I love you ... YouTube !
Camp. Absolutamente camp. Fascisnante !

AQUI, em 1965

E também aqui, em 1966.



Quando tudo, ou quase tudo, era ainda possível !
IF 23 Julho 2007

1ª parte

# The Album Leaf : Malmo
# The Album Leaf : Seal beach
# Hector Zazou : Remember (c/ Sarah-Jane Morris)
# Tim Hacker : Harmony in blues I (extracto)
# Tindersticks : My oblivion
# Jens Lekman : How much you mean to me
# Hello Saferide : Can't believe it's not love
# Bill Laswell : dub Is this love
# Zero 7 : Monday night
# Allegra : The man who sold the world
# Fionn Regan : Bunker or basement (extracto)
# Young Marble Giants : Radio Silents
# Yo la tengo : Tonight
# Elvis says goodbye
# The Album Leaf : Broken arrow (extracto)
# The Album Leaf : Malmo

2ª parte

# Red House Painters : Summer dress
# Sam Prekop : Between outside
# Brian Eno : Everything merges with the night
# Beach Boys : And your dream comes true
# Scott Walker : Boy child
# Goldfrapp : Felt mountain
# One A.M. Radio : I didn't speak the language
# One A.M. Radio : Lucky
# Kings of Convenience : Gold in the air of summer
# João Gilberto : Estate
# Jon Hassell : Estate
# Shivaree : Someday
# Lovin' Spoonful : Summer in the city (reduzida)
# Lee Hazlewood + Nancy Sinatra : You've lost your lovin' feeling
# Julie London : Theme from "A summer place"
# Françoise Hardy : La fin de l'eté
# Craig armstrong : Gentle piece
# The Album Leaf : Malmo

Rádio Clube Português -RCP - (domingo para segunda - meia noite)

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Podcast - GavezDois

23 Julho
3:34
16º

Come away
Teach me sweetheart
Come on past
Brave young bachelors
I'm alone
Teach me, sweetheart
(The Fiery Furnaces)

Pedaços de música na noite de chuva.

Coimbra, Portugal - Partly Cloudy 11° C

Bom dia !
7:33 de 22 de Julho
O Instituto de Meteorologia insiste em dizer que estamos dentro dos valores normais para a época ...
E quem fez as previsões do Verão mais quente dos últimos anos ?
Alguém que não entende ser impossível prever seja o que for, depois do que já fizemos ou fomos coniventes com ...

The Fiery Furnaces têm um novo álbum - Window City.
Conheci-o por dica (obrigado !) do Jorge Prazeres.
Numa primeira audição pareceu correcto um comentário que encontrei num forum sobre os FF : "Possibly the coolest album they have done so far ...".
Mesmo assim, mantenho-me agarrado a "Teach me sweetheart", do disco anterior - Bitter tea. E julgo que (indesculpável) nunca inclui este tema na IF. Não perde pela demora.
Rock'n'roll é isto !
Jerry Lee Lewis, Fats Domino e Ray Charles todos ao mesmo tempo sobre um só palco.
Nunca mais ...

"Em Nova Iorque só resta meia dúzia de lojas de discos. Toda a gente faz downloads. Muitas estruturas que nos habituámos a ver nas cidades, como os balcões dos bancos, também estão a desparecer. Tudo isto transforma não só a paisagem como a mentalidade. [...] ups ! não é o governo quem conduz a guerra ! É o que acontece quando o que conta essencialmente é o dinheiro e os grandes conglomerados empresariais tomam as rédeas do espectáculo. Há 10 ou 12 anos havia cerca de 300.000 presos. Desde que as prisões foram privatizadas, há 3 milhões. Este triunfo do capitalismo deixa muito pouco espaço para o pensamento: cada pessoa sonha apenas com o novo modelo de automóvel, o novo laptop, o novo iPod ..." Laurie Anderson.

