD = single
BAD = EP
CAD = Full length LP
DAD = Double LP
A 4AD marcou tendências, assinalou uma geração (ainda a brincar falo da geração 4adíaca) e embora, muitas vezes associada temas mais etéreos, esta editora trabalhou os Birthday Party, Wolfgang Press, os Pixies, um registo singular de Bauhaus (mais tarde exportados para a Beggars Banquet), os Dif Juz, entre tantos outros títulos e estilos tão diversificados como Les Voix Bulgares aos actuais The Mountain Goats, TV on the Rádio, e outros tantos títulos que ainda inovam apesar do prefixo 4AD ter dado lugar ao inevitável MP3.
A dificuldade na realização deste podcast residiu no critério de selecção, não só porque gostamos nem de todos mas também de muitos projectos da 4AD, mas porque divergíamos entre títulos que marcaram as décadas e estilos que melhor se colavam uns aos outros no barómetro sonoro e rítmico.
Optámos pela estratégia numérica, na esteira da terminologia adoptada pelos fundadores. Assim nasceram 4 postdcasts, seguindo as siglas da chancela inspiradora: 4 Astonhishing Delicious podcasts, o nosso Fourthcast!
4Download or 4listen.
Enjoy.
Vem uma noite de ventania e regressa Jimi Hendrix com The wind cries Mary. No blog da IF estreia a prestação ao vivo em Monterey - 1967. Lá para trás está uma outra gravada em Estocolmo. Junto-lhe uma versão de Jamie Cullum em 2004 e ... ooohhhh ... o tempo esse grande escultor ! E os rastos de tanto vento ainda tão vivos.
No início dos anos 70 (sec.XX), o Sérgio Godinho cantava em "Barnabé" : "dizem que a fortuna cresce nas cidades" ... Quase quarenta anos depois, o que cresceu foi a miséria e, muito, a solidão. Mas há quem não acredite. Pessoa conhecida, ao responder a um desses insuportáveis inquéritos das empresas de telecomunicações, inquirida sobre o número de pessoas que compunha o agregado familiar, disse, "Vivo com um coelho". Não ... não é isso ... não interessa o nome da pessoa com quem vive ... atiraram do lado de lá.
Escrevi aqui no blog, em Abril de 2003, que "The Whole of the Moon", dos Waterboys, era "a" canção dos anos 80. Agora que os Waterboys voltaram a Portugal (Gaia), regresso a esta afirmação e reforço-a. Disponibilizo um vídeo com uma versão ao vivo que só acentua a força desta canção de Mike Scott, entre o desespero, a revolta e a esperança, se é que estes estados de alma podem ser simultâneos. Talvez seja sobre esta espécie de impossibilidade que The Whole of the Moon se eleva. "You came like a comet" ... a música foi composta nas vésperas da passagem do cometa Halley ... que só voltará a cruzar os nossos céus em 2061/62.
Um extracto da letra que, neste momento, julgo apropriado destacar:
I was grounded While you filled the skies I was dumbfounded by truths You cut through lies I saw the rain-dirty valley You saw brigadoon I saw the crescent You saw the whole of the moon!
I spoke about wings You just flew I wondered, I guessed, and I tried You just knew I sighed But you swooned I saw the crescent You saw the whole of the moon! The whole of the moon!
O jornalista do Expresso, Micael Pereira, venceu o prémio CONVERGÊNCIA - IMPRESA 2007. Motivo : a reportagem "Selvagens - A última Fronteira", publicada na revista Única e no "site" do jornal, transmitida na SIC Notícias e divulgada em festivais internacionais de documentário - onde conquistou vários prémios.
Conheci o Micael em Outubro de 2006, quando ele fez um Íntimo sobre a Íntima para a revista Única do Expresso. Já nessa altura o seu entusiasmo pela convergência era grande. Dias depois veio, com a Cláudia e o Luís, registar em vídeo uma longa conversa como complemento do trabalho já publicado.
Este prémio deixou-me imensamente contente. É uma esperança quanto ao reconhecimento daquilo que é BOM. A qualidade do trabalho, o grande entusiasmo por aquilo que se faz, o sonho. Também o sonho. E a bondade ! Este prémio que é do Micael, é, também, para mim, uma espécie de "pedaço de azul entre as núvens". Quando eu mesmo me entusiasmo e acredito na comunicação cruzada e complementar - CONVERGÊNCIA - nada melhor do que o reconhecimento do trabalho nesta área de um jornalista como o Micael.
Começa hoje com Gary Lucas (USA) vs Dead Combo (POR) numa encomenda do Festival em estreia mundial.
Um post para ouvir e ver ( e sentir ... sentir ). Help me - Johnny Cash
Regressaram os comentários. Os antigos estão, algures, escondidos. Procuro o seu regresso.
"Por favor, digam-me que eu existo !" ...
"Seria preciso nascer com o sentido especial da aproximação e do acordo." R. Bresson Ao acrescentar seja o que for à frase, desfaço-a. E já ninguém me pode ajudar, porque os comentários continuam em off. Talvez um sinal. Mas uma enorme solidão. E isto que não muda !
SEIS DE MARÇO Os misteriosos post-puzzles desta data. "Quero o seu regresso, não a sua repetição." (Barthes)
Já que estou numa fase (transitória, espero) de gerir o blog ao sabor do vento, sei lá por que motivo me veio à cabeça (e aos ouvidos), mas também ao coração, ELO (Electric Light Orchestra) - I Cant Get It Out Of My Head ? Uma banda inglesa formada em Birmingham no Outono de 1970. Foi uma espécie de juntar os destroços dos Move, um excêntrico art-pop combo da segunda metade dos anos 60 do século passado. Em 1974 editaram Can't Get It Out of My Head. Há um clip muito caseiro de 1975 e várias gravações ao vivo já muito mais recentes. Dou também janela para o tema mais conhecido dos Move - Flowers in the rain (1967-68).