OH SUPERMAN !
(chamo-te em vão)
Malmo é também o som do tempo suave do Mosteiro.
Das longas caminhadas. Do silêncio. Da piscina coberta e envidraçada, no meio do quase nada, com vista para o poente. Dos jantares acolhedores. Da lareira. Do pão. Das luzes intermitentes dos aviões na rota de regresso nocturno da Europa. Do frio azul escuro da noite de Inverno. Do som da água, ao fundo. Do sossego. Um insuperável e morno sossego. Do ar fresco nocturno que invade a casa quente do Verão.
Da lua que é impossível não ver através da janela.
De M. que lê, à noite.
De M. que me traz jornais.
De M. que vejo à janela, por cima das enomes roseiras que rego.
Que eu julgava ali por mim.
De uma felicidade branda que parecia infinita.
Do Lak.

Malmo, era a música.

O blog, certas vezes, é como um diário. Não um registo do tempo que passa, mas o agarrar de ideias, memórias e aspirações. Não gosto aqui da palavra desejos.
The Album Leaf têm (no EP - Seal Beach) um instrumental que abre o disco e que se chama Malmo. Se eu fosse a Malmo (e é provável que não vá ...), iria ver o Turning Torso, do Calatrava. Com este som dos Album Leaf, vejo-me a passar a Oresund Bridge, de regresso à Dinamarca, a olhar para o lado direito enquanto o Torso, branco, vai ficando para trás. Mas Malmo persiste nos meus ouvidos.


Da Dinamarca para a Suécia.



E da Suécia para a Dinamarca.

Como não sou crítico, não tenho que explicar os motivos que me levam a recomendar The Album Leaf. Gosto mais dos instrumentais do que das canções, mas seja como for ... gosto.
Esta música parece-me estar sempre de fundo quando como (sózinho) hamburgers de frango grelhado, quando conduzo (sózinho) o velho Alpha pelas ruas da cidade ou ainda quando me sento, aqui, ainda sózinho, em frente ao computador. Música vaga ? Talvez quase igual a outras, mas afinal não é. Persiste, levemente, de fundo.

The Album Leaf

IF 16 Julho 2007

1ª parte

# The High Llamas : Summer seen
# Yo la tengo : Don't have to be so sad
# Floatation Toy Warning : Made from tiny boxes
# Velvet Underground : After hours
# Rilo Kiley : After hours
# Yonderboi : Riders on the storm (Pink Solidism - extracto)
# Mudd : Summer in the wood
# Booker T. & The MGs : Summertime
# David Vandervelde : Moolight instrumental
# Ryuichi Sakamoto : World Citizen (recycled)
# The Dwarf Chorus : Heigh-Ho (extracto)
# The Ventures : Telstar (Nasa 25º aniversário - extracto)
# Cinnamon : Cakes and pies
# The High Llamas . Summer seen
# Yo la tengo : Don't have to be so sad
# The Jesus and Mary Chain : Taste of Cindy
# At Swim Two Birds : Women of a certain mental age
# Hannu : Junassa (extracto)
# Junior Boys : FM (Marsen Jules remix)

2ª parte

# Brian Eno : Bottomliners
# Susanna and the Magical Orchestra : Time
# Howard Devoto : Some will pay (for what others pay to avoid)
# Eels : Marie floating over the backyard
# Eels : Things the grand children should know
# Craig Armstrong : Gentle piece
# Carlos d'Alessio : India song (piano)
# Maria Taylor : SpeakEasy
# Logh : Exit
# Piano Magic : This heart machinery
# Brian Eno : And then so clear
# Brian Eno : Long way down
# AGF&Delay : From morning on (extracto)
# AGF&Delay : A distant view (delete silence IF remix)
# Nooday Underground : Closing time
# Craig Armstrong : Gentle piece

Rádio Clube Português -RCP - (domingo para segunda - meia noite)

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Podcast - GavezDois
Há 25 anos. Exactamente um quarto de século.
O Superman. Big Science. Laurie Anderson.
Estas coisas que parecem ter passado, mas subsistem por elas próprias e, há muito, eternizadas por outros.
E foi só ontem.


O Superman. O judge. O Mom and Dad. Mom and Dad.
O Superman. O judge. O Mom and Dad. Mom and Dad.

... ... ... ...

'Cause when love is gone, there's always justice.
And when justive is gone, there's always force.
And when force is gone, there's always Mom. Hi Mom!

So hold me, Mom, in your long arms. So hold me,
Mom, in your long arms.
In your automatic arms. Your electronic arms.
In your arms.
So hold me, Mom, in your long arms.
Your petrochemical arms. Your military arms.
In your electronic arms.

offf

zzzzzzzzzzzz


Come back come back
my little peace of mind ...

M.Ward - Radio Campaign

I got stripped of my soul,
Standing in my shoes,
Come back, come back
My little peace of mind
IF 9 de Julho 2007

1ª parte

# KLF : Alone again with the dawn coming up
# Gavouna : Fools ( detuned guitar version - IF remix)
# Barbed : Philadelphia
# KLF : Madrugada eterna (mix com extractos de Build a Fire)
# Piano Magic : Son de Mar (+ extracto de Bob Marley + extracto de Juliette Greco)
# Kraftwerk : Prologue
# Kraftwerk : Tour de France (soundtracks 3)
# Maximilian Hecker : Infinite love song (extracto)
# Friends of Dean Martinez : Coppertone
# Otis Redding : Pain in my heart
# Bjork : I see who you are (com Min Xiao Fen)
# The White Birch : We are not the ones
# Aphex Twin : Penty Harmonium (extracto)
# Thief : Sunchild (reprise)
# Barbed : Double click countryside
# Balun : Disappearing act

2ª parte

# At Swim Two Birds : Darling
# The Montgolfier Brothers : Dream in organza
# Isan : Stickland
# Leo Abrahams : Seeing stars
# Lanterna : Hope
# Jens Lekman : How much you mean to me
# Cat Power : Remember me (solo version)
# At Swim Two Birds : Darling (never ending IF remix)

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ver e ouvir através da imagem

One, two, three...

If you close the door
The night could last forever
Leave the sunshine out
And say hello to never

(After hours - Velvet Underground)

Please don't close the door ... the night must not last forever ... don't leave the sunshine out ... don't say hello to never ...

[i'm trying (so hard) to become a morning person ...]
Ainda o Tour ( escultura urbana sobre o Tour de France ).
Fotografias de Paulo Abrantes.
VEJAM.



Alpha - Come From Heaven (Blitz)


Aprendemos, ao longo dos tempos, que o selo de uma editora não chega, por si só,
para conferir a um qualquer disco um inegável padrão de qualidade. Também aprendemos,
por outro lado, que existem nomes de casas que, por norma, implicam uma criteriosa
selecção de discos a editar. Embora não possamos fazer desta segunda ocorrência
o mote para uma teoria genralista e inrefutável, o certo é que nomes como Mo´Wax,
a Grand Royal ou a Irma Records foram criando à sua volta uma imagem de relevância
na actualidade que se saúda. O disco que aqui se apresenta, "Come From Heaven",
é uma das edições primeiras da Melankolic, a editora propriedade dos Massive Attack,
eles próprios fabricantes de grandes composições dos anos noventa. Pode, portanto,
estar aqui o embrião de uma notável carreira editorial.

Colocando, então, de um lado as ligações deste disco à industria musical, o mínimo
que pode escrever-se é que a estreia, em álbum, dos Alpha se reveste de uma luxuriante
natureza estética, abrindo caminho a partir do ponto em que ficaram os mais glorificados
subscritores do trip-hop, o duo Portishead.

Não sendo sensata a aventura de considerar este um disco mais futurista que todos
os outros editados pela "tropa de Bristol", até porque no núcleo mais ou menos alargado
de trip-hoppers e pós-trip-hoppers consta o nome de Tricky, saliente-se que este
é, pelo menos, um disco totalmente novo, um disco em que a técnica de reciclagem
é posta em prática como em poucos outros, num processo pejado de deleite que ultrapassa,
em muito, o espaço onde as coisas são criadas.

"Come From Heaven" é um disco que  resume muito do que a música deste século
albergou no seu imenso espaço. É um álbum que, pegando na soul e na densidade das
batidas hip-hop fumegantes e acompanhadas por ambientes saturnos que marca a vida
do trip-hop, nos transporta para uma terra de ninguém. Encontramo-nos, depois de
nos deliciarmos vezes sem conta com as construções entre o caleidoscópio e o tenebroso
da dupla constituída por Colin Dingley e Andy Jenks, num local sufocante de tão
belo e assustador de tão despojado. A essência, aquilo que fica quando admitimos
ser possível a convivência com a mais depurada das verdades, é aquilo que resta
depois da exploração de "Come From Heaven". As vozes convidadas para "Come From
Heaven", pertença de Wendy Stubbs, Helen White eMartin Bernard (que consegue, deliciosamente,
lembrarnos os registos do malogrado Jeff Buckley), bem como os samples construídos
a partir de material de Burt Bacharach ou George Gershwin, ajudam a compor um ramalhete
de canções (ou melodias, já que aqui os conceitos absolutos perdem relevância, como
relevância perde tudo o que não é realmente belo) que soam incrivelmente familiares,
São-no, na realidade, porque é de canções como "Rain" e "Nyquil" que esperamos todos
os dias. Aprendemos a construí-las em étereos quadros de flutuação interior. Aprendemos
a sentir saudades de canções que não conhecemos. Agora elas existem, como terão
existido sempre. A diferença é que neste momento conhecêmos-lhe o nome e o cheiro.

Pedro Gonçalves, Blitz (4/5), 1997


Alpha - Come From Heaven (Público)

Dizem que eles vêm do céu. Mas o paraíso é um lugar onde é suposto
estar-se bem. Por isso, não acreditem. Esta música parece mais o último grito
de socorro de uma epopeia trágico-marítima que acabou mal, muito mal. Ao pé
do oceânico véu de melancolia que os Alpha estenderam para si próprios,
grupos como os Tindersticks fazem figura de surfistas sorridentes.

Mais um produto do fascinante e quase inesgotável cadinho de Bristol, os Alpha
gravam para a editora recentemente fundada pelos Massive Attack. No entanto, as
semelhanças entre estes dois taciturnos rapazes que aqui se estreiam e a
luxuriante arquitectura sonora dos autores de "Blue Lines" ficam-se
pelo mero vislumbre de uma irmandade comum, patente numa estética aparentada,
mas à qual as angústias impuseram uma irresistível deriva. Como os londrinos
Archive, que circulam em rotas similares, os Alpha são uma dupla de produtores
e manipuladores de som aos quais se juntam cantores em processo de comunhão
estética. Embora muito os distinga daqueles, já não há aqui discursos
hip-hop, nem viagens de sabor vagamente psicadélico a colorir a paisagem.



A imensidão existe, mas é possível recriá-la nume cela diminuta e num único
instante. Os Alpha ousaram o visionário cometimento de imaginar o trip-hop que
só se julgaria possível num mundo donde toda a esperança tivesse desertado. A
sumptuosidade orquestral que percorre todo o álbum é um veículo de languidez
e um passaporte para a soturnidade. Os samples de mestres da "música de
'charme'" como Burt Bacharach, Michel Legrand e Francis Lai são
aprisionados num fôlego único, subtraídos à dinâmica original e recriados
numa toca de lobo. A prova final, de que é possível encerrar sinfonias numa
cave e só de vez em quando abrir uma portinhola para deixar os violinos
respirar. Canções que evoluem em torno do mesmo motivo orquestral,
lamentosamente repetido  numa permanente desdita a que só as vozes vão
dando luz. Tão denso e insuportável como um "requiem", este disco
imagina o que seria o naufrágio de um paquete com os instrumentos da orquestra
já abandonados e espectros no lugar dos músicos tocando a mesma frase até ao
final dos tempos, até ao último dos abismos. O que fornece o sampler, afinal,
senão o fantasma de uma música que já existiu?



O maravilhoso "Titanic" que os Alpha insistem em pôr a navegar no
meio de destroços de uma música perdida conta com brilhantes timoneiros. Vozes
que soltam por entre o nevoeiro o clarão dos faróis. Martin Barnard esboça o
que seria Scott Walker em registo obsessivo nesse monumento que é "Sometime
Later". Helen White desbrava um "Summertime" de Gershwin retido
numa curva rítmica; transforma-o em "Slim" e converte o Verão onde
é bom viver num Inverno de chuva e sombras. Wendy Stubbs recupera em "Somewhere
not here" o motivo já explorado por Barnard e propõe uma surtida
temerária à linha do horizonte semeada de perigos. Aí o navio despede-se.
Provavelmente a orquestra prosseguirá o mesmo andamento, do outro lado do
mundo. Quando nada restar sobre as águas, a música dos Alpha ainda ecoará
debaixo das ondas. Ouvir "Come From Heaven" é como ter medo do mar:
primeiro estranha-se, mas depois entranha-se ...

Nuno Corvacho, Público (9/10), 1997

Arcade Fire @ SBSR (Blitz)

O primeiro dia do 2º acto da edição
2007 do Festival Super Bock Super Rock ficou marcado pelo regresso dos Arcade
Fire
a Portugal, depois de um muito elogiado debute, em 2005, no
Festival de Paredes de Coura. Com um segundo álbum - Neon Bible - na
bagagem e uma reputação de excitante banda de palco (elogiada por «monstros»
sagrados como Bono e Bowie), a banda de Win Butler ofereceu ao público lisboeta
um espectáculo irrepreensível, satisfazendo as melhores expectativas.



A actuação do grupo de Montreal foi precedida por uma bizarra apresentação em
vídeo. Trata-se de um trecho que no YouTube está identificado como «Posessão
Demoníaca» (
veja o vídeo aqui
) e que não é mais do que uma
menina brasileira em discurso livre numa assembleia evangélica – não declama,
garantimos, a mesma bíblia de neon da banda canadiana. Dez minutos volvidos
sobre a meia-noite, a numerosa banda do Québec (que incorpora metais e cordas,
para além de baixo, bateria, teclados, guitarras e percussões diversas) dava
início a uma actuação de quase uma hora e meia pontuada por um número
elevadíssimo de pontos altos. O primeiro logo a abrir: uma notável rendição de
«Black Mirror», um dos documentos mais enérgicos de Neon Bible . Em
palco, cinco telas circulares projectam a bíblia de neon da capa do disco e, ao
fundo, uma cortina vermelha – onde, do lado esquerdo, se localizava uma réplica
decorativa de um órgão de tubos – serve também de campo de projecção. E, claro,
há tiras verticais de neon vermelho «fingido» que vão acendendo episodicamente.



Como que a querer mostrar que a noite não é para brincadeiras (ou segundas
escolhas), Win Butler e companhia tratam de atacar «No Cars Go» (o tema antigo
que, recauchutado, se tornou ex-libris do novo álbum). Régine Chassagne toma o
microfone para «Haiti» e a bateria em «The Well & The Lighthouse» e «Ocean
of Noise»; a maior parte do tempo está atrás dos teclados. Na guitarra e voz,
Win Butler não parece o maestro da orquestra, mas lidera-a sem problemas. Numa
das suas guitarras está cravado o provérbio haitiano «Sak Vid Pa Kampe»
(qualquer coisa como «um saco vazio não se aguenta em pé»), uma alusão às
crianças haitianas que lutam diariamente contra a má nutrição. De recordar que
as origens de Régine (que é também mulher de Win) estão naquele país do Caribe.



Depois de nova descarga de emoções em «Tunnels», Win – que se desmultiplicou em
agradecimentos – conta que, em Montreal, vive entre a comunidade portuguesa e a
grega, pedindo desculpa por lembrar o povo que nos «tramou» a vida no Euro
2004. Seguem-se sentidos agradecimentos de uma banda que, não raras vezes,
recebeu do público um coro afinado mesmo quando as músicas já tinham acabado. E
um ainda mais empolgante «Rebellion (Lies)», a suscitar braços abertos em
direcção ao céu e um ambiente incrivelmente tocante.



A despedida – em encore – dá-se com a indispensável «Wake Up», mais um épico de Funeral
para cantar em coro. E nesse momento, bem perto do fim, banda e público do
Super Bock Super Rock parecem uma só entidade. Bonito de ver.



Para os «coleccionadores», o alinhamento:



Black Mirror

No Cars Go

Haiti

(Antichrist Television Blues)

Intervention

Headlights Look Like Diamonds

The Well & The Lighthouse

Ocean of Noise

Tunnels

Rebellion (Lies)

Power Out

Keep The Car Running

Wake Up


 


LG, Blitz, 2007-07-05